A violência nas escolas: uma realidade inquietante

Publicado em: 02/04/2011 |Comentário: 1 | Acessos: 3,166 |

RESUMO

Neste artigo, analisar-se a violência escolar como uma realidade inquietante. No Brasil, percebe-se a existência de crianças e de adolescentes deixando a escola pelo crime, e constata-se como problema social. A opinião pública fica inquieta, e certamente influenciada pelo impacto que o rápido crescimento da criminalidade urbana exerceu e vem exercendo sobre o comportamento coletivo, e passa a suspeitar de um envolvimento crescente e inexorável dos jovens com o crime.

Palavras-chave: Aluno; Violência Escola; Realidade; Inquietante. 

ABSTRACT

In this article, analyze yourself to school violence as a disturbing reality. In Brazil, we see the existence of children and adolescents leaving the school for the crime, and it appears as a social problem. The public is uneasy, and certainly influenced by the impact that the rapid growth of urban crime and is having exerted on the collective behavior, and starts to suspect a relentless and increasing involvement of young people in crime.

Keywords: Student, School Violence; Reality; Unsettling

 

INTRODUÇÃO

 

No Brasil, desde o início da década de 70, ao menos nas grandes cidades brasileiras, a existência de crianças e de adolescentes vagando pelas ruas, mendigando, vigiando veículos estacionados nas ruas, vendendo balas e doces junto aos semáforos, via de regra em troca de pequenas somas de dinheiro, vem sendo percebida como problema social, a opinião pública inquieta, certamente influenciada pelo impacto que o rápido crescimento da criminalidade urbana violenta exerceu e vem exercendo sobre o comportamento coletivo, passa a suspeitar de um envolvimento crescente e inexorável dos jovens com o crime.

De fato, na atualidade, os problemas sociais com que se defronta o cidadão brasileiro, não são poucos e para causar mais irritação percebe-se que os estudantes estão tendo um comportamento não muito aceitável pelos professores e comunidade escolar, pelo fato da expansão da violência ocorrida dentro da escola, os professores se não são vítimas de crimes no âmbito escolar sofrem fora dela, pelo simples fato de termos hoje alunos que acabam indo para a criminalidade, e fazem de vítimas aqueles que tentam educá-los tornando-se vítimas de ofensa criminal, especialmente furtos e roubos.

Este artigo teve como objetivo geral analisar a violência escolar como uma realidade inquietante e objetivos específicos compreender o fenômeno da violência dentro da escola e discutir as desvantagens de não se dá uma atenção especial a esse fato que assola a sociedade brasileira. As hipóteses são as seguintes: a primeira será mesmo um fenômeno da atualidade ou a violência escolar sempre existiu?

E a segunda quando não se cuida de maneira eficaz para amenizar a violência, legitima a existência de danos maiores para os agentes que atuam na escola e fora dela, e terem que conviver com uma violência quase sem controle. Esses fatos apresentam uma relevância importante, pois trata de um problema social que começa a ser estudado agora com maior ênfase, isso justifica a necessidade de diversas abordagens para assim se possa ter uma real noção desse fenômeno inquietante que é a violência na escola.

METODOLOGIA

As hipóteses do trabalho foram investigadas mediante pesquisa do tipo bibliográfica procurando explicar o problema por meio de análise da literatura já publicada em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita, que envolva o tema em análise. E também buscando documentos, por meio de projetos, leis, normas, resoluções, pesquisas on-line, dentre outros que abordem o tema.

Segundo a utilização dos resultados tem-se por finalidade aumentar a produção científica tendo com a abordagem um caráter qualitativo, que busca apreciar a realidade do tema no ordenamento jurídico de forma: descritiva, buscando descrever fenômenos, descobrir a freqüência que um fato acontece, sua natureza e suas características. Vindo a classificar, explicar e interpretar os fatos e exploratórios, procurando aprimorar idéias.

E ajudar na formulação de hipóteses para pesquisas posteriores, além de buscar maiores informações sobre o tema. A pesquisa teve duas fases a primeira diz respeito a identificação do problema e a segunda a tomada nos estudos de modo que analítica e consensual. E terceira como discussão dos estudos e elaboração de resultados.        

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Há um conjunto de questões, que afetam os processos educativos e em especial a escola na sociedade contemporânea. Dentre esse conjunto, certamente está presente o tema da violência escolar. Mas o que é violência? Segundo alguns autores, violência é a ação ou efeito de violentar, de empregar força física, contra alguém/algo ou intimidação moral contra alguém, sendo ato violento com crueldade agindo pela força. No aspecto jurídico, define-se o termo como o constrangimento físico ou moral, exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem. Para a filósofa Marilena Chauí (1999, p. 3), define a violência de forma multifacetada:

violência significa: tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de algum ser (é desnaturar); todo o ato de força, contra a espontaneidade, a vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar);todo o ato de violação da natureza de alguém e de alguma coisa valorizada positivamente por uma sociedade (é violar); todo ato de transgressão contra o que alguém ou uma sociedade define como justo e como um direito [...] a violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e de liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis, mudos e inertes ou passivos.

  Para Zaluar (1999) a violência vem do latim violentia que remete a vis sendo força, vigor, emprego de força física ou os recursos do corpo para exercer sua força vital. Essa força torna-se violência quando ultrapassa os limites ou perturba acordos tácitos ou regras que ordenam relações, adquirindo carga negativa ou maléfica. É portanto, a percepção do limite  da perturbação e do sofrimento que provoca, que vai caracterizar o ato como violento, percepção essa, que varia cultural e historicamente. Em uma seção específica, com esclarecimentos sobre alguns conceitos, reconhecidos como de difícil operacionalização, devido à variedade de definições e compreensões, está o conceito de violência, exposto pelo Ministério da Justiça do Brasil (2007):

Força desregulada capaz de atentar contra a integridade física e/ou psíquica, causando danos com o objetivo de dominar ou de destruir o indivíduo, a comunidade, a nação ou, até mesmo, a humanidade. A gratuidade e/ou banalização da violência ocorre quando não nenhuma explicação causal, ou seja, justificativa para o que está sendo perpetrado. Ou seja, se é violento por ser violento.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS-1995) a violência é como uma imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis. Mas, os especialistas afirmam que o conceito é muito mais amplo e ambíguo do que essa mera constatação de que a violência é a imposição de dor, a agressão cometida por uma pessoa contra outra; mesmo porque a dor é um conceito muito difícil de ser definido, até mesmo porque a violência tem caráter também psicológico.

Segundo Rodrigues (2004), a violência pode ser desencadeada como fruto de muitos embates no território escolar que se afiguram como indisciplina e que não foram resolvidos e constituem a origem de comportamentos mais agressivos. A vida na escola mostra-nos que a relação entre aluno e escola apresenta múltiplas fases ao longo do caminho do indivíduo.

Devido nos primeiros anos, nomeadamente de creche e pré-escola ou ainda séries iniciais do ensino fundamental, as crianças ficam ansiosas por ir para a escola, pois para lá se encaminharam seus colegas de aprendizagem, onde passam por um processo de cobrança. Os professores serão durante alguns anos os mesmos, onde as relações afetivas são intensificadas e os primeiros ensinamentos são apreendidos de forma agradável e lúdica.

A desvalorização do lado afetivo, a introdução de maior formalidade no relacionamento e a constante troca de professores consoante as disciplinas, faz com que se registre um desestímulo nesta relação entre alunos e escola. Este pode ser um aspecto importante na compreensão dos processos aonde a violência se destaca. A repressão usada pela escola para combater a violência gera conflitos e insegurança, que nutrida pela corrupção das autoridades que comandam, não sabem em quem confiar, perdendo seu referencial da ordem legal e institucional e sua possibilidade de viver mais tranqüilamente em um Estado Democrático de Direito que é o Brasil. 

Diante da violência que tem atingido as escolas do estado do Ceará, e noticiada pela mídia há uma mobilização dos conselhos: tutelar, escolar, de segurança escolar, de segurança comunitária, de redes de atenção à criança e ao adolescente, entre outras instituições; para evitar e/ou amenizá-la. A lei nº 8.242 de 12 de outubro de 1990, que cria o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e dá outras providências, estabelece que o Conselho Tutelar, é responsável pela dinâmica do acompanhamento das denúncias que lhes são enviadas, e justiça seja feita esta entidade vem desenvolvendo desde o ano de sua criação um trabalho de sensibilização dos profissionais da educação e estabelecendo parcerias com as organizações governamentais e não-governamentais a fim de amenizar os problemas.

E a própria Constituição Federal de 1988, expõe com clareza os direitos e deveres de crianças e adolescentes. Não é bastante oportuno o período da discussão do tema devido a realidade ser de fato inquietante para tantos, o medo consegui aprisionar o homem de tal maneira que o mesmo está confuso com seu ambiente, é como não reconhecesse mais o que mudou como ocorreu as mudanças e quais as conseqüências que isso acarretar-vos-á no futuro bem próximo.

Constata-se que no Brasil, a violência escolar constituiu-se um tema bastante discutido na última década do século XX, mobilizando estudiosos de diferentes áreas como: cientistas sociais, pedagogos, filósofos, economistas e juristas, dentre outros. Entretanto, embora a maioria desses teóricos não se afaste muito do paradigma arendtiano, o debate produzido ainda é um tanto difuso. E que se deve enfatizar em análises, o binômio poder-violência para que possas entender esse acontecimento crescente.

Isso significa dizer em hipóteses alguma podemos transferir responsabilidades, a família por ser instituto social tem o dever de estabelecer meios para que seu participante venha a ganhar espaço, conquistando por mérito seus objetivos e a escola não pode responde por incompetência do corpo discente. Se estamos em um mundo globalizado, acreditamos que o aluno também entenda e faça valer seus direitos de cidadão, assim como seus deveres. Violentar não é direito e nem dever e sim uma contravenção.

Quando falamos em sociedade estamos nos referindo aos direitos, leis e controle social. Onde direito é um instrumento de reclamar, que por sua vez limita-se ao controle social por aplicação da lei; a lei vem ser uma norma a ser determinada e cumprida a ponto de fazer um aspecto de justiça e por fim o controle social que neste trabalho o chamamos de controle psico-social por se tratar parcialmente de uma arbitragem entre força e violência.

Ficou em evidência que análise da violência escolar como uma realidade inquietante, é um fato presente com bastante freqüência o que nos dá uma idéia de como está esse problema no Brasil, a compreensão do fenômeno da violência dentro da escola, deixa de ser uma situação isolada e passa a ter conteúdo coletivo, o que de certa maneira é importante porque chama a atenção das autoridades públicas para trabalharem juntos no combate desta realidade inquietante e a discussão das desvantagens de não se dá uma atenção especial a violência escolar torna os profissionais reféns de um sistema que apenas apresenta programas mais que poucas são às vezes que os aplicam.

Mediante o desenvolvimento do trabalho buscou-se uma resposta para as hipóteses e percebeu-se que a violência escolar sempre existiu sendo de certa forma uma resposta do sistema de educação aplicado à época e que à medida que a educação e seus métodos pedagógicos são atualizados é que a sociedade tem uma demonstração eficaz sobre sua atuação. O descaso dos gestores públicos com a educação é alarmante, e esse procedimento legitima uma violência que está em todos os locais, causando danos reais para sempre.

CONCLUSÃO 

Percebe-se que a sociedade terá que se organizar e insurgir-se ativamente contra estes fenômenos. De igual modo, a Escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e voltar-se mais para as crianças e jovens. Devido às exigências do mundo do trabalho, as famílias muitas vezes destituem-se de sua função educativa, delegando-a cada vez mais a escola, o que torna esta instituição sobrecarregada de responsabilidades.

 É fato que a violência é um fenômeno social que tem se manifestado em todos os momentos da história da humanidade, desempenhando importante influência nas relações sociais sendo que seu significado varia de acordo com o contexto sócio-histórico-jurídico, com as normas e valores próprios de cada organização social. Assim, na perspectiva antropológica, os rituais sagrados de sacrifícios, portanto de violência, são justificáveis por seu papel na estruturação e sobrevivência de determinadas culturas e os mais diversos métodos de castigar alunos que apresentam comportamentos não recomendados são exemplos claros disso.

Neste sentido foi possível a compreensão que este estudo foi voltado para os fatores que provocam a violência nas escolas públicas. No contexto sociocultural, entende-se que esse enfoque ajuda a compreender a complexidade da problemática educacional bem como as dificuldades encontradas pelos professores, pela escola e pela sociedade na busca de soluções para resolver esse problema.

Analisou-se que se o aluno infrator não tem como conviver com o ambiente escolar, é preciso afastá-lo, para que os outros alunos não sejam prejudicados. Esse aluno deveria ser encaminhado para Centros de Reeducação, eficaz capaz realmente de mudar sua concepção de vida. O Poder Judiciário junto com todos que fazem a justiça tem que estarem unidos por uma única causa a dignidade humana.

E por fim, conclui-se que quanto maior o número de alunos sem perspectiva de vida, maior é o índice de violência. O Estado deve repensar seus projetos: as escolas não podem ser grandes demais e as classes não podem ser numerosas, devem-se investir na criação, na manutenção e expansão dos cursos profissionalizantes, sem detrimento da formação geral dos alunos. A escola é do povo e para o povo. Deveria haver uma campanha publicitária visando à conscientização de que educação é investimento para a vida. Os pais precisam assumir seus filhos, assim como a comunidade deve assumir a escola, e a sociedade, a educação.                

REFERÊNCIAS 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. lei nº 8.242 de 12 de outubro de 1990 que institui o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Brasília: Senado Federal, 1990.

CHAUÍ, Marilena. Uma ideologia perversa. Folha de S. Paulo, Caderno Mais, 14 mar. 1999.

RODRIGUES, Simone. Violência no Espaço Escolar: estudo de caso em Alvorada. Recife : SBS, UFPE, 2004.

ZALUAR, Alba e LEAL, Maria Cristina. Violência extra e intramuros. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol. 16, n.45, p.145-161, fev / 1999.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/a-violencia-nas-escolas-uma-realidade-inquietante-4525758.html

    Palavras-chave do artigo:

    aluno violencia escola realidade inquietante

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    Marcos 18/08/2011
    Realmente muito bom seu texto, mas você poderia me indicar um texto um pouco mais resumido e com a opinião do próprio ator do texto? desde já agradeço
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