O Passado, Presente E Futuro Da Profissão Contábil No Brasil
1 – HISTÓRIA DA CONTABILIDADE NO BRASIL
1.1 – CONCEITOS GERAIS
De modo a se realizar uma análise melhor fundamentada acerca das perspectivas da profissão contábil no Brasil, primeiramente será realizada uma breve explanação sobre a evolução das ciências contábeis no país. Esta primeira parte do trabalho é fundamental para que se tenha entendimento sobre a atual situação dos contabilistas no Brasil, o que, por sua vez, é um pré-requisito para que se possa falar sobre o futuro do profissional contábil.
1.2 – O SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE
Os historiadores remetem a cerca de 8.000 a. C. os primeiros sinais, ainda que primitivos, de registros contábeis. Através de instrumentos rudimentares, como fichas de barro ou pedras, o homem primitivo utilizava vultos empíricos da contabilidade para registrar e, até mesmo, controlar o seu patrimônio.
A contabilidade passou a evoluir de acordo com o próprio desenvolvimento social, cultural e econômico. No período do Renascimento Cultural, momento em que a Europa borbulhava cultural e cientificamente, surge a figura do Frei Luca Bartolomeo de Pacioli, um dos mais brilhantes estudiosos da época e que, apesar de não ter se tornado tão popular quanto seu contemporâneo Leonardo da Vinci, consagrou-se como uma das maiores mentes de seu tempo e tornou-se conhecido como “pai da contabilidade”. Título este lhe concedido pela sua publicação do Tratactus de computis et Scripturis em sua obra Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornalitá, primeiro registro conhecido do método das partidas dobradas.
A obra de Luca Pacioli marcou o primeiro passo da contabilidade rumo à produção científica. No entanto, somente no século XIX é que a contabilidade se consolidou de fato como ciência, conquista esta que podemos agradecer a nomes como Francisco Villa, da Escola Lombarda, Guisepe Cerboni, da Escola Toscana, e Fábio Besta, da Escola Veneziana. Por não ser este o objetivo, este trabalho não irá se aprofundar em suas obras e nem julgar os méritos de cada uma das escolas, destaca-se, no entanto, que este período foi de fundamental importância para o desenvolvimento das teorias contábeis.
Chegando à história recente, percebe-se mais do que nunca a importância da contabilidade e das informações geradas pela mesma. Nos últimos séculos houve uma evolução magnífica das técnicas contábeis: O surgimento da Auditoria, o desenvolvimento da contabilidade de custos, e o aumento da importância da contabilidade como ferramenta gerencial são algumas das inovações surgidas nestes tempos, como regra, trazidas pela propagação da Escola Americana.
1.3 – OS PROFISSIONAIS CONTÁBEIS NO BRASIL
Existe ainda uma certa divergência nos relatos históricos da chegada dos profissionais contábeis no Brasil, entende-se, no entanto, que esta foi uma das primeiras profissões a abordar no país.
São nos últimos anos, entretanto, que a profissão tem ganhado destaque no cenário brasileiro. Até a década de 1960, os profissionais contábeis no Brasil eram ainda conhecidos como “guarda-livros”, expressão que se tornou obsoleta com o milagre econômico de 1970, trazendo uma grande aceleração da economia e, conseqüentemente, aumentando o reconhecimento da profissão contábil.
A situação brasileira neste período só vem confirmar algo já percebido durante toda a história da contabilidade: À medida que a economia e as atividades empresariais se desenvolve, as ciências contábeis evoluem de igual modo.
Ocorre que, apesar das evoluções presenciadas nas últimas décadas, a qualidade da maioria dos profissionais contábeis brasileiros ainda está, infelizmente, inferior àquela exigida pelo mercado, especialmente em nível gerencial. Embora a contabilidade fiscal brasileira esteja entre as mais normatizadas e, até mesmo, desenvolvidas do mundo, a contabilidade gerencial (ou seja, aquela voltada à geração de informações para o usuário interno) ainda encontra-se em fase de amadurecimento.
2 – PERSPECTIVAS DA CONTABILIDADE E DA PROFISSÃO CONTÁBIL NO BRASIL
2.1 – CAMPO DE ATUAÇÃO
Como já fora explanado anteriormente, a importância da contabilidade varia proporcionalmente ao desenvolvimento econômico. Deste modo, as informações contábeis são muito mais valorizadas em países desenvolvidos.
O Brasil, como um país em desenvolvimento, possui um amplo campo de atuação para os profissionais de contabilidade, o qual tende a permanecer em expansão, com o crescente número e proporção dos empreendimentos brasileiros. Para se ter uma noção de quão vasto é o mercado de trabalho para o profissional de contabilidade no Brasil, estudos apontam a existência de apenas 150.000 contadores registrados para um universo de 4,5 milhões de empresas.
Existe uma escassez de profissionais com conhecimentos na área financeira, em especial no que diz respeitos à geração de informações para a tomada de decisões, o que proporciona aos contabilistas especialistas e capacitados neste segmento um mercado com excelentes remunerações e reconhecimento profissional.
O mercado de trabalho do contabilista não se restringe a grandes empreendimentos. Medidas governamentais de apoio aos pequenos empreendimentos, tais como o Simples Nacional e a parceira entre o CFC e SEBRAE com o “Contabilizando o Sucesso”, geram ainda excelentes oportunidades aos contabilistas que optam por atuar no nicho de mercado das micro e pequenas empresas.
2.2 – EXPECTATIVAS DA PROFISSÃO CONTÁBIL NO BRASIL
O desenvolvimento econômico, acompanhado da evolução tecno-informacional, cria novas expectativas dos usuários em relação à profissão contábil. A aceleração da velocidade com que os dados são processados e a convergência entre a economia, sociedade e os usuários da contabilidade faz com que o profissional contábil precise alterar o seu perfil, deixando de ser responsável apenas por manter a escrituração em ordem (técnica que está em constante processo de automação) e passe assumir o papel de prestador de informações.
Para tal, o profissional precisa estar cada vez mais preparado e especializado. Neste sentido, é importante que os cursos de graduação preparem os seus alunos para este novo mercado de trabalho, assim como é necessário que se invista e incentive a pós-graduação destes alunos.
Sobre isso, CARVALHO (2002, p.10) em sua dissertação de mestrado, comenta que:
O fim do curso de graduação, por si só, não garante o sucesso profissional. Muito pelo contrário, é o início de uma longa caminhada, que tem como pressuposto básico a educação continuada. Afinal as empresas estão procurando profissionais cada vez mais especializados, que possuam uma visão generalista e sejam capazes de conectar fatos, acontecimentos em várias áreas e ajudar as empresas na consecução dos seus objetivos.
Na grande maioria das instituições de ensino superior, muito pouco se discute sobre a teoria da contabilidade e as suas implicações na prática profissional, gerando muitas vezes profissionais sem qualquer conhecimento doutrinário, inundados de conhecimentos puramente técnicos.
É preciso que se invista em pesquisa contábil, no sentido de manter e atualizar, não só o corpo docente das instituições de ensino superior, mas também os contabilistas em atuação na prática profissional.
2.3 – ÁREAS DE ATUAÇÃO
A profissão do contabilista é regulamentada pelo Decreto-lei nº 9295/46 de 27 de maio de 1946 e resoluções complementares, dispondo sobre as prerrogativas profissionais, e sendo especificado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 560 de 28 de outubro de 1983:
Art. 1º - O exercício das atividades compreendidas na contabilidade, considerada estar em sua plena amplitude e condição de Ciência Aplicada, constitui prerrogativa, sem exceção, dos contadores e dos técnicos em contabilidade legalmente habilitados, ressalvadas as atribuições privativas dos contadores.
Art. 2º - o contabilista pode exercer as suas atividades na condição de profissional liberal ou autônomo, de empregado regido pela CLT, de servidor público, de militar, de sócio de qualquer tipo de sociedade, de diretor ou de conselheiro de quaisquer entidades, ou, em qualquer outra situação jurídica, definida pela legislação, exercendo qualquer tipo de função (...).
Pelo que se percebe nos artigos acima transcritos, cabe exclusivamente aos contabilistas habilitados a prática de todas as atividades compreendidas na contabilidade, podendo este ainda ser profissional liberal, empregado regido pela CLT, servidor público, militar, sócio de qualquer tipo de sociedade, diretor ou conselheiro de quaisquer entidades.
Cabe ao profissional da contabilidade, através de suas habilidades pessoais, identificar qual o ramo de atuação que deseja atuar. Para tal, o profissional precisa possuir habilidades e se especializar naquilo em que pretende trabalhar.
BIBLIOGRAFIA
CARVALHO, Joana D´Arc Silva Galvão de. O perfil profissional do contador ingresso no mercado de trabalho no município de Salvador-Ba de 1991 a 2000. Salvador: FVC, 2002. Dissertação (Mestrado em Contabilidade), Centro de Pós-Graduação e Pesquisa Visconde de Cairú – CEPPEV, Fundação Visconde de Cairú, 2002.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Legislação da Profissão Contábil. Brasília: CFC, 2003
MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.
_____. Preparando-se para a profissão do futuro. Revista Contabilidade Vista e Revista, Rio de Janeiro: vol. 9, n° 01, março/98.
(Artigonal SC #652207)
Aborda os principais questionamentos e dúvidas dos estudantes de Ciências Contábeis ao fazer a escolha pela profissão.
A arte do pensamento sistêmico consiste em ver através da complexidade as estruturas subjacentes que geram a mudança. Pensamento sistêmico não significa ignorar a complexidade, senão organizar a complexidade numa exposição coerente que alumie as causas dos problemas e o modo de remediá-los de forma duradoura. A crescente complexidade induz a muitos managers a supor que carecem da informação necessária para atuar com eficácia.
Cada vez mais as organizações se voltam para o T & D como estratégia de engrandecimento dos colaboradores internos. Toda organização por menor que seja é um sistema e deve trabalhar seus subsistemas de forma equilibrada e cada um destes manter políticas adequadas à sua visão e missão.
A luta individual pela sobrevivência leva gestores a evitar e afastar ameaças, a formar alianças politicamente fortes e tecnicamente fracas, negligenciado situações de risco. A negligência sempre fragilizará a companhia, quer a decisão não tenha sido tomada por medo de fracasso ou por conveniência momentânea.
As constantes mudanças econômicas que atingem o mundo moderno, hoje, orientam, ou pelo menos deviam servir para orientar as organizações a coletarem informações externas para uma análise interna mais profunda. Porque falo das mudanças externas, falo porque os pontos fortes e fracos podem ser controlados pelo gestor, muito embora estejam diretamente ligados às conseqüências do que acontece fora do ambiente interno.
Para saber um pouco mais sobre o termo empreendedor deve-se observar certas palavras e seus respectivos significados importantes para obter uma melhor compreensão do assunto. A palavra Empreender, na língua portuguesa é verbo transitivo direto e significa, segundo o Minidicionário Aurélio, pôr algo em execução, e a palavra empreendimento, um ato de empreender ou que se empreendeu.
O jovem cursando a faculdade vai ao mercado e encontra o seguinte anúncio: Procura-se jovem com experiência para estágio. Cursando faculdade Y, domínio de informática, bons conhecimentos de inglês ( damos preferência aos que tenham inglês fluente), e vivência de dois anos na área.
Toda Organização, seja pequena, média ou grande, possui um clima, uma base subjetiva, uma espiritualidade, que pode ser ou não pró-ativa. Neste século XXI os líderes e liderados devem procurar entender melhor sobre os bastidores organizacionais...
Inteligência Definida como a capacidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair e compreender idéias e linguagens. Competência Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que quando utilizados pelas pessoas permite que tenham sucesso nas tarefas que desenvolvem.
Aborda, de forma resumida, a importância da conexão entre a teoria e a prática na construção do conhecimento contábil.
Em 2009, o brasileiro trabalhou, figurativamente, cerca de 147 dias só para quitas suas dívidas tributárias. O presente texto, escrito em comemoração ao Tax Freedom Day, apresenta alguns comentários sobre a carga tributária brasileira.
Alguns comentários sobre a permanência ou não da conta Lucros Acumulados no Patrimônio Líquido das empresas constituídas sob a forma de Sociedades Limitadas.
Aborda os principais aspectos da evolução histórica da Contabilidade, desde a sua fase mais primitiva até o seu estabelecimento como ciência moderna.
Aborda os principais questionamentos e dúvidas dos estudantes de Ciências Contábeis ao fazer a escolha pela profissão.
Apresenta um breve histórico do Exame de Suficiência aplicado pelo Conselho Federal de Contabilidade, destacando os motivos que levaram a sua suspensão por inconstitucionalidade e ressaltando a importância de seu regresso para a manutenção da qualidade dos serviços prestados pela classe contábil à sociedade.
Retrata as principais contribuições dos autores italianos para a evolução da Ciência Contábil, abordando, de modo resumido, cada uma das escolas italianas de contabilidade.
Apresenta um breve comentário sobre os Princípios Contábeis apresentados pelo CFC na sua resolução de número 750, abordando suas vantagens e desvantagens conceituais em relação à Teoria da Contabilidade.

