A Vocação Do Contador
Colegas contabilistas, estudantes e interessados em contabilidade em geral, para escrever esse artigo eu achei interessante dissertar acerca de algo que vem chamando minha atenção nos últimos dias. Algo que, apesar de não muito discutido por artigos e trabalhos contábeis, já aconteceu na vida de todos nós, foi inclusive decisivo para que vocês estejam lendo esta revista hoje.
Talvez os leitores já estejam curiosos para saber a que estou me referindo, então vamos começar pelo princípio. Há algumas semanas, navegando em comunidades sobre Contabilidade e Ciências Contábeis em um site de relacionamentos bastante famoso no Brasil, o Orkut, me deparei com inúmeros tópicos criados por estudantes pré-universitários que desejavam saber mais sobre a profissão do contabilista, uma vez que ouviram alguma coisa sobre o curso de contábeis mas não possuem informações suficientes para optar ou não pelo mesmo no vestibular.
Confesso que primeira coisa que me veio à mente foi a imagem de alguns anos atrás quando eu mesmo estava me preparando para o vestibular. Eu tive a sorte de conhecer a contabilidade desde bem pequeno por ser filho de contabilista e, como vocês podem deduzir pelo fato de eu estar escrevendo para esse artigo, fiz a opção por ciências contábeis no vestibular e desde então venho gostando mais a cada dia desse curso e dessa profissão. No entanto me veio também a recordação de que, ainda nesse meu período de pré-universitário, a grande maioria dos meus colegas não tinha sequer uma noção sobre o que fazia um contador. Por sorte podemos reparar que hoje, apesar de não ter se passado muito tempo, essa história vem mudando e com o auxilio da Internet, os jovens podem conhecer mais sobre essa maravilhosa profissão.
Sempre tive o maior prazer ao esclarecer alguém em dúvida sobre a nossa área, e sempre achei lastimável que muitos jovens não tenham a mínima noção do que um contabilista realmente faz. De fato, muitos acreditam que a contabilidade é uma ciência exata, e não humana (talvez pela relação etimológica equivocada da palavra contabilidade com o verbo “contar”).
Abaixo estão transcritas algumas perguntas, dentre algumas que encontrei pela internet e outras de estudantes que me escreveram e-mails perguntando sobre a profissão:
“Quanto ganha em média um contador? Como é o mercado de trabalho para um profissional da contabilidade?”.
Nós que lidamos diariamente com o mercado de trabalho sabemos que, apesar da concorrência acirrada, o profissional da contabilidade possui hoje uma posição bem confortável comparado com outras profissões.
De fato, é muito difícil encontrar hoje um contador desempregado. O Dr. José Carlos Marion em diversas obras chega a dizer inclusive que “a contabilidade é a única profissão com taxa de desemprego zero”.
No entanto vale destacar que, como em qualquer outra profissão, existem “profissionais” e “PROFISSIONAIS”, deste modo, existe profissional ganhando R$ 1.000,00 e outros R$ 10.000,00, tudo depende da dedicação do mesmo.
“É fundamental saber inglês ou alguma língua estrangeira?” Bom, todos sabemos que o mundo passa por um processo de globalização que tende a diminuir cada vez mais as fronteiras e as barreiras culturais e informacionais, deste modo é muito interessante saber pelo menos uma língua estrangeira. Para o profissional da contabilidade eu recomendaria que dominasse pelo menos o inglês, uma vez que a escola americana exercesse bastante influência na contabilidade brasileira. Sem contar que o “Business English” ainda é a “língua oficial” no mundo internacional dos negócios.
Para quem deseja se especializar na história das Ciências Contábeis é importante dominar também o a língua italiana, uma vez que se remete à Itália o surgimento da contabilidade como Ciência e a Escola Italiana de contabilidade predominou no cenário mundial durante um bom tempo.
“O curso possui muita matemática ou cálculos?”.
O curso de ciências contábeis possui uma grande quantidade de disciplinas envolvendo matemática e cálculos. No entanto, vale ressaltar que na contabilidade os números são meros instrumentos quantitativos para analisar o patrimônio das entidades.
Desse modo uma pessoa que odeie matemática não irá necessariamente odiar contabilidade.
“Por que quando falo para alguém que quero fazer ciências contábeis ninguém elogia e quando um amigo meu diz que quer fazer medicina todo mundo acha ‘o máximo’? O que a medicina tem que a contabilidade não tem?”.
Esse é realmente um assunto delicado, mas, por mais pleonástico que pareça, vamos começar pelo começo. Há alguns séculos atrás, mais precisamente nos primórdios da educação superior no Brasil, quando surgiram as primeiras universidades no nosso país. Por mais importantes que fossem naquele período os cursos como o da Escola de Comércio (que hoje deu origem à ramos como Contabilidade e Administração) os grandes proprietários de terras da época colocavam seus filhos para estudar nos cursos de Medicina, Direito e Engenharia os quais davam mais prestígio social e concediam o título de “doutor”. Anos se passaram e a sociedade evoluiu em alguns pontos, entretanto, como os jovens que passam pelo período do vestibular podem notar muito bem, pouco mudou nesses aspectos. Assim muitos jovens sequer sabem o que um contabilista faz e muitos só descobrem a vocação para a área depois de formados em outros cursos.
Quando publiquei esse pequeno artigo pela primeira vez em alguns endereços eletrônicos da área, recebi dezenas de e-mails de estudantes pré-universitários de todas as partes do Brasil me pedindo maiores informações sobre o curso e a profissão. A partir destes contatos creio que irão surgir novos contadores e contadoras competentíssimos e que, por falta de informação sobre a contabilidade, iriam atuar em outras áreas. Se a publicação deste artigo fizer com que as pessoas passem a conhecer e respeitar mais as ciências contábeis, creio que meu objetivo foi alcançado.
Uma calorosa saudação, e espero que nos encontremos em várias outras oportunidades, caro leitor!
(Artigonal SC #715544)
Palavras-chave do artigo:
vestibular
,Carreira
,profissão
,universidade
,contabilidade
,Ciências Contábeis
,estudantes
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