A Influência das emoções na carreira da secretária

02/12/2013 • Por • 71 Acessos

Todos nós sabemos que a profissão de secretariado executivo vem sofrendo mudanças ao longo do tempo. Além das técnicas secretariais, temos que adquirir visão de negócios, ferramentas de motivação, liderança, comunicação, gestão e empreendedorismo.  E mais: na ausência do chefe, a secretária precisa contornar conflitos e situações inesperadas, de maneira a não obstruir o fluxo de trabalho. Devemos ter também sólidas noções de administração e boa dose de diplomacia para saber lidar com os demais funcionários e com a clientela da empresa. Ou seja, é preciso ter conhecimentos técnicos, administrativos e emocionais.

O mercado de trabalho está muito mais exigente, e isso quer dizer que, apenas ser o mais competente tecnicamente do mercado não garante trabalho. Então, devemos desenvolver e aprimorar habilidades como controle de emoções e capacidade de interagir com grupos diferentes em momentos distintos.  Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, diz que as pessoas são contratadas por suas competências técnicas, mas são demitidas pelas comportamentais ou emocionais.

As relações interpessoais saudáveis e a capacidade de liderança no ambiente profissional são reconhecidas como requisito para um resultado eficaz do trabalho, e aprender a lidar com as emoções, aliando ao conhecimento técnico, pode representar um passo à frente para o sucesso profissional. Conhecemos isso como a inteligência emocional, que aplicada nas organizações através da vida profissional da secretária executiva, pode servir de base para que estas profissionais conquistem espaço e para que desenvolvam a capacidade de atuar nas diferentes atividades que desempenham junto ao executivo.

Isso não significa que não é necessário que o profissional invista na sua formação, o que obviamente é algo muito importante. O que quero destacar é que, se uma empresa precisar escolher entre dois profissionais com a mesma formação e os mesmos conhecimentos, ela vai ficar com aquele que tiver um perfil emocional mais adequado, pois é esse quem vai agregar mais valor para a empresa.

Então, como alcançar uma convivência razoavelmente satisfatória e produtiva no ambiente de trabalho? No caso da secretária executiva, ela interage a cada tarefa desempenhada e o domínio dos aspectos das relações interpessoais pode provocar sentimentos positivos de simpatia, aumentando a cooperação, o que será favorável nas atividades que propor, nos projetos que precisa  executar ou mesmo nos processos de liderança.

Mas como isso é possível? Uma das formas para entender e desenvolver estes processos que facilitam e colaboram para uma prática profissional eficaz são as técnicas da Inteligência Emocional.

Primeiro é adequado que se entenda como é o funcionamento das emoções e da razão no cérebro humano.  Daniel Goleman é considerado como revolucionário pela maioria dos autores que escrevem a respeito. Ele afirma que somente um alto QI (coeficiente de inteligência) não basta para o sucesso no trabalho. Ele afirma que o cérebro está divido em dois centros: a inteligência intelectual (razão) e a inteligência emocional (emoção).

Mas o que é Inteligência Emocional? Segundo Goleman  " A inteligência emocional é simplesmente o uso inteligente das emoções – isto é, fazer intencionalmente com que suas emoções trabalhem a seu favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu comportamento e seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar seus resultados."

Ao longo do seu dia de trabalho, a secretária executiva passa por momentos que podemos considerar como críticos. O contato com a chefia estressada pelas cobranças hierárquicas, por exemplo, pode causar muita pressão e cobranças ou até mesmo desmotivação. Como seu trabalho envolve basicamente relacionamento interpessoal, desenvolver o controle das emoções, identificando maus hábitos e rastreando as possibilidades de crescimento, poderá lidar mais facilmente com situações difíceis tão presentes em sua profissão, fazendo com que as atitudes sejam focadas em resultados esperados pela chefia, sem a perda da motivação e com o equilíbrio emocional necessário para manutenção da empatia com o grupo de trabalho.

Para qualquer profissional, e no caso da secretária executiva, a autoconsciência destas influências externas e internas sobre a avaliação das pessoas é fundamental, na medida em que seus clientes externos e internos são frequentemente muito diferentes uns dos outros, desde os mais variados cargos até culturas e subculturas diversas. A avaliação constante dos comportamentos a tomar para cada tipo de cliente e identificar como estes a veem podem ser uma forma de conquistar sua empatia, tanto em uma negociação com diretores da empresa como em uma tomada de decisão sobre um projeto com a equipe. A autoconsciência é a chave para gerar um relacionamento interpessoal positivo e, consequentemente, clima favorável e produtividade adequada.

Entendendo e controlando as emoções

Goleman explica que o ser humano possui quatro emoções: a raiva, o medo, a tristeza e a alegria. Dentro de cada uma delas, nós desenvolvemos os sentimentos.

Por que quando sentimos raiva, queremos bater, agredir ou arremessar algo que esteja ao nosso alcance? É porque o sangue flui para as mãos. Esse é um comportamento fisiológico herdado dos antepassados no intuito de nos proteger e garantir a sobrevivência da espécie.

Quando sentimos medo, o sangue flui para os membros inferiores, pois o objetivo é dar forças para uma possível fuga. Porém em algumas pessoas o efeito é o contrário; a pessoa não consegue sair do lugar por sentir um peso nas pernas. A pessoa fica com o rosto pálido e pouco sangue circula no cérebro. Isso também explica porque um estudante, tomado pelo pânico no momento de iniciar uma prova, tem o famoso "branco" aparece e os pensamentos se tornam desordenados.

A tristeza faz com que o metabolismo fique lento, fazendo com que a pessoa "desacelere" e reflita sobre os acontecimentos da vida. E isso não é ruim, a questão é não demorar muito tempo para continuar nessa reflexão.

A felicidade vem para suprimir sentimentos negativos e pensamentos perturbadores. É que aumento de atividade de centros cerebrais, o sangue circula mais rápido, levando mais oxigênio ao cérebro, fazendo-nos ficar num estado de relaxamento.

É bom aprender também que devemos ver as emoções como algo necessário: a raiva é positiva quando ela nos move a tomar uma atitude. O medo nos protege. A tristeza nos faz refletir sobre uma atitude a ser tomada enquanto a felicidade nos motiva. O que precisamos é identificá-las e saber qual atitude tomar em cada uma delas.

Seja o respirar profundamente e contar até 10 no momento da raiva ou aproveitar o otimismo que a felicidade provoca para apresentar um projeto engavetado há algum tempo, o importante é buscar treina-las e aplica-las no ambiente de trabalho.

Competências como empatia, habilidade de interagir com pessoas diferentes, saber ouvir, ter autoconsciência e controle das próprias emoções, alem de direcionar energias positivas para a eficácia do trabalho a ser desenvolvido, gerando clima de colaboração e de satisfação com as pessoas que se convive, estão intimamente ligadas com o sucesso profissional de qualquer pessoa.

O uso destas competências emocionais, pela secretária executiva, vai ajuda-la a alcançar o objetivo de desenvolver melhores relacionamentos interpessoais, a fim de que seu trabalho traga resultados eficazes.  

Então, vamos praticar?

Perfil do Autor

Alessandra Dultra

Alessandra Dultra – Secretária Executiva, pós-graduada em PsicologiaOrganizacional, professora, palestrante econsultora organizacional...