Qual o conceito de arte?

29/03/2012 • Por • 930 Acessos

O conceito de arte é bastante amplo e pode englobar manifestações que fazem parte do cotidiano. Você já se perguntou quantas vezes por dia entra em contato com alguma forma de arte? No quanto ela é importante para a sua vida? Reflita sobre isso e aponte alguns momentos do seu dia a dia em que a arte está presente.
A criação artística, não importa a forma que assuma, é uma necessidade humana. Porém, não é tarefa fácil conceituá-la. Leia, a seguir, a opinião de alguns especialistas sobre o assunto:

Nada existe realmente a que se possa dar o nome Arte. Existem somente artistas. Outrora, eram homens que apanhavam um punhado de terra colorida e com ela modelavam toscamente as formas de um bisão na parede de uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e desenham cartazes para tapumes; eles faziam e fazem muitas outras coisas. Não prejudica ninguém dar o nome de arte a todas essas atividades, desde que se conserve em mente que tal palavra pode significar coisas muito diversas, em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiúsculo não existe.

GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 1995. p. 15.

Costuma-se relacionar a arte à ideia de beleza. Há muito tempo, tenta-se definir o que é capaz de despertar essa ideia no ser humano e até hoje não se chegou a uma resposta exata. Cada cultura, cada contexto constrói um conceito sobre o que seja arte e beleza.
No mercado formal, os limites para determinar o que seja uma obra de arte são ténues e imprecisos. Essa determinação, em geral, fica a cargo de críticos, historiadores, peritos e da mídia especializada que, durante muito tempo, adotou uma concepção estética eurocentrista, interpretando os fenómenos segundo os valores do ocidente europeu. [...]
Sabemos, hoje, que o conceito de arte não se restringe à estética eurocentrista e podemos falar em Artes e não apenas em Arte. [...] arte é linguagem que se manifesta através de música, dança, teatro, imagens. Seus processos de construção desenvolvem uma lógica interna particular na organização de sons, silêncios, ritmos, cores, formas, linhas, gestos, de acordo com a intenção do produtor.

SOUZA, Ana Lúcia et ai. De olho na cultura: pontos de vista afro-brasileiros. Salvador: Centro de Estudos afro-orientais; Brasília: Fundação Palmares, 2005. p. 141.

Os dois textos levam a pensar no surgimento da arte, nos valores diversos que ela assumiu ao longo dos tempos, bem como no contexto histórico em que se insere qualquer obra de arte. Se chegar a um conceito único do que seja a arte é tarefa difícil, por outro lado é consenso que o objeto artístico foi valorizado ao longo dos tempos por uma de suas funções centrais: possibilitar ao homem vivenciar experiências e emoções. A arte é também uma experiência formativa, nunca se acaba de aprender sobre ela, há sempre novas coisas a descobrir, a sentir.

Muitas vezes, a arte é provocativa, pois rompe com padrões preestabelecidos e revela uma outra forma de encarar a realidade circundante. Tenho falado disso agora que introduzi o assunto em minhas turmas de Ensino Médio como preparatório para o ENEM 2012. Sem querer desviar do assunto, falo bastante a respeito das Vanguardas Europeias.

Um exemplo de arte provocativa pode ser encontrado nas obras do brasileiro Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). Diagnosticado como esquizofrênico, ele passou grande parte de sua vida internado em manicômios. Sua obra faz uso de elementos do cotidiano para representar o modo como ele percebia o universo ao seu redor. Lençóis, sucata e linhas, que ele desfiava do uniforme dos internos, são alguns dos materiais usados pelo artista para a elaboração de mantos, túnicas e instalações, como a apresentada ao lado.

Em sua obra Talheres, o sergipano Arthur Bispo do Rosário rompe com a perspectiva realista de representação. Ao pendurar uma série de talheres numa estrutura de papelão, o artista desloca esses objetos do seu uso cotidiano e atribui a eles um sentido especial: elas já não servem para se comer algo, mas para provocar a reflexão de quem as contempla. O fato de os talheres serem de metal e estarem alinhados pode sugerir, por exemplo, a reifação e massificação existente nos antigos manicômios, que tratavam os internos de maneira indiferenciada, como se fossem todos iguais.

Perfil do Autor

Anderson Silva

Amante das artes e dos jogos de moto e jogos de carro, meu prazer está em falar desses assuntos.