O papel da auditoria interna nas empresas

Publicado em: 19/03/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 5,068 |

1 INTRODUÇÃO

No processo de tomada de decisão, a maior gravidade e a incerteza em relação ao futuro, mas esta pode ser reduzida com um bom modelo de decisão na sua concepção e alimentada com informações autênticas, adequadas, a fim de oferecer um resultado propicio e aceitável acerca de uma decisão. Com auxilio das ferramentas da auditoria interna por sua vez pretende responder as expectativas dos gestores sobre os riscos internos da instituição, observando, aconselhando e esclarecendo os responsáveis envolvidos, possibilitando a implantação de novas ações corretivas e necessárias para o bom andamento dos negócios. Atualmente a auditoria interna constitui uma função de apoio a gestão, podendo o gestor recorrer para realizar verificações nas rotinas de trabalho e na confirmação da consistência física e técnica.

Esta pesquisa restringe-se ao estudo do papel da auditoria interna para a melhoria dos controles internos de uma organização. De forma geral ou especifica os objetivos de um trabalho de pesquisa consistem em ser os passos que se deve seguir para conseguir responder o problema proposto.

Segundo Dmitruk (2004), o objetivo é linha de chegada da pesquisa, mostrando a contribuição que o trabalho vista atingir, mas é possível ter seu objetivo alcançado se todas as fases da pesquisa forem vencidas.

O objetivo geral do presente estudo será demonstrar a importância da auditoria interna nas empresas. Sendo assim, foram traçados os seguintes objetivos específicos:

a)      Identificar a origem, evolução histórica da auditoria;

b)      Identificar os conceitos da auditoria interna;

c)      Identificar o ambiente de atuação da auditoria interna;

d)     Evidenciar a importância da auditoria interna como meio de prevenção.

Este artigo pode ser classificado com teórico, empírico baseado em ampla pesquisa bibliográfica, que segundo Lakatos e Marconi (2001, p.183): pesquisa bibliográfica não é apenas a reprodução do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, "mas propicia o exame de tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras." Os dados foram subsidiados em livros de auditoria, sítios de órgão contábeis, artigos e Internet com dados pertinentes ao assunto.

A primeira parte do artigo apresenta o enquadramento teórico da auditoria, começando pela origem e evolução histórica, a segunda parte definirá auditoria interna, terceira parte contemplará o ambiente de atuação interna. Evidenciar a importância da auditoria interna como meio de prevenção, contida na quarta parte do trabalho. Ao final do artigo são feitos às considerações conclusivas, encerrando o artigo.

2 ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA AUDITORIA

A origem da auditoria foi, em muito, discutida de forma precisamente pelos especialistas, mas, no entanto, ainda torna-se importante relacioná-la com o início das atividades econômicas desenvolvidas pelo homem, conforme retrata à Boynton (apud Hoog ; Carlin 2004, p.47), traz um pouco da historia da auditoria:

Auditoria começa em época tão remota quanto à contabilidade. Sempre que o avanço da civilização tinha implicado que a propriedade de um homem fosse confiada, em maior ou menor extensão, a outra, a desejabilidade da necessidade de verificação da fidelidade do último, tornou-se clara.

Nesse pensamento, visualiza-se que o aparecimento da auditoria ocorreu quase no mesmo período que a contabilidade pelas necessidades do homem e pela segurança que ele obteria em se averiguar que de fato os seus bens estavam sendo cuidados com incorruptibilidade.

Assim, constata-se que, desde os primórdios, no antigo Egito havia uma obrigação imprescindível de se comprovar as atividades praticadas, tais como averiguação dos registros de cobrança de impostos; e examinar minuciosamente as contas de funcionários públicos, estas na Grécia (BOYNTON et al., 2002).

Segundo autor Almeida (1996), o surgimento da auditoria se deu pelo crescimento do sistema familiar após a Revolução Industrial. Com o desabrochar das empresas do grupo do sistema familiar fechado para o sistema de empresa aberta. As empresas começaram a buscar novos mercados, competindo por espaço, assim expandidos tanto o mercado como as próprias empresas. Com esse desenvolvimento, precisaram rever as formas de controles e procedimentos da empresa, visando à redução de custo.

Em tal caso, deixa percebe o porquê que o cargo de auditor foi criado na Inglaterra que, dominadora dos mares e do comércio em épocas passadas, em 1314, sabido a potência econômica desse país desde a época das colonizações, que se tornaria, séculos depois, o berço do capitalismo com a Revolução Industrial.

É quanto à origem do termo auditor em português, muito embora primoroso representado pela origem latina (aquele que ouve, ouvinte), na verdade provém do verbo inglês to audit (examinar, ajustar, corrigir, certificar). Auditoria pode ser explicada como um processo de cotejo entre uma situação encontrada com um determinado critério, ou seja, um paralelo entre um fato ocorrido com o que deveria ocorrer.

A extensão econômica e comercial da Inglaterra e da Holanda nos fins dos séculos passados, bem como dos Estados Unidos, onde hoje a profissão é mais desenvolvida, determinou a evolução da auditoria, por causa do crescimento das empresas, do aumento de sua complexidade e do envolvimento do interesse da economia popular nos grandes empreendimentos (Crepaldi, 2004, p. 105).

Ainda que cronologicamente haja princípio de prova da existência da profissão de auditor desde o século XIV, esta é, em verdade, uma função nova que vem experimentando excepcional desenvolvimento com diferentes graus de especialização, conforme o quadro abaixo.

ANO

ACONTECIMENTO

1314

Criação do cargo de auditor do Tesouro da Inglaterra

1559

Sistematização e estabelecimento da auditoria dos pagamentos a servidores públicos pela Rainha Elizabeth I.

1756

A Revolução Industrial na Inglaterra e a expansão do capitalismo propiciaram grande impulso para a profissão devido ao surgimento das primeiras fábricas com uso intensivo de capital [...].

1880

Criação da Associação dos Contadores Públicos Certificados na Inglaterra.

1887

Cria-se nos EUA, a Associação dos Contadores Públicos Certificados.

1894

É criado na Holanda o Instituto Holandês de Contabilidade Pública.

Início do séc. XX

Surgimento das grandes corporações americanas e rápida expansão do mercado de capitais.

1916

Surgimento do IPA (Institute of Public Accountants), que sucede a Associação supra citada em 1887.

1917

Redenominação do IPA para AIA (American Institute of Accountants).

1929

Crash da Bolsa de Valores.

Início dos anos 30

O AIA propõe ao Congresso Norte-Americano a regulamentação de normas e padrões contábeis por profissionais altamente capacitados.

1934

Criação da SEC (Security and Exchange Comission), nos EUA, aumentando a importância da profissão do auditor como guardião da transparência das informações contábeis das organizações e sua divulgação para o mercado de capitais [...].

1947

Declaração de Responsabilidade do auditor interno

1957

Redenominação do AIA para AICPA (American Institute of Certified Public Accountants), instituto que teve importância decisiva para o desenvolvimento das práticas contábeis e de auditoria.

1971

Criação do IBRACON (Instituto Brasileiro de Contadores) [...].

1973

Surgimento do FASB (Financial Accounting Standards Board), nos EUA, com o objetivo de determinar e aperfeiçoar os procedimentos, conceitos e normas contábeis.

1976

Com a Lei nº. 6404 - Lei das Sociedades por Ações - foram normatizados as práticas e relatórios contábeis.

1976

Com a Lei nº. 6385, é criada a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que tem a responsabilidade de normatizar as normas contábeis e os trabalhos de auditoria das empresas de capital aberto, além de fiscalizar.

1977

Surgimento do IFAC (International Federation of Accountants), que substituiu o International Coordination Committee for Accountancy Profession, com a missão de emitir padrões profissionais e guias de recomendação, além de buscar a convergência internacional desse padrões.

2001

Surgimento do IASB (International Accounting Standards Board), com sede na Grã-Bretanha, que assume a responsabilidade de estudo de padrões contábeis, antes dirigidos pelo IASC (International Accounting Standards Comitte), com o objetivo de harmonizá-las internacionalmente.

QUADRO 1: Desenvolvimento da Auditoria.

Fonte: Adaptado de Oliveira e Diniz Filho (2001).

 

O marco da necessidade de aprimoramento no sistema contábil e, por conseguinte, da auditoria, ocorreu em outubro 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, percebendo a desvalorizando das ações de muitas empresas, houve uma correria de investidores que pretendiam vender suas ações. O efeito foi devastador, pois as ações se desvalorizaram fortemente em poucos dias. Pessoas muito ricas passaram, da noite para o dia, para a classe pobre. O número de falências de empresas foi enorme e o desemprego atingiu quase 30% dos trabalhadores.

A crise, também conhecida como "A Grande Depressão", foi à maior de toda a história dos Estados Unidos. Como nesta época, diversos países do mundo mantinham relações comerciais com os Estados Unidos da América (EUA) a crise acabou se espalhando por quase todos os continentes afetou também o Brasil.

Portanto muitas empresas não tinham transparência e firmeza nos seus dados financeiros, incorporando, assim, com a já conhecida crise mundial. Houve, a partir daí, a necessidade de se mitigar as falhas nas difusões contábeis das empresas, tendo como um dos primeiros passos, a criação do famoso Comitê May, um grupo de trabalho formado para determinar regras para as empresas que tivessem suas ações cotadas em bolsas de valores, tornando obrigatória a Auditoria Contábil independente, nas demonstrações financeiras dessas empresas.

Desta maneira, com o surgimento dos órgãos supracitados, a auditoria estaria mais do que nunca, se fundido, gradativamente, junto ao desenvolvimento econômico mundial para o alcance do status de colaboradora para a continuidade das empresas, contribuindo diretamente no aprimoramento do processo de governança corporativa, amenizando, assim, sua aparência histórica de somente gerar custos para a entidade.

3 Auditoria Interna

3.1 Conceito

Auditoria interna pode ser conceituada como um elemento de controle que tem como um de seus objetivos, a avaliação dos controles internos da empresa. Constitui um controle gerencial que funciona por meio da análise e avaliação da eficiência de outros controles. É executada por um profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de dependência da direção empresarial.

Em conseqüência das constantes transformações ocorridas no ambiente externo das empresas, pelo aumento da competividade e, principalmente, pela fortificação da estrutura contábil e da auditoria, as empresas se organizaram por meio de planejamentos estratégicos para criar as condições mais favoráveis de seus recursos.

Com essa otimização, muitas empresas se prolongaram e criaram filiais com o objetivo de conquistar mercados, internos e externos.

Dentro desses programas olhou-se atentamente para a importância da adoção de uma auditoria interna, pois, segundo Attie (1992, p. 26):

[...] a administração passa a necessitar de alguém que lhes afirme que os controles e as rotinas de trabalho estão sendo habilmente executados e que os dados contábeis, com efetividade, merecem confiança, pois espelham a realidade econômica e financeira da empresa.

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade da Auditoria Interna (NBC T 12), item 12.1.1.1 "a auditoria interna constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da Entidade" (Conselho Federal de Contabilidade, 2003).

A auditoria interna pode ser determinada como um serviço de apoio que resumi na avaliação do cumprimento dos objetivos, políticas e normas estabelecidas pela alta administração da empresa. Do mesmo modo são responsáveis pela avaliação do funcionamento de todos os controles normais de operação e pela adequação da informação que se oferece à alta administração, acerca das deficiências detectadas em suas observações, a efeitos de assegurar que se possam atingir os objetivos da organização.

O auditor interno tem papel importante no auxílio à manutenção da organização de uma empresa. Segundo Attie (1992, p. 29):

[...] a Auditoria Interna, através de suas atividades de trabalho, serve à administração como meio de identificação de que todos os procedimentos internos e políticas definidas pela companhia, assim como os sistemas contábeis e de controle interno, estão sendo efetivamente seguidos e que as transações realizadas estão refletidas contabilmente em concordância com os critérios previamente definidos.

A apreciação dos riscos porventura sofridos pela empresa é uma atribuição da auditoria interna. Segundo a Martinelli (2002, p. 4-5), essa avaliação:

[...] pode determinar por exemplo, qual unidade/processo avaliar, haja vista, o limitado número de horas de auditoria disponíveis. Neste caso serão enfatizadas as unidades/processos que apresentam maior risco. Outro âmbito da aplicação do conceito de riscos está relacionado aos objetivos da instituição, pois conhecidos estes objetivos, a auditoria interna voltaria suas atividades para os riscos relacionados à consecução destes objetivos, procurando eliminá-los.

Além disso, segundo a Martinelli (2002), o auditor interno deve ter conhecimento por miúdo da empresa onde está envolvido. Ainda, devem também ter conhecimento do que vem a ser erro e fraude, pois, ambos devem ser examinado com atenção na realização do seu trabalho de precaução a perdas. No seu parecer "os auditores internos devem ter conhecimentos técnicos sobre os sistemas e procedimentos da organização, bem como sobre os tipos e características básicas de fraude ou erros possíveis de ocorrerem na área de atividades de seus exames.".

Devem ainda, "ser capazes de identificar os indícios de possíveis ocorrências de fraudes ou riscos de atos atentatórios, aqui incluídos os erros, ao patrimônio da organização." (Martinelli, 2002, p. 12).

A finalidade da auditoria interna resume-se em auxiliar os membros da empresa no desempenho de suas atividades. Para tanto a auditoria lhes proporciona análises, avaliações, recomendações, assessoria e informação concernente às atividades revisadas.

O auditor interno tem o objetivo de tornar     possível à harmonia de todas as ações praticadas pela empresa, fazendo com que as conseqüências dessa harmonia sejam repercutidas a todos os setores da empresa e a todos os interessados nos seus serviços.

O objetivo da auditoria interna:

Prestar uma avaliação independente das diversas operações e controles da companhia, para determinar se os procedimentos e políticas estão sendo seguidos, se os padrões estabelecidos são cumpridos, se os recursos são usados eficiente e economicamente, e se os objetivos da organização estão sendo atingidos". (MIGLIAVACCA, 2002, p. 142).

 

De acordo com Attie (1998, p. 208), para o alcance desses objetivos, o auditor interno, dentre outras, executa as seguintes funções:

a)      Revisa e avalia a eficiência, adequação e aplicação dos controles contábeis, financeiros e operacionais;

b)      Verifica se estão sendo cumpridas, corretamente, metas, as políticas, os procedimentos, os planos, leis, normas e regulamentos, e da sua aplicação pela empresa;

c)      Examina o grau de confiabilidade das informações contábeis e outras obtidas dentro da organização; e

d)     Avalia a qualidade de desempenho das tarefas delegadas.

A auditoria interna deve, portanto, possuir autoridade necessária para revisar todos os registros e documentos da empresa bem como avaliar as suas políticas, planos, sistemas, procedimentos e técnicas.

Para Antônio Lopes de Sá (2000, p. 40), "a auditoria interna é erroneamente vista como uma profissão voltada somente para os sistemas de organização da empresa". Em sua opinião, "limitar a auditoria interna só a tal função é limitar um serviço que pode ter melhor e maior profundidade e utilidade".

Observa-se atualmente, que o trabalho do auditor interno vem se modernizando e deixando de se limitar apenas ao campo da verificação. Na opinião de Sá (2000, p.25),

A tendência moderna representa uma evolução relativa que primitivamente se atribuía à auditoria e que se limitava ao campo de simples verificação; o conceito hoje é dinâmico e prossegue em evolução, atribuindo-se à auditoria outras importantes funções, abrangendo todo o organismo da empresa e da sua administração.

3.2 Diferenças básicas entre a auditoria interna e a auditoria externa

Auditoria externa: Constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com que estes representam à posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do Patrimônio Líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada. A Auditoria Externa é executada por profissional independente sem ligação com o quadro de funcionários da empresa. Sua intervenção é ajustada em contrato de serviços. Os testes e indagações se espalham por onde haja necessidade de levantar questões elucidativas para conclusão do trabalho ajustado.

Auditoria interna: Constitui um controle gerencial que funciona por meio da análise e avaliação da eficiência de outros controles. É realizada pelo pessoal da própria empresa, e não consiste no exame de demonstrações financeiras, mas no de todo tipo de operação da empresa. Atualmente os horizontes da auditoria foram ampliados para outras verificações que não aquelas essencialmente ligadas a sua origem contábil, tais como, auditoria de sistemas, auditoria da qualidade, auditoria ambiental, etc.

Mesmo que identificado o interesse comum no trabalho do auditor interno e do auditor externo, devemos salientar que existem diferenças fundamentais.

AUDITOR INTERNO

- É empregado da empresa auditada;

- Menor grau de independência;

- Executa auditoria contábil e operacional;

- Os principais objetivos são:

• verificar se as normas internas estão sendo seguidas;

• verificar a necessidade de aprimorar as normas internas vigentes;

• verificar a necessidade de novas normas internas;

• efetuar auditoria das diversas áreas das demonstrações contábeis e em áreas operacionais;

-Maior volume de testes (tem maior tempo na empresa para executar os serviços de  auditoria).

AUDITOR EXTERNO

- Não tem vínculo empregatício com a empresa auditada;

- Maior grau de independência;

- O principal objetivo é emitir parecer ou opinião sobre as demonstrações contábeis, no sentido de verificar se estas refletem adequadamente a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações e as origens e aplicações de recursos da empresa examinada. Também, se essas demonstrações foram elaboradas de acordo com os princípios contábeis e se esses princípios foram aplicados com uniformidade em relação ao exercício social anterior;

- Menor volume de testes, já que o auditor externo está interessado em erros que individualmente ou cumulativamente possam alterar de maneira substancial as informações das demonstrações contábeis.

Quadro 1 – Diferenças entre o auditor interno e externo

Fonte: Almeida (1996, p.26 apud Vinagre, 2004, p. 24).

 

4 Ambiente de Atuação da Auditoria interna

Quanto o seu modo de atuação, o auditor interno deve fazê-lo com impassibilidade e segurança, consciente de que deve expor minuciosamente suas atividades com independência em relação às atividades que examina, de forma a possibilitar o desempenho das suas funções de maneira livre e objetivamente.

A auditoria interna possui como propósito operacional auxiliar todos os membros da gestão no desempenho de suas funções e responsabilidades, de forma tal que os oriente para os seus êxitos gerenciais, atuando nos distintos e diversos setores da organização propiciando-lhe uma visão completa e abrangente sobre as diversas operações que possam estar submetidas a exames.

Segundo o Silva, Aresi e Breda (1997), o auditor interno deve ter ingresso a todas as áreas e informações no qual e para o qual progredirá seu trabalho. Não deve haver barreira, na esfera da empresa, para atuação da auditoria interna. Em áreas do qual tecnologia não reconhece, no todo ou parcialmente, deve ele obter assessoria de profissionais habilitados, a fim de compreender o processo, para poder avaliá-lo e julgá-lo, possibilitando, assim, que seu relatório seja emitido corretamente.

Deve tornar-se responsável pela exatidão das análises, apreciações, avaliações e informações que transmitir à gestão sobre as atividades então examinadas como também pelas declarações de opiniões que expressar sobre o controle interno e o grau de exatidão, adequação e eficiência do desempenho da empresa, nas áreas especificamente por ela examinadas.

Desta forma, as funções da auditoria interna devem estar voltadas para sugerir aos gestores, soluções para os problemas detectados, ao invés de somente informar sobre a existência destes.

5 o papel da auditoria interna nas empresas COMO MEIO DE PREVENÇÃO

A Auditoria interna tem por fundamento na empresa, dar garantias aos administradores quanto às informações geradas pela contabilidade, para averiguar se elas estão em entendimento com os aspectos legais, e se seu relatório faz ver as operações da empresa em um determinado intervalo de tempo. Dessa maneira, pode-se dizer que sua finalidade é:

a)      Integridade das informações e registros;

b)      Verificar a eficácia e eficiência dos controles;

c)      Utilizar métodos para salvaguardar os ativos e comprovação da existência, entre outros.

Para que o mesmo atenda a direção da empresa, torna-se indispensável uma auditoria periódica (ex: três em três meses), com um maior grau de profundidade e visando também outras áreas não relacionadas com a contabilidade.

Com isso veio o aparecimento do auditor interno que deve amparar-se de todos os meios e provas que tiver disposição a seu alcance para averiguar a consistência dos registros contábeis, mesmo que recorra a provas externas. Ou seja, para chegar às finalidades da auditoria devem-se buscar os recursos necessários para desfecho e afirmação das informações e inventário obtidos.

Examinando com atenção os documentos do sistema interno, eles determinam se o mesmo efetivamente se destina a comunicar a administração, a colher os dados necessários e a informar a administração sobre os resultados das atividades operacionais.

Em virtude dos grandes escândalos contábeis ocorridos nos últimos anos, o papel da auditoria interna e consequentemente seu planejamento de trabalho vem sendo abordado com uma grande freqüência nas empresas, pois é através desse trabalho contábil que podemos detectar possíveis fraudes e erros. É questionada a sua real necessidade nas organizações, como uma atividade que realmente agregue valor ao negócio e proporcione rentabilidade e segurança sobre as operações aos acionistas.

Analisando a conjuntura atual e fácil observar as constantes mudanças de mercado, e para que as empresas possam se atualizar e tornar-se competitivas é necessário que estejam sempre atualizadas e com informações precisas, o que somente é possível a partir do momento em que houver uma constante verificação nas suas informações internas.

Outro ponto fundamental para a boa gestão dos trabalhos de auditoria interna, é a desmistificação entre os funcionários da empresa em que existe uma atividade de auditoria interna. Sobre a atuação e participação do auditor interno entende-se que este profissional se encontra na organização como auxílio no desempenho das tarefas dentro da filosofia da organização, e não como um "dificultador" que está presente apenas para apontar erros, até porque ambos são parceiros na procura de um resultado comum.

À auditoria interna contábil nada mais é do que uma ferramenta que irá auxiliar os gestores nas suas tomadas de decisões, pois quando aplicada, tem-se uma confiabilidade maior nas informações contidas no balanço contábil.

"A vantagem da auditoria interna é a existência, dentro da própria organização, de um departamento que exerce permanente controle - prévio, concomitante e conseqüente - de todos os atos da administração" (FRANCO, MARRA, 1991, p. 175).

Há vários fatores os quais favorecem a implantação da auditoria interna dentro da empresa, como por exemplo, a eliminação de erros, ou seja, as empresas de um modo geral estão preocupadas com a veracidade de suas informações contábeis.

O papel da auditoria é um reflexo das necessidades e expectativas da empresa como um todo, para sobreviver numa determinada fase do seu desenvolvimento.

O auditor ficar atento e alerta. Nos primeiros estágios da fase de normalização, pois a auditoria tem por função ajudar e reforçar as novas regras, ou seja, deve observar-se a eficiência do controle interno, e alertar a empresa, caso ocorram falhas no mesmo.

Como consultor ele deve procurar o aperfeiçoamento constante dos negócios. E quando houver a necessidade de inserir mudanças importantes dentro da empresa, à função auditoria torna-se ao mesmo tempo uma influência persistente para que as mesmas aconteçam com sucesso, garantindo a fidelidade da empresa em relação aos seus valores.

Considera-se de total importância para as organizações a realização do processo de auditoria interna contábil, sendo uma ferramenta imprescindível no controle das informações e com impacto direto na tomada de decisões dos gestores.

6 CONCLUSÃO

Perante o que foi apresentado, procurou-se mostrar a importância da auditoria interna nas empresas, para gestão eficaz, em virtude dos grandes escândalos contábeis ocorridos nos últimos anos que ameaçam os objetivos do negócio. Destacou-se, também, a postura da auditoria interna em frente a uma nova realidade de um ambiente globalizado, sua contribuição significativa para a gestão eficaz dos negócios. A sua postura nas organizações deve pautar-se por uma atuação voltada para atingir resultados, e não somente para exercer atividades de controles internos.

O trabalho de auditoria encontra-se em plena evolução e para se adaptar às novas exigências do mercado, o desafio é deixar para trás a função antiga de fiscalização para assumir uma nova função, proativa, de consultoria, auxiliando a empresa a atingir os objetivos.

Quando realizado com competência e seriedade, contribuindo para o bom andamento da empresa que visa ainda mais a credibilidade das informações precisas, o que somente é possível a partir do momento em que houver uma constante verificação nas suas informações internas.

Durante o processo de auditoria interna a empresa precisa oferecer condições favoráveis ao auditor para que o mesmo possa obter um resultado satisfatório e deixa atuar em toda hierarquia da organização e centra sua ação na identificação de todos os riscos inerentes às atividades da organização procurando, deste modo, que os objetivos sejam atingidos da forma mais eficiente e eficaz.

Ao final deste artigo, considera-se de total importância para as organizações a realização do processo de auditoria interna contábil, sendo uma ferramenta imprescindível no controle das informações e com impacto direto na tomada de decisões dos gestores.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996.

ATTIE, William. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992.

ATTIE, William. Auditoria:conceitos e aplicações. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1998.

BOYNTON, William C.; JOHNSON, Raymond N.; KELL, Walter G. Auditoria. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Princípios fundamentais e normas Brasileiras de Contabilidade. Brasília: CFC, 2003. Disponível em: . Acesso em 07 Out. 2010.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

DMITRUK, H. B. Cadernos metodológicos: diretrizes do trabalho científico. 6. ed. Chapecó: Argos, 2004.

FRANCO, Hilário. MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1991.

HOOG, Wilson Alberto Zappa.Manual de Auditoria Contábil das sociedades empresárias. 1. ed. Curitiba: Juruá, 2004.

Lakatos ; M. ; Marconi, M., Metodologia do trabalho cientifico. 4. ed. São Paulo; 2001.

MIGLIAVACCA, Paulo Norberto. Controles internos nas organizações. 1. ed. São Paulo: Edicta, 2002.

MARTINELLI, Auditores Independentes. Avaliação de riscos e Controles Internos. Disponível em: . Acesso em 07 out. 2010.

OLIVEIRA, Luís Martins, DINIZ FILHO, André. Curso básico de auditoria. São Paulo: Atlas, 2001.

SÁ, Antonio Lopes de. Curso de auditoria. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

VINAGRE, Maria de Fátima Melo. A importância da evidencia em auditoria. Disponível em<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/C7AED7E6A6531D6D03256FDC00515A42/$File/NT000A6492.pdf>. Acesso em

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 1 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/administracao-artigos/o-papel-da-auditoria-interna-nas-empresas-4439769.html

    Palavras-chave do artigo:

    palavras chave auditoria interna fraudes erros prevencao organizacao

    Comentar sobre o artigo

    O tema deste artigo é o uso do controle interno na administração pública em suas interações quanto à desburocratização da máquina pública. Indubitavelmente, a realização de um estudo exploratório, pode ser justificado face às melhorias constantes da eficiência da Administração Pública. Frequentemente gestores públicos responsabilizam as dificuldades que enfrentam diante do elevado gasto público face à insuficiência de recursos disponibilizados pelo Estado e pela União. Nesse sentido, frente

    Por: Daniely Ferreira de Abreul Negócios> Administraçãol 29/08/2011 lAcessos: 632

    Dica como sua empresa pode economizar em telefonia. Nos dias atuais, empresas sólidas e bem estruturadas procuram a redução de custos em todos os seus departamentos, pois no balanço mensal ou anual da empresa a diferença é nítida.

    Por: Glaucol Negócios> Administraçãol 06/08/2014 lAcessos: 17

    Nos dias de hoje, podemos verificar que boa parte das pessoas acabam por não ter tempo o suficiente para que assim possam realizar determinadas atividades, como por exemplo a administração de um condomínio.

    Por: anamarial Negócios> Administraçãol 06/08/2014
    Marlon Silva

    Saiba o que é amostragem e como pode ser utilizada pela auditoria para conduzir os trabalhos de forma mais efetiva e que servirá para formar a opinião do auditor.

    Por: Marlon Silval Negócios> Administraçãol 05/08/2014
    Marlon Silva

    Saiba a diferença entre os dois tipos de auditoria: Interna e Externa. Conheça o perfil de cada profissional e o objetivo dos trabalhos de cada um.

    Por: Marlon Silval Negócios> Administraçãol 05/08/2014
    Marlon Silva

    Saiba o significado do termo auditoria e qual seu objetivo. Entenda de onde surgiu e como desempenha seu trabalho.

    Por: Marlon Silval Negócios> Administraçãol 04/08/2014

    O processo de comunicação: Emissor, Canal, Mensagem, Receptor e Feedback é ponto de partida da comunicação. É importante também escolher um código apropriado para comunicação. Mas lembre-se, isso representa apenas a ponta do iceberg, ou seja, o poder das pessoas influentes, das pessoas de sucesso está muito além do que é descrito no processo básico.

    Por: Douglas de Matteul Negócios> Administraçãol 28/07/2014 lAcessos: 13

    Em busca de peças de alta qualidade que realmente consigam suprir a necessidade das pessoas, as empresas vêm sempre investindo pesado dentro do mercado nacional, principalmente na produção de peças automotivas.

    Por: anamarial Negócios> Administraçãol 24/07/2014

    Case, espetacular, Qual empresário, administrador ou empreendedor já não sentiu isso? Que as rédeas estão escapando às mãos? Ou mesmo que a empresa está indo a falência por não saber como administrar melhor?

    Por: Artur Saraiva Alvesl Negócios> Administraçãol 23/07/2014

    O Capitalismo é o sistema econômico em que as pessoas físicas e as empresas de negócio decidem sobre a produção e a troca de bens e serviços, mediante complexas transações nas quais intervêm os preços e os mercados. A partir da Europa, mais especificamente da Inglaterra, foi expandido para todo o mundo. Era o sistema sócio-econômico quase exclusivo no âmbito mundial até a explosão da I Guerra Mundial, quando alguns países adotaram o socialismo, sistema oposto ao capitalista.

    Por: Sidney Diasl Negócios> Administraçãol 30/07/2012 lAcessos: 145

    Este artigo discute aspectos relacionados ao surgimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil e busca mostrar através de um estudo de caso que, quando as empresas estabelecem uma interação com as comunidades onde atuam, abrem-se possibilidades de melhorar a política de responsabilidade social por meio de projetos que venham atender demandas sociais das comunidades.

    Por: Sidney Diasl Negócios> Administraçãol 24/07/2012 lAcessos: 389
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast