SISTEMAS DE CONTROLE DE CUSTOS DE EMPRESAS METALÚRGICAS

26/08/2010 • Por • 732 Acessos


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Trabalhei em algumas empresas metalúrgicas e observei que os sistemas de custos da maioria pouco contribuíam para uma gestão efetiva dos custos. Alias, meu primeiro emprego foi numa empresa metalúrgica, onde a área de custos era considerada uma das áreas mais nobres da empresa, depois de uns 2 anos trabalhando na empresa e com 17 anos de idade fui convidado a integrar a área de custos. Foram cerca de 5 anos de trabalho intenso e de aprendizado e com 22 anos de idade já contava com boa experiência, isso propiciou me candidatar e ser escolhido para um cargo de Analista Sênior, e posteriormente com 23 anos de idade assumi a função de Chefe de Departamento dessa mesma empresa que era uma multinacional de renome, também metalúrgica.

Posteriormente tive contato e oportunidade de gerenciar outros sistemas de custos de empresas metalúrgicas por mais de 10 anos, isso me rendeu importante experiência e também possibilitou verificar o quanto a teoria está distante da realidade e da necessidade que vivemos nas empresas.

Felizmente na maioria das empresas por onde passei a área de custos não respondia diretamente à Contabilidade, ou seja, o Contador não era quem coordenava diretamente o departamento de custos. Essa é a primeira idéia que defendo, ou seja, não deixem que a área de custos seja uma subárea do departamento de contabilidade. Recomendo que hajam departamentos distintos, ou seja: uma Contabilidade Geral e um Departamento de Custos.

Um departamento de custos eficiente evita muitos desperdícios. Profissionais de custos precisam se envolver com o chão de fábrica e conhecerem muito bem os processos, assim, poderão controlar a produtividade e efetividade na utilização dos fatores de produção. Não se controlam custos por trás de uma mesa, é necessário ir ao local onde os processos são executados. Admiro a capacidade de alguns catedráticos que são capazes de orientar como controlar processos que eles nunca conheceram diretamente. Desta forma, boa parte do meu tempo como profissional de custos era tomado no chão de fábrica, observando e conhecendo os processos que tinha que controlar.

Destaco a seguir algumas características observadas nos custos da empresas metalúrgicas:

Matérias Primas

Numa empresa química quando falta um material a produção pára, numa empresa metalúrgica quando falta um aço de um determinado diâmetro, o responsável pelo PCP tende a utilizar o diâmetro maior gerando perdas imensas, exemplo: se para a fabricação de uma determinada peça é requerido um material de 2 polegadas ( peso aproximado: cerca de 16 kg por metro ) e o material indicado falta e se utiliza no lugar um material de 3 polegadas ( peso de 36 kg por metro ), gera-se uma perda de 125% de matéria prima, fora o custo envolvido para desbastar o material adicional. Esse tipo de problema acontece com freqüência nas empresas metalúrgicas, podendo gerar perdas imensas. Como identificar essas perdas? Sistemas de custos precisam mostrar consumos teóricos das matérias primas, no caso se o consumo fosse de um metro de aço, o consumo seria de 16 kg. Em paralelo aos consumos teóricos deve-se mostrar o consumo real ( no caso 36 kg ), bem como as variações ocorridas, no caso 20 kilos, ou 125%. Vejam que é uma matemática simples.



Performance dos equipamentos de produção

Outro importante elemento que precisa ser controlado diz respeito à performance dos equipamentos de produção. Os custos de processo são altamente afetados pela performance dos equipamentos de produção. Pessoas que trabalham com custos precisam conhecer as capacidades nominais dos equipamentos e acompanhar a capacidade efetiva que é atingida durante a produção diária. Custos de processo são apenas conseqüências de diversos fatores. Departamentos de custos eficazes colocam foco no controle das causas. Sistemas contábeis não alcançam compreensão do que realmente afeta e gera variações nos custos dos processos. Assim, produtividade, capacidade nominal versus capacidade efetiva, índices diversos indicadores de produtividade e eficácia devem ser medidos sistematicamente, e de preferência estarem disponíveis através de murais, painéis e sistemas integrados.

Qualidade dos registros de produção

A má qualidade nos registros que envolvem produção, movimentação de materiais, cadastros e outros elementos, destroem a qualidade dos custos apurados. Os registros devem ocorrer como nos bancos. Você consegue retirar dinheiro num banco e o cheque ser registrado depois? Pois é, nas industrias é normal utilizar um certo material e deixar para dar a baixa depois, ou nunca! Com qual incidência o extrato de sua conta bancária está errado? No meu extrato nunca ocorrem erros! Muitos erros ocorrem nos registros que afetam custos nas empresas, e tais erros não deveriam ocorrer. Empresas devem perseguir nível de ERRO igual a ZERO. Por trás de erros freqüentes e persistentes sempre existem problemas maiores. Em alguns casos a responsabilidade por uma área como Almoxarifado está subordinada a um responsável por Produção que não hesita em atropelar o sistema e autorizar que se retirem matérias do almoxarifado em caráter de urgência, deixando registro para serem efetuados depois. Dados errados nos cadastros e registros incorretos nos sistemas integrados também são grandes fontes de geração de divergências. Um bom sistema de inventário rotativo sob responsabilidade da área contábil, de auditoria ou custos deve comprovar níveis mínimos de diferenças de estoque. Ocorrendo divergência significativa deve-se avaliar muito bem a causa e tomar medidas corretivas eficientes, um sistema de abertura de ações corretivas formais é altamente recomendável.

Conclusão

Concluo que as área de custos da empresas metalúrgicas são essenciais para a adequada utilização dos fatores de produção: materiais e equipamentos de produção.

Profissionais de custos não podem ficar escondidos atrás de uma mesa de trabalho e não conhecerem, estruturas, produtos e processos do que tentam controlar, mas dificilmente conseguem quando não vão ao chão de fábrica.

Economias com salários de bons profissionais e outras reduções de custos, podem gerar perdas muitas vezes maiores posteriormente, em função da falta dos controles e ações necessários.

Deve-se ser rigoroso na perseguição de eficiência elevada, e na obtenção de variações mínimas, bem como é essencial ter pouca tolerância com erros persistentes.

Se necessário recorra a uma consultoria de profissional experiente, cuidado com quem contrata!
profariovaldo@hotmail.com

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Perfil do Autor

Ari Lopes

Executivo de empresas, Consultor, Palestrante, Professor universitário, Mestre em Finanças e Ciências Contábeis. Especialista em redução de...