As Faces Da Globalização

22/04/2008 • Por • 10,240 Acessos

As Faces da Globalização

O que é Globalização? Quais são os aspectos gerais desse fundamental tema da ciência geográfica? O referido fenômeno é uma etapa avançada do sistema socioeconômico capitalista ou um processo de integração mundial essencialmente econômico. Os “mundos” relativamente isolados do passado deram lugar a um mundo em rede (sistêmico), ou seja, um planeta com relevantes conexões entre nações.

Existem duas perspectivas divergentes no estudo da mundialização. A primeira se refere ao “encolhimento do mundo”. A segunda refere-se à percepção que o mesmo é amplo ou gigantesco. Isso está relacionado ao significativo desenvolvimento ou incremento tecnológico que “encurtou as distâncias”, a intensa fluidez do espaço global (circulação de capitais, pessoas, informações, matéria-prima e mercadorias), ao surgimento de redes complexas de comunicação / transporte no planeta e a rapidez que as informações chegam até as unidades domiciliares de uma parcela da população, isso releva a complexidade do mundo contemporâneo, ao contrário do planeta antes da globalização, onde as informações vagarosamente chegavam as localidades e muitas não chegavam até alguns lugares, devido a diversos fatores de ordem histórica e geográfica.

Com relação ao que foi mencionado acima, pode-se constatar que a mundialização tornou homogêneo o espaço mundial? Certamente não, esse fenômeno acirrou as desigualdades sociais e regionais, ou seja, tornou heterogêneo o espaço global. A integração é relativa, porque existem áreas que estão praticamente fechadas ou estabelecem relações inexpressivas com o mundo, por exemplo, o continente africano e a Amazônia do Brasil. Esses espaços estão à margem dos grandes fluxos de pessoas e capitais.


O fenômeno dinamizou a economia de determinadas regiões, enquanto outras permaneceram economicamente estagnadas ou tiveram suas situações agravadas pelo processo, com isso, as possibilidades de inserção e ascensão no âmbito profissional são maiores para os cidadãos que vivem em cidades onde o capital está fortemente instalado e são menores para aqueles que vivem em “municípios rurais” insignificantes dentro de uma lógica própria do capital (nacional e multinacional). Isso não quer dizer que a oferta de emprego nas Metrópoles ou mesmo nas cidades de porte médio é excelente, nessas também há desemprego e subemprego.

Portanto, a globalização é um fenômeno geográfico abrangente com conseqüências e contradições. Essa organizou o mundo em rede trazendo facilidades / vantagens para os negócios mundiais, preferencialmente para os mega-empresários (proprietários de empresas transnacionais) ou agentes econômicos e ao mesmo tempo aprofundou as disparidades sociais e regionais.

Perfil do Autor

MÁRCIO ANDRADE LYRIO BALDES

PROFESSOR GRADUADO EM GEOGRAFIA PELO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA DE CAMPOS (CEFET).