Adolescentes E O Uso De Drogas Ilícitas

Publicado em: 10/08/2009 | Comentário: 1 | Acessos: 2,124

 

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei nº 8.069, criada em 13 de julho de 1999, prevê a seguinte disposição: é considerado adolescente aquele entre a faixa etária de 12 a 18 anos de idade.

Para Drummond e Drummond Filho (1998), a adolescência é peculiar do ser humano. Caracteriza-se por ser um período de transição entre a puberdade e o estado adulto do desenvolvimento. É quando o indivíduo reformula os conceitos que tem de si e abandona a auto/imagem infantil, projetando-se no futuro na vida de adulto.

 Na perspectiva de Drummond e Drummond Filho (1998), diante dessas transformações, o adolescente sente-se muitas vezes fragilizado ante determinadas situações, como: mudanças de fase de vida, dificuldade de enfrentar a realidade, dificuldade em aceitar regras e padrões impostos pela sociedade. Nesse momento, se não existir um suporte familiar estruturado, o adolescente poderá buscar nas drogas uma resposta para a solução de seus problemas.

É preciso compreender que a adolescência é um período de questionamento e de reformulações, mas para se entender o significado real dessa fase, é preciso conhecer o contexto que está sendo vivenciado, que pode apresentar diferentes expressões, de acordo com as pressões e influências do meio social. O adolescente questiona a vida familiar, os conceitos tradicionalmente aceitos as regras, e os padrões preestabelecidos pela sociedade, que são essencialmente curiosos. Por essa razão, eles são os que mais experimentam drogas e se tornam susceptíveis a se tornarem dependentes. Na chamada crise da adolescência, suportada pelos pais e pouco entendida por muitos, o jovem inicia o reconhecimento de si mesmo, a busca de sua identidade. 

Drummond e Drummond Filho (1998, p.49) asseguram que;

[...] tais questionamentos são necessários ao desenvolvimento psicológico dos indivíduos, é a forma que a natureza humana encontra para se auto-afirmar, para definir objetivos e escolhas pessoais, é um momento evolutivo, marcado por um processo de organização e estruturação do indivíduo [...]

Outro fator que contribui para a busca pelas drogas ilícitas vem da curiosidade ou até mesmo da pressão do grupo de amigos, o que pode ser visto como uma necessidade de imitação do comportamento do grupo ou de pessoas efetivamente significativas para esse jovem. 

O primeiro contato com as drogas dá-se muitas vezes de forma ocasional, em festa, reuniões de pequenos grupos ou individualmente. É esse primeiro contato que definirá o desejo de repeti-la ou não.

O adolescente utiliza as drogas ilícitas, por motivos variados, dentre os quais se destaca a baixa auto-estima que o leva a um sentimento de inadequação, de desajuste, diante das várias situações que a vida exige dele. Normalmente ele vê na droga uma fuga dos problemas que ele não quer enfrentar, como o relacionamento familiar difícil, dificuldades nos estudos, problemas com os amigos. As drogas ilícitas são vistas como a solução mágica que faz desaparecer os problemas instantaneamente, pois durante algum tempo, a pessoa vai se livrar dos problemas, momentaneamente.

Para Oliveira (1997), muitas vezes nesta atitude de fuga, o adolescente aprende com os próprios adultos, e também com os próprios pais. É que muitos adultos se habituam, por qualquer motivo a fazer uso de medicamentos como o Lexotan, o Vallium, dentre outros remédios para se "livrarem" das suas ansiedades, insônias e neuroses. Com este comportamento, estão ensinando ao jovem que sempre há uma solução fácil e rápida para os problemas.

 A adolescência no Brasil, segundo Freitas (2002), é composta por amplo contingente de adolescentes, vítimas de violência estrutural, marcadas pela dominação de classe e por profundas desigualdades sociais, o que conduz uma grande parcela desses indivíduos a uma vida indigna em termos de alimentação, habitação, oportunidade de escolarização, exploração da sua mão- de- obra, tráfico de drogas, entre outras injustiças que violam os direitos essenciais como a vida, a liberdade e a segurança.

O adolescente procura as drogas ilícitas por uma busca imediata do prazer, uma independência do mundo externo, pois, com o auxílio dessas substâncias, é possível em qualquer ocasião afastar-se da pressão da realidade e encontrar refúgio num mundo próprio, com melhores condições de sensibilidade, e é essa propriedade das drogas que determinará o seu perigo e a capacidade de causar danos.

O uso de drogas ilícitas é predominantemente um fenômeno da juventude. Percorrendo trabalhos literários como o de Sanchez et al. (2002), encontramos dados relevantes, relativos à utilização de drogas nesse período, variando entre os 14 e os 16 anos de idade, o que sinaliza, cada vez mais, a diminuição do primeiro contato com as drogas.

Na sociedade atual, os adolescentes, muitas vezes, deparam-se com famílias desestruturadas, fazendo uso de drogas lícitas ou ilícitas, instalando-se, assim, um lugar de exemplo a ser seguido e também um sentimento de desespero e solidão. Nesse período de instabilidade emocional e biológica, os jovens buscam nas drogas uma solução para suas angústias e problemas, passando muitas vezes a fazer uso de certas substâncias de forma não muito contínua, estabelecendo assim uma relação afetiva muito forte com ela, pois são substancias sedutoras, que proporcionarão sensações prazerosas e de fuga das dificuldades da vida.

Para Silveira Filho e Gorgulho (1995, p.7);

O adolescente é um indivíduo que se encontra diante de uma realidade objetiva e subjetiva insuportável, realidade esta que não consegue modificar e da qual não consegue se esquivar restando-lhe como única alternativa alteração da percepção da realidade através do uso da droga, afirma o autor que nesse processo estabelece um duo indissociável, indivíduo-droga, onde tudo que não for pertinente a essa relação passa a constituir pano de fundo na existência do dependente.

Esse duo permanece indissociável, enquanto a droga for capaz de propiciar esta alteração da percepção de uma realidade insuportável, respondendo assim pela manutenção do equilíbrio do indivíduo. Para o dependente, a droga passa a ser uma questão de sobrevivência; não ter droga é perder-se. A droga nesse momento pode ser a possibilidade de resgate de aspectos de sua identidade.

Na adolescência, as drogas ilícitas invadem e se instalam com maior freqüência, por ser a fase em que o corpo está primordialmente em desenvolvimento, especialmente quanto ao despertar do sexo e definição da personalidade. Nesses períodos conflitantes, instáveis, há uma busca do eu e da identidade, a procura pela definição de papel de cada um na sociedade que integram, estando sujeitos aos seus problemas e vicissitudes, para os quais, até mesmo por imaturidade, não estão ainda preparados.

Para Bittencourt (1994, p.37),

[...] o jovem é irrequietos, impetuosos, audaciosos e inexperientes, o que contribui para se deixar influenciar mais pelo sentimento do que pela razão”. Portanto diversificam os motivos que lhe favorecem o uso da droga, tais como: problemas familiares, curiosidade, modismo, rebeldia, contra a autoridade paterna e pressão grupal. Indivíduos predeterminados que apresentam relação intensa com a droga “atração congênita verdadeiramente mórbida e irresistível são condicionado ao uso de droga pela própria sociedade, seja como fuga das tensões, seja pela discriminação social e privação [...]

Nesse contexto, podemos observar em determinadas famílias pais que fazem uso de drogas, ainda que lícitas ou ilícitas que são tolerantes com o consumo delas pelos filhos, o que certamente é um fator de risco. Da mesma forma, um ambiente familiar dominado por conflitos ou pela falta de regras, assim como o desinteresse dos pais por aquilo que os filhos fazem, também representa fatores de riscos.

Oliveira (1997) entende que a farmacodependência é um estado de dependência psicológica que tem por finalidade a obtenção de prazer ou aliviar uma tensão, e às vezes físicos, visando ao equilíbrio do organismo mediante um fármaco, acarretando no indivíduo modificações de comportamento, gerando no organismo impulso irreprimível de utilizar a substância de modo contínuo ou periódico, objetivando experimentar os efeitos psíquicos ou evitar o desconforto da privação.

A dependência de drogas ilícitas produz um discurso sobre o assunto com grande influência sobre a sociedade nos últimos anos. A relação de dependência envolve indivíduo, droga e o contexto sociocultural. Diante do incontestável, a droga revela-se uma saída dos conflitos e uma entrada para a transgressão. De início, põe em cena o desejo liberado pela falta do produto, ligada à necessidade e ao fascínio.

Referências:

BITTENCOURT, L. M. Do discurso jurídico à ordem médica: os descaminhos do uso de drogas no Brasil. 1994. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1994.

DRUMMOND, M. C. C.; DRUMMOND FILHO, H. C. Drogas: a busca de respostas. São Paulo: Loyola, 1998.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA). Lei federal nº 8.069, 1999.

FREITAS, L. A. P. Adolescência, família e drogas: a função paterna e a questão dos limites. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.

OLIVEIRA, L. C. Por que voltei às drogas. Bauru, SP: EDUSC, 1997. (Caderno de Divulgação Cultural).

SILVEIRA FILHO, D. X.; GORGULHO, M. Drogas uma compreensão psicodinâmica das farmacodependencia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.

(Artigonal SC #1114913)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/adolescentes-artigos/adolescentes-e-o-uso-de-drogas-ilicitas-1114913.html

    Palavras-chave do artigo:

    adolescentes

    ,

    Drogas Ilícitas

    ,

    sociedade atual

    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    Atualmente o uso e abuso de drogas ilícitas configura-se um problema de saúde pública pela extensão do seu uso, natureza das novas drogas e os impactos sociais arregimentando adolescentes, no qual muitas vezes tornam-se vulneráveis pelas incertezas, sente-se muitas vezes fragilizado em determinada situações, como: mudança de fase de vida, dificuldade de enfrentar a realidade, dificuldade em aceitar regras e padrões impostos pela sociedade

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    Betinha Cordeiro Fernandes (Elizabeth)

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    Ednaldo Cavalcante de Araújo

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    Com essa fusão de fatores nasce à desvalorização do corpo, eu ouvi uma frase de uma mãe de família e mulher pública que me deixou pensando até onde iremos, ela disse: “vou colocar meus shortinhos mesmo, vou mostrar meu corpão”. Pra que? Não tem algo mais interessante a mostrar, não tem conteúdo mental e experiência de vida para mostrar?

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    Wagner Paulon

    Pesquisas comprovam que a quase totalidade dos jovens ingere grandes quantidades de bebidas alcoólicas principalmente cerveja, algo superior a 70% entre os 15 e 17 anos.

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    Jorge André Irion Jobim

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    Por: Jorge André Irion Jobim l Casa & Família > Adolescentes l 09/01/2010 l Acessos: 50
    Wagner Paulon

    Um dos motivos para os jovens provarem alguma droga é simplesmente o fato de ela encontrar-se disponível. Essa nossa sociedade tem-se volvida, em grande parte, uma "cultura da droga": ao oposto do jovem médio de cinqüenta anos atrás, cujas oportunidades de uso de drogas eram limitadas, na maioria dos países, ao álcool e ao fumo, o adolescente de hoje depara com uma infinidade de drogas à sua preferência, tanto as que se comercializam em farmácias como as encontradas apenas nas ruas.

    Por: Wagner Paulon l Casa & Família > Adolescentes l 27/12/2009 l Acessos: 47
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    A concepção que se tem hoje acerca da saúde mental, com a noção de reintegração social do sujeito doente mental e com sujeitos com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas, levou anos para ser consolidada. As críticas aos tratamentos realizados, de caráter hospitalocêntrico, segregador e excludente, essencialmente em hospícios, iniciaram no período pós II Guerra Mundial, questionando o papel e a natureza da instituição asilar e do saber psiquiátrico dominante.

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família > Adolescentes l 15/08/2009 l Acessos: 475
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    A família é um grupo primário no sentido sociológico tão antiga quanto a própria história da espécie humana. Ela é responsável pelo processo de desenvolvimento psicológico e físico da maioria dos indivíduos na atualidade. Suas características modificaram-se historicamente à custa das mais diversas influências históricas.

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família l 11/08/2009 l Acessos: 2,748 l Comentário: 2
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    O período da adolescência determina uma série de escolhas, perdas e abandonos, em respostas às exigências não apenas parentais, mas também advindas do social mais amplo. Nesta nova construção identificatória, na transição de criança/adolescente, seus ideais e fantasias são abalados. Nesse momento, o uso de drogas pode inscrever-se como uma vertente identificatória, para a resolução de problemas não resolvidos.

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família > Adolescentes l 10/08/2009 l Acessos: 2,124 l Comentário: 1
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    O transtorno do pânico é uma doença que está associada a uma importante morbidade e prejuízo na qualidade de vida do paciente, atualmente verifica-se um elevado número de casos de pessoas com TP e este fato é atribuído principalmente ao aumento da ansiedade existente em nosso dia a dia. Sendo o TP algo crescente na contemporaneidade e que acarreta graves prejuízos, com um alto índice de incapacitação à vida do indivíduo.

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família l 09/08/2009 l Acessos: 1,088 l Comentário: 1
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    A sexualidade, entendida a partir de um enfoque amplo e abrangente, manifesta-se em todas as fases da vida de um ser humano e, ao contrário da conceituação vulgar, tem genitalidade apenas um de seus aspectos, talvez nem mesmo o mais importante. Dentro de um contexto mais amplo, pode-se considerar que a influencia da sexualidade permeia todas as manifestações humanas, do nascimento até a morte.

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família l 09/08/2009 l Acessos: 407
    Edyr Marcelo Costa Hermeto

    Atualmente o uso e abuso de drogas ilícitas configura-se um problema de saúde pública pela extensão do seu uso, natureza das novas drogas e os impactos sociais arregimentando adolescentes, no qual muitas vezes tornam-se vulneráveis pelas incertezas, sente-se muitas vezes fragilizado em determinada situações, como: mudança de fase de vida, dificuldade de enfrentar a realidade, dificuldade em aceitar regras e padrões impostos pela sociedade

    Por: Edyr Marcelo Costa Hermeto l Casa & Família > Adolescentes l 30/07/2009 l Acessos: 776

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    1. merilyn October 07, 2009
    nosa historia grande
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