A Instituição De Ensino E O Preconceito

23/10/2008 • Por • 1,261 Acessos

A INSTITUIÇÃO DE ENSINO E O PRECONCEITO



Segundo Aurélio 1997, preconceito é um conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida; julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; intolerância; ódio irracional ou aversão a outras raças, credos religiões, etc. Discriminação significa separação, segregação, etc.


As diferenças encontram-se nas crenças, maneira de vestir, preferências musicais, idade, cor dos olhos, condições socioeconômicas, enfim, as diferenças estão em vários aspectos: idéias, pele, traços físicos, impressões digitais, dentre outras tantas. Tais diferenças se constituem na graça do ser humano e não defeito.


“Não há diferença entre um homem e outro, pois todos vêm nus ao mundo. Um homem não pode ser válido pela sua cor, nem pela sua língua que fala, nem pelas roupas que veste ou jóias que usa. E sim apenas por seu coração. (Mika Waltare 1969,  em sua obra O Egípcio)”



A área educacional não se isola neste contexto e as diferenças transformadas em preconceito acarretam serios problemos ao educando. Há que se levar em consideração que o educando ao se sentir discriminado -  seja por ser gordinho, negro, magro, pobre, enfim qualquer que seja a forma de discriminação – não obterá grandes resultados em sua formação educacional. O pre conceito é uma violencia praticada por ação ou omissão!



A instituição de ensino, como parte da sociedade, serve como reprodutora da ordem estabelecida, assim sendo, reproduz a violência das mais variadas formas: a exclusão, a elitização do saber ou do preconceito. A escola reproduz as diferenças sociais, perpetua o status quo e, portanto, é uma instituição altamente discriminadora e repressiva” (Aranha, 1989,p. 128)



O preconceito surge da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas, tais como religião, opção sexual, forma de se vestir, entre outras. Às vezes ele se manifesta disfarçado de humor, como na humilhação de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Uma escola que admite posturas como essas – não reconhecendo seu potencial destrutivo- abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe.



Muitas vezes as formas de intolerância tem origem nas  relações familiares e afetivas e ainda de valores disseminados na sociedade. Em contrapartida,  a escola deve estimular o aluno a  identificá-las em piadas, notícias, torcidas esportivas, filmes de ação e novelas, bem como  discutir suas origens sociais e históricas. Tal atividade não se restringe a uma disciplina ou outra, é adequada ao ato de educar.



Os atos de segregação por condições de vida, preferências ou deficiências podem e devem ser debatidas na escola. Ao mostrar aos alunos como os preconceitos são usualmente reforçados por constrangimentos ou revelados pela intolerância, em situações que deveriam ser repletas de compreensão e solidariedade a instituição trabalha o crescimento e formação de um aluno-cidadão, tornando o aluno mais questionador, podendo inclusive se posicionar diante da atitude de um de professor que em sala de aula, por exemplo, segrega e discrimina os alunos que têm diferentes ritmos de aprendizagem.

É complicado não discriminar, uma vez que, ao generalizar experiências pessoais, já nos colocamos na posição de juízes e prejulgamos. Parece uma característica inata a capacidade que temos de desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem nos é estranho. Quando nos referimos à jovens do ensino privado como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, revelamos neste ato nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos – infelizmente não temos consciência de tal fato.



A pluralidade cultural sempre foi cercada de grandes discussões ao longo da história. De acordo com Assis & Canen (2004), é impossível não perceber as relações distintas de poder entre as fontes culturais e raciais que deram origem e dividem o Brasil. Conforme Gonçalves & Silva (2004), as políticas sociais, em especial as que se referem à educação, têm como alvo um público definido a partir de critérios de eqüidade.



Portanto é dever de quem dirige e direciona o ensino, valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório. As instituições de ensino devem ser um espaço de diversidade privilegiado para aprender a dirimir conflitos e exaltar a graça do convívio com a diferença. Desta maneira  os preconceitos podem ser combatidos.



Referências bibliográficas:



ARANHA, M. L. de A. Filosofia da educação. São Paulo: Moderna, 1989



ASSIS, M.D.P.; CANEN, A. Identidade Negra e espaço Educacional: vozes, histórias e  contribuições do multiculturalismo. Cadernos de Pesquisa, v.34, n.123, p. 709-724, set./dez.2004.



GONÇALVES E SILVA, P. B., Pesquisa e Luta por Reconhecimento e Cidadania. In: Abramowicz, A. & Silvério, V. R., Afirmando Diferenças: montando o quebra-cabeça da diversidade na escola. São Paulo: Papirus Editora, 2005, pp. 27 – 54.



 Waltari, Mika - "O Egípcio", Belo Horizonte, Ed. Itatiaia, 1969


Perfil do Autor

Degmar Augusta da Silva

Advogada há mais de dez anos, com vasta experiência e atuação em grandes empresas. Auditora interna ISO 9001/9002, com conhecimento e...