Primeiro Registro de Ácaro Branco Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904), (Tarsonemidae) em Bicho-Pau, Cladomorphus phyllinum (Gray, 1835)

Publicado em: 13/04/2013 |Comentário: 0 | Acessos: 164 |

 Introdução

  O ácaro branco Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904) foi descrito pela primeira vez por Banks (1904) nos ramos jovem de mangueiras em estufas, Washington, EUA (Dinamarca, 1980).

P.  latus tem distribuição cosmopolita  e é conhecido por uma série de nomes vulgares como: "ácaro branco", "ácaro amarelo juta", "aranha ampla", "ácaro tropical", "ácaro da ferrugem ampla". Podendo ser encontrado na Austrália, Ásia, África, Europa, América do Norte, América do Sul e Ilhas do Pacífico, Índia e Sri Lanka.

As fêmeas adultas medem 0,2mm de comprimento, corpo ovalado, coloração amarelo âmbar. Os machos são semelhantes em cor. O quarto par de pernas modificados em pêlos terminais, no macho este quarto par de pernas é mais largo do que da fêmea e serve para colocá-las em posição perpendicular ao corpo para o acasalamento (Pena & Campbell, 2005). Ácaro branco tem uma gama de hospedeiros em áreas tropicais. Ele ataca plantas de estufas em regiões temperadas subtropicais (Pena & Campbell, 2005).

O ácaro branco evita a luz direta, sendo encontrado na parte inferior das folhas novas devido ao seu aparelho bucal delicado (Gallo et al, 2002). Sua reprodução é sexuada, porém ocorre partenogênese arrenótoca, onde fêmeas virgens geram machos para cópula e criar novas colônias (Morais& Flechtmann, 2008).

Culturas alimentares referidas como plantas hospedeiras são: maçã, abacate, melão, mamona, pimentão, citros, café, algodão, berinjela, uva, goiaba, pêra, mamão, maracujá, batata, gergilim, feijão, manga, tomate, etc. (Pena & Campbell, 2005). USDA-ARS, identificou  pela primeira vez sobre as melancias no EUA em 2006, (Pons, 2007).

Plantas ornamentais também são infestadas por P. latus                    (Banks, 1904), sendo elas: Violetas africanas, Ageratum, Azaléia, Begônia, Crisântemo, Dália, Gérbera, Gloxina, Jasmim, Latana, Calêndola, Peperonia, Verbena, etc. (Baker, 1997).

O ácaro branco é considerado como uma grave praga em cultivo de Pittosporium spp, na Flórida (Johnson & Lyon, 1991).

A família Tarsonemidae, incluída na ordem Prostigmata que totaliza 120 famílias de ácaros com hábitos alimentares diversos. Tais como os alimentadores de fungos, plantas e parasitas associados a simbiose de insetos. O ciclo de vida dos ácaros tarsonemideos tem três fases, que são: ovo, larva e adulto. Os ovos e as ninfas possuem coloração branca hialina , os ovos são colocados na parte inferior das folhas, eclodindo em três dias em condições ideais. P.latus é o mais importante tarsonemideos conhecido de distribuição mundial, atacando aproximadamente mais de sessenta famílias de plantas, dentre as quais diversas culturas de importância agrícola cultivadas em campo e em casa de vegetação e ornamentais (Zhang, 2003).

No Brasil, o primeiro relato de P. latus (Banks, 1904) atacando plantas de algodoeiro foi feito por Hambleton (1938). Apesar deste relato e do ácaro ter sido descrito nos anos 1900 como Hemitarsonemus latus, a revisão de P.latus de Gerson (1992) cita diversos trabalhos de (1940 e 1988) onde a hipótese inicial sobre os sintomas descritos atribuía a desordens diversas (doenças, desordens hormonais, fitotoxidade por herbicidas e deficiências de magnésio). Isso se deve ao fato da alimentação de P.latus causar uma variedade de sintomas nas diferentes plantas hospedeiras (Gerson, 1992).Neste do trabalho é relatado pela primeira vez o encontro de P.latus se alimentando em exemplares mortos de bicho-pau Cladomorphus phyllinum (Gray,1835).

 Metodologia

 O trabalho foi realizado no Laboratório de Biologia Marinha e Zoologia da Fundação Técnico Educacional Sousa Marques e no Laboratório de Biodiversidade Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz, Manquinhos, Rio de Janeiro.

Com auxílio de uma lupa foi observado na parte abdominal de 5 fêmeas adultas mortas de bicho pau, C. phyllinum (Gray, 1835). Foram providenciadas lâminas e lamínulas de vidro, líquido de Hoyer para montagem dos exemplares de ácaros. Com um estilete, a coleta dos ácaros foi realizada e os exemplares colocados na lâmina contendo o líquido de Hoyer. Com auxílio de uma tesoura de ponta fina foi feita uma abertura maior no abdômen, alguns exemplares do ácaro foram coletados e montados em lâminas de vidro. Depois de montadas as lâminas, foram colocadas em estufa a 36º C, durante 72 horas, para secagem e futura identificação.

 Resultado

 Foram montadas 3 lâminas: a primeira com 9 ácaros, sendo 1 macho e 8 fêmeas, a segunda com 8 ácaros, sendo todas fêmeas, a terceira com 13 ácaros, sendo 9 fêmeas e 4 machos. Depois de secas as lâminas, com auxílio de um microscópio observamos as características: coloração branca transparente, corpo ovalado, o último par se pernas modificados com uma cerda no final. Estas características apontaram para a família Tarsonemidae e com auxílio das descrições feitas nos trabalhos de (Flechtmann et al, 1990, Marin, 1985 e Hugon, 1983) e também de fotografias, foi possível identificar os exemplares capturados como ácaro branco P. latus(Banks, 1904).

 Discussão e conclusão

 Segundo Pena & Campbell (2005) nos fala que P. latus tem uma gama de hospedeiros vegetais em áreas tropicais.Sua distribuição é mundial, esse fato faz com que P.latusseja conhecido como o maisimportante Tarsonemideo(Zhang, 2003).

Algumas características podem ser observadas entre fêmeas e machos, onde as fêmeas tem tamanho maior do que os machos. Ambos quando adultos tem coloração branco amarelado, ovo e ninfa apresentando coloração branca hialina (transparente).

 P.latus, devido seu ciclo de vida ser curto,cinco dias, sua proliferação é grande, tendo adaptação em locais com temperaturas que podem variar de 25ºC a 30ºC, que é o ideal para o seu desenvolvimento.C. phyllinum (Gray, 1835) foram um dos pontos chaves para que  desenvolvessem P.latus dentro do abdômen destes exemplares de C.phyllinum. Nestas folhas provavelmente tinha ovos deste Tarsonemideo e nasceram as ninfas que apresentava coloração branca transparente. Provavelmente outras ordens de insetos fitófagos que se alimentam de plantas infestadas por P.latus, poderá ocorrer o mesmo caso que aconteceu com C.phyllinum.

Este achado mostra que esta espécie de ácaro possui hábitos mais ecléticos do que os registrados na literatura, onde P.latus está correlacionado unicamente a espécies de vegetais sendo também capaz de se reproduzir e se alimentar em insetos mortos.

 Agradecimento

 Ao LABIMAR, Laboratório de Biologia Marinha e Zoológica da FTESM.

 Ao Laboratório de Biodiversidade Entomológica da Fiocruz.

 Bibliografia

  Baker JR. (1997) Cyclamen ácaro e ácaro. Ornamentais e Turf Insect Information Notes. http://WWW.ces.ncsu.edu/deps/ent/notes/O & T/flowers/note28/note.html (14 de setembro de 2005).

 Dinamarca HÁ (1980) Broad mite, Polyphagotarsonemus latus (Banks). FDACS-DPI Bureau of Entomology circular n. 213,2 p.

 Gerson U (1992) Biology and control of the broad mite, Polyphagotarsonemus latus. (Banks) (Acari: Tarsonemidae). Exp Appl Acarol 13: 163-178.

 GALLO, D. et al. (2002) Entomologia Agrícola. 10. ed. São Paulo: FEALQ. 920p.

 Johnson Wt, Lyon HH. (1991). Insetos que se alimentam de árvores e arbustos. 2 ed. Rev. Comstock Publishing Associates. 580 p.

 Peña J E, Campbell C W (2005) Broad mite. Acessado em dezembro de 2007. URL: http://edis.ifas.ufl.edu/CH020.

 Pons L. 2007. Pompt. Progressos feitos contra uma nova ameaça à melancia USDA-ARS News & Events http://WWW.ars.usda.gov/is/pr/2007/070411.html (11de abril de 2007).

 MORAES, G.J.; FLECHTMANN, C.H.W. Manual de acarologia. Acarologia básica e ácaros de plantas cultivadas no Brasil. 1.ed. Ribeirão Preto: Holos, 2008. v.1. 288 p

 Zhang, ZQ. Mites of greenhouse: identification, biology and control.Walingford: CABI, p.47-108, 2003.

  

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