A instituição da gorjeta

11/01/2011 • Por • 127 Acessos

No ano de 1975, mais precisamente durante todo o mês de abril, participei de uma caravana de estudos e aperfeiçoamento, em pleno solo japonês, sobre a ultramoderna filosofia oriental, preconizada pelo Grande Mestre Mokiti Okada, onde tomei contato, juntamente com mais 51 brasileiros, com formas de vivência bem divergentes de nós outros, que somos muito privilegiados pela extensão territorial, pelo clima bem menos rigoroso, pela estabilidade geológica e, principalmente, pela menor rigidez com relação às hierarquias sociológicas, familiares e políticas. O povo japonês obriga-se a seguir patamares altos de disciplina e de senso de cidadania com responsabilidade, porque eles têm consciência de que a união faz a força e, portanto, de que o poder da coletividade, com objetivos em comum, remove quaisquer obstáculos que possam embotar o progresso e o desenvolvimento do povo e do país, haja vista a força de superação que eles demonstraram possuir perante a destruição sofrida pela segunda guerra mundial, seguida da grande frustração pela perda da milenar crença na divindade do seu próprio imperador, chegando mesmo assim, a tamanho grau de desenvolvimento tecnológico, capaz de influenciar definitivamente a economia mundial, embora seja um país composto apenas por ilhas montanhosas, cercadas por vulcões e sujeitas a tremores de terra em profusão.

Algo que me chamou muito a atenção foi o fato de haver um consenso geral na proibição ao turista de entregar quaisquer tipos de gorjeta, seja nos hotéis, restaurantes, lojas ou demais serviços, já que estive em visita a várias cidades, de norte a sul do país, podendo assim constatar "in loco" esse tipo de procedimento. _O que isso demonstra? É uma ação benéfica ou não? Por quê?

Para nós, os brasileiros, o fato de se dar gorjetas a torto e a direito passou a ser uma espécie de instituição, chegando-se ao ponto até de se incluir uma porcentagem do valor consumido em contas de muitos hotéis e restaurantes, com o nome de "serviços", o que não deixa de ser uma forma de burlar os preços anunciados a serem cobrados por quilo ou por pessoa, que não incluem esse valor a mais, em detrimento àqueles outros que trabalham de forma transparente, sem o mau hábito de usar a propaganda enganosa como golpe de marketing. Aliás, diga-se de passagem, para mim é difícil aceitar a condição de ser julgado como um tolo, o bastante de me deixar levar pelos "99 centavos", que aparecem nos preços das mercadorias. _Ora, para com isso.

Outra instituição, que menospreza a nossa inteligência, é a praga do telemarketing, que obriga uns infelizes a cumprirem cotas de vendas por imposição, nos aborrecendo pela insistência estressante e por desrespeito ao nosso direito de escolha e de privacidade, no mais das vezes usando argumentos tão ridículos, que ofendem até nossa parca sapiência – tudo bem que é melhor ouvir besteiras do que ser surdo, porém pra todas as coisas existem limites – o pior nisso tudo é que essa é a melhor forma de nos afastar do produto ou serviço que está sendo oferecido, portanto fica aqui um alerta a esses "marketeiros" de plantão: _Por favor, sejam mais inteligentes ao desenvolverem seus trabalhos, se aquilo que estão oferecendo for realmente interessante e proveitoso para os clientes, a não ser que estejam empurrando "gato por lebre".

O acontecimento, que me fez desencadear todos esses comentários, nasceu da atitude antiética de um simples entregador de guias telefônicos, argumentando, de forma constrangedora, que os livretos seriam oferecidos gratuitamente, mas que ele aceitaria uma "ajudazinha", que seria muito bem-vinda. Essa ação indecente, já beirando o achaque, é um verdadeiro desrespeito para com seu próprio patrão, cujo objetivo seria o de servir à população de Araras, oferecendo um guia informativo útil a todos, e que, por essa razão, havia-lhe contratado, naturalmente dando-lhe em troca uma remuneração.

Acredito ter ficado bem evidente as respostas às questões que apresentamos, ou seja, o quanto de impropriedade existe na prática viciosa da gorjeta, assim deixando clara a sabedoria milenar do povo nipônico que, unido, não deixa proliferar negatividades.

Perfil do Autor

Moacyr de Lima e Silva

Desde 1972, dedico-me ao estudo da Filosofia de Vida Oriental Moderna, tendo participação ativa como professor-dedicante em palestras sobre a matéria, já tendo lançado 2 livros a respeito (sem fins lucrativos), pela Gráfica Odeon, na Cidade de Araras-SP (perto de 125.000 habitantes), onde resido desde 1998:        'A Filosofia do Paraíso' - em 2003;        'Os Sócios e a Sociedade' - em 2006. Através do Opinião Jornal (Diário de Araras), tenho uma coluna semanal, desde junho de 2007, onde são publicados meus textos, todas as quartas-feiras, que me têm rendido muito retorno, pelo aumento do meu círculo de amizades.  Meu objetivo de vida, hoje, resume-se na propagação dos conceitos orientais filosóficos ultra-modernos, com base nos ensinamentos do Grande Mestre Mokiti Okada (1882/1955), isso tudo sem qualquer cunho financeiro ou religioso, mas simplesmente para servir de reflexão das pessoas deste mundo, com relação aos acontecimentos e aos comportamentos que estão se manifestando, cujo resultado está sendo a criação de um mundo infernal, prestes a entrar em processo de extinção, pelo aquecimento global.  Meu esforço maior está sendo no sentido de servir como o pássaro que tenta apagar o incêndio na floresta, apenas buscando água no lago, pelo bico, mesmo sabedor da própria pequenez, porém com o intuito de despertar o maior número daqueles que possam agir em coletividade, até conseguirem apagar tudo.  Talvez eu possa parecer um visionário, mas tenho a declarar, com toda segurança, que a minha experiência, dentro do tema filosófico/científico/religioso que estou divulgando, me dá forças e respaldo para prosseguir até os últimos dos meus dias.