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Leishmaniose: O Erro Se Repete

Por: Beatriz Antonieta Lopes Ranking do Autor Bronza | Publicado em: 01-07-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 152 | Avaliação:  (146) Ranking do Artigo Azul (?)

 

*Bia Lopes

 

         Já há bastante tempo se percebe, rodando pela cidade, vários cães com aspecto calazarento, característica da doença. Magros, com feridas, com perda parcial ou total de pelos: os cães são reservatórios do Calazar e da Leishmaniose, cujo vetor é o flebótomo.

         Existem 14 espécies patogênicas ao ser humano. As mais importantes são: L. donovani, L. infantum e L. chagasi que podem transmitir a leishmaniose visceral, ou casos de manifestações cutâneas. As espécies L.major, L.tropica, L. aethiopica, L. mexicana, L. brasiliense e L.peruviana, vetoram a leishmaniose cutânea ou a forma mais grave, muco cutânea. FONTE: WIKIPÉDIA

         Trata-se de um mosquito pequeno, escuro, de vôo rápido em zig zag, cuja picada arde como se queimasse. Há denúncias de sua presença na cidade toda.

         A providência, mais rápida e urgente, é a nebulização com o fumacê, atitude esta que deve ser executada de forma correta, com o inseticida adequado e as aplicações estendidas a todos os bairros.

         Não basta uma ou outra aplicação aleatória. As aplicações devem ser realizadas durante três meses consecutivos.

         O uso do fumacê com o inseticida Malathion, irá eliminar tanto o flebótomo causador da Leishemaniose como o vetor da Dengue e outros insetos nocivos ao homem.

         No momento registram-se, oficialmente, 04 óbitos pela doença em nossa cidade e acredita-se que muitas pessoas podem estar infectadas. Lamentavelmente, em vez de providências efetivas o que se vê na mídia são declarações de que “os casos são importados” de outras cidades!

         E novamente a população é acusada de relaxada, de deixar lixo acumulado!

         Todos nós devemos ficar a mercê do mosquito, com esta desculpa?

Por isto, repito: quem recebe a verba para o controle dos vetores não é a população!

         Cadê os carros do fumacê recebidos em Rondonópolis? Viraram sucata? Ou estão sendo utilizados para outro uso?

Infelizmente o início da infecção pode passar despercebido pela pessoa infectada, os sintomas podendo ser confundidos com qualquer outra patologia.

         No caso da Leishmaniose, febre, náuseas, diarréia, dores no corpo, tosse seca, são alguns dos sintomas e a pessoa pode melhorar, mas os parasitos (protozoários) ficam no sangue, se multiplicando, podendo a doença se manifestar de forma violenta, levando ao óbito em poucos dias.

         Assim, é importantíssimo e necessário fazer o exame, para comprovar ou descartar a hipótese.

         No entanto, mesmo cientes da presença dos casos e do vetor, os gestores da Saúde não só escondem e omitem os casos bem como não tomam providência.

Isto é gravíssimo!

         Relendo o A TRIBUNA (14/12/2007), os dados fornecidos pela Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde registra, em média, 01 óbito por Leishmaniose ao ano, fato este considerado normal pelos responsáveis desse setor no município! Isto é um absurdo! O normal, o desejado, é a saúde completa da população e não ela morrendo devido a insetos vetores não eliminados!

         Na reportagem, a enfermeira Simone, da Vigilância Epidemiológica declara “ser difícil explicar o motivo deste aumento dos óbitos”. Ora, cara enfermeira, o motivo é bastante claro e a população toda sabe e reclama: as providências para a eliminação de tais vetores não são realizadas e, eventualmente, para calar as reclamações, passam inseticidas incorretos e de forma aleatória, como já disse, servindo para aumentar o número de insetos nocivos à saúde do homem (e de animais domésticos). Diz ainda, “ser necessário um estudo mais aprofundado”... Quantos precisarão morrer para que esse aprofundamento se realize?

         O porquê de o vetor vir conviver no perímetro urbano decorre do desmatamento. O desmatamento tem jeito? Parece que não... Então, eliminemos o inseto!

         Conforme declara a Vigilância Ambiental de Rondonópolis, que realizou um mapeamento em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), em 50 % dos bairros pesquisados, foi encontrado o mosquito transmissor da doença em 30%.

         Só que em vez de tomar as medidas URGENTES que o fato requer, ou seja, a imediata aplicação do inseticida para a eliminação do vetor, muito tempo é desperdiçado (em reuniões que, via de regra, só decide por campanhas de panfletagem) enquanto muitas pessoas podem ser infectadas antes que as providências sejam tomadas, efetivamente.

         Essa lerdeza, certamente, trará conseqüências mais que lamentáveis: desastrosas.

 

 

 

 

 

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Beatriz Antonieta LopesPerfil o autor:

Sou Bióloga graduada pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO-UFMT
Especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA-FIOCRUZ-RJ.

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