Quem Tem Medo Do Lobo Mau?

Publicado em: 29/10/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 86

 Gerações e gerações cresceram vendo e ouvindo a história de chapeuzinho vermelho. Uma das coisas mais marcantes era a musica provocativa que ela cantava às vezes: quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau! Medo, segundo o Aurélio, é um "sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça". O importante é perceber detalhes dessa definição que nos permitem de fato lidar com isso. O que é real e o que é imaginário? Acabamos de entrar num terreno delicado, onde o preto e o branco se confundem e fica mais evidente o cinza. Vamos falar então de realidade. O que é a realidade senão aquilo que percebemos com nossos sentidos e interpretamos de acordo com as nossas crenças e convicções, dessa forma não existe realidade apenas percepção. Recentemente numa aula na Especialização em Medicina Comportamental, uma aluna questionou sobre esse conceito: como escrever, falar e interagir com a realidade?

 Depende do momento que estamos e dos nossos sentimentos. Quanto mais inseguro sentimos, maior tende a ser o nosso potencial de medo. Nosso filtro de relação com o mundo está intimamente ligado as nossas emoções e à que também chamamos de filtro emocional. Quando estamos mais seguros temos uma percepção mais real do perigo. O que é perigoso depende de nosso padrão de pensamento, crenças e valores. As coisas que nos ameaçam podem ser as mais diversas possíveis, isso é pessoal. Existe um senso comum, é claro.

Recentemente estive no Rio de Janeiro, a cerca de 2 meses atrás, e fiquei impressionado como as pessoas estavam com medo da dengue. Ao fazer minhas malas para viagem, pela primeira vez, minha esposa perguntou se eu havia lembrado do repelente de mosquitos. Na reunião com a gerente de Rh da empresa em que estava fazendo uma palestra sobre liderança e motivação, ela angustiada comentava que havia passado uma noite ruim, pois estava grávida de 7 meses e com medo da dengue fechou todas as janelas. Que situação aterrorizante para uma gestante que viu na Tv a matéria que falava de uma mulher grávida de 8 meses que morreu com dengue.

Morei no Rio por 10 anos, de 86 a 96, vi um aumento expressivo da violência que resultou em um movimento de defesa, no qual as pessoas passaram a se trancar em suas casas. O medo da violência fez com que trancassem as portas e o medo do mosquito fez com que trancássemos as janelas. O que dá mais medo: a violência ou a dengue? De fato não importa, contei essa historia para podermos refletir sobre o que realmente nos causa medo e como somos capazes de lidar com ele. Costumo dizer que só o tolo não tem medo, afinal tanto o herói quanto o covarde tiveram medo, a diferença é que um deles agiu e o outro ficou congelado.

Nosso instinto de sobrevivência é extremamente forte, fazendo com que busquemos constantemente continuar a viver. Posso tomar medidas de segurança, mas não existe garantia que esta proteção será efetiva. Posso usar o repelente, porém no único dia que não usei, fui picado e fiquei “dengoso” pela segunda vez, a primeira foi em 90. Dengue é uma doença que não tem tratamento especifico e 4 dias depois do início do quadro você piora ou melhora. Fiquei com medo, felizmente, na grande maioria das vezes, evolui positivamente. Mas, eu não tinha o que fazer, a não ser medição sintomática e hidratação. A solução foi rezar e ter fé. No meu caso, correu tudo bem, ao contrário de centenas de pessoas que já perderam suas vidas nos últimos anos. De fato a dengue assusta. Ter medo não fez de você uma pessoa incapaz, pode sim fazer de você uma pessoa mais prudente, identificando claramente as coisas que são perigosas podemos tomar as melhores precauções. Não existe garantia na vida ou correção, na vida existe a garantia da morte.

Escrever esse texto me dá medo. Alguns vão gostar outros não. Que maravilha seria escrever um texto e ter a certeza que todos irão adora-lo. Se você espera isso, desista então de escrever. Porém algo fala mais alto, necessidade de comunicar o que pensamos, sentimos ou observamos. Percebemos assim que o principal fator capaz de fazer com que superemos o medo limitador é a motivação em realizar. Isso está relacionado com o senso de propósito de cada individuo.  Martin Luter King em um de seus sermões disse: “Aquele que sabe pelo que está disposto a morrer, não esta preparado para viver.” Estamos vivos e expostos a incontáveis riscos, muitos conhecidos outros completamente desconhecidos.

A escolha de continuar a despeito do medo, da dúvida e da insegurança, do poder e da confiança que fazem de nós pessoas comuns, homens e mulheres que podem realizar. A cada contato humano existe a possibilidade da aceitação ou da rejeição. Independente da sua origem ou do que você tem medo, pergunte-se: o medo me controla ou eu controlo o medo? Quem esta no controle afinal? O medo patológico é o que chamamos de fobia. Estamos aqui falando do medo comum que incomoda a todos, nos mais variados momentos e que com a ferramenta correta você pode fazer dele um aliado ao invés de um fantasma assustador. Costumo recomendar uma brincadeira: quando um medo começar a te assombrar, agite o corpo e diga “ghostbusters, ghostbusters.” Você se lembra do filme caça fantasmas? Que tal sair da posição de assustado para o caçador, da vitima para o aquele que encontra a solução, afinal a escolha é sua.

(Artigonal SC #1397064)

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    Quem tem medo do Lobo mau?

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    Edevânio Francisconi Arceno

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