Terapia Ocupacional Na Síndrome Do Pânico

Publicado em: 09/08/2009 | Comentário: 1 | Acessos: 1,087

INTRODUÇÃO

Para Mendes (2000), O transtorno do pânico (TP) ou Síndrome do Pânico (SP) caracteriza-se pela ocorrência repetida, e a princípio inesperada, de crises ou ataques de pânico (episódios intensos de medo caracterizado por sintomas físicos e psíquicos), atualmente verifica-se um elevado número de casos de pessoas com TP, este fato é atribuído principalmente ao aumento da ansiedade advinda com a vida moderna.

Os ataques de pânico podem ocorrer em uma variedade de Transtornos de Ansiedade, tais como:  Transtorno de Ansiedade, Fobia Social,  Fobia Específica,  Transtorno de Estresse Pós-Traumático,  Transtorno de Estresse Agudo. A ansiedade é tanta que os pacientes ficam ansiosos diante da possibilidade de virem a ficar ansiosos. Normalmente, depois do primeiro ataque as pessoas com Pânico experimentam importante ansiedade e medo de vir a apresentar um segundo episódio.

Scarpato(2001) coloca que a crise de pânico, a pessoa vive um profundo estranhamento em relação às sensações de seu corpo, este é visto como uma fonte de ameaça. Essa é uma das características principais do pânico: os perigos vêm do próprio corpo. Nessa experiência de perigo interno, a pessoa reage de uma forma que leva aos vários sintomas físicos, emocionais e cognitivos característicos .

A vida pessoal, profissional e afetiva dos pacientes fica gravemente comprometida. Os ataques de pânico são centrais para o diagnóstico, e a supressão dos sintomas físicos é o objetivo principal do tratamento, mas manifestações como ansiedade antecipatória, esquiva fóbica e depressão secundária estão freqüentemente associadas ao quadro e podem causar grande incapacitação. O impacto da doença sobre o estilo de vida não só do paciente, mas também de sua família merece atenção especial, assim como o grau de incapacitação, prejuízo social, familiar e profissional que acomete muitos indivíduos com Síndrome do Pânico.

Segundo Ramos(2006), 0 sujeito, quando adoece, rompe com sua situação de equilíbrio biopsicosocial e desorganiza-se na sua personalidade, no seu jeito de ser, tornando-se passivo e inseguro em relação às suas capacidades e sentimentos e, por conseqüência, seus estados de ânimo, auto-estima e auto-cuidado e sua vida de relação se encontram alterados e instáveis. Muitos pacientes que apresentam problemas de ordem psiquiátrica mostram-se com dificuldades de socialização, ausência de expressão verbal e falta de volição. Isolam-se em seu próprio mundo e tornam empobrecidas suas vidas social e familiar .

Nesses casos, tornam-se necessárias diversas intervenções profissionais, no sentido de possibilitar novas “vias” para a recuperação da “vida”. Dentro dessa perspectiva o trabalho do terapeuta ocupacional é fundamental. Ele se apresenta como facilitador do processo terapêutico, sendo as atividades, ou ocupações, seus meios de intervenção.

A relevância desta pesquisa está em possibilitar reflexão a respeito das limitações ocorridas na vida dos indivíduos que sofrem de Síndrome do Pânico, assim como analisar os efeitos que a intervenção terapêutica ocupacional proporciona a tais pessoas; visto que são de suma importância modalidades de tratamento alternativas para serem associadas aos psicofármacos no tratamento do Transtorno do Pânico, a fim de que o indivíduo possa ser recuperado em sua totalidade, observando-se seus aspectos biopsicossociais.

MÉTODOS

Para Minayo(1994), O método  qualitativo, que requer como atitudes fundamentais a abertura, a flexibilidade, a capacidade de observação e de interação com o grupo de investigadores e com os atores sociais envolvidos , a partir de um estudo descritivo, sendo realizado no período de maio no ano de 2007 em um Hospital-dia vinculado à rede SUS de atendimento. Como critérios de inclusão foram selecionados pacientes com Síndrome do Pânico, onde participaram do estudo seis adultos de ambos os sexos, com idade variando de 24 a 43 anos.  As sessões terapêuticas ocupacionais tiveram duração de uma hora e aconteceram no mês de maio de 2007. Os instrumentos utilizados para coletar dados junto aos sujeitos foram diário de campo.

A fim de atingir os objetivos propostos, a análise dos dados foi realizada através da técnica de análise de discurso,que segundo Orlandi(2000), consiste em compreender como os objetos simbólicos produzem sentidos, analisando os próprios gestos de interpretação que são considerados como atos no domínio simbólico, pois eles intervêm no real do sentido .

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Participaram dos grupos terapêuticos ocupacionais seis indivíduos com Síndrome do Pânico, dentre estes três do sexo masculino e três do sexo feminino. Com idade variando de 24 a 43 anos. Foram realizadas 03 sessões de Terapia Ocupacional.

Sessão1: Em um grupo de atividade expressiva que enfocava o tema: Quais os seus maiores medos, onde os participantes se expressariam livremente através de desenho e escrita, foram obtidas as seguintes falas:

Maria

“Medo de doenças, medo de morrer, de perder meus filhos e marido, multidão, andar de ônibus e de carro, lugares fechados, viajar e sair de casa”.

Luiz

“Medo de multidão, andar de ônibus e sair só”.

Carlos

“Altura, elevador, assalto, sair só, deixei de trabalhar por causa do medo”.

José

“Medo de sair só e de dormir”

Fernanda

“Medo de sair de casa, de morrer, de perder meus filhos e de acidente”.

Isabela

“Medo de assaltos e de sair de casa”

 Analisando os discursos dos participantes do grupo, observa-se que após os ataques de pânico os mesmos desenvolveram vários tipos de medos que prejudicaram e limitaram a realização de suas atividades diárias, não conseguem mais sair sozinhos, viajar, houve abandono do emprego e isolamento em seu próprio mundo, a fim de evitar as crises que acompanham o Transtorno do Pânico.

Para Castro(2001), a restrição das atividades sociais na tentativa de evitar a ocorrência de novas crises pode desencadear no indivíduo uma extrema redução em sua autonomia. São pessoas que deixam de dirigir, evitam sair de casa, não entram em supermercados cheios, não andam pelas ruas desacompanhadas, não conseguem dormir, entrar em avião, não freqüentam shows, evitam edifícios altos, não utilizam elevadores, enfim, têm muitas de suas atividades cotidianas profundamente comprometidas. O nível de ansiedade e o medo de uma nova crise vai gradativamente aumentando, até atingir proporções onde a pessoa pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo de pôr o pé fora de casa. Desta forma, o distúrbio do Pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana da pessoa como qualquer outra doença grave.  

Sessão 2: No encontro seguinte foi realizado um grupo utilizando-se o seguinte conto:

Maria

“O mágico da estória é como se fosse meu esposo, o médico tentando me ajudar, mas o problema estar em mim, eu que não estou conseguindo me ajudar”.

Luiz

“Para vencer o medo não precisamos nos transformar em outra coisa, nós mesmos devemos ultrapassá-lo, eu preciso buscar em mim a coragem que preciso pra enfrentar esse medo”.

Carlos

“O mágico não tinha mais como ajudar ao rato, porque ele nunca perdia medo, eu também já tentei perder e não consigo”.

José

“Nossos medos vêm dos nossos pensamentos, A história é um exemplo para que aprendamos a superar nossos medos”.

Fernanda

“A história mostra a coragem, a vontade de superar os problemas”.

Nos discursos colhidos observa-se que os participantes do grupo identificaram-se e tiveram uma boa compreensão acerca da história, a partir deste conto abordamos o tema coragem e discutimos a importância de se enfrentar nossas dificuldades com força e determinação, deixando nossa coragem a frente de nossos temores. Aspectos inerentes ao TP foram discutidos, como: os sintomas mais comuns nas crises e as formas de reação, as preocupações com doenças, medo de enfrentar novas situações, as limitações e o sofrimento associados (ansiedade antecipatória, vergonha, diminuição da auto-estima); a dependência em relação aos outros e as reações dos familiares.

Sessão 3: Um grupo realizado e bastante relevante, que obtivemos bons resultados quanto à expressividade de seus integrantes foi através da técnica de utilização de argila, onde os participantes deveriam esculpir algo que para eles representassem um suporte ao enfrentamento de seus medos. Os resultados obtidos foram. 

Maria

“Fiz uma televisão. Pois gosto de assistir programas que falem sobre a Síndrome do Pânico e fiz uma pessoa, que representam todos aqueles que me ajuda, conversar me faz bem”.

Luiz

“Fiz um barco comigo dentro, o barco significa levar minha vida sempre em um rumo certo e para encarar o medo quero ser esse marinheiro que encara todos os medos, tempestades. Já tô saindo mais de casa, tentando passear”.

Carlos

“Fiz uma televisão, quando assisto TV melhoro do medo”.

José

“Fiz um coração que representa o amor e me ajuda a superar o medo, traz cura. O amor da minha esposa, filhos, amigos, me ajudam a vencer o medo”.

Fernanda

“Fiz uma escrivaninha e uma cadeira, pois quando começo a estudar perco o medo, penso em assim conseguir um emprego para ter dinheiro e comprar minhas coisas e fazer faculdade de artes plásticas”.

A partir das falas dos participantes do grupo percebe-se que a televisão, a leitura, assim como a conversa e apoio dos familiares são meios utilizados e muitas vezes necessários para desviar o foco do paciente do sentimento de medo. Muitos relataram que ao estarem realizando atividades que lhe causem prazer, o medo e pensamentos negativos são deixados de lado. E ao compartilharem essas experiências em grupo, muitas vezes ocorre uma identificação dos participantes do mesmo com as estratégias utilizadas pelo próximo na superação desse medo.

Quando nos reportamos a Maximino( 2001), em um grupo de atividades, o terapeuta ocupacional deve dirigir suas intervenções no sentido de facilitar que os participantes do grupo experimentem novas formas de se relacionar e de vivenciar situações inéditas que estão associadas ao próprio ato do fazer, possibilitando que a ação ganhe um sentido e um sentimento.  Dessa forma, o grupo pode ser para seus integrantes um ambiente confiável e facilitador da exploração do mundo

CONCLUSÕES

A partir da pesquisa realizada pôde ser constatado que as principais perdas e limitações advindas com a Síndrome do Pânico referem-se às restrições na realização das atividades do dia a dia causadas pelo medo de vir a ter uma nova crise, muitos indivíduos que sofrem com este problema deixam de trabalhar, abandonam os estudos, evitam sair de casas e freqüentar locais as quais não sentem-se seguros.

A Síndrome do Pânico traz graves repercussões na vida destas pessoas, sendo comum que juntamente com este diagnóstico venham outros problemas de ordem psíquica como hipocondria, depressão e diversos tipos de transtornos ansiosos. O TP é um quadro psiquiátrico bastante comum e os pacientes com esse diagnóstico encontra-se em sua maioria numa fase potencialmente produtiva da vida. A vida pessoal, profissional e afetiva dos pacientes fica gravemente comprometida. . O impacto da doença sobre o estilo de vida não só do paciente, mas também de sua família merece atenção especial, assim como a incapacitação, prejuízo no âmbito social, familiar e profissional que acomete muitos indivíduos com Síndrome do Pânico.

Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo sair de casa. Além de todos os sintomas físicos provocados pela Síndrome do Pânico, são associadas também ao Transtorno do Pânico significativas perdas sociais, com predomínio da perda da independência; a vida pessoal, profissional e afetiva destes indivíduos fica gravemente comprometida.

E ao se falar nas limitações trazidas pela Síndrome do Pânico na realização das Atividades de Vida Diária e Atividades Instrumentais de Vida Diária é fundamental destacar a importância da Terapia Ocupacional na reestruturação do cotidiano do indivíduo que sofre com este problema, o terapeuta ocupacional atuando através de atividades lúdicas, expressivas, laborativas.

REFERÊNCIAS:

Castro ED, Lima EMF A, Brunello MIB. Atividades humanas e terapia ocupacional. In: De Carlo M M R P, Bartalotti C C (Orgs). Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e perspectivas. São Paulo: Plexus; 2001.

Maximino VS. Grupos de Atividades com pacientes psicóticos. São José dos Campos: Univap; 2001.

Mendes R, Dias R S, Smaira L S, Albina R Torres A T. Apresentação clínica do Transtorno do Pânico: Um estudo descritivo. 2000

Minayo MC de Souza. O desafio do conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 3 a ed. São Paulo: HUCITEC, 1994.

Orlandi PE. Análise de discurso, princípios e procedimentos. 2ª Ed. Campinas. São Paulo: Pontes; 2000.

Ramos RT. Escalas de avaliação clínica: transtorno de pânico. Rev. Psiq. Clin. 1998. Lampert RM. Terapia Ocupacional em Psiquiatria. 2006.

Scarpato TA. O estranho que me habita: A Síndrome do Pânico numa perspectiva formativa. Rev. Reich. do  Inst .Sed .Sap. 2001.

Torres A R, Lima M P. Tratamento do transtorno de pânico com terapia psicodramática de grupo. Rev. Bras. Psiquiatr. 2001.

 

 

(Artigonal SC #1110616)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/casa-e-familia-artigos/terapia-ocupacional-na-sindrome-do-panico-1110616.html

    Palavras-chave do artigo:

    SÍNDROME DO PÂNICO

    ,

    Terapia Ocupacional

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    1. Paula Cristina September 14, 2009
    Ola, vi toda a materia sobra TP e me indentifiquei com a doença, apos um susto de falta de ar, mesmo que ja tenha ocorrido uma outra vez, assim como da outra vez obtive medos não compreendidos, dessa vez percebi a semelhança em relação a ser um quadro de TP, queria saber como posso proceder com uma tentativa de tratamento.
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