A Interdisciplinaridade Da Educação Ambiental Nas Escolas:Agente Otimizador De Novos Processos Educativos

Publicado em: 13/07/2008 |Comentário: 21 | Acessos: 25,625 |

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 Nesta pesquisa buscou-se enfocar a Educação Ambiental e trabalhos Interdisciplinares, pois, diante das dificuldades apresentadas no processo ensino-aprendizagem observou-se que a forma pela qual se processa a aprendizagem dos alunos em nível fundamental está estruturada em uma aprendizagem arcaica diante dos avanços existentes.

Nota-se o desinteresse ecológico e a carência alarmante com relação à proteção ambiental de forma local e global. Nesta linha buscou-se através deste a conscientização no processo ensino-aprendizagem da inclusão de Educação Ambiental em todos os ramos de ensino com intuito de ampliar e maximizar o êxito escolar.

Este trabalho tem como princípio estudar a Interdisciplinaridade da Educação Ambiental através de uma pesquisa de campo, dentro de uma abordagem quantitativa e qualitativa, onde utilizou-se como instrumento de coleta de dados questionários que foram aplicados a professores e corpo técnico; tais questionários visou compreender como vem sendo utilizada as questões ecológicas em sala de aula, tudo para contribuir para a formação de cidadãos conscientes e aptos para decidirem e atuarem na realidade sócio ambiental de um modo comprometido com a vida e o bem estar da sociedade.

Diante da problemática citada objetivou-se, investigar como se processa a relação entre as áreas do conhecimento sobre o ponto de vista da interdisciplinaridade com base a Educação Ambiental e especificamente; descobrir de que forma a escola trabalha questões ecológicas em seu cotidiano.

Neste sentido indagou-se: O que é Educação Ambiental? O que é Interdisciplinaridade?  Como se relacionam as áreas das Ciências Biológicas e Humanas no contexto de sala de aula? Como acontece á inclusão da Educação Ambiental  na conscientização e valorização da Natureza? O que é feito para que aconteça a inclusão da Educação Ambiental nas Escolas? O Projeto Político Pedagógico da Escola garante o desenvolvimento Ambiental  em sala de aula? A Educação Ambiental ensinada nas Escolas tem contribuído para que haja preservação da vida no planeta?

 

        Este estudo está organizado em três capítulos, no primeiro capítulo faz-se uma abordagem significativa nas questões interdisciplinares com ênfase a Educação Ambiental levantando discussões; seus principais autores e suas respectivas argumentações. No segundo capítulo, culmina-se a relação entre os dados e as teorias analisadas, em seqüência sugeriu-se algumas ações que podem contribuir para o incentivo da Interdisciplinaridade da Educação Ambiental nas salas de aula,  como proposta de intervenção e finalizar-se-á  com a conclusão deste trabalho, onde contempla os aspectos positivos e negativos encontrados no decorrer do processo.

           1 - CAPÍTULO 1: O PENSAMENTO INTERDISCIPLINAR E REFLEXÕES AMBIENTAIS.

  1.1 – UMA POSTURA INTERDISCIPLINAR

  Do ponto de vista epistemológico, consiste no método de pesquisa e de ensino voltado para a interação em uma disciplina, de duas ou mais disciplinas, num processo que pode ir da simples comunicação de idéias até a integração recíproca de finalidades, objetivos, conceitos, conteúdos, terminologia, metodologia, procedimentos, dados e formas de organizá-los e sistematizá-los no processo de elaboração do conhecimento.

Segundo Fazenda, a interdisciplinaridade surgiu na França e na Itália em meados da década de 60, num período marcado pelos movimentos estudantis que, dentre outras coisas, reivindicavam um ensino mais sintonizado com as grandes questões de ordem social, política e econômica da época.

A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal reivindicação, na medida em que os grandes problemas da época não poderiam ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber.

No final da década de 60, a interdisciplinaridade chegou ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei de Diretrizes e Bases Nº 5.692/71. Desde então, sua presença no cenário educacional brasileiro tem se intensificado e, recentemente, mais ainda, com a nova LDB Nº 9.394/96 e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Além de sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares, a interdisciplinaridade ganhou força nas escolas, principalmente no discurso e na prática de professores dos diversos níveis de ensino mas apesar disso, estudos têm revelado que a interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida.

Quando se fala em Interdisciplinaridade, está de algum modo referindo-se a uma espécie de interação entre as disciplinas ou áreas do saber.

Segundo os PCN’s.

                                                              

A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários (PCN , 2002, p. 30, grifo do autor).

 Portanto, a interdisciplinaridade não deve ser considerada como uma meta obsessivamente perseguida no meio educacional simplesmente por força da lei, como tem acontecido em alguns casos. Pelo contrário, ela pressupõe uma organização, uma articulação voluntária e coordenada das ações disciplinares orientadas por um interesse comum. Nesse ponto de vista, a interdisciplinaridade só vale à pena se for uma maneira eficaz de se atingir metas educacionais previamente estabelecidas e compartilhadas pelos membros da unidade escolar. Caso contrário, ela é um empreendimento trabalhoso demais para atingir objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais simples.

A interdisciplinaridade proposta nos PCN assume como elemento ou eixo de integração a prática docente comum voltada para o desenvolvimento de competências e habilidades comuns nos alunos. Essa proposta é interessante, pois ela promove a mobilização da comunidade escolar em torno de objetivos educacionais mais amplos, que estão acima de quaisquer conteúdos disciplinares.

Dessa forma, essa proposta não gera a descaracterização das disciplinas, a perda da autonomia por parte dos professores e, com isso, não rompe com a disciplinaridade nas escolas, o que geraria uma verdadeira confusão na organização escolar. Trata-se de uma prática que não dilui as disciplinas no contexto escolar, mas que amplia o trabalho disciplinar na medida em que promove a aproximação e a articulação das atividades docentes numa ação coordenada e orientada para objetivos bem definidos.

Há quem defenda que a interdisciplinaridade possa ser praticada individualmente, ou seja, que um único professor possa ensinar sua disciplina  numa perspectiva interdisciplinar. No entanto, acreditamos que a riqueza da interdisciplinaridade vai muito além do plano epistemológico, teórico, metodológico  e  didático.  Sua   prática   na   escola  cria,  acima   de   tudo,   a possibilidade do “encontro”, da “partilha”, da cooperação e do diálogo e, por isso, somos partidários da interdisciplinaridade enquanto ação conjunta dos professores, principalmente quando se fala sobre Educação Ambiental.

Fazenda (1994, p.82) fortalece essa idéia quando fala das atitudes de um “professor interdisciplinar”:

 Entendemos por atitude interdisciplinar, uma atitude diante de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera ante os atos consumados, atitude de reciprocidade que impele à troca, que impele ao diálogo – ao Jairo Gonçalves Carlos Interdisciplinaridade no Ensino Médio: desafios e potencialidades 8 diálogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo – atitude de humildade diante da limitação do próprio saber, atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio – desafio perante o novo, desafio em redimensionar o velho – atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas, atitude, pois, de compromisso em construir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade, mas, sobretudo, de alegria, de revelação, de encontro, de vida.

 E mais, Fazenda (1994 p. 86-87) chega a determinar o que seria uma sala de aula interdisciplinar:

 Numa sala de aula interdisciplinar, a autoridade é conquistada, enquanto na outra é simplesmente outorgada. Numa sala de aula interdisciplinar a obrigação é alternada pela satisfação; a arrogância, pela humildade; a solidão, pela cooperação; a especialização, pela generalidade; o grupo homogêneo, pelo heterogêneo; a reprodução, pela produção do conhecimento. [...] Numa sala de aula interdisciplinar, todos se percebem e gradativamente se tornam parceiros e, nela, a interdisciplinaridade pode ser aprendida e pode ser ensinada, o que pressupõe um ato de perceber-se interdisciplinar. [...] Outra característica observada é que o projeto interdisciplinar surge às vezes de um que já possui desenvolvida a atitude interdisciplinar e se contamina para os outros e para o grupo. [...] Para a realização de um projeto interdisciplinar existe a necessidade de um projeto inicial que seja suficientemente claro, coerente e detalhado, a fim de que as pessoas nele envolvidas sintam o desejo de fazer parte dele.

 Fica evidente nas citações acima que, para Fazenda, a interdisciplinaridade possui uma dimensão antropológica, no sentido de impregnar  e influenciar os comportamentos, ações e projetos pedagógicos. Ou seja, para ela, a interdisciplinaridade transcende o espaço epistemológico, sendo incorporada aos valores e atitudes humanos que compõem o perfil profissional / pessoal do professor interdisciplinar.

1.2 – A INTERDISCIPLINARIDADE NA EDUCAÇÃO.

 Com o processo de especialização do saber, a interdisciplinaridade mostrou-se como uma das respostas para os problemas provocados pela excessiva compartimentalização do conhecimento. No final do séc. XX, surge à necessidade de mudanças nos métodos de ensino, buscando viabilizar práticas interdisciplinares. Considerando tais prerrogativas, o Professor é o profissional da reconstrução do conhecimento tendo como prática educativa a pesquisa.

O professor já não é mais o indivíduo habilitado apenas em dar aulas, pois ministrar aulas não representa mais tática fundamental de aprendizagem. O educador atualizado é aquele que não só executa com competência sua profissão, mas que corre em busca de renovação. A tarefa fundamental é, portanto socializar conhecimento, disseminando informações e culturas, não só transmitindo, mas reconstruindo. A aprendizagem é sempre acontecimento de reconstrução social e política, e não é só reprodutivista, pois tem-se o compromisso de fazer o aluno aprender através do conhecimento e da prática.

A melhor maneira de fazer com que isso aconteça é através da interdisciplinaridade, que deve ir além da simples justaposição de disciplinas, ao interagir-se em busca de objetivos comuns. Deve-se através do trabalho pedagógico arrolar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo, projetos de pesquisa e ação. A interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica e didática eficaz ao cultivar-se um diálogo constante de questionamento, de aprovação, de indeferimento, de acréscimo, e de  transparência  de  percalços não apontados. Na interdisciplinaridade os alunos aprendem a visão do mesmo objeto sob prismas distintos.

A prática da interdisciplinaridade possui uma linha de trabalho integradora que pode  agregar  um  objeto  de  conhecimento,  um  projeto  de investigação, um plano de intervenção. Quando problematiza-se uma situação, o problema causador do projeto, pode ser uma experiência, um desencadeamento de ação para interferir na realidade. Devem-se conscientizar que o projeto é interdisciplinar em sua compreensão, cumprimento e avaliação.

 A interdisciplinaridade envolve a contextualização do conhecimento, que mantém uma relação fundamental entre o sujeito que aprende e o componente a ser aprendido, evocando fatos da vida pessoal, social e cultural, principalmente o trabalho e a cidadania. Quando os alunos participam da tomada de decisão a respeito de um tema ou de um projeto, é possível que constituam relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos que já possuem, conseguindo aprendizagens mais significativas, comparando, criticando, sugerindo ajustes, novas relações e organizações, abrindo portas para a interferência em uma realidade, desencadeamento novas ações e, construindo um compromisso com uma cidadania ativa.

Na verdade, a prática pedagógica tradicional levou-nos a tratar os acontecimentos da realidade social de forma fragmentada e desvinculada das experiências significativas do educando, não dando o real valor aos contextos culturais, sociais, políticos econômicos e pessoais. Há necessidade de se trabalhar a abordagem contextualizada fundamentada no ponto de vista globalizado, buscando a operacionalização através do aprendizado da interdisciplinaridade.

Ao adotar-se o exercício interdisciplinar na escola, envolve-se todos os educadores de diferentes formações e consegue-se envolver os temas transversais às disciplinas. Só assim professores e alunos compartilham o aprendizado e constroem juntos os conhecimentos. Principalmente quando se trata da Educação Ambiental que é um componente essencial para a educação Nacional e está presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não-formal.

 1.3 – HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

 Ao fazer-se uma leitura referente ao histórico, percebe-se que  o ser humano, durante sua trajetória, utilizou-se da ocupação e uso total da terra. No inicio o homem sobrevivia de uma economia de subsistência, onde se produzia somente o que necessitava para viver, período este em que a sociedade vivia em    paz   com   a   natureza.  Contudo  o  homem   desenvolveu-se,   grandes descobertas foram feitas, houve um grande progresso industrial e então uma nova relação comercial passou a existir surgindo à sociedade capitalista.     

Ao longo dos tempos, tal sociedade adota um comportamento predatório e extremamente consumista com relação à natureza gerando desequilíbrio.

De acordo com a revista Espaço Acadêmico – Nº 47 da Edição de Abril de 1995, o surgimento e desenvolvimento da Educação Ambiental como método de ensino está diretamente relacionado  ao movimento ambientalista, pois é fruto da conscientização da problemática ambiental. A ecologia como ciência global trouxe a preocupação com os problemas ambientais, surgindo à necessidade de se educar no sentido de preservar o meio ambiente.

Segundo informa Dias (2001) a expressão environmental education foi ouvida pela primeira vez em 1965, na Grã-Bretanha, por ocasião da Conferência em Educação, realizada em Keele, aonde se chegou-se à conclusão de que a Educação Ambiental deveria se tornar parte essencial da educação de todos os cidadãos e que posteriormente, em 1970, os Estados Unidos aprovaram a primeira lei sobre Educação Ambiental.

Justamente por ser de caráter interdisciplinar e participativo a Educação Ambiental pode contribuir muito para renovar o processo educativo, trazendo a permanente avaliação crítica, a adequação dos conteúdos à realidade  local  e  o envolvimento  dos  educandos  em  ações  concretas  de

transformação desta realidade. Já que a abordagem utilizada em Educação Ambiental traz como base o pensamento sistêmico, a alfabetização ecológica, no sentido de contribuir para o desenvolvimento integral do ser humano, desenvolvendo o planejamento e a ação coletiva transformadora, a construção ativa do conhecimento e a liderança compartilhada, assim:

 Educação Ambiental é um processo permanente na qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência de seu Meio Ambiente e adquirem conhecimento, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornem aptos a agir e resolver problemas ambientais, presentes e futuros.

  Segundo Dias (2001, p.160):

 A Educação Ambiental é um dos maiores meios para propagação da informação. Sendo esta a maior fonte de socialização do saber, expandir Educação Ambiental nas escolas seria a melhor e mais favorável forma de diluir as diversas agressões no Meio Ambiente. Levando em consideração que a partir do momento em que se adquiri conhecimentos sobre educação ambiental é que, percebe-se a situação em que se encontra o meio ambiente; sendo assim começa-se a trabalhar soluções para que diminua os índices de degradação ambiental.

 Desta forma a implantação de uma política educacional voltada à Educação Ambiental, culminaria fulminantemente com os resultados satisfatórios. Os próprios alunos veriam estes aspectos de forma harmônica e dariam sua contribuição para diminuir o impacto ambiental. Assim, diminuir-se-ia o índice de poluição e degradação do meio ambiente. Trabalhar a Educação Ambiental geraria agentes fortalecedores no combate à devastação Ambiental e, principalmente,  indivíduos com visões de mundo menos consumistas.

Trazer questões ambientais para dentro das salas de aula culminaria em retardar os fenômenos citados acima, se as instituições de ensino adotassem uma  política  interdisciplinar  com  ênfase  a  Educação  Ambiental dariam bases sólidas para as futuras gerações no sentido de conservar a natureza.

 Reconhece-se que o conhecimento ambiental tem favorecido na preservação do meio ambiente e que é imprescindível à intercomunicação entre as diversas ciências para  solucionar os problemas globais e complexos, com que os diversos grupos sociais se defrontam,  a exemplo disso encontra-se a degradação Ambiental.

De acordo com a problemática que vem ocorrendo devido à poluição e agressões ao meio é que percebeu-se  a necessidade de converter a educação tradicional em uma educação inovadora, onde as diversas dimensões da realidade  defrontem-se aos problemas globais, além disso entender suas principais causas e conseqüências.  Desta  forma é um desafio aos educadores trabalhar Educação Ambiental de forma Interdisciplinar nas salas de aula.

 Fazenda, (1994 p. 89 e 90), enfatiza:

 A necessidade de transformação, todavia resgata a dificuldade de que para que ocorra mudança é preciso conhecer a fundo o que se propõe a mudar, já que o fenômeno está ocorrendo, mas não se encontram subsídios para torná-lo em nível de censo comum.

 Uma educação sustentada em um conhecimento complexo e integrada da realidade, incorporando ao ser humano e suas problemáticas de vida. É o surgimento de um novo campo pedagógico ligado com o compromisso político e social. Pois só assim que de acordo com Andrade (1996 p.14):

 Um novo tempo e em novo momento histórico, em que o novo homem, com novos valores e com uma nova visão de mundo, estabeleça uma vivencia amigável e solidária uns com os outros, com todos os demais seres vivos, com natureza e com o planeta Terra, gerando ações concretas que se traduzem em uma melhor substancial qualidade de vida do ser humano, em todos os sentidos.

 Segundo o PCN de Meio Ambiente (1999, p. 184):

Os seres humanos não são intrinsecamente “bons” nem “maus”, mas são capazes tanto de grandes gestos construtivos e de generosidade quanto de egoísmo e de destruição. No entanto, a sociedade humana só é viável quando o comportamento das pessoas se baseia na ética. Sem ela, não é possível a convivência. E, sem convivência, sem vida em comum, não há possibilidade de existência de qualquer sociedade humana, muito menos de uma sociedade saudável. Um grande equívoco seria associar  qualidade  de  vida  somente  com  riqueza material. A qualidade de vida está diretamente vinculada à qualidade da água que se bebe, do ar que se respira, dos alimentos que se consome e da saúde que se obtém por meio desse conjunto. Sem isso, de nada adiantará toda a riqueza.

 Sabe-se que a Educação Ambiental é uma das formas de educação que mais estimula a expectativa e a esperança daqueles que desejam construir um mundo mais harmônico e mais coerente com as necessidades, possibilidades e  desejos  reais  de  cada  povo,  o  desenvolvimento   de  uma postura ética, a capacidade de fazer escolhas conscientes, enfim, inclui toda a base de formação que se pode desejar não só para as crianças, mas também para os jovens e adultos.

 1.3.1 – O QUE É EDUCAÇÃO AMBIENTAL?

 Ultimamente tem-se ouvido bastante falar em Educação Ambiental através de conceitos e ações tomadas em relação ao Meio Ambiente, todavia este vem sofrendo sérias degradações onde questiona-se o que é Educação Ambiental?

Sabe-se que a Educação Ambiental é o ramo da Educação que tem como objetivo a disseminação do conhecimento sobre o ambiente, a fim de ajudar a sua preservação e utilização sustentável dos seus recursos.

Para Thereza Bordoni (Mestre em Políticas Educacionais) em apresentação no IX Fórum de Educação, realizado na USP em 2003, afirma que:

 A Educação Ambiental, comumente, tem se apresentado como um conjunto de técnicas para resolver problemas ambientais, partindo de enfoques ecológicos, científicos e tecnológicos, desconhecendo a trama sócio-ambiental da realidade; fracionando as dimensões sociais, históricas, políticas, econômicas e culturais que os determinam. Ela também tem salientado o contexto sócio-histórico no qual se geram e desenvolvem as problemáticas que procura resolver, limitando as reais possibilidades de compreensão e construção de alternativas por parte dos cidadãos, já que um povo que não possui memória histórica está condenado a repeti-la constantemente.

   A Educação Ambiental pode ser considerada como tendo seus primórdios também no Programa Internacional da UNESCO, sobre o Homem e a Biosfera em 1971, o qual lançou as bases científicas para a utilização de recursos naturais, introduzindo a importância da Biosfera, e em seguida o Clube de Roma de 1972 quando apresentou o diagnóstico dos problemas globais, promovendo a conscientização do problema, apresentando ainda alternativas para solução.

 Percebe-se que no Brasil a Educação Ambiental assume uma perspectiva mais abrangente, não se restringindo ao olhar de proteção, mas ao uso sustentável de seus recursos naturais, incorporando fortemente a proposta de construção de sociedades sustentáveis.

1.3.2 - A LEGISLAÇÃO SOBRE O TEMA - CONSTITUIÇÃO FEDERAL:

Em termos jurídicos propriamente ditos, vemos que no Brasil o  parágrafo 1º, VI, do art. 255 da Constituição Federal, determina ao Poder Público a promoção da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino. Mas, apesar desta previsão constitucional, bem como o fato da Educação Ambiental ser reconhecida mundialmente como ciência educacional e também recomendada pela UNESCO e a Agenda 21, pouco era feito no Brasil para a sua implantação concreta no ensino. O que existia de fato era fruto dos esforços de alguns abnegados professores e educadores, não havendo a atenção que merece o tema pelo Poder Público e as entidades particulares de ensino.

 Lei 9.795, de 27/4/99:

Porém, com a publicação da Lei 9.795, de 27/4/99, que dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências,  a questão tomou força, pois a implantação e aplicação da Educação Ambiental como disciplina passou a ser obrigatória.

Definição:  A citada lei define juridicamente Educação Ambiental como “o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (Lei 9.795 de 27/04/99 art.1º)”.

Política Nacional do Meio Ambiente: Instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente (art. 6º) definindo seus objetivos fundamentais como por exemplo o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos,  legais,  políticos, sociais,  econômicos,   científicos,   culturais   e éticos, bem como o incentivo as participações individuais e coletivas, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como o valor inseparável do exercício da cidadania (art.5º). Interessante na nova legislação é que reconheceu-se a Educação Ambiental como componente essencial e permanente da educação nacional, distinguindo juntamente com o seu caráter formal o caráter não-formal, ou seja a educação ambiental não oficial que já vinha sendo praticada por educadores, pessoas de várias áreas de atividades e mesmo entidades, obrigando ao poder público em todas as suas esferas incentivá-la (Política Nacional do Meio Ambiente art. 3º e 13º).

  1.3.3 - A TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL A PARTIR DA DÉCADA DE 70:

DÉCADA DE 70:

No início desta década Entidade relacionada à revista britânica The Ecologist elabora o “Manifesto para Sobrevivência” onde insistiam que um aumento indefinido de demanda não pode ser sustentado por recursos finitos.

Os principais resultados formais do encontro constituíram a Declaração sobre o Ambiente Humano ou Declaração de Estocolmo que expressa à convicção de que “tanto as gerações presentes como as futuras, tenham reconhecidas como direito fundamental, a vida num ambiente sadio e não degradado” (Tamanes - 1977).

Ainda como resultado da Conferência de Estocolmo, a ONU criou um organismo denominado Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, sediado em Nairobi.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul cria o primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país. Onde também ocorre a Conferência das Nações sobre o Ambiente Humano, Estocolmo.

Em resposta às recomendações da Conferência de Estocolmo, A UNESCO promoveu em Belgrado (Iugoslávia) um Encontro Internacional em Educação    Ambiental  onde  criou  o  Programa  Internacional  de  Educação Ambiental - PIEA que formulou os seguintes princípios orientadores : a Educação Ambiental deve ser continuada, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. (Nossa Constituição, 1994 art. 45-46)

Carta de Belgrado – constituiu-se em um dos documentos mais lúcidos e importantes gerados nesta década. Fala sobre a satisfação das necessidades e desejos de todos os cidadãos da Terra. Propõe temas que falam que a erradicação das causas básicas da pobreza como a fome, o analfabetismo, a poluição, a exploração e dominação, devam ser tratados em conjunto. Nenhuma nação deve se desenvolver à custa de outra nação, havendo necessidade de uma ética global. A reforma dos processos e sistemas educacionais é central para a constatação dessa nova ética de desenvolvimento (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 156).

A juventude deve receber um novo tipo de educação que requer um novo e produtivo relacionamento entre estudantes e professores, entre escolas e comunidade, entre o sistema educacional e sociedade. Finaliza com a proposta para um programa mundial de Educação Ambiental (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 157).

Ainda nesta década acontece a Criação dos cursos de pós-graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas - INPA em São José dos Campos (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 159)

Também é realizada a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi (ex-URSS) organizada pela UNESCO com a colaboração do PNUMA. Foi o ponto culminante da primeira fase do Programa Internacional de Educação Ambiental, iniciado em 1975. Definiu-se os objetivos, as características da Educação Ambiental, assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e internacional. No Brasil, o Conselho Federal de Educação tornou obrigatória a disciplina Ciências Ambientais em cursos universitários de Engenharia (Constituição do Meio Ambiente no Art. 15).

Já no final da década de 70 os cursos de Engenharia Sanitária já inseriam as matérias de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental. Ocorre também a  realização  do  Seminário  de  Educação  Ambiental  para  América Latina realizado pela UNESCO e PNUMA na Costa Rica. O departamento do Ensino Médio/MEC e a CETESB publicam o documento “Ecologia - Uma proposta para o Ensino de 1º e 2º graus” (Almanaque Cultural Abril, 2002 p. 147).

 DÉCADA DE 80

 Parecer 819/85 do MEC reforça a necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, integrados a todas as áreas do conhecimento de forma sistematizada e progressiva, possibilitando a “formação da consciência ecológica do futuro cidadão”.(Revista Espaço Acadêmico, 2004 Nº 32)

A Estratégia Internacional de ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90 - documento final do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio-ambiente, realizado em 1987 em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. Ressalta a importância da formação de recursos humanos nas áreas formais e não formais da Educação Ambiental e na inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis. (Almanaque Cultural Abril, 2001, p. 226).

O Plenário do Conselho Federal de Educação aprovou por unanimidade, a conclusão da Câmara de Ensino a respeito do parecer 226/87 que considerava necessária a inclusão da Educação Ambiental dentre os conteúdos a serem explorados nas propostas curriculares das escolas de 1º e 2º graus, bem como sugeria a criação de Centros de Educação Ambiental. (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 231).

A UNESCO/PNUMA realizou em Moscou o Congresso Nacional sobre Educação e Formação Ambientais - UNESCO/PNUMA onde foram analisadas as conquistas e dificuldades na área de Educação Ambiental desde a conferência de Tbilisi onde é discutida uma estratégia internacional de ação em educação e formação ambientais para a década de 90. (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 239-240).

Realizaram-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Educação Ambiental no Rio Grande do Sul e o Primeiro Fórum de Educação Ambiental  promovido pela CECAE/USP, que mais tarde foi assumido pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (Almanaque Cultural Abril, 2001 p. 239-240).

A Constituição da República Federativa do Brasil dedica o Capítulo VI ao Meio Ambiente e no Art. 225, Inciso VI, determina ao “... Poder Público, promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino...”

No final da década de 80 é Realizada a 3ª Conferência Internacional sobre Educação Ambiental para as Escolas de Ensino Médio com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, em Illinois/USA.

 DÉCADA DE 90

 A Declaração Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, é realizada Jontien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, reitera: “confere aos membros de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver a sua herança cultural, lingüística e espiritual, de promover a educação de outros, de defender    a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente....” (Revista Espaço Acadêmico, 2003 Nº 40).

A Portaria 678/91 do MEC, determinou que a educação escolar deveria contemplar a Educação Ambiental permeando todo o currículo dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Foi enfatizada a necessidade de investir na capacitação de professores.

A Portaria 2421 /91 do MEC, institui em caráter permanente um Grupo de Trabalho de Educação Ambiental com o objetivo de definir com as Secretarias Estaduais de Educação, as metas e estratégias para a implantação da EA no país e elaborar proposta de atuação do MEC na área da educação formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Realiza-se também no inicio desta década Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para a Educação Ambiental, promovido pelo MEC e SEMA com apoio da UNESCO / Embaixada  do  Canadá  em  Brasília,  com  a finalidade de discutir diretrizes para definição da Política da Educação Ambiental (Almanaque Cultural Abril, 2002 p. 199).

Ainda no início da década de 90 é realizada a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, RIO - 92. O MEC promoveu em Jacarepaguá um workshop com o objetivo de socializar os resultados das experiências nacionais e internacionais de Educação Ambiental, discutir metodologias e currículos. (Revista Veja, 1994. Edição Outubro).

Deste encontro, resultou a Carta Brasileira para a Educação Ambiental.

Portaria 773/93 do MEC, institui em caráter permanente um Grupo de Trabalho para Educação Ambiental com objetivo de coordenar, apoiar, acompanhar, avaliar e orientar as ações, metas e estratégias para a implementação da Educação Ambiental nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades - concretizando as recomendações aprovadas na RIO - 92 (Revista Veja, 1994 Edição Outubro).

Em meados da década de 90 criou-se a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, determinante para o fortalecimento da Educação Ambiental.

A Coordenação de Educação Ambiental promove 3 cursos de Capacitação de Multiplicadores em Educação Ambiental - apoio do Acordo BRASIL/UNESCO, a fim de preparar técnicos das Secretarias Estaduais de Educação, Delegacias Regionais de Educação do MEC e algumas Universidades Federais, para atuarem no processo de inserção da Educação Ambiental no currículo escolar (Almanaque Cultural Abril, 2002 p. 200)

No final da década de 90 realizou-se a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade, que diz que: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade – Thessaloniki,1997 onde houve o reconhecimento que, passados cinco anos da Conferência Rio - 92 , o desenvolvimento da Educação Ambiental foi insuficiente. Entretanto esse encontro beneficiou-se pelos numerosos encontros internacionais realizados em 1997, na Índia, Tailândia, México , Cuba, Brasil, Grécia entre outras. O Brasil apresentou o documento “Declaração de Brasília para a Educação Ambiental”, consolidado após a I Conferência Nacional de Educação Ambiental

– CNIA. Reconhece-se que a visão de educação e consciência pública foi enriquecida e reforçada pelas conferências internacionais e que os planos de ação dessas conferências devem ser implementados pelos governos nacionais, sociedade civil (incluindo ONG’s, empresas e a comunidade educacional), a ONU e outras organizações internacionais (Revista Veja, 1994. Edição Outubro).

Ainda no final da década de 90 elaborou-se os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s com o tema “Convívio Social, Ética e Meio Ambiente”, onde a dimensão ambiental é inserida como um tema transversal nos currículos do Ensino Fundamental (Lei 6.938/81 art.23).

A Coordenação de Educação Ambiental do MEC promove 8 Cursos de Capacitação de Multiplicadores, 5 teleconferências, 2 Seminários Nacionais

e produz 10 vídeos para serem exibidas pela TV Escola (Revista Veja, 1994 Edição Outubro).

Ao final desta década, a Coordenação de Educação Ambiental é inserida na Secretaria de Ensino Fundamental - SEF no MEC, após reforma administrativa (Almanaque Cultural Abril, 2002 p. 211).

É Promulgada a Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999 que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, a que deverá ser regulamentada após as discussões na Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental no CONAMA.

A Portaria 1648/99 do MEC cria o Grupo de Trabalho com representantes de todas as suas Secretarias para discutir a regulamentação da Lei nº 9795/99 MEC propõe o Programa PCN’s em Ação atendendo às solicitações dos Estados. Meio Ambiente, um dos temas transversais, será trabalhado no ano 2000.

A Educação Ambiental requer que questões ambientais sejam para aprendizagem, tanto dentro quanto fora da escola, para que o ser humano tenha o melhor entendimento sobre questões sociais que envolvam o meio ambiente, com a participação não só dos alunos, mas também da família e da comunidade em  geral; para que todos em conjunto sensibilizem-se e comecem a tomar atitudes que diminuam os impactos ambientais muitas vezes causados pelo próprio homem. Assim: A Educação Ambiental é a ação educativa pelo qual a comunidade tem a consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si, e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela desenvolve mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido a transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para a dita transformação. (Magalhães, 2006 p. 50).

 O artigo 9 da Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999, trata-se da Educação Ambiental no ensino formal – é um processo institucionalizado que ocorre nas unidades de  ensino.  A  presença  do  ensino  formal  da  Educação

Ambiental deverá abranger os currículos das instituições de ensino publicas e privadas, englobando:

 •  Educação Infantil; 

•  Ensino Fundamental;

•  Ensino Médio;

•  Educação Superior;

•  Educação Especial;

•  Educação Profissional;

•   Educação de Jovens e Adultos.

 Compreende-se dentro de uma nova proposta curricular, a Educação Ambiental vem sendo apresentada como tema transversal, isto é, não está associada a nenhuma disciplina especifica, mas deve estar presente em todas as áreas do conhecimento.

Pois, além das duas modalidades de ensino presente na Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999, há também a modalidade de ensino: informal – que se caracteriza por sua realização fora da escola, envolvendo flexibilidade de métodos e conteúdos e um público alvo muito favorável em suas características ( faixa etária, nível de escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, etc...).



A Educação Ambiental enfatiza as regularidades e busca manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais, resumindo no seguinte lema: pensar globalmente e agir localmente.

 A Educação Ambiental, através de sua especificidade, ou seja, de sua preocupação com a situação geral (mundial) e particular (regional, local), atende e retoma as finalidades amplas da educação. Devemos relembrar que integram essa especificidade o atendimento de fatores interferem nos problemas ambientais, sob aspectos econômicos, sociais, políticos e ecológicos; a aquisição de conhecimento, de valores, de atitude, de compromisso e habilidades necessários para a proteção e melhoria do meio ambiente; a criação de novos padrões de conduta orientada para a preservação e melhoria da qualidade de vida do meio ambiente. (Dias, 1992 p.160)

 A Educação Ambiental tenta despertar em todos a consciência de que o ser humano é parte do meio ambiente. Ela tenta superar as visões antropocêntricas, que fez com que o homem se sentisse o centro do universo, esquecendo então da importância da natureza, da qual é parte integrante. Devendo-se assim buscar valores que conduza a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta, auxiliando o cidadão a analisar criticamente o principio antropocêntrico, que tem levado a destruição inconseqüente dos recursos naturais e de varias espécies. É preciso considerar que a natureza não é fonte inesgotável de recursos, suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional, evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital para a sobrevivência do planeta.

Portanto, a Educação Ambiental faz parte atualmente dos temas transversais dentro dos Parâmetros Curriculares Nacionais da educação e que pode estar sendo trabalhado com o corpo discente juntamente com a sociedade, já que esta pode partir para procedimentos diante da realidade em que se vive, buscando sempre meios que possam conscientizá-lo a respeitar o meio ambiente natural.

Segundo Leff (1999 p. 151).

 O texto dos PCN’s reitera que o ensino da Educação Ambiental deve considera  r as  esferas    globais  e   locais,  favorecendo   tanto    a compreensão dos problemas ambientais em termos macros (político, econômico, social e culturais) como em termos regionais.

 Assim faz-se necessário que ações voltadas a Educação Ambiental sejam implantadas a todos os níveis e modalidades do processo educacional, através de projetos e planejamentos, tanto na escola como nas comunidades, para que o ser humano tenha uma nova visão sobre as questões ambientais.

  2 – CAPÍTULO 2 – PESQUISANDO A INTERDISCIPLINARIDADE DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA ESCOLAR.

 2.1 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.

 O lócus desta pesquisa foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Eneida de Moraes, sito à Rua Coletora Leste S/Nº, no Bairro das Águas Lindas, na Cidade de Ananindeua, que oferece serviços aos profissionais de educação possuindo experiência em docência. O público alvo desta pesquisa foi o corpo técnico e docente da referida escola.

O objetivo deste estudo foi de investigar como se processa a relação entre as áreas do conhecimento sobre o ponto de vista da interdisciplinaridade, com base a Educação Ambiental.

Para viabilização desta pesquisa realizou-se um estudo teórico e de campo, dentro das abordagens qualitativas e quantitativas, operacionalizado por meio de questionários com questões subjetivas e objetivas.

O resultado da análise foi discutido em grupo e transformado em gráfico;

 2.2 – PERFIL DOS SUJEITOS PESQUISADOS – CORPO TÉCNICO E DOCENTE.

 Neste processo foi possível conhecer a realidade educativa da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Eneida de Moraes. O grupo de educadores pesquisados 100% possuem nível superior, sendo que  92% dos entrevistados são do sexo feminino e 8% são do sexo masculino. Com relação ao tempo de atuação 60% possui de 1 á 10 anos, 30% possui de 11 á 20 anos e 10% acima de 21 anos. Neste sentido percebe-se que 40% do corpo docente são profissionais que atuam a mais de dez anos com experiência e tempo de serviço.

 2.3.1 - DESCREVENDO E ANALISANDO OS DADOS INVESTIGADOS – CORPO TÉCNICO E DOCENTE.

Os sujeitos investigados foram categorizados como professor A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, L, M e N.

Quando inquiridos sobre como você definiria a Educação Ambiental?, pontua-se a seguir os posicionamentos que se consideram significativos para o estudo.

 Professor A - “É aquela que não se dá tão somente na sala de aula, mais também através do ambiente em que vivemos. Esclarecendo as pessoas e ao mesmo tempo incentivando a manter um ambiente limpo e saudável.”

Professor C - “Educar é ensinar a aprender de tal forma que o aluno possa praticar no seu dia a dia o que aprendeu para seu benefício. Educação Ambiental é tudo aquilo que está ao nosso redor e que é indispensável para nossa vida.”

Professor D -  “Educação Ambiental é tudo que está o nosso redor.”

Professor F - “Uma forma de tentar harmonizar a convivência pacifica entre homem e seu meio.”

Professor H - “Educação ambiental é uma forma de conscientizar nossos educandos no processo de conservação de nosso planeta.”

Professor J - “Consciência que cada um deve ter para com o meio ambiente.”

Professor N - “Conjunto de temáticas relativas não só a proteção da vida do planeta, mas também a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida das comunidades.”

 Em vários referênciais a Educação Ambiental aparece como solução aos problemas emergentes da sociedade. Inúmeros entrevistados apontam que a conservação do planeta depende de cada um de nós. Também é notório que os    docentes   reconhecem  o  quanto  educar o  aluno   é  importante  para  a preservação do meio ambiente pois ele atuará como agente transformador do meio onde vive. Implementada desta maneira a educação ambiental propiciará ao educando a oportunidade de  reavaliar  o  papel  dele de  forma  consciente, reconhecendo que é fundamental preservá-la e preservá-la para melhoria da qualidade de vida como bem comum a todos.

 Dias (1992 p.158) afirma que:  

 Por lidar com realidade, a Educação Ambiental pode e deve ser o agente otimizador, de novos processos educativos que conduzem as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudança e melhoria do seu ambiente total.

 A afirmação do autor eleva o interesse de intensificar a interdisciplinaridade nas salas de aula, com ênfase a Educação Ambiental. Desta forma ocorreria à socialização do tema no ambiente escolar para que o corpo docente resgate a conscientização do problema e que alcance a qualidade de vida desejada pelo grupo desenvolvedor do processo de Educação Ambiental. Sendo assim o conhecimento adquirido produziria novos caminhos teóricos e práticos para solucionar os problemas ecológicos.

 Quando os entrevistados foram inquiridos sobre como definiriam a Interdisciplinaridade? Considera-se a seguir as respostas mais significativas para o estudo.

Professor A – “A integração das disciplinas em busca de um melhor Ensino & Aprendizagem.”

Professor B -  “É um conjunto de disciplinas interagindo entre si, para atingir um só objetivo, que é formar cidadãos conscientes e transformados.”

Professor D – “É trabalhar um conteúdo em diversas disciplinas, com habilidades de não interferir na área do colega, mas um reforço aquele tema muitas vezes trabalhado anteriormente.”

Professor F – “Importante para uma visão mais articulada do mundo globalizado, onde as ciências interagem umas com as outras.”   

Professor G – “Com conhecimento que amplia o conteúdo intelectual do discente.”

Professor H – “É o diálogo entre as disciplinas para que haja uma interação entre elas.”

Professor L – “Coesão entre as disciplinas, interação dos conhecimentos entre professores que é repassado para os alunos.”

Professor M – “Conteúdos com enfoques que envolvem varias disciplinas.”

 Quando se avalia a questão da interdisciplinaridade na visão os entrevistados, percebe-se que o ponto de partida e de chegada está no ato de ensinar, ou seja, na ação e na prática cotidiana através do diálogo que se estabelece entre as diversas disciplinas do currículo e os sujeitos das ações, evidenciando uma mudança positiva na prática pedagógica.

 Segundo Fazenda (1994 p. 78).

  A  própria interdisciplinaridade é um desafio a ser enfrentado, tão grande quanto a visão holística em nossa civilização cartesiana, desperdício e carência, de nossa sociedade de consumo, ou seja, o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. Tenta, pois, o dialogo com outras formas de conhecimento, deixando-se interpenetrar por elas, sendo assim, aceita o conhecimento do senso comum como válido, pois é através do cotidiano que damos sentido às nossas vidas.

 Desta forma enfatiza-se a necessidade de mudança,todavia resgata-se a dificuldade de que para que ocorra esta mudança é preciso conhecer a fundo o que se propõe a mudar, já que o fenômeno chamado interdisciplinaridade está ocorrendo, mas não encontram-se subsídios para torná-lo à nível de censo comum.

Necessita-se de interesse por parte fundamentalmente dos professores e alunos, na questão educacional. “Por sua vez, cabe aos participantes do processo educativo escolher o problema a ser resolvido.” (Pedrini, 2002 p.114). Toda instituição de ensino  deveria  estar  focada  nesse processo, para que a Educação Ambiental possa se instalar de forma satisfatória.

Sendo assim o Professor F, destaca claramente que a Interdisciplinaridade é “Importante para uma visão mais articulada do mundo globalizado, onde as ciências interagem umas com as outras. Criando um universo onde ocorra a integração das disciplinas em busca de um melhor Ensino & Aprendizagem, “Garantindo a formação de “cidadãos conscientes e transformados.” (Professor B).

 Ao questionar sobre a relação entre as áreas das Ciências Biológicas e Humanas no contexto da sala de aula, obtêm-se os seguintes resultados?

 Professor C – “Na minha concepção se relacionam bem, pois como já sabemos as áreas de conhecimento se relacionam mutuamente.”

Professor F – “Importante no que diz  respeito à preservação da vida, a socialização e o respeito a integridade humana.”

Professor G -  “Não se relacionam e raramente isto acontece.”

Professor J -  “Pelo que se observa cada área segue seu caminho isoladamente.”

Professor L – “Ocorre interação das atualidades entre as disciplinas.”

Professor M – “Não acontece esta interação na maioria das vezes."

Professor N – “Eles tornam possível aos alunos a compreensão de que há uma ampla rede de relações entre a produção cientifica e o contexto social economia e política. Isso vai fazer com que as ciências sejam compreendidas como construção humana e como se desenvolvem e transformam-se.”

 Quanto às relações entre as ciências humanas e biológicas no contexto de sala de aula houve divergência entre as respostas dos entrevistados. Alguns professores responderam que ocorre a interação nas atividades desenvolvidas no dia a dia da escola contribuindo para a eficácia do processo ensino-aprendizagem. Outros porém não estão convictos de que esta interação exista.  

As Ciências Biológicas, Humanas e Exatas tem seu papel fundamental para propagar a Educação Ambiental, portanto, os educadores apostam na interdisciplinaridade como agente facilitador ou metodologia de aprendizagem e resgatam a necessidade de compreender a fundo o que se busca pesquisar, pois para que se encontre o agente facilitador da compreensão de temas transversais nas escolas, tem-se que objetivar criticamente o objeto de estudo e trabalhá-lo em conjunto com as demais disciplinas.

Desta forma, percebe-se que as tentativas e ações interdisciplinares não são recentes, porém sua prática e efetiva tem sido um desafio constante aos educadores que acreditam ser vital à educação, a construção de um espírito investigatório em nossos educandos, baseados no hábito do debate e da pesquisa científica. Acredita-se, portanto, que se faz necessário rever os fundamentos que se constituem em uma reflexão indispensável no sentido de nos capacitar e nos comover à interdisciplinaridade.

E, mais amplamente Fazenda (1994, p. 85) afirma que:

 Atitude interdisciplinar, uma atitude frente a alternativa para conhecer mais e melhor; atitude de espera frente aos atos não consumados, atitude de reciprocidade que impede à troca, que impede ao diálogo com pares anônimos ou limitações do próprio saber, atitude de perplexidade frente a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio, frente ao novo desafio em redimensionar o velho, atitudes de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas, atitudes pois de compromisso em construir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade, mas sobretudo de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida.

 A cerca das relações entre as diversas ciências entende-se que ensinar, não é apenas transferir conhecimento, mas o professor deve ser responsável, predisposto à mudança, à aceitação do novo, do diferente. O professor enquanto ser cultural é inacabado e consciente do seu papel de educador capaz de ir mais além, deve ter  em  mente ,  que  sua  presença  na escola não é de quem a ela se adapte, mas a de quem nela se insere. Por isso, a educação para a cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam apresentadas para aprendizagem e reflexão dos alunos.

 É neste sentido Richard (1999 p. 112), define que a presença da interdisciplinaridade desde seu processo histórico até os dias atuais:  

 Embora as questões que envolvam uma abordagem integrativa mostrem que a interdisciplinaridade estava presente desde os gregos (Escolas de Platão), percorrendo a história. Até os naturalistas como Alexander Von Hunbldt, contemporaneamente ela aparece na década de 1920 nos Estados Unidos e na Europa, na tentativa de direcionar as pesquisas com ênfase construtiva, portanto, envolve mais de uma disciplina ou área de conhecimento no exame do mesmo tema.

       Do mesmo modo observou-se que em pleno século XXI ainda exista a presença de docentes que não utilizam a interdisciplinaridade como metodologia de ensino, como nota-se claramente analisando as argumentações dos Professores G e J, quando refere-se que: “Não se relacionam e raramente isto acontece.” e “Pelo que se observa cada área segue seu caminho isoladamente.” Nota-se uma postura anti disciplinar ou falta de entrosamento com a interdisciplinaridade. Dias (2001) enfatiza a necessidade de transformações, todavia resgatam a dificuldade de que para que ocorra esta mudança é preciso conhecer a fundo o que se propõe a mudar, já que o fenômeno está ocorrendo, mas não encontram-se subsídios para torná-lo à nível de censo comum.

      Sobre a eficácia dessa metodologia é que Vasconcelos (1994, p. 158)  afirma:

 Por lidar com realidade, a Educação Ambiental pode e deve ser o agente otimizador, de novos processos educativos que conduzem as pessoas por caminhos onde se vislumbre a possibilidade de mudança e melhoria do seu ambiente total.

  A afirmação de Vasconcelos (1994) eleva o interesse de intensificar a interdisciplinaridade nas salas de aula, com ênfase a Educação Ambiental.

Desta forma alcançar-se-ia à socialização do tema no ambiente escolar para que o corpo docente resgate a conscientização do problema e que alcance a qualidade de vida desejada pelo grupo desenvolvedor do processo de Educação Ambiental. Sendo assim o conhecimento adquirido produziria novos caminhos teóricos e práticos para solucionar os problemas ecológicos.

 Com relação à questão seguinte que trata de como se faz acontecer à inclusão da Educação Ambiental para conscientização e valorização da Natureza dentro da sala de aula, vejamos os depoimentos a seguir.

 Professor A  e C – “Não trabalho em sala de aula, mas acompanho os projetos desenvolvidos por outros professores inclusive alunos.”

Professor B - “Eu ministro as aulas de disciplina Língua Portuguesa, porém trabalho também com interdisciplinaridade; e faço através de palestras, demonstrações do prejuízo causado à natureza.”

Professor D - “Trabalhando textos em sala de aula, através de projetos de reciclagem de garrafas plásticas (pet’s) e papel reciclado.”

Professor E - “Incentivar os alunos a preservar a natureza e mostrando as conseqüências do que eles mesmos causam ao meio ambiente.” 

Professor G e I – “Não trabalho a questão Ambiental constantemente, somente quando necessário.”

Professor H – “Através de trabalhos coletivos, buscam-se soluções de problemas sociais.”

            Percebe-se que de acordo com os entrevistados, a escola tem procurado implementar projetos com ênfase na temática propiciando a interação entre os atores da escola já que a mesma  está inclusa na dimensão política e na perspectiva de busca para soluções e situações dos problemas ambientais, tais como a degradação ambiental, a poluição dos rios, o lixo, etc. que tem sido considerado cada vez mais urgente, a fim de garantir o futuro da

humanidade que depende da relação estabelecida entre sociedade/natureza, tanto na dimensão coletiva quanto na individual.

Essa consciência já chegou à escola e muitas iniciativas têm sido tomadas em torno dessa questão, por educadores de todo o país. Por essas razões, vê-se a importância de incluir Meio Ambiente nos currículos escolares como tema transversal, permeando toda prática educacional. É fundamental,

na sua abordagem, considerar os aspectos físicos e biológicos e, principalmente, os modo de interação do ser humano com a natureza, por meio de suas relações sociais, do trabalho, da ciência, da arte e da tecnologia.

Para solucionar as causas emergenciais que levam o meio ambiente a degradação é que “Através de trabalhos coletivos, buscam-se soluções de problemas sociais.” (Professor H) Sabe-se que é uma tarefa árdua para ser resolvida, todavia pode-se alcançar este objetivo, se “Incentivar os alunos a preservar a natureza e mostrando as conseqüências do que eles mesmos causam ao meio ambiente.”  (Professor E)

Esta perspectiva à priori parece uma boa alternativa, porém, não basta apenas que alguns utilizem a Interdisciplinaridade com ênfase a Educação Ambiental como fonte de ensino, é preciso que todos os responsáveis por educação sintam-se, na obrigação de incentivarem esta questão. Como forma de educar para preservar a natureza, deveria ser uma espécie de orientação para que não houvesse tantos danos ao meio ambiente, principalmente na questão da poluição.

Neste sentido a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Eneida de Moraes, não apresenta um quadro completo de docentes que trabalhem a Interdisciplinaridade em suas complexidades. Como é o caso dos Professores A, C, G e I; onde afirmam que, não trabalham a Educação Ambiental em sala de aula, mas acompanham os projetos desenvolvidos por outros professores inclusive alunos. Houve ainda quem responde-se que trabalha a questão ambiental somente quando necessário.

Ao inquirir-se sobre a questão do que poderia ser feito para que aconteça a inclusão da Educação Ambiental nas Escolas? Os depoimentos foram os seguintes:

Professor A  e C – “Deveria ser incluída na grade curricular, porém  percebe-se um grande avanço na escola, muitos docentes se preocupam com a questão ambiental.”

Professor B – “Projetos que abordem Educação Ambiental, para serem trabalhados em sala de aula, tendo em vista que muitas vezes existam propostas nas escolas, todavia, devido ao comodismo eles ficam guardados na gaveta.” 

Professor D – “A Educação Ambiental já existe, porém os PCN’s a tratam como tema transversal. O que deveria ser feito é colocar a Educação Ambiental como disciplina propriamente dita, com professores capacitas para ministrá-la.”

Professor E, F e G – “Fazendo projetos para a escola, trabalhar em conjunto com a comunidade professores qualificados, técnicos gabaritados e alunos incentivados para melhoria do meio ambiente.”

Destarte, ao se fazer análise do que foi inquirido aos entrevistados, ficou claro que a Educação Ambiental ao ser trabalhada na escola, valoriza as diferentes formas de conhecimento e promove a cooperação e o diálogo entre os indivíduos, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender as necessidades de todos, sem distinção étnicas, físicas, de gêneros, idade, religião e classe social.

Quando questiona-se a respeito do papel dos educadores em incentivar a Interdisciplinaridade nas escolas, enfatiza-se que, as relações com outras ciências poderiam acarretar em uma melhoria na qualidade do ensino. Mostrando que as disciplinas trabalhadas juntas produzem um maior efeito na visão do aluno.

.Neste sentido Nogueira (2000, p. 29) afirma:

 

[...] árvores recém plantadas são derrubadas e ali ficam até a morte, sem que ninguém perceba que ali estão. Em muitas praças, avenidas,

margens de rios vemos apenas terra e plantas secas. Os ativistas ambientais podem ajudar a manter vivo o verde do lugar onde moram.

 

 

De acordo com o autor devem-se conscientizar todas as classes aos problemas ambientais vigentes e buscar incentivos para a melhoria do mesmo, “fazendo projetos para a escola, trabalhar em conjunto com a comunidade professores qualificados, técnicos gabaritados

Avaliar artigo
4
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 17 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/biologia-artigos/a-interdisciplinaridade-da-educacao-ambiental-nas-escolasagente-otimizador-de-novos-processos-educativos-482860.html

    Palavras-chave do artigo:

    educacao ambiental

    ,

    interdisciplinaridade

    ,

    educadores

    Comentar sobre o artigo

    Formula-se que a educação ambiental é um processo educativo, é um enfoque da educação, é uma dimensão, é uma perspectiva e é uma alternativa da educação e a Pedagogia, que deve desenvolver-se basicamente na escola, pela encomenda social que a esta se lhe confere na preparação de meninos, adolescentes, jovens e adultos, para a vida, e constitui um fim político, econômico e social.

    Por: Zuíla de Carvalho Flexal Educação> Ensino Superiorl 23/04/2011 lAcessos: 1,423

    Como realizar um projeto de educação ambiental na escola, em casa e na rua?

    Por: milenal Educação> Educação Infantill 21/04/2011 lAcessos: 2,022

    Os recursos naturais anteriormente eram tidos como renováveis e que nunca poderiam se esgotar, atualmente o homem já percebe que sua existência sobre o planeta tem causado impactos negativos de grandes proporções, assim mudar hábitos se faz necessário a educação precisa está voltada para a sustentabilidade. Para tanto se faz necessário educar o cidadão para o consumo responsável. O presente artigo tem o objetivo de verificar a relevância de se ter uma educação voltada para a sustentabilidade. A metodologia utilizada teve como base a pesquisa bibliográfica e análise dos dados e informações relevantes sobre educação ambiental e a construção da cidadania. O presente trabalho mostra que existe a necessidade eminente de se formar cidadãos críticos e atuantes, conscientes de seu papel no planeta e a possibilidade da educação transformar de modo individual para o coletivo a postura humana perante o planeta e os recursos a serem utilizados.

    Por: Ana Débora Mascarenhasl Educação> Ciêncial 05/11/2008 lAcessos: 76,835 lComentário: 4
    Tania Maria da Silva Nogueira

    Transformar a escola num lugar onde se desenvolvam novas experiências e competências é um desafio para todos os envolvidos no processo educativo, os profissionais da educação devem exercer o papel de semeadores e percussores dos novos paradigmas para uma educação de qualidade buscando redescobrir seus fundamentos humanizadores, conscientes de que necessitamos fazer uma revisão nas concepções existentes e conseqüentemente almejar a busca de novas maneiras de pensar e de agir respeitando a plurali

    Por: Tania Maria da Silva Nogueiral Educaçãol 26/02/2012 lAcessos: 787
    Luciano de Souza

    Este trabalho aborda aspectos do ensino de música na educação formal, como acontece a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades específicas levando em consideração o desenvolvimento psicológico da criança, através de pesquisa em políticas educacionais desenvolvidas no Brasil nos últimos 78 anos, tendo como objetivo pesquisa em materiais didáticos que atendam a nova LDB, e na elaboração de propostas pedagógicas para música.

    Por: Luciano de Souzal Educação> Ensino Superiorl 10/09/2009 lAcessos: 6,935 lComentário: 1
    Marcelo Gomes González

    Como está expresso na fala de muitos autores, o Ensino Fundamental II é uma fase de transição, onde muitas culturas devem ser maturadas, e outras apresentadas. Nesse período o educando se encontra no momento da criação da sua identidade. Os PCNs defendem que a Educação Física deve utilizar, principalmente, da cultura corporal - a trazida pela criança e a apresentada para ela dentro do ambiente escolar - e da instigação à busca do conhecimento para que ela seja autônomo.

    Por: Marcelo Gomes Gonzálezl Educaçãol 17/10/2012 lAcessos: 389
    Marcelo Gomes González

    O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil é um documento que equivale aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), já que foi criado pelo MEC em 1998. No entanto, há um debate ferrenho entre as grandes esferas da administração é o fato desse nível de ensino compor a Educação Básica, mas ser posta de forma facultada, fazendo com que, muita das vezes, não seja cursada pela criança, que fica com um ensino deficitário na base do conhecimento.

    Por: Marcelo Gomes Gonzálezl Educação> Educação Infantill 17/10/2012 lAcessos: 638
    Hamilton Felix Nobrega

    Deveríamos aproveitar a reflexão desenvolvida na brilhante animação dirigida e roteirizada por Andrew Stanton e, mais do que propostas, realmente trabalhar em prol do saneamento da Terra, buscando corrigir e solucionar os graves problemas ambientais por nós mesmos perpetrados ao planeta?

    Por: Hamilton Felix Nobregal Ciênciasl 30/09/2011 lAcessos: 693

    Este artigo pretende fomentar discussões a respeito das condições para aprender na EJA. É preciso que os educadores dessa modalidade de ensino estejam abertos a essas mudanças e que busquem o mais rápido possível uma adequação as suas práticas. Portanto, esse estudo contribuirá para um repensar do educador que atua nessa modalidade de ensino, fazendo-o refletir sobre sua prática pedagógica.

    Por: Gilvânia Andrade do Nascimentol Educaçãol 17/01/2012 lAcessos: 1,204
    JORGE FLOQUET

    A convivência dos avós com os seus netos é uma terapia e muito pouco sinalizada pelas referências bibliográficas médicas, é uma das mais surpreendentes formas de revigoramento do fluido vital dos avós. Observem que à proporção que os netos estão crescendo e se distanciando dos seus avós esses tendem a perder o seu vigor físico. Não se trata de uma relação direta com a idade e sim uma consequência deste afastamento.É fato!

    Por: JORGE FLOQUETl Ciências> Biologial 17/11/2014
    Emanuel

    Resumo Um dos maiores desafios no campo das ciências cognitivas é identificar os substratos neurais dos comportamentos. O desenvolvimento da tecnologia em neuroimagem funcional nos últimos cinco anos está provocando um rápido avanço no conhecimento das funções cerebrais, o que resultou numa explosão de achados novos na psiquiatria. O uso da ressonância magnética funcional na pesquisa em esquizofrenia é um bom exemplo de como esse avanço; tornou possível a investigação de aspectos complexos das d

    Por: Emanuell Ciências> Biologial 16/11/2014

    O presente artigo tem por objetivo determinar a prevalência de dislipidemia em adultos de faixa etária de 20 a 49 anos, de ambos os sexos, da demanda laboratorial de Teixeira de Freitas, Bahia, Brasil. Casuísticas procedentes de amostras de 30% dos laboratórios não hospitalares da cidade, num total de 286 amostras por ano, em 2009 e 2010. Para a determinação das dislipidemias, consideraram-se os valores da IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias (DBD).

    Por: Gilvan Ferreira Moreiral Ciências> Biologial 15/10/2014 lAcessos: 23

    O presente trabalho procura tratar sobre as restingas brasileiras, destacando o seu conceito e suas características gerais, assim como identificar os estudos realizados sobre levantamentos de fauna e flora endêmicas e em extinção na Faixa litorânea no Estado da Bahia. Este estudo foi realizado através do levantamento de dados encontrados na literatura já existente.

    Por: Gilvan Ferreira Moreiral Ciências> Biologial 15/10/2014 lAcessos: 27

    Este artigo teve como objetivo avaliar a importância da atividade pesqueira e da conservação ambiental para a comunidade de pescadores do Prado (BA). Para o levantamento de dados foram realizadas entrevistas com os pescadores da mesma. Foram entrevistados 11 pescadores, todos do sexo masculino.

    Por: Gilvan Ferreira Moreiral Ciências> Biologial 15/10/2014 lAcessos: 22
    José Bittencourt da Silva

    O presente artigo objetiva expor e descrever um fenômeno natural chamado de pirakaú, o qual pode ser observado entre os meses de janeiro, fevereiro e março de cada ano no rio que banha a comunidade Joana Peres localizada no território da Reserva Extrativista Ipaú- Anilzinho, município de Baião, estado do Pará. O texto resulta de pesquisa de campo do tipo qualitativa, com pressupostos epistemológicos e metodológicos próprios das correntes etnográfica e fenomenológica.

    Por: José Bittencourt da Silval Ciências> Biologial 01/10/2014 lAcessos: 23

    As moscas das frutas são moscas de espécie Ceratitis capitata (Wied, 1824) ou Anastrepha spp. As fêmeas colocam seus ovos nos frutos, os quais têm formato parecido com uma banana e coloração amarelada. Dos ovos eclodem larvas que se alimentam da polpa do café, prejudicando o sabor e a qualidade da bebida.

    Por: niviol Ciências> Biologial 23/09/2014 lAcessos: 17

    A substância H2O conhecida como água, líquida, incolor, insípida e inodora, é simples só que essencial para todos os seres vivos sobreviverem, é o elemento mais importante para a vida

    Por: adminl Ciências> Biologial 12/09/2014

    Buscou-se com esta pesquisa de campo, identificar se a ecologia está presente na formação de cada pessoa como ser humano e como as pessoas se relacionam com o meio ambiente de forma a tornar-se um sujeito responsável por seus atos e atitudes conforme sua consciencia. Foi possível presenciar algumas práticas das pessoas em via pública fazendo exatamente o contrário do que dizem que fazem dentro do ambiente em que vivem.

    Por: Cristina Ferreiral Ciências> Biologial 15/07/2008 lAcessos: 15,237 lComentário: 1

    Comments on this article

    0
    sandra 23/06/2011
    Amei seu artigo, estou desenvolvendo umpré-projeto p meu curso de lic. em Biologia e este artigo me esclareceu sobre muitas coisas. Sera q dá p postar as referencias???? Valeu!
    5
    marcia 20/03/2011
    Gostei muito do relatório postado , gostaria de referências bibliográficas para colocar no meu trabalho, sou estadantede pedagogia. obbrigada .Marcia
    -1
    ANGELA LIMA 26/01/2011
    gostaria de referencia biográfica abordado sobre a interdisciplinariedade na aprendizagem dificuldades e avançõs por favor para que eu possa montar o meu projeto pois curso pedagogia .
    1
    Patrícia 24/01/2011
    Gostei do artigo. Também gostaria de receber as referências, seria possível me enviar?
    Grata...
    0
    Manuela 13/01/2011
    Oi Cristina gostei muito de seu trabalho, Parabens!!!!!
    Gostaria que caso voce me enviasse as referencias bibliográficas para citá- la em um trabalho a qual estou desenvolendo. desde ja agradeço pela compreensão!!!!!!! 8278
    0
    cacilda 14/11/2010
    muito bom seu artigo, está me ajudando bastante nas minhas pesquisas, gostaria que por favor me enviesse as referência bibliográficas para que´possa cita-lás no meu trabalho, grata pela atenção!
    2
    Sandra 27/10/2010
    Olá, colega, achei muito interessante e gostei muito do artigo, gostaria de receber as refêrência no meu e-mail. Obrigada.
    0
    Rose Mari Lemos 11/09/2010
    Olá, achei muito importante suas informações e gostaria de fazer algumas citações suas no meu trabalho, mas para isso preciso que vc mande as referencias bibliograficas. parabens pelo seu trabalho!!!!! fiacarei agradecida.
    4
    conceição 30/03/2010
    Olá, sou licenciada em biologia,estou fazendo pós em educação ambiental . Gostaria,se possível que me enviasse as referências bibliográficas utilizadas no seu artigo, pois achei muito impotantes as informações que você mencionou no seu trabalho, parabéns!
    2
    aleandre da paixao 15/03/2010
    olâ que belo trabalho, fiqui muito curioso com este trabalho pois eu estou desenvolvendo um trabalho na minha comunidade é também, a minha monografia neste pesamento da pratica de AE na escola.
    Pois gostaria que vc me enviem algum matérial sobre práticas docentes em sala de aula. OBRIGADO
    1
    ,marcela sousa 21/01/2010
    estou dasenvouvendo o meu TCC sobre educão ambiental se poder envie mas sobre omasmo
    0
    Claudio Luiz da Rosa Torres 18/10/2009
    Seu artigo ensinou-me novos conhecimentos. Estou no primeiro período de gestão ambiental, e este tema sobre a interdisciplinalidade é muito importante, pois so vai ser real o entendimento se começarmos deste do ensino infantil até a fase jovem e adulto a tomar ciência dos problemas da nossa terra.
    0
    Mª Francisca 16/09/2009
    adorei o seru artigo, sou graduanda de pedagogia e estou fazendo pesquisa sobre educaçao ambiental gostaria de obter as referencias dos autores mencionados no seu artigo.Obrigada
    2
    Meire 14/09/2009
    Cristina, boa tarde!!!
    Estou fazendo uma pesquisa sobre educação ambiental, achei seu texto muito bom, na verdade excelente e gostaria se possível obter as referencia bibliográficas de seu artigo para me aprofundar mais.
    Obrigada!

    Meire
    2
    Sandra 08/08/2009
    Olá colega, sou professora graduada em Letras e atualmente faço pós em Educação Ambiental. Gostaria,se possível que me enviasse as referências bibliográficas utilizadas no seu artigo, pois achei muito interessante as informações que vc colocou no seu trabalho, parabéns!
    0
    Katielly Cavalcanti de Lima Costa 18/07/2009
    olá caro colega, estive lendo teu artigo e achei D+ você está de parabéns, pelo teu trabalho ,gostaria de saber se vc teria como enviar p/meu email as referencias bibliograficas pois estou em período monográfico e no teu artigo tem muita coisa interessante q/ se encaixaria perfeitamente na minha monografia contando com tua ajuda e teu ato nobre meus sínceros agradecimentos.Aguardo resposta!
    0
    Daniela 11/07/2009
    Excelente artigo, Cristina. Parabéns!
    Poderias enviar-me a bibliografia? Sugiro até que publique junto com teu artigo.
    -2
    nitecy abreu 06/07/2009
    Olá, estou em fase de defesa da minha dissertação de mestrado, cuja temática é a interdisciplinaridade na práica do professor de Ensino medio. voce está de parabéns a prática interdisciplinar é um desafio com bem afirma Fazenda e complexa com afirma Morin complexa, porém não é impossivel com afirma Frigotto, entre esa diversidade de crença, acredito que a interdisciplinaridade na prática de sala de aula é possivel, ser possivel não significa ser fácil, requer uma decisão politica na formação continuada do professor. Atenciosamente
    -1
    Alenise da Cunha Rodrigues 26/06/2009
    Prazer,colega!Sou professora na função de coordenadora pedagógica de 1º ao 5º Ano. Apreciei bastante o seu artigo sobre Interdisciplinaridade da Educação Ambiental na Escolas, pela linguagem clara e objtiva.Se possível, me envie alguns modelos/exemplos de projeto interdisciplinar sobre DROGAS. Agradeço desde já e, parabéns pelo belíssimo tabalho.
    3
    José Milton da Silva 21/05/2009
    Oi colega, sou professor graduado em pedagogia, leciono no ensino fundamental onde as crianças estão construindo conceitos voltados para esse novo universo o qual eles terão que enfrentar futuramente. Você está de parabéns pelo seu artigo, eu estou fazendo uma especialização na área de meio ambiente e gostaria se fosse possível obter as referencias dos autores os quais você menciou em seu artigo. Ficarei agradecido.
    7
    ELANNE CRISTINA 25/03/2009
    CRISTINA POR FAVOR MANDE PRA MIM A REFERENCIA DO AUTOR FAZENDA - 1994 ,P. 82 -87. POR FAVOIR ESTOU PRECISSANDO DESTA REFERENCIA. ME AJUDE!
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast