O TRABALHO E AS NECESSIDADES HUMANAS

21/08/2008 • Por • 38,797 Acessos


Prof. Erivam Anselmo de Albuquerque

“Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” Eclesiastes 1: 3


Na música intitulada "Guerreiro menino", o compositor Gonzaguinha, descreve em alguns versos a relação do homem com o seu trabalho e os valores que o mesmo atribui a este. Neste artigo irei utilizar alguns trechos desta composição relacionando-os com alguns conceitos utilizados em administração para compreender o homem e suas necessidades enquanto trabalhador.

“Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis ...”
Gonzaguinha


O homem teme enfrentar situações novas e isso é natural até certo ponto. Alguns podem ser levados a desenvolver comportamentos que os remetem ao pessimismo, manifestações de mágoas, ressentimentos. Estes comportamentos têm sua origem no receio do trabalhador de não conseguir adaptar-se as mudanças que ocorrem com certa freqüência nas organizações empresariais. Tais mudanças afetam profundamente as formas de ralação do homem com o trabalho.

O ser humano tem seu comportamento orientado para objetivos muito complexos e mutáveis. Dai a importância de compreender os objetivos humanos básicos na sociedade a fim de entender claramente o seu comportamento.

Seguindo uma ordem lógica das necessidades básicas apresentadas por Maslow, a primeira necessidade que leva o homem a buscar o trabalho é fisiológica a fim de garantir a sobrevivência sua e de seus familiares. O trabalho seria o modo de prover alimento, roupas, moradia, educação e saúde entre outros.

“Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os tornem refeitos ...”

Gonzaguinha


Às vezes o homem pode trabalhar em excesso sem dar o devido tempo para que seu corpo e sua mente possam recuperar-se para novamente retornar a trabalhar.

A segunda necessidade seria a segurança, através da busca do emprego, uma relação teoricamente mais ou menos duradoura. As ações administrativas arbitrárias podem provocar incerteza ou insegurança no empregado, quanto à sua permanência no emprego.

A terceira é a social, muito importante para o indivíduo, pois, trata-se do sentimento de aceitação, associação, um sentimento de pertencer ao grupo. Quando as necessidades sociais não estão suficientemente satisfeitas, o indivíduo torna-se resistente, antagônico e até hostil com relação às pessoas que o cercam. Em quarto lugar temos o ego ou estima, onde o trabalhador busca ter uma reputação, independência e autoconfiança. Por fim a auto-realização onde o trabalhador procura o auto-desenvolvimento, a criatividade, auto-expressão, é a realização do seu próprio potencial.


Muitos trabalhadores sofrem por não conseguirem durante anos de tentativas alcançarem uma situação de empregabilidade. E quando conseguem geralmente é por pouco tempo.


Maslow deixa claro que nem todas as pessoas conseguem chegar ao topo da pirâmide de necessidades. Algumas pessoas - graças às circunstâncias de vida - chegam a se preocupar fortemente com necessidades de auto-realização; outras estacionam nas necessidades de estima; outras ainda nas necessidades sociais, enquanto muitas outras ficam ocupadas exclusivamente com necessidades de segurança e fisiológicas, sem que consigam satisfazê-las adequadamente. São os chamados “excluídos”.

“Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata ...”

Gonzaguinha


O nosso contexto social trata com discriminação pessoas que não conseguem emprego. O trabalhador quando desempregado e impossibilitado de exercer alguma atividade, seja por não ser este possuído de ferramentas ou por falta de conhecimentos específicos, pode permanecer anos nesta situação. Isso os leva a um sentimento impotência perante tal situação que certamente é agravada na ausência de uma educação formal, levando o indivíduo a não ter perspectivas de uma condição melhor de vida para si e seus familiares. Assim muitos partem para aumentar o contingente de trabalhadores informais sem qualquer direito trabalhista, sem qualquer garantia presente ou futura.





Conclusão

O homem deve trabalhar sim, isso é necessário, mas também deve buscar o auto-desenvolvimento através da educação continuada que poderá ser muito útil em tempos onde o emprego diminui com o advento de novas tecnologias. Porém não deve o trabalhador fazer de seu trabalho seu sonho, sua vida, seu modo de perceber-se como um homem digno, honrado.

Perfil do Autor

Erivam Anselmo de Albuquerque

Graduado em Administração com Habilitação em Gestão de Negócio, MBA em Gestão de Pessoas e Negócios e concluíndo pós-graduação em Engenharia...