Biologia da conservação e diversidade biológica

16/04/2012 • Por • 3,054 Acessos
BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO E DIVERSIDADE BIOLÓGICA

O planeta terra chegou ao estágio atual de desenvolvimento após bilhões de anos, com um conjunto de formas de vida que hoje o habitam, sendo resultado de um processo dinâmico de evolução, desde muito antes do aparecimento do homem como uma espécie na terra.

Porém, infelizmente vem sofrendo ao longo do tempo alterações de todos os tipos, principalmente as relacionadas com as atividades do ser humano, porque a medida em que a população aumenta, consequentemente aumenta também a necessidade de desenvolvimento tecnológico e industrial, sendo estes os maiores fatores que ameaçam o planeta na atualidade. Nunca antes, tantas espécies foram ameaçadas em seus habitats e à extinção em tão curto espaço de tempo. Nunca na história desse planeta, uma única espécie foi tão nociva ao ambiente natural.

É através de estudos da biologia da conservação que o homem pode adquirir conhecimentos e unir esforços para diminuir esses impactos, embora o alto índice de destruições esteja cada vez maior, tornando cada vez mais difícil controlar tais impactos.

De acordo com PRIMACK (2001), a biologia da conservação tem dois objetivos:

  • Entender os efeitos da atividade humana sobre as demais espécies, comunidades e ecossistemas;
  • Desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção das espécies.

O foco dessa área da biologia é colocar os fatores econômicos em segundo plano, pensando primordialmente na preservação em longo prazo de todas as comunidades biológicas. E é apenas através de estudos que se pode fornecer respostas as questões específicas a conservação ambiental.

1.   FUNDAMENTOS DA BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO

Existem várias abordagens sobre esse conceito, inclusive podemos citar a crença filosófica que aborda a hipótese de Gaia, que vê na terra, um "super organismo", cujos todos os componentes interagem entre si, tal quais os órgãos do corpo humano.

Mas a biologia da conservação enfatiza o gerenciamento correto dos recursos naturais, através de um conceito de administração do ecossistema, de forma que os impactos causados pelo homem sejam os menores possíveis, a fim de que possamos conservar ou manter a qualidade e quantidade de espécies existentes no planeta, sem degradar também os recursos naturais.

Segundo PRIMACK (2001), alguns pressupostos representam um conjunto de abordagens científicas e aplicações práticas. São eles:

A diversidade de organismos é positiva

As pessoas gostam de diversidade biológica e uma prova disso é a grande quantidade de pessoas que visitam zoológicos e jardins botânicos.  É inerente ao ser humano estar em contato com a natureza.

Extinção prematura de populações e espécies é negativa

Quando ocorrem desaparecimento e extinção por causas naturais, a natureza se encarrega de proporcionar o surgimento de novas espécies. Mas os humanos têm causado extinções e mudanças nas comunidades naturais de várias formas e em larga escala. E dessa forma, não há compensação natural.

Complexidade ecológica é positiva

As relações entre as espécies nos ambientes naturais são fundamentais para as relações ecológicas e de coevolução, pois interagindo entre si, as espécies perpetuam-se e às demais ao seu redor.

A Evolução é positiva

Em todos os seguimentos, a afirmativa acima tem sentido positivo, principalmente porque no ambiente natural, isso ocorre naturalmente. A diversidade não é fixa, porque é influenciada por processos ecológicos e evolutivos.

A diversidade biológica tem valor em si

Cada espécie tem seu valor único, conferido ao longo de sua história evolucionária e suas funções ecológicas na natureza, como por exemplo, a polinização das abelhas.

    

2.   DIVERSIDADE BIOLÓGICA

Por possuir significados diferentes, deve ser considerada em três níveis:

  • Das espécies: Inclui toda gama de organismos na terra;
  • Da variação genética: Analisado tanto entre populações geograficamente separadas, como indivíduos de uma mesma população;
  • Comunidades: Onde vivem as espécies;
  • Ecossistemas: Onde as comunidades se encontram.

 Todos são necessários para a ocorrência e manutenção da biodiversidade que representa muito mais do que plantas, animais, microorganismos e seus ecossistemas. Ela reconhece também a necessidade humana de segurança alimentar, medicamentos, ar puro, água e um meio ambiente saudável para se viver (BRAZ, 2008).

2.1.        Diversidade de Espécies

 

     Inclui uma série completa das espécies encontradas na terra, sendo classificadas em duas formas principais: morfológica e biológica.

  • Definição morfológica: Indivíduos com morfologia, fisiologia e bioquímica distintas de outros grupos. Normalmente mais usado por taxonomistas
  • Definição biológica: Espécies com características idênticas, mas com diferenças nas sequencias de DNA, como é o caso das bactérias. Normalmente mais utilizada pelos biologistas da evolução

2.2.        Diversidade Genética

 

Normalmente, dentro de uma população, os indivíduos são geneticamente diferentes uns dos outros e isso ocorre porque possuem genes levemente diferentes devido ao fluxo gênico entre as populações, causado pelo movimento de indivíduos. Isso pode representar um importante mecanismo pelo qual as espécies podem responder a mudança ambiental e se adaptar a um meio ambiente mutante.

2.3.        Diversidade de Comunidade e de Ecossistema

 

A definição de comunidade biológica, em termos gerais, dá-se devido à presença de espécies que ocupam uma determinada localidade e as interações entre elas. Quando falamos de comunidade e o ambiente físico, passamos a chamar ecossistema.

Em um ecossistema, todos os elementos estão direta ou indiretamente ligados, desde a água que evapora e cai em forma de chuva, até os seres que morrem e são absorvidos em forma de nutrientes pelo solo. Em um trecho do filme o Rei Leão, há um diálogo entre o leão (Mufasa) e seu filhote (Simba), onde é explicada com riqueza de detalhes essa afirmação, que tudo na natureza faz parte de um ciclo único. Um clico sem fim.

Importante lembrar que cada espécie utiliza seu conjunto de recursos, ao qual se denomina nicho. Na verdade, o nicho refere-se ao habitat e os recursos utilizados por cada espécie ao longo de sua existência, sendo as exigências alimentares, suas atividades e suas funções na natureza. PRIMACK (2001) afirma que Inclui muitas vezes a fase de sucessão, sendo esta, um processo gradual de mudança na composição das espécies, sua comunidade, estruturas físicas e a capacidade de carga do ambiente.

  

Capacidade de Carga:

Número de indivíduos de uma determinada espécie que os recursos de um ambiente podem suportar.

2.3.1.   Níveis Tróficos

É a classificação dada devido ao modo como cada espécie obtém energia do ambiente.

Embora possamos organizar as espécies dentro de cada nível trófico, a necessidade real e específica de cada uma nos leva a dois outros conceitos: o de cadeia alimentar e teia alimentar. O que difere entre ambas é que a primeira está relacionada às relações alimentares específicas de certa espécie. Enquanto que a outra, a cadeia alimentar, uma espécie pode se alimentar de várias outras e competir por alimento no mesmo nível trófico.

Importante ressaltar que apesar dos conceitos de teia e cadeia, existem dentro das comunidades biológicas, as espécies-chave que são aquelas determinantes para a existência de muitas outras, sendo extremamente necessários ações e esforços para a sua preservação. Um exemplo é o peixe-boi da Amazônia, que se alimenta de grandes quantidades de plantas aquáticas e havendo redução na população de peixe-boi, haverá um crescimento exagerado de biomassa e queda de fertilização da água, reduzindo a população de peixes.

Ainda dentro do mesmo conceito, temos os recursos-chave, também necessários para manter as comunidades biológicas.

2.4.        Distribuição de Comunidade Biológica

 

Segundo estimativas, a maior diversidade de espécies é encontrada nas florestas tropicais, sendo aproximadamente mais da metade de todo o mundo, mesmo que estas ocupem apenas 7% da extensão da terra. Os recifes de corais, os grandes lagos e as profundezas do mar são também os ambientes mais ricos.

Os padrões de diversidade das espécies terrestres encontram paralelos nos padrões das espécies marinhas e aumento semelhante de diversidade em direção aos trópicos.

 

2.5.        Origem de Novas Espécies

 

O conceito mais aceito ainda hoje que foi descrito por Darwin e Wallace é o da seleção natural. As variações em características são herdadas, ou seja, passadas de pais para filhos e com o tempo as espécies mais adaptadas e com maior probabilidade de procriar, serão espécies dominantes, alterando, portanto, a composição da população. E essas mudanças podem ser de ordem biológica, assim como físicas.

De acordo com PRIMACK (2001), considera-se uma espécie como nova quando passou por tantas mudanças genéticas que chega a não ser mais capaz de procriar com a espécie original da qual ela procede. A esse processo gradual ele denomina de evolução filética.

Quantas espécies existem no mundo?

O conhecimento da quantidade é impreciso, porque além da grande diversidade, há espécies que não recebem muita atenção. Atualmente são descritos pelos cientistas acerca de 1,4 milhões (PRIMACK, 2001). Acredita-se que haja o dobro desse número ainda não descrito, principalmente entre insetos, bactérias e fungos. O fundo do mar, devido à dificuldade de acesso e por ser quase totalmente inexplorado, deve abrigar milhões das espécies.

                       

Se a extinção fez parte do processo natural, porque nos preocupamos tanto com a perda de espécies?

A resposta a esse questionamento está nas altas taxas de extinção existente atualmente, principalmente em decorrência das atividades humanas. A terra sempre manteve em equilíbrio os padrões de especiação e extinção, o que mantinha a biodiversidade biológica relativamente equilibrada, porque o desaparecimento de uma espécie será precedido por o surgimento de outra.

2.6.        Economia Ambiental

 

A compreensão de alguns princípios básicos da economia serve para esclarecer porque as pessoas tratam o meio ambiente de uma forma tão destrutiva e restrita, sem qualquer consideração com o resultado, que pode levar a devastação ambiental.

Na verdade, isso ocorre porque o homem ainda não entendeu que toda e qualquer relação, inclusive com a natureza, deve seguir os princípios da economia que dizem que todas as transações devem ser benéficas para ambas as partes. Mas dentro do contexto social, cada parte pensa primeiramente em seus interesses e a natureza, sem poder manifestá-los, acaba sendo a parte mais prejudicada.

Diante disso, os impactos causados ao ambiente geram custos à sociedade e que acabam sendo absorvidos, aos quais o mercado denomina de externalidades. E o principal desafio da biologia é assegurar que esses custos sejam levados em conta.

Surge então, uma nova linha de estudo que busca integrar economia, ciência, políticas públicas e ambientais e biologia, é a economia ambiental, com visão macro sobre a utilização dos recursos ambientais, ou de propriedade comum.

2.6.1.   Recursos de propriedade Comum

São os recursos naturais essenciais à vida na terra como ar, água limpa e qualidade de solo, por exemplo, porque são de toda a sociedade.

Ocorre que as pessoas utilizam de forma indiscriminada e os governos e indústrias danificam tais recursos, sem perceber que estão desperdiçando fatores que nos mantém vivos.

É nesse ponto que atua a economia ambiental, que tem por objetivo desenvolver métodos para avaliar os componentes da diversidade biológica, porque demonstram financeiramente o valor dos recursos naturais, sendo ainda um assunto muito complexo.

2.7.        Valores Econômicos da Diversidade Biológica

 

Foram desenvolvidas várias abordagens para atribuir esses valores. Nessa estrutura, os valores foram distribuídos em duas categorias principais, sendo estas, subdivididas entre outras categorias, de acordo com a classificação de PRIMACK (2001). São elas:

  • Valores Diretos: Conhecidos em economia como bens privados.
  • Valores Indiretos: Conhecidos em economia com bens públicos.

2.7.1.   Valores Econômicos Diretos

São aqueles diretamente colhidos e utilizados pelas pessoas. Podem ser analisados e calculados através da monitoração e da estatística de consumo dos recursos. Divide-se em valor de consumo e valor produtivo.

2.7.1.1.       Valor de Consumo

São relativos às mercadorias consumidas internamente, por exemplo, lenha e animais de caça, que são utilizados para a subsistência da população local. Ocorre que se a população não obtiver esses produtos de forma adequada, podem causar uma degradação ambiental.

Nesse caso, o valor de consumo poderia ser atribuído a um produto, considerando o preço que as pessoas teriam que pagar para comprar se ele não estivesse mais disponível diretamente na natureza.

2.7.1.2.       Valor Produtivo

É o valor atribuído a produtos que são extraídos do ambiente e vendidos no comércio e tem seu valor estabelecido por padrões aplicados pelo mercado.

Esse valor é significativo inclusive em países industrializados. Um exemplo é a madeira, que juntamente com outros produtos das florestas, é forte justificativa para a preservação e manutenção das áreas florestais ao redor do mundo. Isso sem mencionar o potencial de fornecer novas possibilidades para a indústria, que a exploração e o melhoramento genético podem fornecer.

2.7.2.   Valores Econômicos Indiretos

São os benefícios fornecidos pela diversidade biológica, proporcionados por processos ambientais ou pelo próprio ecossistema, que são precisam ser colhidos durante o uso, mas são cruciais para a economia. Subdivide-se em outros valores, que veremos em detalhes a seguir.

2.7.2.1.       Valor Não Consumista

São os serviços ambientais que não são consumidos pelo uso, mas com uma importância extrema para o homem. Um grande exemplo é a polinização dos insetos nas plantações. Se o homem tivesse que apagar para que esse trabalho de polinização fosse feito, gastaria milhões e sem esse serviço as plantações seriam amplamente prejudicadas.

Além desses benefícios, existem outros que não aparecem em relatórios de impacto ambiental, mas igualmente importante.

  

2.7.2.2.       Produtividade do Ecossistema

Devido a plantas e algas possuírem a capacidade fotossintética de transformar a energia solar em energia para o restante da cadeia alimentar, inclusive os seres humanos, uma destruição por consequência destrói também a habilidade do sistema natural de desempenhar sua principal função que é ser o ponto inicial de inúmeras cadeias alimentares.

Mesmo se os ecossistemas que foram destruídos forem reconstruídos ou restaurados, eles não desempenharão como antes seu papel e a diversidade original de espécies podem ser afetados.

2.7.2.3.       Proteção da água e recursos do solo

Uma das atividades desempenhadas pelas comunidades biológicas é a proteção de bacias hidrográficas e controle de ecossistemas, no caso de grandes enchentes. Isso porque plantas mortas que ficam sobre o solo interceptam a chuva e aumentam a capacidade de absorção e reduzem inundações.

Perturbar a vegetação significa aumentar erosões e deslizamentos de terra, inclusive causar assoreamentos nos rios, pelas partículas do solo que são levados pelo fluxo superficial de água, podendo matar animais, causar perda da capacidade de geração de energia em represas e afetar a navegabilidade de rios e pontos.

2.7.2.4.       Controle Climático

As florestas são importantes para moderar o clima local, regional e até mesmo local, uma vez que fornecem sombra, transpiram a água e colaboram como quebra-ventos.

Importante ressaltar que a nível global, o crescimento das plantas está ligado ao ciclo do carbono e uma diminuição na cobertura vegetal terrestre implica em aumento do dióxido de carbono na atmosfera.

2.7.2.5.       Dejetos

Algumas comunidades biológicas são capazes de degradar metais pesados e o esgoto que são jogadas ao meio ambiente pelo homem. Degradar essas comunidades faz com que o sistema perca esta função de controle da poluição, permanecendo degradado. Um exemplo é o rio Tietê.

2.7.2.6.       Relacionamento entre Espécies

Muitas espécies, inclusive as cultivadas por interesse econômicos, dependem de outras espécies e um declínio de uma, pode acarretar consequentemente o de outra.

Um doa relacionamentos, em termos econômicos, mais importantes é o dos fungos e bactérias em plantações, pois estes fornecem ao solo, nutrientes essenciais de onde a vegetação retira sua energia.

2.7.2.7.       Recreação e Ecoturismo

O lazer é atividade primordial para a aplicabilidade dessas atividades que utilizam o meio ambiente, sejam para observação, passeios, caminhadas, entre outras. O valor monetário é bem mais palpável, uma vez que é possível ter retorno financeiro com o uso e exploração de determinados locais.

O custo de utilização local, que pode ser quantificável e envolve a quantidade de empregos e o custo para erguer e manter um empreendimento sem agredir a natureza é denominado Valor de amenidade.

As atividades de recreação no meio ambiente são chamadas de ecoturismo e atualmente estão em alta, levando renda para países e locais que preservam ecossistemas para esse fim. O problema é quando o ecoturismo maqueia a realidade local para explorar tal atividade e as populações não vêem a realidade de forma que possam ser conscientizados ambientalmente.

2.7.2.8.       Valor Educacional e Científico

O tema natureza está cada vez mais presente em livros, programas de TV e filmes, levando a população a uma reflexão.

Inúmeros cientistas estão engajados em observações não consumistas do ambiente, mostrando que a pesquisa aumenta o conhecimento humano e melhora a educação.

2.7.2.9.       Indicadores Ambientais

Na natureza, algumas espécies podem funcionar como ótimos indicadores ambientais, pois são sensíveis a toxinas e à poluição, podendo inclusive substituir equipamentos caros de detecção.

Um exemplo são os moluscos filtradores que concentram resíduos tóxicos, os liquens, que podem servir como indicadores de poluição do ar, dentre muitas outras espécies.

2.7.3.   Valor de Opção

É o potencial de uma espécie de fornecer um benefício econômico para o ser humano, sabendo-se que as necessidades humanas mudam com o tempo.

Não raro, uma espécie de vegetal ou animal ainda não estudado, passar a ser considerada principalmente na indústria farmacêutica. Isso porque enquanto a maioria das espécies tem pouco ou nenhum valor econômico descrito, uma pequena parte pode ser de uso potencial para novos medicamentos, apoiando um ramo industrial, por exemplo.

Se uma espécie potencial for extinta antes de ser descoberta e ela possuir características capazes de curar doenças como o câncer, será uma grande perda para a sociedade de maneira global. (PRIMACK, 2001)

2.7.4. Valor de Existência

São os valores intrínsecos a natureza em si, independente da utilidade para os seres humanos. Podemos quantificar esse valor em razão de quanto o homem gasta para evitar a extinção de espécies, que habitats sejam destruídos, conservar e proteger o meio ambiente.

 Em síntese, o valor destinado pelos governos e entidades ambientais em programas de conservação de comunidades biológicas.

   

3.   ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

O desenvolvimento humano cada vez mais vem alterando o perfil natural das florestas e da vida dos animais. Existem muitos argumentos para a utilização dos recursos naturais, principalmente o desenvolvimento industrial e tecnológico, porém, muitas também são as consequências no meio ambiente.

O que se pode observar atualmente é que apenas uma legislação mais rigorosa, com multas, fiscalização e monitoramento ambiental é que melhorariam a condição da diversidade biológica ainda existente no planeta.

Quando as pessoas tiverem que pagar pelos seus atos e utilização dos recursos ambientais, é provável que parem de desperdiçar e danificar o meio ambiente, ou que ao menos, tornem-se mais cuidadosas."

(Repetto)

 Devemos lembrar que toda espécie tem o direito de existir, tanto quanto qualquer ser humano, independente do valor que lhe foi atribuído pela sociedade, pois cada uma tem sua singularidade e desempenha um papel no ecossistema.

Todas as espécies interagem entre si de um modo complexo, sendo parte de uma mesma comunidade natural. Cada uma é um ser interdependente e a perda de uma acarreta danos à outra, em resposta ao efeito que pode ocasionar extinção de mais de uma espécie.

"A maturidade humana leva naturalmente a uma identificação com todas as formas de vida e ao reconhecimento do valor intrínseco destas formas."

(Naess)

Os humanos devem ser cuidadosos em diminuir o dano que causam a seu ambiente natural porque tal dano prejudica não só outras espécies, mas também os próprios seres humanos. Somos então, obrigados a conservar o sistema como um todo, porque isto é a nossa unidade de sobrevivência nesse planeta. E precisamos mudar as maneiras como usamos a natureza de forma que imitem de modo mais completo os processos ecológicos naturais, para diminuir o impacto desses usos na biodiversidade e na saúde ecológicas.

À medida que a diversidade biológica, a integridade e a saúde ecológica declinam, cada geração vê o novo nível mais baixo como "normal" e isso afeta o julgamento de valor que as pessoas fazem sobre o mundo natural, influenciando assim a tomada de decisões sobre o uso da terra (...). Os seres humanos tanto individualmente como em sociedade, tem feito escolhas baseados em valores sobre o quanto a condição de um ecossistema pode ou deve ser modificada, sendo que estas escolhas determinaram, e continuam a determinar, a condição e a composição do mundo natural.     

            (BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO. Vol. 18,n° 05)

A ideia das pessoas sobre o que constitui condição normal da natureza é fortemente influenciada pelo que vêem e por suas experiências com o meio ambiente ao longo de suas vidas, independentemente de saber ou não que muitas coisas já foram alteradas pelos humanos no passado.

È imperativo que se mude essa visão e os atuais comportamentos do ser humano, porque hoje, o que podemos sentir é que a natureza exige uma combinação de estratégias para sua conservação, como por exemplo; proteção de espécies ameaçadas, existência de reservas ecológicas, restauração de ecossistemas, reprodução em cativeiro e reintegração no ambiente natural de espécies, e acima de tudo, o controle das ações humanas que vem prejudicando os ecossistemas e o meio ambiente.

REFERÊNCIAS 

BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO. Princípios da Biologia da Conservação: Diretrizes para o Ensino da Conservação recomendadas pelo Comitê de Educação para a Biologia da Conservação. Vol. 18,n° 05, outubro 2004. Disponível em http://www.conbio.org/resources/conservation_literacy_portuguese.pdf Acesso em 03/04/12.

BRAZ, J. Revista Brasileira de Biologia: O Valor da Biodiversidade. Vol. 68, n°04, suplemento novembro 2008. São Carlos. Disponível em www.scielo.br na página: http://dx.doi.org/10.1590/S1519-69842008000500018. Acesso em 03/04/12.

PRIMACK, Richard B., RODRIGUES, Efraim. Biologia da Conservação.  Ed. Rodrigues: Londrina, 2001.

Perfil do Autor

Hamilton Felix Nobrega

Hamilton é graduado em Administração pela Faculdade Metropolitana da Grande Recife. Atualmente cursa Licenciatura em Ciências com...