O Vendedor De Sapatos

12/04/2010 • Por • 1,477 Acessos

 

Ontem estive em uma loja de calçados e enquanto observava a vitrine fui abordado por um vendedor. Ele fez a lição de casa, uma abordagem sutil, deixou-me a vontade e pediu que o chamasse se precisasse de algo. Passaram-se uns cinco minutos e quando decidi olhar um calçado o vendedor que havia me abordado inicialmente estava ocupado com outro cliente e foi então que solicitei a um vendedor algumas informações, onde fui prontamente atendido. Decidi então provar o calçado. Entrei na loja e o vendedor que me atendeu inicialmente sorriu, dizendo nas entre linhas que estava ali, mas como o outro vendedor já havia saído para buscar o que havia acabado de escolher, retribui o sorriso como se estivesse agradecendo a gentileza. O segundo vendedor apareceu co m apenas uma caixa. Provei e o calçado não ficou do meu agrado. Ele então sugeriu outro modelo e pediu mais alguns instantes. Desta vez apareceu com uma pilha enorme de caixas, eram umas dez caixas de sapato. E prova daqui, e experimenta de lá. Decidi por dois pares, a atenção foi tamanha que seria impossível não comprar nada. Foi então que se deu o problema da noite. O primeiro vendedor, que me abordou e por falta de sorte quando precisei de um atendimento já estava ocupado, percebeu que o vendedor havia fechado uma venda, foi tirar satisfação, pois acreditava que estava me atendendo. Sem dó, intimou o colega no meio da loja. Disse que estava roubando uma venda dele e fez aquela lavação de roupa em minha frente e de outros três clientes que ali se encontravam. No canto da loja, um rapaz, que só vim saber que era o gerente depois, chamou os vendedores para entender o que acontecia. Fui colocado numa enrascada. O gerente da loja de sapatos me chamou para esclarecer o motivo da briga de seus vendedores. Que lástima. Eu, o cliente, cansado, já havia me disposto a parar para comprar um sapato, confesso que só o fiz por necessidade, cheio de pressa para chegar a minha casa, estava ali sendo interrogado e colocado no meio de um problema que não era meu. Por fim achei melhor, para não gerar mais problema para a loja e também para o gerente que se mostrava indeciso de quem era a culpa, desistir dos dois pares de sapato que me fizeram perder pouco mais de meia hora do meu dia. A culpa no final foi minha. É claro, eu é quem quis comprar sapatos, no final do dia, naquela loja, que confesso não arrisco nem sequer entrar mais. Sempre que não sabemos como proceder, como administrar, como contornar um problema infelizmente nós colocamos a culpa no CLIENTE pela nossa incompetência. A Culpa NUNCA é do CLIENTE, já diz a velha regra do Bom Atendimento.

Sds,
 
Luis Guilherme Campos Santos

Perfil do Autor

Luis Guilherme Campos Santos

Ombudsman, Especialista em Atendimento ao Cliente e Direito do Consumidor.