Breve Histórico da Urbanização no Brasil

07/02/2011 • Por • 2,958 Acessos

As terras que hoje correspondem ao território brasileiro eram habitadas apenas por índios, povos nativos que viviam da coleta, da caça e da agricultura de subsistência. Organizavam-se em pequenas e simples aldeias, não se caracterizando como vilas ou cidades. A chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, marca o início das transformações do processo de ocupação do território. Mas o processo de ocupação urbana do Brasil teve início efetivamente em 1532, com a fundação da vila de São Vicente por Martim Afonso de Sousa. Conforme Cardoso:

As primeiras cidades brasileiras nasceram no litoral, em função dos portos e do comércio exterior. A primeira cidade, Salvador, foi fundada por Tomé de Sousa, em 1549, e a segunda, São Sebastião do Rio de Janeiro, foi fundada em 1565, por Estácio de Sá. (2003, p.132)

Durante o período colonial, as cidades pouco se desenvolveram, devido à precariedade do comercio, à ausência de indústria, e à exploração econômica de Portugal. Na fase inicial do século XIX, houve uma impulsão no desenvolvimento urbano no Brasil, sobretudo devido à transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, o que se tornou um marco importante para o desenvolvimento urbano da colônia. Também segundo Cardoso:

O príncipe regente, D. João, decretou a liberação das atividades industriais, criou a Biblioteca Nacional, o Banco do Brasil e diversas academias. Fundou também o jornal "Gazeta do Rio de Janeiro" e autorizou a abertura dos portos ao livre comércio, fatos relevantes para o processo de urbanização do Brasil colônia (2003, p.132).

A independência do Brasil, em 1822, marca o surgimento da rede urbana brasileira, devido, segundo ainda Cardoso (2003), a alguns fatores político-sociais que atuaram de forma determinante neste sentido, tais como: a Lei Áurea de 1888, a Proclamação da República, em 1889, e o início da industrialização do país. Com esses acontecimentos, a população das cidades aumentou, devido à migração da população do campo em busca de melhores oportunidades de emprego. Aliando-se a isso, pode-se citar a chegada dos imigrantes europeus no final do século XIX e início do século XX.

Diferente da Europa que se urbanizou de forma mais intensa a partir do século XIX, impulsionada pela Revolução Industrial, no Brasil o processo de urbanização se consolidou em meados do século XX, quando várias transformações políticas, sociais e econômicas ocorreram nos países subdesenvolvidos. Nessa época, intensificou-se a implantação do grande capital internacional nos países pobres, por meio da instalação de unidades produtivas transnacionais. No Brasil, o crescimento industrial provocou fortes transformações no processo de expansão urbana, permitindo o nascimento, crescimento e desenvolvimento de muitas cidades.

Até meados do século XX, a população brasileira podia ser considerada como predominantemente rural. Segundo Santos (1994), em 1900, menos de 10% da população brasileira morava em áreas urbanas, e apenas quatro cidades brasileiras possuíam mais que 100 mil habitantes. Mas, como observa Braga e Giomette (2004), com o processo de industrialização em meados do século XX, a urbanização se intensifica e, já na década de 1960, a população passa a ser majoritariamente urbana, alcançando a marca de 81% em 2000; um índice superior ao de países desenvolvidos, como Itália (67%), França (76%) e Estados Unidos (77%). O crescimento urbano acelerado, unido ao mal ou inexistente planejamento, resultou na criação de grandes cidades, com diversos e graves problemas, o que é destacado por Milaré.

Os elevados índices de urbanização e, inversamente, os baixos níveis de urbanismo vêm criando situações insustentáveis para o Poder Público e a coletividade. O inchaço doentio dos centros urbanos (aumento desregrado da população) não tem encontrado o contrapeso das estruturas urbanas necessárias (moradia, trabalho, transporte e lazer), gerando-se daí formas endêmicas de males urbanos. E – o que é pior – o fascínio das cidades e a concentração populacional crescem sem o necessário controle quantitativo e qualitativo desse crescimento. (2005, p. 717)

Assim, podem-se considerar os problemas ambientais urbanos brasileiros como decorrência do desordenado e acelerado processo de crescimento das cidades. Nas últimas cinco décadas, o número de cidades médias (entre 100 e 500 mil habitantes) saltou de nove para 175, fato ressaltado por Braga e Giomette:

[...] fenômeno importante da urbanização brasileira é o papel crescente das cidades médias na rede urbana. Nas últimas décadas, as transformações econômicas decorrentes do processo de globalização têm implicado mudanças importantes na dinâmica urbano-regional, principalmente no sentido de uma maior urbanização do interior e de uma maior concentração da população em cidades de porte médio (2004, pag. 09).

O acelerado ritmo de crescimento urbano acarreta problemas, principalmente nas grandes cidades por elas, aparentemente, terem melhor qualidade de vida e mais oportunidades de trabalho, atraindo migrantes do meio rural e de cidade menores. Com isso, as cidades passam por fortes alterações ambientais, devido à ocupação desordenada, tais como: o mau uso do solo urbano, favelização em loteamentos clandestinos, o desrespeito ao meio ambiente, com o aumento cada vez maior da poluição e, como ponto nodal dos problemas, a falta de planejamento urbano. De acordo com o IBGE, em 1940, a população brasileira era de 41.236.315 habitantes, com a urbana correspondendo a 31,23 %. Em 2000, com 169.799.170, a população urbana correspondia a 81%. Assim, caracterizando o Brasil como um país predominantimente urbano.

 

Perfil do Autor

João Paulo Monteiro

João Paulo Monteiro da Silva, Nascido em União dos Palmares - AL, Licenciado em geografia pela Universidade federal de Alagoas - UFAL (2008)...