Criança E Infância

09/07/2008 • Por • 95,984 Acessos

 

CRIANÇA E INFÂNCIA

Por Sonia das Graças Oliveira Silva

 

A criança é considerada um ser competente, tem suas necessidades, seu modo de pensar, de fazer as coisas, modos que lhe são próprios. No entanto, as idéias de infância variam ainda conforme a colocação da criança na família, na classe social, enfim, na sociedade em geral.

Sabe-se que não existia na sociedade Medieval a consciência de infância nem as particularidades desta etapa da vida. As crianças mal saíam dos cueiros e logo eram vestidas como pequenos homenzinhos e pequenas mocinhas, de acordo com sua condição social. Pareciam adultos em miniatura. Denota-se aí, a indiferença sofrida pela infância, a perda de suas características próprias.

Estudos através de imagens, de quadros, retratos, monumentos, por volta do século XII que apresentam a formação e a evolução da história social, não apresentam crianças nas artes. Durante muitos séculos não houve lugar para a infância neste mundo.

No passado a criança sempre esteve à margem da família. E só era considerada um sujeito quando alcançava a maior idade. Era somente preparada para ser um adulto e a sua idade não significava nada. Ficando claro então, a falta de interesse pela infância naquela época.

A concepção de infância foi mudando ao longo dos séculos. Hoje a criança já é considerada como alguém que tem a sua própria identidade, seus direitos. A infância, hoje, dispõe do Estatuto da Criança e do Adolescente. Antes só existia o Estatuto do Homem, nem sequer da mulher. O movimento social fez com que a criança tivesse lugar na sociedade como um sujeito de direitos. A criança não tinha direito nem à vida, pois a mortalidade infantil era muito grande.

Felizmente, hoje já existe uma consciência com relação à especificidade de cada idade, o que não existia em séculos anteriores. Com relação à educação infantil, houve um grande avanço nos últimos tempos. Atualmente, é possível visualizar uma educação voltada para cada idade, com identidade própria e não apenas como um tempo de preparação para a vida adulta. Isto revolucionou bastante a concepção de infância e contribuiu muito para a construção social da criança enquanto ser humano.

No Brasil, coexistem diferentes modos e oportunidades de criar e educar as crianças pequenas. Essas diferenças devem-se a imensa desigualdade econômica entre as classes sociais. Assim, a diferença entre as crianças e famílias brasileiras fica calcada em um fator extremamente negativo: a enorme desigualdade social.

Em várias famílias brasileiras, devido à situação econômica, os pais enfrentam muitas dificuldades para cuidar e educar seus filhos. Observa-se, por exemplo, famílias pobres, cujas crianças têm um tempo de infância muito reduzido, desde cedo cuidam dos irmãos menores, ficam trancadas em barracos ou perambulando e vivendo de esmolas pela rua. Estas crianças adquirem uma autonomia precoce, mas conservam a tristeza e submissão.

As crianças ricas têm sua infância prolongada, recebem mais cuidados do que necessitam e tornam-se dependentes, pois as pessoas fazem tudo por elas e não com elas. Perdem a liberdade de brincar devido ao temor de seus pais pela sua segurança e nem precisam desejar ou sonhar, pois tudo lhes é dado fartamente.

Hoje, outra idéia de educação para as crianças se faz presente: é a pré-escola. Crianças de cinco e seis anos têm que estar pré-escolarizadas, dominando habilidades da leitura, da escrita, para chegarem rapidamente na primeira série.

Vale destacar que com essa escolarização precoce pode-se dificultar que a criança viva a sua infância. Além disso, existem outras funções que a criança moderna tem que desempenhar como: fazer balé ou capoeira, ter aulas de informática, ter aulas de inglês, natação, etc. Com isto, diminui o tempo dessa criança de brincar, de se divertir, de ser criança. Sem contar aquelas que passam todo o dia em creches devido ao trabalho das mães.

A sociedade perdeu algumas certezas, tornou-se complicado saber qual a melhor maneira de educar as crianças, quais os limites entre as necessidades delas e o que precisam para serem felizes.

A inserção social da criança começou a se difundir com a ampliação da educação em todos os sentidos. Estas mudanças aconteceram em diversas classes sociais. O importante é que a criança passou a ser reconhecida como sujeito de direitos, principalmente o direito de ser cuidada e educada em um ambiente adequado e saudável. E, brincando, a criança apropria-se de sua cultura e constrói a sua identidade como cidadã, desenvolvendo-se em um mundo novo, no século XXI, repleto de inovações tecnológicas, onde predomina um novo paradigma de criança totalmente diferente dos séculos anteriores.

Perfil do Autor

SONIA OLIVEIRA SILVA

Empresária, Graduada em Ciências/matemática, Especialista em Educação Infantil pela FACED, Faculdade de Educação da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e Especialista em Mídia e Deficiência, pela FACOM, Faculdade de Comunicação da UFJF.Possue várias publicações em sites e revistas.