Organização: Sistema Sociocultural Estabelecido

03/03/2009 • Por • 7,661 Acessos

"Organização é um tipo de associação em que os indivíduos - em número tal que contatos pessoais se tornam difíceis de ocorrer- se dedicam a tarefas complexas e estão entre si relacionados por um consciente e sistemático estabelecimento e consecução de objetivos, mutuamente aceitos."

Podemos dizer que vivemos numa sociedade eminentemente organizacional. Nas sociedades complexas, em todas as etapas da vida, desde o nascimento até a morte, depende das organizações, é controlado por organizações e nelas passa a maior parte de seu tempo. Por outro lado, a sociedade contemporânea, altamente complexa, de grandes e sofisticados sistemas organizacionais, atribui um alto valor à racionalidade, à competência e á eficácia. E são as organizações, dentro desse campo social, as formas mais racionais e eficazes que se conhece de agrupamento social. Com o desenvolvimento da sociedade, a organização também alcançou um grande desenvolvimento e passou a ter um caráter de instituição social.

Segundo Malinowski, a organização é mais do que um agrupamento de pessoas ou de pequenos grupos. Dentro deste contexto, analisamos algumas características de organizações.

  • 1- divisão de trabalho, do poder e das responsabilidades de comunicação, divisão essa que não é obra de casualidade nem obedece a um esquema tradicional, senão que tem sido deliberadamente planejada, para favorecer a realização de fins específicos.
  • 2- Presença de um ou mais centros de poder que controlam os esforços concentrados da organização e os dirige ate seus fins; estes centros de poder, ademais, revisam continuamente a atuação da organização e remodelam sua estrutura, onde se tornar necessário, para aumentar sua eficiência.
  • 3- Substituição de pessoal, isto é, que as pessoas que não satisfazem possam ser dispensadas e suas tarefas atribuídas a outras. A organização pode também mudar seu pessoal através da transferência e promoção.

                                                                                                               ANTONIO CURY

Philip Selznick que a simples criação de uma estrutura formal não determinará a criação ou sobrevivência de uma organização. É indispensável que a organização tenha sido originada pelas necessidades de  coletividade. Assim como as pessoas, as organizações têm um caráter próprio que as distingue das demais, isto é, elas desenvolvem uma identidade própria. Esse caráter se desenvolve da mesma maneira pela qual evolui o caráter dos indivíduos. Quanto maior o numero de interações pessoais e de grupos, mais acentuado o caráter da organização. 

Neste contexto a palavra organização pode de certa forma atribuir-lhe um caráter sistêmico, onde as partes que a compõem são elemento chave no funcionamento e desenvolvimento da mesma. Uma organização é um sistema integrado de subsistemas interdependentes e intercambiáveis. E por um lado, as organizações são vistas como agrupamentos de indivíduos construídos ou reconstruídos que possuem objetivos específicos e com o poder de construir um ambiente onde cada indivíduo que compõe esse sistema pode realizar os seus objetivos pessoais e profissionais. E o grau de participação dos envolvidos demonstra o nível da organização. E numa perspectiva sociocultural, pode se afirmar que uma organização é caracterizada pelo conjunto de papéis inter-relacionados a partir de redes de comunicação. A comunicação entre membros de uma organização esta ligada a pirâmide hierárquica, com a função de facilitar a troca de informações entre todos os membros da mesma.

Uma organização deve funcionar como um sistema vivo que existe num ambiente mais amplo do qual depende em termos de satisfação das suas várias necessidades e os seus profissionais devem funcionar como os órgãos que, em conjunto, trabalham para que a organização cumpra com os seus objetivos.

Uma organização deve assentar nos seguintes pilares: a racionalidade, como a disposição lógica dos elementos da organização; a flexibilidade, como a capacidade de adaptar-se às necessidades; a permeabilidade ou abertura em relação ao espaço exterior e a coletividade  para fazer frente ao individualismo, criado pela fragmentação de espaços, horários e mecanismos de colaboração. E podemos analisar um outro fator importante dentro de uma organização que está ligado à coletividade, a troca de informações. O clima organizacional:

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Refere-se ao ambiente interno que existe entre os participantes da empresa. Está intimamente relacionado com o grau de motivação de seus participantes. O termo clima organizacional refere-se especificamente às propriedades motivacionais do ambiente organizacional, ou seja, aqueles aspectos internos da empresa que levam à provocação de diferentes espécies de motivação nos seus participantes. Em termos mais práticos, o clima organizacional depende das condições econômicas da empresa, do estilo de liderança utilizada, das políticas e valores existentes, da estrutura organizacional, das características das pessoas que participam da empresa, da natureza do negocio (ramo de atividade da empresa) e do estagio de vida da empresa.

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CULTURA ORGANIZACIONAL

A essência da cultura de uma empresa é expressa pela maneira como ela faz seus negócios, a maneira como ela trata seus clientes e funcionários, o grau de autonomia ou liberdade que existe em suas unidades ou escritórios e o grau de lealdade expresso por seus funcionários com relação à empresa. A cultura organizacional representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e reflete a mentalidade que predomina na organização.  Por esta razão, ela condiciona a administração das pessoas. Em outras palavras, a cultura organizacional representa as normas informais e não escritas que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia-a-dia e que direcionam suas ações para o alcance dos objetivos organizacionais. No fundo, é a cultura que define a missão e provoca o nascimento e o estabelecimento dos objetivos da organização.  A cultura precisa ser alinhada juntamente com outros aspectos das decisões e ações da organização como planejamento, organização, direção e controle para que se possa melhor conhecer a organização.

"A cultura compreende um conjunto de propriedades do ambiente de trabalho, percebidas pelos empregados, constituindo-se numa das forças importantes que influenciam o comportamento. Compreende além das normas formais, também o conjunto de regras não escritas, que condicionam as atitudes tomadas pelas pessoas dentro da organização: por este motivo, o processo de mudança é muito difícil, exigindo cuidado e tempo. Para se obter uma mudança duradoura, não se tenta mudar pessoas, mas as restrições organizacionais que operam sobre elas. A cultura da organização envolve um conjunto de pressupostos psicossociais como normas, valores, recompensas e poder, sendo atributo intrínseco a organização."

É importante ressaltar que não são intercombináveis os conceitos de cultura e clima organizacional. O clima não aponta os modos institucionalizados de agir e de pensar. O clima mapea o ambiente interno que varia segundo a motivação dos agentes. Aprende suas reações imediatas, suas satisfações e suas insatisfações pessoais: desenha um retrato dos problemas que a situação do trabalho, a identificação como a organização e a perspectiva de carreira eventualmente provocam na cultura organizacional constituem sistemas de referencias simbólicas e molda as ações de seus membros segundo um determinado figurino. Ao servir de elo entre o passado e o presente, contribuem para a permanência e a coesão da organização. E diante das exigências que o ambiente externo provoca, formam conjunto de soluções relativas à sobrevivência, à manutenção e ao crescimento da organização.

O clima e a cultura contribuem de maneira satisfatória para compreender o estagio no qual a organização se situa.

Em suma, uma organização é um sistema socialmente estabelecido pelo conjunto de valores expressos pelos indivíduos que dela fazem parte, sendo assinalados e transmitidos sucessivamente pelos mesmos, daí a importância e a responsabilidade diante de outros, das novas gerações.

Organização: papéis profissionais.

Existe um papel profissional para cada elemento de uma organização. O papel profissional diz o que cada trabalhador deve fazer, como agir e como deve realizar suas funções administrativas. E abordamos nesse contexto, a tomada de decisões que é o núcleo da responsabilidade administrativa. O administrador deve continuamente decidir o que fazer, quem deve fazer, quando, onde e muitas vezes, como fazer. Seja ao estabelecer objetivos ou alocar recursos ou resolver problemas que surgem pelo caminho, o administrador deve ponderar o efeito da decisão de hoje sobre as oportunidades de amanhã. Decidir é optar ou selecionar dentre varias alternativas de cursos de ação aquela que pareça mais adequada.

O papel profissional facilita o desenvolvimento da interdependência dos diversos setores, a partir do relacionamento entre os membros de repartições diferentes. O seu surgimento esta ligado diretamente a estrutura hierárquica de uma organização dando suporte à mesma mantendo o ritmo do funcionamento organizacional que é representado pelo conjunto de subsistemas interdependentes e interatuantes que compõem a organização. Como exemplo de interdependência dos papéis profissionais, podemos analisar o papel do gerente e o papel do subordinado. Essa interdependência mostra que uma influência do gerente sob o subordinado.

A dinâmica das relações interpessoais

Inicia-se a partir do desempenho de papéis profissionais que mantêm relações com o sistema sociocultural do qual a organização faz parte. Os papéis sociais, e em especial, os papéis profissionais, constituem-se a partir das interações sociais presentes no ambiente de trabalho, considerando os níveis hierárquicos e os métodos de comunicação entre membros da estrutura hierárquica e o como subordinados são influenciados por gerentes. Gerentes devem ter a habilidade de influenciar pessoas para que trabalhem entusiasmadas visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio de força de caráter. Quando falamos em comunicação interpessoal, podemos pensar em pontes. Criar pontes entre as partes de baixo da estrutura hierárquica com o topo da mesma. Quanto mais pontes são criadas dentro de uma organização, criam-se mais formas de se comunicar, mais formas de diminuir a falta de comunicação.

Organização: missão, objetivos, metas e finalidades organizacionais.

A finalidade de uma organização representa os propósitos a serem atingidos através de objetivos criados com a intenção de conseguir grandes resultados. Em síntese, os objetivos refletem tendências determinadas por fatores específicos aos projetos que se vão caracterizando no contexto organizacional.

A missão é uma declaração ampla e duradoura de propósitos que individualiza a organização e distingue o seu negócio impondo a delimitação de suas atividades dentro do espaço que deseja ocupar em relação às oportunidades de negócios. É, em essência, o propósito da organização. É a razão de ser da empresa.
Serve de elemento básico orientador na definição do Planejamento Estratégico e tem caráter permanente.

Objetivos
Intenções assertivas na busca por algo de valor; de resultados positivos de progresso, vantagens e melhorias, onde a situação futura almejada seja melhor do que a situação presente. É um propósito ou alvo desejado e perseguido pela entidade visando uma situação melhor. Os objetivos organizacionais englobam tendências e perspectivas a serem atingidas em determinado período de tempo.

E destacando nesse contexto, a importância que o planejamento assume como ferramenta gerencial, possibilitando antever possíveis obstáculos, a partir da previsão e da fixação dos objetivos e metas. As metas referem-se à identificação e à compreensão dos meios necessários para o alcance dos objetivos organizacionais inicialmente definidos. E do ponto de vista sobre objetivos e metas organizacionais, nota-se que ambos se encontram de forma direta ou indireta vinculados às finalidades organizacionais.

 

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BIBIOGRAFIA

CURI, Antonio; Organização e Métodos - uma empresa comportamental. 1º Edição Ed. Atlas A.S.; São Paulo-SP 1981.

 

 

Autores

Esio Rocha/Yuri Guminiak/Maxmillian Lopes

Perfil do Autor

Esio Rocha Santos

Estudante de Planejamento Turístico no IFG de Goiânia. Mochileiro. Interesse em Patrimônio Cultural/Natural, turismo e os seus seguimentos.