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Quando Eu Me Chamava Faustão
Por: Ruben Zevallos Jr.  | Publicado em: 11-03-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 78 | Avaliação: (139) (?)
 Bom... segundo meus amigos, ainda me chamo Fautão, vulgo Ruben...
Agora, que estava pesquisando algumas músicas na UOL Megastore, lembrei de um conjunto que o Marajá (um dos amigos que moravam na republica da Nona em Santa Rida do Sapucaí) sempre tocava, o Sisters of Mercy e algumas músicas, literalmente me transportaram para aqueles anos maravilhosos que vivi lá.
Sobre a música... O Marajá ganhou esse nome,porque ele literalmente se mudou de Brasília, onde ele levou cama, geladeira, TV e claro, um super som... onde, sempre tocava músicas bem atuais, como essa do Sisters of Mercy, Depeche Mode e outros... bons tempos.
Santa Rita o que?
Eu fui parar em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, no chamado Vale da Eletrônica, a convite de um amigo dos país da minha namorada, que tinha uma empresa, a SOL - Soluções em Eletrônica Ltda. Eu o conheci, quando fiz uma visita na casa dele em São Paulo e o filho dele, que não lembro o nome, tinha um DGT-100, um computador desenvolvido com o processador Z-80 da Zilog... então, conversa vai e vem, perguntei se ele conhecia um dos meus jogos, o Laser Action... então, ele comentou que tinha e que gostava muito... e durante vários comentários, cheguei a dizer que parte do jogo tinha sido feito em Assembler Z-80, foi quando ele comentou com o pai. Na época, a SOL, estava construindo o ALIS - Analisador Inteligente de Linhas Telefônicas SOL, um equipamento do zero e precisava de programadores Z-80... então, fui visitar a cidade, quando conheci o projeto e gostei muito.
Santa Rita é uma cidade, ou era, típica do interior de Minas Gerais, tanto que no dia que cheguei, estava havendo uma procissão, daquelas, que enfeitam o chão usando várias coisas, como café, serragem etc... foi a primeira vez que eu tinha visto... foi fantástico.
Quando me deram o nome de Faustão
Me mudei para Santa Rita depois de 1 mês, pois fui a Brasília pegar minhas coisas... e a SOL havia visto para mim uma pensão, boa e barata, a pensão da Nona... que também servia almoço todos os dias...
Então, me mudei e conheci a turma... tinha o Marajá, Boi, Leci (era o nome verdadeiro, já que não precisava de apelido) e outro, que não me lembro... o Marajá estava fazendo o Inatel, já os outros 3, estavam fazendo a ETE - Escola Técnica de Eletrônica, a primeira do Brasil.
Procurei saber os nomes verdadeiros, sabe como que é, para não pegar de cara um apelido... mas, eles ficaram pensando... que nome iriam me dar... porque pelo sobre nome Zevallos e nome Ruben, não saiu nada... sorte que não disse o Lascano também.
Então, fui trabalhar, voltei, almocei alguns dias... então, numa noite, fomos comer algo e tinha uma lanchonete, onde todos normalmente comiam lá... apesar, que em Santa Rita não tinha muitas opções... então olhei o cardápio... e um deles pediu um SUPER sanduíche... não lembro o nome, mas era grande... como estava com muita fome, pedi também...
Enquanto estava comendo, eles deram uma saída e logo que voltaram, o Marajá disse.
Bom... você pode gostar ou não, mas por unanimidade, a partir de hoje, você será conhecido como Faustão... eu perguntei o motivo e foi o tal do sanduíche... pode?
Acho que em parte, foi que eu estava com 86 quilos na época e também, o Faustão, tinha uma propaganda, onde ele enchia a boca de bombons sonho de valsa... então, nesse dia, meu verdadeiro nome em Santa Rita foi Faustão... e meus amigos até hoje me chamam assim.
Com apelidos, conheci várias pessoas fantásticas, como o Beraba (que vinha de Uberbaba), Macguiver (que fazia faculdade de informática), Caíque (que era amigão do Marajá) e muitas outras pessoas...
Viagens para Pouso Alegre
Santa Rita não tinha muitas coisas para se fazer e naquela época, e acho que hoje, a moda era ir para discotecas e somente em Pouso Alegre que podíamos ter algo legal... e para ir, somente de ônibus, que tinham horários bem complicados, ou de carro... como o único que tinha carro era o Marajá, então... vamos juntos...
PA, como chamávamos, era uma cidade próxima a rodovia Fernão Dias e segundo o povo de Santa Rita, uma cidade maior e também um centro de indústrias, tanto que a primeira fábrica de latas de alumínio do Brasil foi lá.
O principal local, era uma boate bem legal, grande... não tinha ar condicionado, pois, usava o grandes ventiladores para puxar o ar de fora, que estava abaixo dos 5 graus, para refrescar...
As idas e vindas eram super interessantes, o Marajá, sempre foi SUPER amigo... e o tenho como um irmão... acho que mais que isso, porque ele sempre foi, acima de tudo, honesto... tanto que sinto falta dos momentos que tivemos pós Santa Rita...
Então, ele procurava todo mundo na volta... e nem sempre estávamos haptos, porque bebíamos até, inclusive ele... mas nunca batemos o carro... que sempre estava bem estacionado na garagem... e ninguém lembrava disso.
As coisas mais engraçadas, era, quando tínhamos que voltar aos 10... ia gente no colo do outro e quase sempre uns 3 no porta malas... eu, por sinal, fui muitas vezes... o porta malas cabiam somente 2 pessoas, mas eventualmente pulava mais 1... e íamos nos 20 a 30 Km até PA.
Visita a outras cidades
Eu, sempre tive cara de americano e na época, eu até arranhava um inglês... então, fomos passear em outras cidades, onde, eu era americano, usava umas camisas de turista mesmo, toda florida... eu tinha algumas delas até pouco tempo... então, arrumavam um chapéu de palha, bermudão, tênis com meias até as canelas e lá vamos nós...
Sempre era muito divertido...
Foram diversas viagens... principalmente para Varginha... bons tempos...
Na república, durma com os anjos
Na época eu estava namorando e eventualmente a namorada vinha passar o final de semana, então, me foi recomendado, pela Nona, eu procurar uma outra morada... o Ricardo e o Beraba estavam querendo alugar uma outra casa, então, procuramos várias casas e achamos uma... em um bom bairro, mas não para republica... pois é, lá que foi instalada a nossa.
O Ricardo estudava pacas... era CDF, o Beraba também, mas nem tanto... e eu, trabalhava na SOL... que da republica até a SOL, eram exatos 3Km a pé, todos os dias... um ótimo exercício...
Tive ótimos e memoráveis momentos lá, como, quando eu fui a um churrasco de confraternização da SOL, quando o povo ficavam enchendo os meus copos com cerveja e pinga... literalmente fiquei bêbado, mas lúcido até chegar em casa. O meu chefe me deu carona, eu abri os 2 cadeados do portão, fechei e quando fui abrir a porta, eu lembro de ter olhado para aquele vidro de portas do interior e apagou tudo... O Beraba comentou que fiquei batendo na porta, gritando que não conseguia achar a fechadura da porta, que a chave não entrava... então, ele abriu, eu passei direito para o banheiro... dei uma boa e venha mijada e zoom, para o quarto... tirei a minha roupa e fui na porta do quarto dele reclamar que me embedaram... e ele querendo dormir para uma prova cedo. Passei uns 2 dias sarando...
Outra, foi quando o Beraba estava fazendo aniversário... ninguém sai de casa sem antes tomar um banho de alguma coisa no dia do seu aniversário... eu até cheguei a ter dó do Beraba, mas... todas as roupas que ele usou, acabaram ficando sujas com:
- Ovos... todos da geladeira
- Água com cinza e pituca de cigarros
- Água com açúcar...
- E algo mais que não lembro...
E finalmente, ele conseguiu sair e ir namorar... e essa foi paga no dia que eu saí... mas esse e outros assuntos ficam para outra...
Meu primeiro porre
Eu sempre gostei de wisky cowboy, pois, meu pai sempre falou que era melhor para sentir o sabor e como eu estava no esquema de socialização com a turma, aceitei ir no quarto de um dos rapazes e tomar alguns...
Tomamos umas e outras... mas o meu copo nunca parava de ficar na mesma altura... e continuei tomando. Como na época, eu gostava de tomar nota das coisas, sempre escrevia o que vivia... como um diário de bordo ambulante... então, lá pelas tantas, acho que mais de meia garrafa, os rapazes perguntaram se eu conseguia ler os escritos... então, pelo que lembro a imagem era perfeitamente clara e legível... e lembro de ter lido (eles confirmaram)... e foram perguntando, inclusive voltando para mesmas páginas e sempre eu lia tudo...
Sei que eu fui para o quarto, passei mal e nem notei, vomitei no lençou, colchão, cobertor e tudo mais... acordei praticamente a noite, faltei o trabalho... fiquei mais 1 dia se trabalhada só do estado que eu estava... primeiro porre... então, fui tentar ler os textos... que estavam até legíveis no começo... mas... quanto maior o teor alcoólico, menos legível estava, ao ponto de não ter texto e somente alguns rabiscos... aqueles que eu tinha lido na noite anterior...
Depois desse, foram outros porres, mas esse sempre lembrarei.
Memórias... boas memórias
De fato... a nossa vida pode mudar, viver em muitos lugares, mas realmente alguns serão sempre mais memorais... Santa Rita me trás mais na memória que quando eu morei em Vitória - ES, Los Angeles - USA, Florianópolis - SC, Goiânia e Anápolis - GO entre outras... acho que foram os momentos memoráveis com meus amigos... realmente, sinto falta deles... tenho falando um pouco com o Macgaiver pela Internet eventualmente com o Marajá...
Este texto é para vocês, meus amigos... que curtimos ótimos e memoráveis momentos... como aquele dia que fomos para a boate castelo em Varginha... que víamos aquela enxurrada de mulheres entrando e só nós lá... ou algumas das várias vezes que fomos para PA, ou ainda, quando o Marajá contava piadas de velhinhas que morriam e o Lecy quase morria de rir... ou ainda, os dias dos porre homéricos e tantas outras.
Ao Macgaiver, eu agradeço, que ele tenha guardado o meu código, pois, sem ele, eu teria pedido totalmente...
Ao Marajá, que sempre demonstrou uma preocupação além de amigo, irmão e até pai...
A Nona, que sempre me traz lembranças... do carinho e preocupação dela para conosco e principalmente da comida e dos apelidos que demos aos pratos, como:
- Feijão Chuá Tum Tum
- Bife James Bond - Frio, duro e com nervos de aço
- Salada Arca de Noé, que vem com tudo que é bicho dentro
E a Deus, que me deu a oportunidade de viver tais momentos, que se eu fosse descrever cada um, precisaria de um livro... ou mais...
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