O consumidor vítima do mau atendimento

07/03/2011 • Por • 377 Acessos


 

Já trabalhei com vendas. Tanto de produtos, como livros ou computadores, quanto de serviços, tais como serviços gráficos ou serviços de comunicação de dados entre empresas.

Talvez fosse um pouco de exagero da minha parte, mas eu só sentia que meu papel de vendedor havia sido concluído quando o consumidor cliente recebia o produto e manifestava sua satisfação com a qualidade do que havia adquirido.

Mas, infelizmente, estou sendo forçado a aceitar que esta qualidade no atendimento não é uma preocupação nem das empresas nem dos atuais vendedores. O que se verifica é uma concepção que distingue as etapas do trabalho de venda: vender é com o vendedor, receber é com o caixa, entregar é outro departamento, em geral terceirizado, sobre o qual os vendedores não querem nenhuma informação, de preferência.

Estou falando disso com conhecimento de causa: há poucos dias, fui a uma das lojas da rede Novo Mundo, em Cuiabá, comprar alguns móveis, em função de ter me mudado para a cidade, para trabalhar, em função do concurso que prestei. Fui atendido por um vendedor de nome Thiago, da loja do Shopping Pantanal, cujo trabalho era coordenado pelo gerente de nome Aguinaldo.

Rapidamente escolhi alguns móveis, para meu quarto: guarda roupa, cama, colchão e fui com o vendedor para o fechamento do negócio: emissão de nota, um chorozinho pedindo desconto em função do pagamento à vista e o pedido da entrega mais rápida possível. Fui pagar e a combinação era de que os móveis seriam entregues dois dias depois, no sábado, pela manhã. Mas, isso não resolvia muito, porque a montagem, que é o que interessa só poderia ocorrer outros dois dias depois. Ou seja, correndo tudo bem, depois do pagamento, eu teria que aguardar quatro dias para poder usar os produtos adquiridos. Sinceramente, eu considero esse prazo um exagero na era dos serviços on demand, mas o que eu poderia fazer?

Conformei-me e, no sábado, lá estava eu a postos para receber as peças dos móveis e o colchão adquirido. Mas, pasmem: o vendedor me vendeu colchão errado. Entre o colchão que eu escolhi e o computador que ele usou para fechar a venda, não foram sequer 10 metros de caminhada, e ele conseguiu mudar o produto escolhido.

Obviamente, eu não aceitei o produto que me estava sendo entregue, que foi levado de volta pelos entregadores, enquanto eu fui à loja reclamar com o vendedor e com seu gerente, que pasmem de novo, limitou-se a dizer: "preste mais atenção, Thiago!"

Ora, eu não queria uma reprimenda ao vendedor, queria o produto que eu havia comprado. Mas, o que fez o gerente? Nada, nadica de nada. Apenas me disse que eu teria que esperar pela nova entrega. No mesmo ritmo da anterior. Nenhuma excepcionalidade, urgência, tratamento preferencial, coisa alguma. Fiquei embasbacado de ver como a empresa não tem nenhuma política para manifestar que importa-se com o seu cliente quando erra.

Mas, não foi só este caso. Descobri que o imóvel que aluguei não pode receber a instalação de linha fixa de telefone! Por quê? Porque o proprietário do imóvel não se preocupou de terminar as instalações de cabeamentos pelos dutos inseridos nas paredes. E, o que fazer? Trata-se de um pequeno prédio, com oito residências, e a nenhum a imobiliária informou dessa pegadinha no ato da locação. Afinal, qual é a importância do telefone nos tempos de hoje? E internet, para quê?

Então, me dirigi à Vivo, para comprar um plano de internet 3G, com medo de cometer outra insanidade, mas qual a minha alternativa? Vi na propaganda que eles tinham um plano "ilimitado", por 89,90 por mês… achei que era esse plano que eu devia fazer. Foi quando fiquei sabendo pela vendedora que ilimitado o plano é, mas que eu só teria velocidade de 3G até transferências de dados de 1 Gb… acima disso, minha velocidade seria reduzida a 128 Kb. Me revoltei com a informação, mas pensei que deveria arriscar, afinal, uso pouco para downloads e uploads.

Ledo engano, em dois dias, minha taxa de transferência já alcançou 1 Gb e minha velocidade neste momento é de apenas 128 Kb. O pior é a sensação de que não existe nada que possa ser feito. As empresas estão legitimadas por um padrão de regulação absolutamente precário quanto à prestação de serviços aos clientes.

Este é um dos campos da política pública em que o Estado terá que intervir muito mais nitidamente nos próximos anos, para proteger aos cidadãos.

Perfil do Autor

Edmar Roberto Prandini

Formado em Filosofia, com Mestrado em Sociologia, trabalha com microcrédito há mais de 10 anos. http://www.unipress.blog.br http://www...