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Drogas: Para Onde Vamos Com Isso? Por: NERI DE PAULA CARNEIRO
Drogas: para onde vamos com isso? Há muita controvérsia a respeito do que vem a ser droga. A conceituação é variada e a postura em relação aos resultados derivados do uso e aos usuários também varia. Só há consenso, ao menos formal, no que diz respeito à convicção de que droga não representa algo bom. Tanto que quem a combate afirma que “droga é uma droga!” Hoje se diz que droga é toda substância utilizada para produzir alguma alteração nas sensações, na consciência, na emoção. Essas mudanças podem diminuir ou aumentar as atividades mentais, podem alterar a capacidade de percepção. As substâncias podem ser, também, legais (álcool ou cigarro) ou ilegais (maconha, cocaína, mela), e até medicinais (todo medicamento, a rigor, é uma droga!). Alguns são mais rigorosos e afirmam que toda substância industrializada é uma droga. Em geral há uma certa tolerância em relação às drogas legalizadas, como o cigarro e as bebidas. As eventuais condenações a elas se devem não ao seu poder de produzir dependência, que é uma das características da droga, mas aos problemas de saúde que derivam de seu uso. Essas, “drogas legalizadas” já entraram no mercado e fazem parte do dia-a-dia das pessoas. Basta observar a reação de uma pessoa ao ver alguém fumando um cigarro de uma marca qualquer e a mesma pessoa ficar sabendo que outro alguém está fumando maconha. Há um que de inquietação com relação à maconha e relativa aceitação para com o cigarro. E isso pode ser aplicado às outras drogas. Dá um certo status algumas latas de cerveja, mas com relação ao crack... Embora se saiba dos malefícios do cigarro e do álcool, a propaganda de primeira linha leva a população a aceitar que as pessoas usem essas drogas. Como não há propaganda e, pelo contrario, há um clima geral de repressão à cocaína, maconha, crack, heroína, LSD, Ecstasy, a postura geral é de repulsa. E, o que é pior, condena-se tanto o usuário como o traficante. Essa, portanto, é uma discussão pertinente: o juízo a respeito do usuário. Ele deve ser visto como vitima ou criminoso? E o traficante, pode ser visto como um trabalhador, defendendo seu "ganha pão"? Num mundo de desemprego crescente, servir de “mula” e receber alguns trocados para alimentar os filhos pode ser considerado crime? O crime maior é usar ou vender-distribuir? Como deve ser encarado o pequeno e o grande distribuidor? O que dizer do inegável envolvimento de membros da polícia, uma vez que são presos quase que só os pequenos distribuidores e usuários ao passo que os grandes permanecem quase inatingíveis? Outro bloco de questionamento é a relação que a família deve ter com a pessoa usuária. Até recentemente a postura era tentar fazer, a todo custo, o usuário deixar seu "vício". O foco era sempre a Droga e seus malefícios. Mas já se desenvolve um novo raciocínio: ao frisar o ataque contra a droga, na verdade o que acontece é um reforço da mesma. O mesmo raciocínio vale quando se fala nos malefícios. Também aqui a droga acaba se evidenciando mais do que os males por ela provocados. A nova postura, que se desenvolve na atualidade é de não negar os danos, mas reforçar a necessidade de demonstrar amor e receptividade para com o usuário. É necessário compreender a situação que leva a pessoa ao uso para mostrar que existe algo melhor; que a vida vale mais e deve ser preservada e valorizada acima de tudo; que um problema não se soluciona com outro... E quais seriam as situações que levam ao uso de droga? Os mecanismos são os mais variados e complexos: carência de amor familiar; desvalorização da vida; problemas aparentemente insolúveis, para o indivíduo; depressão; a existência sem sentido. As causas são as mais variadas e de origem as mais diferentes. Mas, basicamente, todas as soluções apontam para um só caminho: a vontade do usuário em sair dessa, em busca de uma melhor. Embora, no momento o melhor para essa pessoa pareça ser permanecer usando a droga. Mais ainda, usar a droga é a solução de um problema, portanto o deixar de usar tem que ser apresentado como uma solução melhor do que aquela que está sendo dada com a utilização da droga. E essa solução nem sempre é evidente, na maioria dos casos precisa ser buscada pelo grupo familiar. Também é bom quebrar um estereótipo sobre o fornecedor. Em geral as pessoas recomendavam cuidado com os estranhos, acreditando que nele residiria o perigo das drogas. Hoje se sabe que o grupo de amigo é o caminho mais próximo para se chegar ao vício. Portanto não se deve ficar preocupado com o perigo da droga vinda dos estranhos, mas cuidar com as companhias. A droga entra pela porta dos amigos e não pelos eventuais contatos com estranhos. A questão Droga, portanto, além de ser encarada como um problema de saúde, social, econômico, familiar, pode ser visto como problema filosófico. Dentro dessa perspectiva se pode analisar o problema da liberdade: usar ou não usar: quem usa é livre para usar? Mas como entender a relação de dependência por ela produzida? Além disso, essa é uma questão inter-relacionada com outras: família, educação no que diz respeito aos resultados de seu uso; de segurança pública, visto que se diz que o mundo do tráfico é violento; produz uma questão ética, visto que no mundo da droga se manifestam outros valores, diferentes daqueles já cristalizados pela sociedade; manifesta, também um problema cultural, uma vez que os valores que se chocam produzem manifestações antagônicas: o mundo do tráfico x o mundo da sociedade que a combate. Apenas para ver como a problemática da droga está relacionada como a família, leia, agora, esta mensagem de Dorothy Low Nolte, com o significativo título: As crianças aprendem o que vivem Se a criança vive com críticas, aprende a condenar! Se a criança vive com hostilidade, aprende a agredir! Se a criança vive com zombaria, aprende a ser tímida! Se a criança vive com humilhação, aprende a se sentir culpada! Se a criança vive com tolerância, aprende a ser paciente! Se a criança vive com incentivo, aprende ser confiante! Se a criança vive com elogios, aprende a apreciar! Se a criança vive com retidão, aprende a ser justa! Se a criança vive com segurança, aprende a ter fé! Se a criança vive com aprovação, aprende a gostar de si mesma! Se a criança vive com aceitação e amizade, aprende a encontrar amor no mundo!
Não pretendo ser modelo para ninguém, nem dizer o que cada um deve fazer. Mas que tal continuar a reflexão? Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação Filósofo, Teólogo, Historiador Leia mais: http://falaescrita.blogspot.com/
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Tags do Artigo: Familia, Droga, Tráfico, Amizade, Juventude, Tipo De Droga, Droga Lícita, Droga Ilícita Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com Perfil o autor:Concluí mestrado em Educação (UFMS), especialização em Educação (UNESC-Cacoal-RO), especialização em Metodologia do Ensino Superior (UNIR-RO), especialização em Metodologia de Leitura Popular da Bíblia (CEBI-RS). Concluí os cursos de graduação em Filosofia, Teologia, História. Sou Professor de História e Filosofia pela rede pública estadual (R. Moura-RO); professor de Filosofia na Faculdade de Pimenta Bueno - FAP (Pimenta Bueno-RO), na Faculdade de Rolim de Moura - FAROL (R.Moura-RO), na UNESC (Cacoal-RO). Radialista e colaborador em jornais da região de Rolim de Moura – RO.
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