Desenvolvimento Sustentável E Novo Imperialismo: Um Breve Resumo
Realizar-se-á uma breve análise acerca do desenvolvimento sustentável, que é considerado por nós, parâmetro nas discussões da relação desenvolvimento-ambiente no ensino da geografia. Então o segundo ponto principal do nosso trabalho será o de compreender o desenvolvimento sustentável como uma pseudo-solução, e como uma ferramenta do Novo Imperialismo. Segundo alguns autores, como David Harvey e Atílio A. Boron podemos designar a existência de um Novo Imperialismo, principalmente a partir do século XX, por conseguinte, esse Novo Imperialismo seria uma revisitação do antigo, só que em um novo espaço e um novo tempo (HARVEY, 2004), e ao mesmo tempo seria acrescido de novos métodos de exploração, métodos econômicos, como a dívida externa, métodos culturais, como o imperialismo cultural, explicitado com a americanização do mundo... (BORON, 2004).
Através da obra de alguns autores, como C. W. P. GONÇALVES (2004 e 2006), M. L. SOUZA (2000), A. M. RODRIGUES (2005) e J.E.VEIGA (1991), e de esforços mais específicos, como o de L. D. de OLIVEIRA (2003), entre outros, conseguimos detectar a atmosfera ideológica em que se instala essa concepção. Faz-se mister pontuar a origem dessa concepção, os porquês da transformação dessa pseudo-solução em uma verdadeira panacéia, e por final discorrer sobre alguns pontos que corroboram para insustentabilidade dessa concepção, sobretudo, pelo seu caráter ideológico e voltado a atender aos interesses das elites dominantes.
O termo desenvolvimento sustentável emerge na década de 80 do último século, sendo popularizado em 1987 com a produção do Relatório Brundtland, onde se inicia a sua capacidade de aceitação pelas elites dominantes, e a sua reprodução como uma verdade incontestável para quase todo o mundo, por conseguinte, no Brasil, por exemplo, as idéias de desenvolvimento sustentável ficarão claras a partir da Conferência Mundial sobre o meio ambiente em 1992 no Rio de Janeiro, mas conhecida como a “ECO-92”.
Latouche, discorrendo acerca do possível fim (ou redução) da obsessão pelo desenvolvimento e o início da obsessão ou início da era dos desenvolvimentos com adjetivos, afirma que:
“O desenvolvimento sustentável é o maior achado nessa arte de rejuvenescimento de velhas idéias. Constituiu um biscate conceitual que visa mudar as palavras por não poder mudar as coisas, uma monstruosidade verbal por sua contradição mistificadora”. (LATOUCHE 2001 apud RUA 2001 p.5 )
O desenvolvimento sustentável não se constitui apenas em mais um dos desenvolvimentos com adjetivos, essa concepção se diferencia por ter se tornado uma concepção quase unânime (como relata VEIGA 1991), por ter um apelo maior, e uma atmosfera ideológica ampla e sedutora, logo, outras pseudo-soluções, fracassaram na tentativa de popularização, e muitas vezes, como o caso do ecodesenvolvimento, são esquecidas dentro do ideário do desenvolvimento sustentável.
Portanto, a grande margem de defensores dessa concepção deve-se pela grande propaganda que é produzida, vendendo uma imagem, que por sinal, não pertence aos reais objetivos do desenvolvimento sustentável. Deste modo, poderíamos, com o fito de legitimar a ampla aceitação dessa concepção, questionar: Quem não preservaria o ambiente? Ou quem não se preocuparia em conservar os recursos para uma geração futura? Ou ainda, que não desejaria um desenvolvimento econômico para todos, com uma sustentabilidade ambiental? Esses são basicamente alguns apelos, (argumentos assaz persuasivos), que ampliam os reprodutores dos ideais do desenvolvimento sustentável, e que, ao mesmo tempo, retrocedem a discussão em torno da relação desenvolvimento-ambiente, omitindo os principais responsáveis pela degradação ambiental, e transformando essa concepção em um “paliativo claudicante”( para utilizar a expressão de OLIVEIRA 2001).
Contudo, através principalmente do seu ideário persuasivo e voltado a atender as necessidades das elites dominantes, o desenvolvimento sustentável ainda é capaz de obter o consenso de outros segmentos da sociedade, peremptoriamente, das elites, tanto a dos países centrais quanto a dos países periféricos, e de órgãos importantíssimos na economia-política atual, tornando-se, na expressão de M.L. SOUZA, “uma espécie de hipocrisia coletiva” (2005 p.266). O geógrafo D. HARVEY acrescenta nessa discussão salientando que:
“De fato, não é impossível imaginar um mundo no qual a grande indústria (certos segmentos), big governments (incluindo o Banco Mundial) e a ciência vinculada à alta tecnologia e ao establishment poderiam, em nome da ‘sustentabilidade’, da modernização ecológica e de um apropriado gerenciamento global da supostamente frágil saúde do planeta Terra, dominar o mundo ainda mais do que atualmente ocorre”. (HARVEY 1996 apud SOUZA 2005 p.266, 267)
Assim, poderíamos apontar com principais objetivos do desenvolvimento sustentável: [I] Manter uma estrutura (econômica, social, política, cultural, ambiental), sobretudo uma estrutura desigual, que privilegie sempre a classe dominante; [II] Aniquilar um antagonismo de visões sobre o desenvolvimento, presente na segunda metade do século XX, através de construção de um discurso de capitalismo verde, com o fito do consenso, que criou uma espécie de retrocesso nos debates ambientais; [III] Dominar o mundo periférico ainda mais, ou seja, o desenvolvimento sustentável seria uma nova forma dos países centrais dominarem os periféricos, seja através da comercialização da dita “tecnologia verde”, e da implementação de selos verdes para a destruição como o ISO 9000 e até mesmo a política do MDL (mecanismo de desenvolvimento limpo), ou como ressaltado por OLIVEIRA, através da gestão pelos países centrais dos recursos dos países periféricos (OLIVEIRA, 2003).
(Artigonal SC #1411913)
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