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Dengue: É Preciso Atitude E Coerência
Por: Beatriz Antonieta Lopes  | Publicado em: 29-05-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 105 | Avaliação: (116) (?)
“Eu não trabalho com o achômetro”, declarou uma coordenadora da saúde. Não a contrario neste aspecto, mas, minha opinião, é de que ela deveria trabalhar com o “desconfiômetro” a indicar que existe um erro muito grave nas ações executadas, pois se estivesse tudo muito certo não haveria nem o mosquito da dengue e nem o da leishmaniose ou outras patologias transmitidas por vetores, matando a população!
Quanto ao “achômetro” na saúde, tem gente que acha que está tudo bem; acha que as ações desenvolvidas estão corretas... Acha, também, que reuniões, palestras e panfletos vão eliminar os mosquitos e acabar com a dengue e a leishmaniose, achando ainda, que aparecer na mídia com declarações, não vou dizer mentirosas, mas bem equivocadas, com dados fantasiosos e omissos sobre o número de casos e até mesmo sobre o número de óbitos em conseqüência destas patologias, esquecendo que, se a pessoa foi a óbito, tem a família, amigos e vizinhos para questionar os dados incorretos...
Se essa coordenadora, utilizando então o “desconfiômetro” analisasse e refletisse sobre as ações desenvolvidas e os resultados obtidos, quem sabe conseguisse ver que algo está errado nestas ações de combate ao vetor *preconizadas pelo MINISTÉRIO DA SAÚDE, e seguida à risca pelos gestores da Saúde Pública! E não me refiro apenas aos gestores aqui de Mato Grosso, mas do Brasil todo. O erro é enorme e as conseqüências, desastrosas; a prova está ai: epidemias de grande magnitude como a ocorrida no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro e as que ocorrem em Mato Grosso, com dados subnotificados, fato que gera informações errôneas e prejudiciais à população.
Repito: Se as ações estivessem corretas, não haveria tantos casos de DENGUE e a LEISHMANIOSE não estaria matando tantas pessoas!
Se a DENGUE é uma patologia grave, a LEISHMANIOSE é pior, muito mais grave e mais letal!
Quando mostrei o erro que envolve o inseticida aplicado, a resposta foi: “mas é o MINISTÉRIO DA SAÚDE que *preconiza o uso deste inseticida”. Ora, se o ministério está errado vamos aceitar calados?
Se o erro parte do MINISTÉRIO DA SAÚDE, hoje o mais importante é corrigir este erro, urgente!
Vivemos sob ameaça; o Brasil se tornou zona de risco epidêmico, e, se nada for feito, as conseqüências serão de grandes proporções, agravadas com o Sistema de Saúde Pública revelando estrutura frágil. Assim, podemos esperar o quê?
O erro está nas ações, que, ano após ano se repetem, sempre da maneira errada!
Os números das epidemias podem ser consultados no site da Organização Mundial de Saúde-OMS; não são dados achados aleatoriamente; e, sobre o que posso dizer a respeito deles, é que não apresentam a realidade nua e crua, o que se deve à grande subnotificação, senão, os números estatísticos seriam ainda mais assustadores.
Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, entre outros estados, a persistir o quadro caótico, desorganizado e incompetente nas ações desenvolvidas de “combate” à DENGUE podem (e eu lamento profundamente dizer isto) se preparar epidemias enormes, com casos de gravidade piores dos que hoje acompanhamos na mídia, pois quatro anos de repetidos desacertos, passam rápido, muito rápido!
As epidemias que atingiram cidades em diferentes estados brasileiros podem ser observadas, basta fazer uma busca e encontraremos os registros de 1986 (Rio de janeiro com mais de um milhão de casos), 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2007 e 2008, nos quais se percebe as seqüências de novos casos e, entre estes, pessoas sofrendo a 2ª, 3ª dengue.
Torna-se urgente mudar o enfoque no combate ao vetor. Eliminar larvas? Não funciona. Está comprovado.
Tem que se eliminar o inseto adulto! Sem mosquitos, não haverá mais larvas...
Obs: * “Preconiza” parece ser uma palavra (a única) decorada por quem “deu uma olhadinha” nas normas técnicas do Ministério da Saúde, achando que ela poderia impressionar quem a ouvisse ou lhe dar credibilidade...
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