Pode-se afirmar sem medo de errar que 2007 foi ano empolgante – marcou a quebra de grande série de recordes para o setor automotivo brasileiro. Ficará guardado na memória, pelo menos até janeiro de 2009, como o ano em que mais fabricamos, vendemos e exportamos, em dólares, autoveículos.
E nos rankings de venda por montadoras e modelos algumas surpresas apareceram, demonstrando quem aproveitou melhor a maré boa do ano passado e quem terá de buscar o prejuízo neste 2008.
No ranking das montadoras que mais venderam automóveis e comerciais leves no Brasil em 2007 a Fiat manteve-se intocada à frente, acumulando o sexto ano de liderança consecutiva. A novidade foi a Volkswagen ter assumido a vice-liderança, sendo que fora a terceira colocada em 2006 – ainda que praticamente empatada com a GM, que em 2007 ficou no último degrau do pódio.
Em um mercado de automóveis que cresceu 27% em 2007, Fiat e VW conseguiram ultrapassar esse índice, elevando suas vendas em 29,4% e 31,2%, respectivamente. A GM ficou abaixo da alta de mercado, crescendo 18,9%.
A quarta colocada, a Ford, viu as vendas de seus automóveis crescerem 23,8%, também abaixo do mercado. O que mais uma vez reduziu a distância para a quinta colocada, novamente a PSA Peugeot Citroën, que no mesmo quesito cresceu 33,2%. A partir daí houve boa alteração no ranking frente a 2006.
A Toyota, até então a sexta colocada, caiu para a oitava graças especialmente ao péssimo resultado em vendas de automóveis, reduzidas em 1,7% frente ao exercício anterior – ela, Audi e Alfa Romeo foram as únicas a vender menos carros em 2007 do que em 2006. Melhor para a Honda, que com alta de 25,8% tomou o sexto posto. Quem veio no vácuo foi a Renault, que pulou de oitava para sétima graças à boa elevação de 42,8% nas vendas de automóveis. Atrás da Toyota vêm a Nissan, em nono nos automóveis, com um espetacular acréscimo de nada menos do que 749%.
Nos comerciais leves, que cresceram impressionantes 32,7% em vendas no ano, a Fiat também lidera com folga, enquanto a Ford é a vice-líder graças à inclusão do EcoSport nesta categoria. Depois vêm, na seqüência, GM, VW, Mitsubishi, Toyota, Nissan, Renault e PSA.
Nas duas categorias somadas – o quadro mais completo e indicativo – o ranking é idêntico ao de automóveis até a oitava posição. Quem mais cresceu de 2006 para 2007 foi a Nissan, 136,6%, mas seu volume ainda é pequeno. Destaques para a Renault, alta de 42,4% e, por marca, Citroën, cerca de 43%. As únicas que cresceram menos que o mercado em automóveis e comerciais leves em 2007 foram, na ordem, Toyota, Ford, GM, Mitsubishi e Honda.
Nos veículos comerciais a Mercedes-Benz mais uma vez faturou, tanto em caminhões quanto ônibus. Porém a líder cresceu 25%, um tanto menos do que o mercado total de caminhões – considerados desde os semileves aos pesados, de acordo com os critérios da Anfavea –, 31,5%. A segunda colocada, VWCO, conseguiu superar a média de mercado com seus 32,5% de alta. Depois aparecem Ford, Volvo e Scania, nesta ordem, todas com crescimento inferior ao mercado. Na sexta colocação a Iveco, que tem a comemorar o maior índice de crescimento da faixa em 2007, 119,5%.
Nos chassis de ônibus a situação foi parecida: a líder Mercedes-Benz cresceu 25,6%, menos do que o mercado, 26,7%, enquanto a vice VWCO engordou seus números em 37,7%. A terceira colocada foi a Agrale, enquanto a quarta, Scania, apresentou o melhor índice de alta dentre todas, 45%. A Iveco, ao contrário dos caminhões, foi a única a registrar resultado negativo, baixa de 17,7%.
Nas carroçarias de ônibus a Induscar-Caio repetiu 2006 e foi novamente a líder em volume de fabricação, de acordo com a Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus. A vice foi a Marcopolo, seguida por Busscar, Ciferal e Neobus.
No ranking por modelos deu o óbvio, mas surpresas pingaram lá e cá. Se Gol – pelo vigésimo-primeiro ano consecutivo o veículo mais vendido –, Classic, Astra, Fit, Strada, S10, Kombi e Fiorino mais uma vez venceram suas categorias, a SpaceFox derrubou a Palio Weekend e o Civic destronou o Corolla. Outra vitória Honda foi nos sedãs grandes, segundo critério da Fenabrave, com o Accord.
Outros destaques positivos foram Punto e C4 Pallas, que vendeu mais do que o irmão 307 Sedan, além de Logan, Polo Sedan, Fielder e Zafira, que bateu, por muito pouco, o Picasso.
Decepcionaram Golf, apenas o quarto entre os hatches apesar de reestilizado em 2007, o Celta, que caiu de terceiro para quinto mais vendido no geral perdendo o posto para Mille e Fox, Mégane sedã, que vendeu menos até do que o Fusion e o Omega, com apenas 379 unidades comercializadas.
Em motos a gama CG continua quilômetros à frente. Somadas as versões 125 e 150 os números de vendas do modelo em 2007 chegaram a impressionantes 737 mil unidades.
Os bons números de 2007 ajudaram o País também a galgar degraus no ranking mundial. Agora o Brasil é o sexto maior mercado em vendas, sendo que em 2006 foi apenas o nono – ultrapassamos França, Reino Unido e Espanha. E a diferença para o quinto colocado, Itália, foi pouca.
Em produção Espanha e França não fecharam seus números, o que impossibilita análise final. Mas é muito provável que o Brasil tenha ultrapassado ao menos um deles, pulando de sétimo para sexto maior produtor mundial de veículos.
Publicado originalmente na revista AutoData no. 222, fevereiro de 2008.