Resenha Do Livro Adoro Odiar Meu Professor

Publicado em: 31/03/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 999 |

ZUIN, Antonio Álvaro Soares. Adoro odiar meu professor: aluno entre a ironia e o sarcasmo Pedagógico. Campinas São Paulo. Autores Associados. Coleção Polêmicas do nosso tempo. 2008. 116p.

O autor é doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pós- doutor em Filosofia da Educação pela Universidade de Leipzig na Alemanha. É professor associado do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Carlos e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPQ). Entre os seus escritos mais famosos está o livro O trote na Universidade: passagem do rito de iniciação.

O presente escrito visa fazer uma reflexão sobre a questão do campo educacional de como esta reproduz violência e hostilidade, que tem sua influencia desde a Paidéia grega, passando pela didática desenvolvida por Comênio e que continua presente entre nós como uma forma de socialização.  Este escrito se desdobrar  em três capítulos.

O primeiro capítulo "A Dialética Socrática como Paidéia Irônica" (p.9-38) apresenta de como a ironia foi construída na consolidação da filosofia, e como esta teve uma relação da Paidéia na construção do homem grego. Na primeira parte da reflexão o autor fala que a ironia um método usado pelo filosofo grego chamado Sócrates como forma de demolição de todas as certezas sobre determinados conceitos. Para exemplificar melhor essa idéia, o autor vai ao primeiro capitulo da República de Platão em aparece Sócrates debatendo com o sofista Transímanco sobre o conceito de Justiça em que este defende a idéia que ser injusto é mais vantajoso que ser justo. Sócrates não concorda com o sofista e usando o método da ironia começa a debater com seu interlocutor. Chega à conclusão que "a dança dos silogismos socráticos é a que ‘o justo revela-se nos, portanto, bom é sábio e o injusto ignorante e mau' PLATÃO 1975 (pp 33-35) " (cf. p.15).Mostra o papel de educador de Sócrates como condutor do processo educacional, e a maiêutica como um ato de auxiliar a alma para rememorar os vestígios sobre o conceito. Essa atitude pode ser interpretada como pedagógicas de não apresentar um raciocínio conclusivo, mas estimula a refletir sobre o tema.  Em seguida mostra uma distinção entre a Paidéia de Sócrates com a Paidéia de Protágoras. Sócrates defende que a virtude pode ser ensina na prática, e já Protágoras não sabe se existe uma virtude a ser ensinada aos seus discípulos. Ao ensinar a prudência como conseqüência forma bons cidadãos para a cidade-estado, pois essas pessoas vão ser pessoas que sabem discernir entre bem e o mal, pois aqueles que têm a capacidade de avaliar as condições de existência para feliz. Essa reflexão de Sócrates ecoa na outra reflexão que Kant fazia séculos posteriores sobre o imperativo categórico, onde reflete a sua principal questão filosófica que é observar as leis e ao mesmo tempo promover a liberdade. Conclui o primeiro capitulo fazendo uma reflexão com todos os educadores se esses são capazes de rir ironicamente e pedagogicamente de si, e essa atitude reconhece suas limitações reconhece como humano.

No segundo capitulo, "A Substituição da Ironia pelo Sarcasmo na Sala de Aula" (p.39-74) inicia esse capitulo apresentando a aversão que a civilização sempre teve com a profissão de ensinar, pois no período antigo a uma desvalorização do intelecto em relação à força física. Por isso o mal estar do professor por não ser reconhecido, por isso que tem o prazer em punir seus alunos. O surgimento da escola de massa tem como um único objetivo manter esse aluno subserviente ao professor, ou seja, educar a criança desde sua tenra idade a se adaptar as regras da nova ordem como forma de aculturar os futuros trabalhadores adultos que serão os reprodutores do sistema capitalista.Em seguida faz um comentário sobre o livro clássico da pedagogia a Didática Geral de Comênio em que diz que é mais eficiente substituir os castigos com agressão física por castigos psicológicos, pois estes são mais eficientes que os primeiros. Pois com a punição psicológica tem uma maior durabilidade. E fala que o professor se identifica com os seus alunos e faz punições sobre os mesmo, pois este tem o prazer de fazer o mesmo sofre, e fala sobre os tabus sexuais entre professor e aluno como algo construído de longa data pela sociedade, em seguida apresenta como esses estudantes convivendo com o esse professor que o agride e mesmo com essas atitudes se sentem identificado com os mesmos. Pois este quando chegam ao posto de professor transferem a mesma agressividade que receberam quando eram alunos agora descontam nos outro alunos quando chegam a ser professor.

No terceiro capitulo, "Reações Sacártiscas dos Alunos ou como Eles Aprenderam muito Bem a Lição dos Mestres" (p.75-106) mostra como os alunos depois de serem duramente penalizado pelos seus educadores aprenderam a tratá-los de maneira semelhante, e apresenta o exemplo do Orkut em quem existem varias comunidades em que vários alunos tratam da mesma maneira que o professor de uma determinada disciplina tratava e que esses ressentidos por esse professores como não podem manifestar a sua inquietação em sala de aula, usam o espaço virtual para colocarem todo o seu ressentimento que esses têm com a classe dos docentes. O texto se aproxima muito com texto discutido por Adorno Educação contra a barbárie em que Adorno propõe que com a educação da criança desde tenra idade é que se pode acabar com o pensamento de barbárie que predomina toda a nossa civilização. Para isso o profissional da educação deve estar atento a sua formação e fazer sempre uma reflexão de como esta sendo sua aula, e como esses discentes acompanham sua aula e se estão entendendo a sua explicação. Assim o presente livro visa fazer uma reflexão critica sobre a arte da docência que permeia em todo o professores como aquele que é o agressor e que muitas vezes não vive o papel de professor que devia humanizar, mas de barbarizar mais as pessoas principalmente os seus alunos, e este quando chega à posição do professor reproduz tudo o que aprendeu com o seu mestre.

A obra é um subsidio para todos os docentes que trabalham em todos os níveis escolares e os estudantes de licenciatura de uma maneira especial para aqueles que estudam Filosofia, Pedagogia e Ciências Sociais.

No Plano Estrutural usa o método reflexivo fazendo uma analise sobre a bibliografia clássica da educação com a realidade atual fazendo uma relação com o orkut .

A linguagem da obra é simples e bem fundamentada em que recorre a alguns teóricos e apresenta algumas pesquisas sobre o tema que facilita o entendimento sobre o assunto.

Enfim, o presente livro visa fazer uma reflexão sobre a prática pedagógica que o professores utilizam e que os alunos o reproduzem posteriormente quando chegam a ficar no lugar do professor. O livro ajuda a fazer uma reflexão de como a pedagogia ajuda a reproduzir a hostilidade que o professor faz com os alunos em sala de aula. Com a leitura desse livro ajuda o professor refletir sobre sua prática pedagógica.

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