Diga Não À Baixaria Na Tv

Publicado em: 09/10/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 104

Introdução: Já na década de 40 Adorno colocava que a indústria cultural produz bens de massa impondo estandardização, estereótipos e baixa qualidade aos produtos culturais oferecidos excluindo o que é novo como risco inútil, processo em que o consumidor é menos sujeito e mais seu objeto.

Segundo Scheff, neste contexto, uma maioria não participativa pode partilhar, em silêncio, de um mesmo ponto de vista, deixando que a minoria que tem acesso aos meios de comunicação imponha um falso conceito cultural alimentando a chamada “espiral do silêncio”.

Todavia a noção, mais recente, de interatividade – entendida como a possibilidade do indivíduo interferir na programação dos meios de comunicação, de acordo com seus interesses pessoais – entra em choque com a idéia de que o público consome passivamente produtos culturais alienantes.

Objetivos: 1- compreender a percepção de crianças e jovens sobre as informações transmitidas pela mídia e 2- como utilizariam o meio vídeo como instrumento de reflexão e expressão artística.

Metodologia: As oficinas de vídeo foram realizadas em bairros periféricos de Santo André, com crianças (6-12 anos) e jovens (13-28) durante as atividades preparatórias para a 28 Pré- conferência do Projeto Santo André-2020, Cidade Futuro. Cada oficina foi composta de 12 horas de noções básicas de linguagem de vídeo; no plano de aulas foi incluída a discussão sobre ética no uso de imagens pela mídia televisiva. As aulas aconteceram em Centros Comunitários e em escolas da rede pública. A análise dos resultados foi baseada em observação participativa. As oficinas foram totalmente financiadas pela Prefeitura Municipal de Santo André.

Resultados: Foram produzidos seis vídeos documentários a partir dos seis eixos temáticos propostos pelo Projeto Cidade Futuro: inclusão social, educação, qualidade ambiental, desenvolvimento urbano, desenvolvimento econômico e identidade cultural.

Observamos que o jovem de Santo André vive atualmente um período de transformação no que tange ao seu espaço sócio-cultural e ao perfil econômico da região, o que faz dele consumidor específico, com particularidades muitas vezes incompatíveis com o modelo de juventude que é veiculado pela mídia, nesse sentido percebemos um genuíno desejo de reapropriação imagética manifestado através das escolhas dos assuntos que foram abordados e das locações para a gravação dos programas.

O meio vídeo foi percebido pelos participantes como modo de expressão para além das fronteiras do bairro, os vídeos realizados denunciavam ou reivindicavam causas a partir da comunidade.

Conclusão: A interatividade é uma realidade tornada possível graças ao avanço tecnológico e sua existência traz conseqüências para a comunicação que precisam ser avaliadas, entretanto é necessária a avaliação da ideologia que está por trás da formação do chamado gosto popular que, em tese, permitiria algumas previsões sobre os hábitos de televisão dos consumidores.

É fato que a chamada “espiral do silêncio” distorce a imagem da realidade, porém, também é fato que o acesso cada vez mais facilitado aos meios de produção audiovisual, bem como a reflexão sobre o uso desses meios, pode funcionar como antídoto ao falso consenso imposto pela minoria barulhenta que têm dominado os meios de comunicação.

Videotraquitanas - Relato de experiência com jovens e crianças participantes do Projeto Santo André-2020, Cidade Futuro. Co-autoria: Sergio Sanches, publicitário e videomaker.

Apresentado durante a 53ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Universidade Federal da Bahia, 2001.

(Artigonal SC #1218835)

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    Palavras-chave do artigo:

    televisão

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    comunicação

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    documentário

    ,

    juventude

    ,

    interatividade

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