"quanto Mais Quente Melhor" (Some Like It Hot): 50 Anos Depois

Publicado em: 10/09/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 125

A comédia é um gênero cinematográfico que consegue agradar uma fração maior de cinéfilos ou não; até os mais sisudos e exigentes espectadores se vêem desarmados diante de piadas e situações cômicas na tela. Fazer rir, provocar o riso na platéia é um recurso muitas vezes infalível, independente da finalidade, se é para discutir algum assunto sério, ou simplesmente para o entretenimento. Em relação ao riso, o cinema (ab)usa-o sempre, melhor em alguns filmes que em outros.

Neste ano de 2009, uma fita torna-se uma cinquentona, trata-se do divertidíssimo “Quanto mais quente melhor”, do diretor austríaco Billy Wilder, com uma tríade perfeita no elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon. Longe da receita dos recentes “besteiróis americanos”, este filme, eleito pela American Film Institute como a comédia do século XX, traz um humor refinado, que compensa ser revisitado depois de 50 anos de seu lançamento. 

Em 1929, Chicago, os músicos, Joe (Tony Curtis), saxofonista, e seu amigo contrabaixista Jerry (Jack Lemmon), desempregados e endividados, conseguem na agência de Poliakoff um trabalho na Universidade de Lllinois, para tocarem no baile do Dia dos Namorados (São Valentin), para chegarem lá, pegam emprestado o carro de uma colega que tem “segundas intenções”. Só que ao irem a garagem apanhar o carro, testemunham um acerto de contas de gângsteres da Máfia de Chicago, no qual o criminoso da delegação do Sul, Spats Colombo, reconhecível por suas temíveis polainas brancas, e seus “advogados” matam a delegação do norte chefiada por Toothpick Charlie. Joe e Jerry deparam com um problema grave, pois Splats não “gosta de testemunhas” e acaba realizando uma perseguição atrás dos dois, que têm por saída, travestirem de mulheres e se juntarem numa banda de jazz só de mulheres, a da Sweet Sue e suas Sincopadas, que vão para um hotel em Miami, Flórida. Assim, Joe torna-se Josephine e Jerry, Daphne, duas comportadas instrumentista que passaram “três anos no conservatório Sheboygan”. No itinerário, os dois conhecem a tolinha e desiludida no amor, Cana-de-açúcar (Sugar-Kane, interpretada por Marilyn Monroe),que adora tomar bourbon (bebida alcoólica), toca ukelele na banda e canta, seu desejo é conhecer em Miami um milionário que usa óculos e lhe faça mais feliz que os “sax tenor” que ela já se apaixonou.

Joe entremeio seu disfarce de Josephine, finge-se de Junior Shell para se engraçar com a Açúcar e Jerry, ou melhor, Daphne acaba se envolvendo com um milionário velho, Osgood Fielding III, no qual ela se apresenta como Cinderela II. O que os dois não sabem é que neste hotel ocorrerá a “10º Convenção Anual dos Amigos da Ópera Italiana”, que é na verdade uma reunião dos mafiosos para resolver sobre o massacre da rua Clark em Chicago e a situação da delegação de Spats, sob as ordem do poderoso chefão Bonaparte. E assim a coisa esquenta!

A atuação de Jack Lemmon é digna de aplausos. Alusões, trocadilhos e o uso do double entender (duplo sentido) por Wilder, é excelente, dando coesão e garantindo o humor e a qualidade inquestionável do filme. Além de trazer a parceria problemática, mas gratificante de Wilder e Monroe, ocorrida anteriormente, em “O pecado mora ao lado” de 1956.

Aqui nada é o que aparenta, um caixão carrega bourbon clandestino em plenos ares da Lei Seca, velórios são animadas reuniões de criminosos, tacos de golfe são verdadeiras munições, homens são mulheres, advogados são cúmplices e a lista é interminável. As piadas que forjam os diálogos, sem uma historicidade necessária, não faz da fita ilegível atualmente, mas um pouco de atenção é imprescindível para o deleite da perspicácia e agudeza com que são fundamentadas até as mais inocentes falas que remetem a ocorrências pretensiosas e satíricas, mas que jamais caem na vulgaridade, apenas na sutileza e no trato comportado com o assunto.

A fita pode até estar empoeirada, mas distante do tédio, revê-la não exigirá nenhuma força nostálgica, apenas uma exigência que será recompensada pelo humor salutar e em dose certa que faz jus ao gênero e que está longe de ser antiquada.

E fica uma epígrafe genial do ricaço Osgood Fielding III, que no final do filme, após Daphne revelar que é homem na fuga das personagens para o iate Novo Caledônia, ele diz, curto e grosso: “Ninguém é perfeito!”. Não é perfeito!? E como diz o ditado: rir é o melhor remédio, e mesmo se as coisas esquentarem, não importa, caia no riso, pois “quanto mais quente, melhor”!

Texto escrito por Alexandre Augusto Fernandes da Silva, graduando em História, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU/MG). Versão completa do texto publicado em: Jornal Correio de Uberlândia e CMI.

(Artigonal SC #1317849)

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    Cinema Americano

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    Por: Alexandre Augusto Fernandes da Silva (graduando em História, UFU) l Arte&Entretenimento l 10/09/2009 l Acessos: 125

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