AVALIAR versus EXAMINAR: Qual a diferença?

26/04/2011 • Por • 1,498 Acessos

AVALIAR versus EXAMINAR:

Qual a DIFERENÇA?

 

Os AUTORES
desse artigo entendem que existem diferentes concepções acerca da AVALIAÇÃO, muitas vezes associadas ao
conceito de EXAME. É claro que cada
conceito de avaliação expressa uma visão de homem, de mundo e de sociedade. A
avaliação é indispensável em qualquer atividade humana e em qualquer projeto
educativo. Nesse sentido, José Dias
Sobrinho
(2003) esclarece que "um conceito de avaliação revela o
posicionamento POLÍTICO, IDEOLÓGICO, ou melhor, a VISÃO DE MUNDO DE QUEM O EMITE" (p.
50).

E o que significa avaliação? Para que serve? Por que
avaliar? Será que as escolas e as universidades avaliam ou examinam? Por que a
avaliação praticada nas instituições de ensino vem recebendo duras críticas de
muitos estudiosos dessa temática? Ela está a serviço de um processo de
dominação imposto pelos organismos internacionais de fomento a educação dos
países periféricos ou da libertação? Há algumas TESES que contribuem para refletir sobre essas questões.

PRIMEIRA TESE. A avaliação não deve representar só instrumentos de verificação do
aprendizado, mas fornecer subsídios ao TRABALHO
DOCENTE
, direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e
aprendizagem de maneira a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais
pertinente método didático adequado à disciplina - mas não somente, à medida
que considerem, igualmente, o contexto sócio-político no qual o grupo está
inserido e as condições individuais do aluno, sempre que possível.

SEGUNDA TESE. A avaliação possui, sem dúvida, relevância no conjunto das práticas
pedagógicas aplicadas aos PROCESSOS de
ENSINO e APRENDIZAGEM. Na universidade, tal relevância assume proporções ainda mais críticas,
uma vez que as expectativas em torno do graduando – dele próprio e da sociedade
como um todo - são elevadas e múltiplas: aguarda-se o homem culto, o
profissional competente, enfim, o indivíduo capacitado à resolução de problemas
pertinentes a uma ou mais áreas de conhecimento.

TERCEIRA TESE. Avaliar
exige PROFISSIONALISMO e INTENCIONALIDADE. Atestar que um aluno
teve uma nota SETE, OITO, NOVE ou DEZ sem emitir
um parecer por escrito sobre o porquê desse resultado, para que o aluno possa,
enfim, buscar as melhores estratégias de melhorar seu desempenho é uma prática
no mínimo antiprofissional (para não dizer autoritária) que leva, com certeza,
a um processo intencionalmente direcionado para o não esclarecimento, pois esse
tipo de prática não pode ser considerado ingênuo.

QUARTA TESE. Avaliar exige ACIONALIDADE consubstanciada
a uma EPISTEMOLOGIA. O que acontece
com a grande maioria das práticas pedagógicas que ocorrem nas escolas públicas
(e privadas) e nas Instituições de Ensino
Superior
(Universidades, Faculdades etc.), porém é que, em vez de serem
valorizados em seus aspectos educacionais, o planejamento do ensino e a
avaliação da aprendizagem são transformados em atividades burocráticas, formais
e que contribuem para a naturalização do status
quo
dominante.

QUINTA TESE. Avaliar exige o reconhecimento da COMPLEXIDADE
que repousa sobre o SER e o ESTAR no mundo. O que se percebe quando
a avaliação é uma prática direcionada para o esclarecimento é que quanto mais
se leva o aluno a atingir níveis mais complexos de raciocínio, maior grau de
autonomia e participação ele consegue. Um aluno que sabe avaliar seu trabalho,
certamente está muito mais preparado, em termos de aprendizagem, do que um
aluno que apenas desenvolve uma tarefa sem julgá-la.

Outro aspecto
que nos parece fundamental, quando se fala em avaliação, é o de ressaltar a
importância do professor no processo de ensino-aprendizagem, a quem devem ser
dadas todas as condições materiais e espirituais de não só transmitir
conhecimentos (pedagogia direcionada para o não esclarecimento, ou seja, para a
inculcação massificada), mas também de materializar uma postura crítica direcionada
a quem produziu os conhecimentos, e, acima de tudo, sobre as circunstâncias nas
quais tais conhecimentos foram incorporados ao senso comum acadêmico.

Quando o processo de avaliação está sendo historicamente
consubstanciado a um processo de não esclarecimento é uma clara evidência que
uma nova patologia está ganhando dimensões sociais. Philippe Meirieu (1949), um dos defensores da Educação Popular, ensina que "a avaliação não é tudo; não deve ser o todo,
nem na escola nem fora dela; e se o frenesi avaliativo se apoderar dos
espíritos, absorver e destruir as práticas, paralisar a imaginação,
desencorajar o desejo, então a patologia espreita-nos e a falta de perspectivas,
também".

No Brasil a prática da avaliação é historicamente assumida
como exercício do AUTORITARISMO: os
de cima – os colonizadores – são os avaliadores (ou examinadores); os de baixo
– os colonizados – são os avaliados. Neste esquema é que o superior é quem
avalia os inferiores; os comandantes avaliam os comandados; os pais avaliam os
filhos; os mais velhos avaliam os mais novos; os professores avaliam os alunos
e ponto final. Com essa mentalidade avaliativa, só os de cima fazem o processo;
os de baixo sofrem o processo já determinado.

 

Rubens
da Silva Castro
é Professor da Faculdade de Educação da UFAM.

Elizeu
Vieira Moreira
é Professor da SEDUC e do PARFOR/FACED/UFAM.