Palmas para o mês de agosto de 2007: é dele o mérito de acumular mais um importante marco histórico do setor automotivo nacional. Pouco após atingir os 50 milhões de unidades fabricadas, agora o Brasil pode comemorar outro número extremamente representativo.
Em 50 anos o País fabricou nada menos do que 40 milhões de automóveis – excluindo-se, inclusive, comerciais leves. E o marco foi atingido, justamente, em agosto.
Oficialmente o primeiro automóvel brasileiro nasceu a 19 de novembro de 1956, a olho-esbugalhado e focinhuda Camioneta Universal DKW, depois rebatizada Vemaguet. Na cor branca. As estatísticas calculam apenas a produção a partir de 1957 e, assim, de janeiro daquele ano até julho de 2007 foram fabricados exatos 39 milhões 851 mil 671 automóveis, a gigantesca e absoluta maioria modelos de duas portas, já que veículos de passageiros em quatro portas popularizaram-se no Brasil apenas a partir do início deste Século 21.
Faltavam então apenas 148 mil 329 unidades para a cabalística marca, montante facilmente ultrapassado em agosto de 2007. O número 40 milhões nasceu e passou desapercebido em alguma das 14 plantas de oito montadoras que atuam neste segmento.
Um mérito espetacular quando recorda-se que automóveis, apesar de representarem o veículo número um aqui fabricado, não eram nem de longe a prioridade no início do setor no Brasil. Caminhões eram muito mais importantes, por alavancar outras áreas de crescimento como a de construção.
Assim no ano em que a indústria nasceu os 1 mil 166 automóveis fabricados foram muito menos do que os 16 mil 259 caminhões e os 10 mil 871 comerciais leves produzidos no mesmo período. Apanharam feio até dos ônibus e suas 2 mil 246 unidades fabricadas naquele 1957. Lanterninhas por segmento, portanto, os pobres carros.
A virada veio só em 1961, quando os automóveis assumiram a ponta da tabela produtiva por tipo de veículo. Em compensação nunca mais a largaram, abrindo margem ano a ano. Para se ter idéia em 2006 os pouco mais de 2 milhões deles fabricados representaram quase que o quádruplo da produção de comerciais leves, caminhões e ônibus somada.
Impressiona também o volume de exportações. Dos 40 milhões mais de 7,5 milhões foram enviados ao Exterior, equivalente a quase 19% do total. Para quem nunca teve exatamente vocação exportadora é resultado bem satisfatório. A primeira exportação de automóveis aconteceu apenas em 1969, três Opala. Para o Chile.
Hoje as exportações de automóveis, ainda que atravancadas pelo câmbio, surgem de maneira inimaginável à época. Em 2006 foram destino, dentre outras dezenas de países, até mesmo Albânia, Antilhas Holandesas, Azerbaijão, Eslovênia, Gabão, Guadalupe, Islândia, Reunião, e, como não!, Saint Maarten. Total, só no ano passado, 635 mil 851.
Isso sem contar a exportação de automóveis nacionais para mercados maduros e exigentes como Alemanha e Itália. Para os Estados Unidos em 2006 o total foi zero, mas em breve voltará e de forma muito mais contundente: com modelos fabricados aqui voltados àquele mercado desde o primeiro pixel nos computadores.
No quesito combustíveis, então, há muito mais o que comemorar. Desde o primeiro carro a álcool, um Fiat 147 em 1979, até os flexíveis, passando pelo GNV, o Brasil foi celeiro de tecnologias bem sucedidas e sempre aplicadas inicialmente neles, os automóveis.
Curiosamente desde 1982 até hoje o Brasil fabrica, sim senhor, carros movidos a diesel, que por óbvia restrição legal são todos exportados. Só em 2006 foram 26 mil, sendo o ápice no ano inicial, 50 mil.
Os movidos exclusivamente a álcool também são ainda fabricados, ainda que em 2006 tenham se resumido a míseras 758 unidades. O maior índice deles por ano foi em 1986, 620 mil.
Mas a grande revolução começou em 2003, com o nascimento dos flex fuel, então mais conhecidos como bicombustíveis. Os 40 mil daquele ano transformaram-se em nada menos de 1 milhão 250 mil apenas três anos depois, 2006. E hoje já representam quase 90% das vendas totais de automóveis e comerciais leves no Brasil.
O que, por tabela, levará em breve a nova, e merecida, comemoração: a de 4 milhões de veículos flex produzidos, ou nada menos do que 10% da produção de automóveis celebrada agora – com o pormenor desta ter sido alcançada em 50 anos contra pouco mais de quatro anos dos flex.
Publicado originalmente na revista AutoData no. 217, de agosto de 2007.