Como O Desenvolvimento Sustentável Está Presente No Ensino De Geografia?
A nossa intenção é a de apresentar o debate da relação desenvolvimento-ambiente no livro didático atual, ou seja, após a emersão e a popularização da concepção de desenvolvimento sustentável, analisando as transformações ocorridas nos últimos anos.
Podemos afirmar que aconteceram inúmeras transformações no livro didático de geografia, tendo como base essa relação, principalmente por influência do ideário do desenvolvimento sustentável, todavia, as transformações quantitativas, (sendo muitas vezes esse debate estando presente em uma unidade do livro didático, ou no caso, específico, do livro do autor I.A.G. Moreira, estando presente em diversas partes do livro didático), não representam transformações qualitativas, pois, nos apoiando principalmente na citação de Latouche, (já apresentada), aconteceu uma substituição da pseudo-solução denominada “desenvolvimento”, pelas outras pseudo-soluções denominadas “desenvolvimentos com adjetivos”.
Neste novo momento temos que ressaltar que o Brasil e o mundo passaram por mudanças intensas nesse período, da ditadura para um regime democrática, no caso do primeiro, e do mundo bipolar da Guerra Fria ao mundo multipolar da Globalização no caso do segundo etc (obviamente as mudanças do mundo refletem nas mudanças do Brasil). Inclusive, Igor Moreira, na página de apresentação, aborda sobre a reformulação indispensável que ele realizou nessa edição, levando em consideração as transformações espaciais, políticas, econômicas, sociais, culturais etc no Brasil e no mundo, tendo um enfoque especial nas transformações nacionais, logo, o autor ressalta que essa nova edição respeita a nova fase do capitalismo, com a influência do neoliberalismo, da globalização etc. Notamos uma intensa mudança na nova abordagem do autor, que fraciona [1] o conteúdo da relação desenvolvimento-ambiente em alguns capítulos, cedendo muitas páginas para a discussão dessa temática, assim, temos, principalmente, no capítulo 1, no capítulo 12 e no capítulo 24, o conteúdo que nos interessa.
As características e o ideário do desenvolvimento sustentável percorrem esses capítulos, e estão presentes de forma clara em determinados assuntos, principalmente, no que se refere as idéias de uso sustentável dos recursos, na apresentação do autor sobre a origem do desenvolvimento sustentável, e sua relação com o Relatório Brundtland, e pela não crítica ao cerne da questão da degradação ambiental, ou seja, aos seus principais responsáveis. Deste modo, para omitir a responsabilidade das elites capitalistas, o autor recorre ao variado repertório de sujeitos indeterminados para designar os responsáveis pela degradação do ambiente em alta escala, logo, temos como exemplos: “a ação humana”, “a civilização”, “o homem ou os homens”, e a “racionalidade ocidental”, esta última não é explicada como o modo de vida europeu e o modo de vida americano, igualando assim o consumo de um americano de classe alta e um boliviano de classe média.
Por sinal, essa é uma característica muito forte do autor nesse livro, principalmente nos capítulos que analisamos, (o de apresentar os assuntos sem criticá-los), o que nos remete a questão já proposta sobre a tentativa da neutralidade. O autor discorre sobre as conferências mundiais sobre o meio ambiente sem ao menos ressaltar que poucas mudanças efetivas aconteceram, e relata a origem do desenvolvimento sustentável, e o reconhecimento, do Relatório Brundtland, do vínculo entre pobreza e degradação ambiental em alta escala sem salientar as limitações dessa relação, e da teoria neomalthusiana, o que já não fizera na edição de 1976 (inclusive reproduzindo esse disparate).
Um ponto interessantíssimo que observamos nesta edição é na análise da Amazônia, que o autor já analisara na edição de 1976 afirmando que a degradação ambiental naquele momento se justificava pela idéia de desenvolvimento, no entanto, na edição de 1999, o autor salienta a preocupação na preservação da floresta, ressaltando vários pontos, inclusive importantes alternativas a serem tomadas nesse território. Porém, o ponto principal, é entender o discurso ambientalista do autor, que está presente, obviamente pela maior degradação no período atual, mas também, pelo inflamado apelo da sustentabilidade, reflexo da emersão e popularização da concepção de desenvolvimento sustentável. Assim, nas palavras de Moreira:
“A devastação das florestas tropicais no Brasil tornou-se o problema ambiental de maior repercussão em todo o mundo. Nas décadas de 1970 e1980, o governo brasileiro canalizou mais de 10 bilhões de dólares em incentivos fiscais e financiamento de projetos econômicos na Amazônia. A maioria deles revelou-se um desastre ecológico, com ganhos econômicos e sociais mínimos e geralmente em benefício de empresas e grupos particulares”.(1999 p.488)
Para compreender a problemática da sustentabilidade na Amazônia e explicar os pormenores dessa relação tão complexa, analisada por Moreira, encontramos no trabalho de R.P. Guimarães um questionamento assaz importante, sobre as leituras que se pode fazer da sustentabilidade neste território, e que desmistifica a resolução desse problema com a proposta de desenvolvimento sustentável. Guimarães propõe que há análises particulares sobre a sustentabilidade, e que essas representam especificamente os interesses de cada grupo, e de cada discurso (2001 p.62). O autor baseia-se no seguinte exemplo: o empresário do setor madeireiro enxergaria a sustentabilidade da floresta através do manejo sustentável desta, e da substituição da cobertura natural por espécies homogêneas; o diretor de uma entidade preservacionista acreditaria na sustentabilidade da floresta a partir da construção de áreas de preservação permanente, isto é, sem interferência humana; um dirigente sindical acreditaria na sustentabilidade da floresta como garantia da sustentabilidade sócio-econômica da sua comunidade, principalmente, na criação de reservas extrativistas; um índio poderia acreditaria na sustentabilidade da floresta através da manutenção do seu povo, e assim promovendo uma sustentabilidade cultural (2001 p. 62 e 63). A partir desse exemplo o Guimarães conclui que “todos esses cenários revelam leituras e realidades mais do que legítimas quanto ao significado da sustentabilidade!”.(2001 p.63)
Se a sustentabilidade é parcial e relacionada ao discurso, como idealizar um desenvolvimento sustentável? E qual é a sustentabilidade do desenvolvimento sustentável? Acreditamos que essa dita “sustentabilidade” está estritamente ligada a sustentabilidade do capitalismo, e da economia, principalmente para atender todos os objetivos do ideário da concepção de desenvolvimento sustentável já mencionados.
Para concluir a análise do livro de 1999 de Moreira, é deveras importante ressaltar a preocupação do autor em diagnosticar os ecossistemas brasileiros, pelo menos os principais, e pontuar as lutas em defesa dos ecossistemas, como por exemplo, a enumeração das diversas unidades de conservação e suas responsabilidades e atribuições, porém, devemos ressaltar que é um estudo superficial, e não tem a pretensão de discutir a eficiência dessas entidades. O autor ainda realiza um breve relato sobre a exploração que ocorreu no decorrer dos anos no mundo, no capítulo que discorre sobre a relação “Trabalho e Natureza”, e tem como tópicos a relação homem-natureza, as transformações técnicas e cientificas etc, por conseguinte, como já alertado, é um trabalho de exposição e apresentação, no caso específico de uma breve relação da geografia histórica da relação homem-natureza, criticando os mesmos “sujeitos” (o homem, a ação humana etc).
Referências Bibliográficas:
MOREIRA, I.; AURICCHIO,E. (2004) Construindo o Espaço - Construindo o espaço americano. Editora Ática. 2º edição, São Paulo.
________ (1999) O Espaço Geográfico - Geografia Geral e do Brasil. Editora Ática 43º edição São Paulo.
RUA, J. Desenvolvimento e Espaço Geográfico: Uma Contribuição à Educação Ambiental.. In: SIQUEIRA, Josafá Carlos de (Org.). Educação Ambiental: Valores éticos na formação de agentes multiplicadores. 1º ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
GUIMARÃES, R.P. (2001) A ética da sustentabilidade e a formulação de políticas de desenvolvimento In VIANA, G.; SILVA,M.; DINIZ,N. O desafio da sustentabilidade - um debate socioambiental no Brasil. Editora: Fundação Perseu Abramo.
[1] Acreditamos que o fracionamento do conteúdo de desenvolvimento-ambiente em capítulos, que não estão em seqüências, possa atrapalhar o raciocínio do aluno, e o próprio trabalho do professor, caso este for se basear unicamente no livro. As informações desconectadas podem atrapalhar em uma visão ampla do assunto já que há complementos nas informações, que estão separadas, basicamente, no capítulo 1, no capítulo 12 e no capítulo 24. O ponto positivo é que essas discussões que permeiam o livro refletem a importância de se discutir o processo de desenvolvimento e sua relação com o ambiente.
(Artigonal SC #1416107)
A todo instante, o homem defronta-se com muitas mudanças, novas informações, novos ambientes, pressupostos, ameaças e principalmente novas oportunidades. O propósito deste artigo é mostrar as possibilidades e conquistas da atuação de um Pedagogo Organizacional numa instituição empresarial, usando como referencial um Pronto Socorro em Mato Grosso. A metodologia aplicada a este estudo foi baseada numa pesquisa bibliográfica e uma simples pesquisa de campo, durante a qual aplicamos um questionário apenas para trinta e três funcionários – responsáveis por setores da empresa estagiada, a fim de obter dados referentes ao levantamento do perfil organizacional do pedagogo frente a essa realidade empresarial em sua atualidade. Como resultado, verificamos se os funcionários se preocupam com a qualidade de vida, harmonia entre grupos e setores e boa capacidade de interação, de conhecimentos de papéis dentro da organização e acima de tudo satisfação pessoal.
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Acredita-se que a identidade feminina, longe de ser natural, é, antes, construída a partir de um discurso social que visa atender e adequar-se às necessidades e mitos de uma sociedade determinada em um momento histórico específico.
O livro "Documentos de identidade – Uma introdução às teorias de currículo" é uma excelente análise sobre a história do currículo. Assim, temos desde o período pré-institucionalização do currículo até hoje uma verdadeira multiplicação de perspectivas, tendências e correntes. O interessante é que em todas as fases e momentos as teorias de curículos estão atreladas ao poder, na maioria das vezes ao poder das classes dominantes. Porém, ainda há uma perspectiva de luta!
O nosso objetivo nesse pequeno artigo é apresentar o berço da concepção de natureza do mundo ocidental atual, que tem origem na ciência moderna, obviamente na revolução científica do século XVI, e no paradigma cartesiano newtoniano. Assim, partiremos da ideia que o conceito de natureza é construído, e não natural, e possui reflexo na relação da sociedade e natureza, no tempo e no espaço.
Pierre George é um importante geógrafo que escreve na segunda metade do século XX. O seu trabalho está mais presente nos campos da geografia econômica, geografia da popualação e em algumas discussões sobre a epistemologia da geografia. O presente trabalho tem o intuito de apresentar as ideias principais de A Geografia Ativa, em uma forma de resenha, para mostrar o leitor as principais características, e, assim, apresentar, mesmo que de uma forma inicial e introdutória, esse grande ícone.
Partindo da ideia de desenvolvimento sustentável, temos separadamente as ideias de desenvolvimento e sustentabilidade, que formam essa concepção. O que é desenvolvimento? O que é sustentabilidade? Essas perguntas foram respondidas por alguns autores, e de forma bem resumida, reunimos algumas ideias que consideramos centrais. Logo, o caráter ideológico e inexato do desenvolvimento e da sustentabilidade são reforços para compreender essa desastrosa união.
Esse pequeno trabalho tem o intuito de analisar a presença do desenvolvimento sustentável no ensino de geografia atual, privilegindo a análise do livro didático do autor Igor A. G. Moreira, que será o nosso elemento empírico. O desenvolvimento sustentável configura-se como uma das principais concepções atuais, no que se refere a questão ambiental, proclamada como uma verdadeira solução para a dita crise ambiental. Umas das territorializações dessa concepção é o livro didático de geografia.
Desenvolvimento sustentável,concepção chave do mundo atual, principalmente por se tratar de um assunto tão polêmico, importante, e teoricamente integrador, pois afinal quem seria contra o meio ambiente? O desenvolvimento sustentável é uma ferramenta ideológica utilizada pelos paíse centrais, principalmente pelas suas classes dominantes, e reproduzido pela classe dominante dos países periféricos, com interesses estratégicos semelhantes.
Como o debate da relação entre desenvolvimento econômico e conservação do ambiente eram feitos na década de 70 no Brasil? Esse é o intuito desse pequeno artigo, discutir como o debate dessa relação, tida como fundamental hoje, era feita na década de 70, tendo como base empírica o ensino de geografia, especificamente o livro didático do autor Igor A. G. Moreira. Salientamos que essa discussão era pautada na ideia do mito do desenvolvimento, tão explorada por Celso Furtado, desde 1974.
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