Rinaldo Barros é um observador atento e perspicaz da cena brasileira, onde registra essa espécie de maldição que, em suas próprias palavras, nos impele, a nós brasileiros, “a reformar a revolução e a revolucionar a reforma”. Defensor da tese da unidade das forças progressistas, lamenta que o sectarismo míope impeça que estas não se conscientizem, afinal, de que “tudo o que divide a esquerda fortalece a direita”. É professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, desde 1988. No período 1989 a 1995, arriscou-se como articulista e editor cultural do jornal “Gazeta do Oeste”, tendo produzindo algumas centenas de páginas com contribuições críticas para o processo de conhecimento sobre nossa complexidade social. Desse trabalho resultou o livro POR UM MUNDO MELHOR, a partir da seleção de mais de cem ensaios, todos de ótima qualidade de análise e informação. Rinaldo tem sólida experiência na área de Sociologia, com ênfase em Meio Ambiente Urbano, atuando como consultor nos temas: desenvolvimento sustentável, produtividade social, sociologia urbana, impactos sócio-ambientais, impactos sócio-econômicos das novas tecnologias, e conjuntura política. Está participando como convidado do Programa de Pós-doutorado da Unidad de Estudios en Desarrollo da Universidad Autónoma de Zacatecas - UAZ, no México, com o projeto Políticas Públicas para a Ciência e Tecnologia: as nanotecnologias no Brasil. O professor Rinaldo Barros, pernambucano de Recife, filhos de pai operário e mãe doméstica, adotou o Rio Grande do Norte ainda muito jovem e estudante secundarista, nos idos do final dos anos 60, quando prestou vestibular para a saudosa Faculdade de Sociologia e Política, ainda sediada na sede da Fundação José Augusto. Ali foi líder estudantil e combateu os atos autoritários do regime militar, o que lhe rendeu a cassação dos direitos estudantis por três anos. Poderia também escrever suas memórias do cárcere, pois foi preso político no período de 1972 a 1974, por ter tido a coragem de gritar pela Liberdade e pela Democracia. Como cidadão, como educador, como intelectual orgânico, como técnico qualificado, o professor Rinaldo Barros dedicou praticamente toda sua vida a combater o bom combate, numa convivência fraterna com todos os que fazem esta terra. Por tudo isso, conseguiu comprovar o seu compromisso com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte, unificando o seu destino com os da nossa população, conquistando o direito de ser, de fato e de direito, cidadão norte-riograndense. Como intelectual pragmático, tem prestado relevantes serviços ao Estado do Rio Grande do Norte, como autor de projetos importantes. Foi Secretário Municipal de Educação (1993) e também Secretário Municipal de Administração, Planejamento e Previdência (1999 a 2000), onde contribuiu com diversas ações no sentido da modernização e da articulação entre o município de Natal e outros níveis de governo, na sua luta incessante pelo desenvolvimento de nossa sociedade. Foi presidente da Fundação Cultural Capitania das Artes (2001 a 2004), onde articulou a implementação de uma política cultural comprometida com a construção da cidadania. Atualmente, ocupa a Diretoria Científica da FAPERN – Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte, onde busca contribuir para que a disseminação do conhecimento científico e a prática da pesquisa se tornem mecanismos de desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
Há cerca de três décadas que, no patropi, não se conhece análises consistentes sobre nossa experiência histórica recente. Tudo se passa como se um grande desalento houvesse tomado conta dos nossos intelectuais. E que a imprevisibilidade caracteriza o nosso tempo. Vou tentar traçar aqui um resgate do que foi esse processo em nosso país.
A conversa de hoje aponta para os perigos embutidos na existência de lideranças carismáticas. E compartilho com você, caro leitor, a minha convicção de que existe a verdade em oposição à falsidade, que ela pode ser alcançada se as pessoas desejarem, que vale a pena buscá-la, e que não é apenas a mais valiosa mas a mais aprazível das coisas no mundo. Valho-me da História para embasar minhas preocupações.
Trata-se de um processo que vem minando o espírito da democracia constitucional, com a desmoralização das instituições, combinada com o incessante culto à personalidade do Lula, a um só tempo autoritário e popular. Governa através de medidas provisórias, massacra os aposentados e promove o endividamento das famílias, sob os aplausos da maioria da população. Lula não representa mais os trabalhadores (como antes), pertence ao sistema; tem fortalecido o capital e as oligarquias.
O déficit educacional brasileiro não é apenas um óbice para a realização do país do futuro, como muitos projetam. São atuais e altamente comprometedores os problemas de força de trabalho qualificada que o País enfrenta em diversos setores, como o da mineração, da metalurgia, do petróleo, da construção civil, da informática, entre muitos outros. Para construir o futuro, precisamos de educação de qualidade.
Lula, contrapondo-se ao seu próprio partido, e em que pese ter permitido o aparelhamento do Estado, a corrução e o “mensalão”, e confundir o conceito de Estado forte com Estado grande e gastador; manteve e ampliou um conjunto de políticas que: 1) mantém a ordem e; 2) promove a mudança. Curiosamente, a partir dessa aprovação extraordinária do Lulismo, constata-se uma mudança na qualidade do voto do brasileiro e uma perda do discurso de que “votar no PT é uma ameaça à ordem estabelecida”.
Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. É preciso orgulhar-se de ser brasileiro! O (re) encantamento indispensável para a construção do futuro vai precisar de nossa auto-estima elevada.
Quanto mais diversa e criativa for a experiência, mais valiosa ela será. Na verdade, o que quero deixar claro é que a sustentabilidade não pode e nem deve ser pensada de acordo com padrões antigos. É uma nova lógica de atuação e por isso requer uma reinvenção do modus operandi das organizações, públicas e privadas. Mais do que reinventar, a humanidade precisa reconhecer e se espelhar nos processos naturais.
É palpável a evanescência de muitos outrora importantes movimentos sociais (como o de mulheres, por exemplo). É visível o declínio da força do sindicalismo, como conseqüência do novo padrão de acumulação do sistema e do desaparecimento de postos de trabalho e profissões, por força da automação. Preocupa-me também a tentativa governamental de censurar ou desqualificar o papel da imprensa, em meio a generalizada sensação de impunidade.
Temos grandes desafios herdados de nossa história injusta: 1) a proliferação do mercado informal, que já abrange a mais da metade das pessoas economicamente ativas; 2) o analfabetismo funcional (aquele que lê, mas não entende), atingindo cerca de setenta por cento da população. Somente será possível encontrar a saída através da prática de novos métodos pedagógicos e do investimento pesado para universalizar a educação básica profissionalizante
Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, pelos meus netos Pedro, Maria Clara e Isabella, os quais chegaram a este Mundo agora muito recentemente; e ainda estão aprendendo as letras. Por favor, não me culpe por não gostar mais da sua imagem de bom velhinho. Saiba o senhor que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas.
A pobreza, violenta em si, mata silenciosamente pela fome, pela desnutrição, pela ausência de cuidados básicos. Mas é necessário reforçar que a desigualdade é a fonte de alimentação do caldo de violência que agride o país, como uma epidemia. Dessa compreensão podemos buscar as mais adequadas abordagens, reconhecer e saber como fazer com que os investimentos em políticas sociais se traduzam também em investimentos em segurança pública.
O problema da sucessão de uma liderança carismática, carisma "pessoal e afetivo" por excelência, quando não se baseia num discurso articulado, reflete o drama atual de quem dispõe do poder político, mas não possui a hegemonia ideológica. Lula não está sozinho nessa.
O governo federal (do PT) não cumpre a legislação, não regulamenta, não fiscaliza, não investe na construção de unidades públicas de alta complexidade nem na saúde preventiva da população, descumprindo os princípios e o processo de humanização do SUS, beneficiando ricos empresários, e alimentando o sofrimento da maioria dos cidadãos brasileiros. Uma questão eminentemente política.
É urgente construir uma política de uso e gerenciamento adequado da água. A arborização e a simples infiltração da água das chuvas no solo, sem dúvida, evitará as enchentes e recuperará os aqüíferos, gerando vida saudável.
Em nossa cultura, a violência contra a mulher é aceita; e normas não escritas sugerem que a mulher é a própria culpada da violência por ela sofrida, apenas pelo fato de ser mulher.
A base para uma adequada combinação de tecnologias na educação é o reconhecimento de que se devem mobilizar todos os recursos tecnológicos disponíveis para fins educacionais; e que os livros podem ser enriquecidos por outros meios para compor os elementos centrais na construção do conhecimento.
O impacto que a Internet provocou na sociedade, principalmente nos meios de comunicação, faz dela um fenômeno muito maior do que apenas mais uma mídia. Trata-se, na verdade, de uma questão política estratégica importante. Mas, você é “livre”: pode escolher entre acompanhar a revolução ou ser atropelado por ela. Quem ficar alheio a Internet se tornará obsoleto, perderá o trem da história, muito antes de ter condições de perceber que isso aconteceu.
Os maiores responsáveis não possuem visão estratégica, nem se comportam como estadistas; mas se apequenam nas questiúnculas provincianas, visando somente às alianças eleitorais, via acordos particularistas e fisiológicos. Deveriam ter medo dos castigos de Deus; e ainda querem o voto do povo!
Este artigo resume a percepção do autor sobre a atual crise mundial, expressando uma nova abordagem que aponta para uma tendência de degradação das relações sociais, notadamente denunciando a ganância como a causa de todos os males.
Estou convicto de que somente um extraordinário movimento revolucionário focado na disseminação do conhecimento, aliado a disciplina e ao autocontrole como conseqüência da transmissão de valores éticos e universais, assimilados e praticados por todas as forças vivas da sociedade será capaz de enfrentar estes desafios. É preciso inaugurar uma nova era!
Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, pelos meus netos Pedro, Maria Clara e Isabella, os quais chegaram a este Mundo agora muito recentemente; e ainda estão aprendendo as letras. Por favor, não me culpe por não gostar mais da sua imagem de bom velhinho. Saiba o senhor que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas.
O impacto que a Internet provocou na sociedade, principalmente nos meios de comunicação, faz dela um fenômeno muito maior do que apenas mais uma mídia. Trata-se, na verdade, de uma questão política estratégica importante. Mas, você é “livre”: pode escolher entre acompanhar a revolução ou ser atropelado por ela. Quem ficar alheio a Internet se tornará obsoleto, perderá o trem da história, muito antes de ter condições de perceber que isso aconteceu.
A atual crise financeira, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica mundial, escancara o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive, o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta: intervenção do Estado na economia.
A meu ver, a oposição ao voto em lista - fechada ou flexível - é pura hipocrisia. Atualmente, os nomes dos candidatos já são escolhidos pelos dirigentes partidários, com um detalhe: a grande maioria dos filiados não manifesta sua vontade no processo de escolha dos nomes. Quem paga a conta impõe sua vontade.
Senhores governantes, Senhores candidatos, há que reciclar radicalmente as práticas antigas. É vital entender o novo mundo que nos cerca. Quem passar batido estará morto. Os cidadãos exigem um desempenho melhor por parte dos governos, tanto no tocante à eficácia quanto à transparência. Os eleitores também, não se enganem.
Assim, pela aparência inicial, tudo indica (ou será apenas um desejo meu?) que teremos profundas mudanças até mesmo no modelo de Estado, a julgar pelas medidas (não) anunciadas pelos pré-candidatos a governador (a). Ou, não; como diria Caetano. Pergunto eu: serão medidas fundamentadas numa nova filosofia de governo, nunca dantes tentada por nenhum governante potiguar? Teremos uma Reforma Administrativa?
Considere que, no Brasil, é possível combater o foco da miséria em duas dúzias de regiões metropolitanas, desde que haja decisão política suficientemente forte, capaz de mobilizar e convergir os esforços de ministérios, governos estaduais e prefeituras das capitais brasileiras na mesma direção: assegurar à população água, saúde (preventiva), educação (lato sensu), alimentação, moradia, trabalho, renda, segurança e cidadania.
Temos grandes desafios herdados de nossa história injusta: 1) a proliferação do mercado informal, que já abrange a mais da metade das pessoas economicamente ativas; 2) o analfabetismo funcional (aquele que lê, mas não entende), atingindo cerca de setenta por cento da população. Somente será possível encontrar a saída através da prática de novos métodos pedagógicos e do investimento pesado para universalizar a educação básica profissionalizante
Num Senado sob fogo cerrado, o presidente precisará, logicamente, do apoio de cada senador da base aliada. Mas, a ninguém (ainda) interessa a ruptura do sistema, nem a instabilidade das instituições. Resumo da ópera: nesse contexto atual, no qual sindicalistas viraram banqueiros que controlam o poder central, quem – realmente – representa o povo? A oposição ou o lulismo?
É palpável a evanescência de muitos outrora importantes movimentos sociais (como o de mulheres, por exemplo). É visível o declínio da força do sindicalismo, como conseqüência do novo padrão de acumulação do sistema e do desaparecimento de postos de trabalho e profissões, por força da automação. Preocupa-me também a tentativa governamental de censurar ou desqualificar o papel da imprensa, em meio a generalizada sensação de impunidade.

