Eu e a Pesquisa Acadêmico-Científica

11/09/2010 • Por • 4,603 Acessos

 

Introdução

 

Um dos pré-requisitos para ingresso nos Programas de Mestrado, de muitas Instituições de Ensino Superior, é a apresentação de um pré- projeto ou até mesmo, projeto de pesquisa.

Difícil é compreender que, na atual realidade educacional brasileira, é somente neste nível de ensino que ocorre maior iniciativa com relação à pesquisa acadêmico-científica. É, pois, nos cursos de pós-graduação, que será construído o caminho do conhecido rumo ao desconhecido.

Acostumados que estamos a nos valer do senso comum, o fato que se apresenta de imediato é a dificuldade de se entender o que se anuncia como pensamento rigoroso, que na construção da pesquisa aparece como um dos elementos principais de sua caracterização.

No discurso acadêmico, pesquisa é a marcha do conhecido para o desconhecido, um linear percurso entre partida e chegada. E, por se tratar de conhecimento, parte o sujeito (aquele que conhece) em busca do objeto (aquilo que se conhece), ao mesmo tempo que o objeto por suas propriedades, fornece ao sujeito os elementos que ele precisa para conhecê-lo.

Por isto, há que se definir objetos, procedimentos metodológicos e estar ciente de que é necessário valer-se de um corpo conceitual, próprio à cada discíplina científica.

"Assim, antes de iniciar uma pesquisa, é preciso saber pesquisar e, mais, o que se vai pesquisar" (PEREIRA, 2008, p.45).

Contudo, referências documentais ricas em conteúdo e informações serão insuficientes se o futuro pesquisador desconhecer esses aspectos, cruciais para a pesquisa. Pode-se estar de posse do dicionário mais atualizado, mas, se o pesquisador não estiver de posse do termo correto a consultar de nada valerá tal dicionário.

Mas vale, acima de tudo a ressalva de Pereira (2008, p.23), quando afirma que nossas pesquisas não são voltadas para objetos e, sim, para sujeitos.

Por isto, não acredito em desconstrução do pensamento- soa como destruição. Prefiro referir-me à reconstrução do pensamento.

 Logo, nos primeiros contatos, entre orientador e orientando no Mestrado, são intrigantes e conflitantes os diálogos sobre o tema e o problema de pesquisa.

Procurar pelo objeto da pesquisa gera incerteza, frustração. É quando se descobre que a noção de objeto não está clara. Na maior parte das vezes, o próprio mestrando desconhece o objeto da própria Ciência, na qual se formou.

Outra questão interessante, que convém observar aqui, é que a maioria dos mestrandos não se vê como pesquisador, já que ingressa, com certeza, num programa de Pós-Graduação por conta da exigência para o exercício da docência superior. Assim, o esperado é adquirir titulação para prosseguir na carreira docente. E, neste contexto, a frustração é perceptível.

Ser pesquisador demanda dedicação, muita leitura e interpretação de textos científicos e filosóficos, que requerem atenção redobrada e domínio de terminologias próprias.

Há que se saber, ainda, interpretar os diferentes tipos de discursos e de linguagens, com que se depara.

Nesta perspectiva, ser pesquisador é reconstruir seus próprios pensamentos. É conhecer o pensamento de outros pesquisadores, que há milênios, séculos, décadas, dias pesquisaram e escreveram.

Muito do que parece novo já foi pesquisado, avaliado e validado em um contexto científico. Posto isto, ser pesquisador nos dias atuais, é tarefa árdua.

Contudo, é preciso iniciar. E, de fato, ir em rumo ao desconhecido, para si e para a Humanidade.

E é nesta perspectiva que início minha trajetória na pesquisa acadêmico-científica.

Pensamentos dirigidos pelo senso comum e a experiência como docente na rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo, fizeram-me pensar as Políticas Públicas e a Prática Docente. Realizo em meu projeto de pesquisa para ingresso no Programa de Mestrado, co-relacionar a história da Educação com a minha história na Educação. Descrevo em breve relato as mudanças pelas quais a Educação vem passando nos últimos trinta anos, a responsablidade ou inresponsabilidade dos poderes públicos ao incentivo à pesquisa, falta de pesquisa dos professores e consequentemente de alunos e o desânimo no exercício da prática docente.

Ao ingressar no mestrado na Universidade da Cidade de São Paulo, começa o que chamarei de "aclaramento" do pensamento, com o discurso dos professores que são unanimes em afirmar, a importância  de se descobrir o objeto a ser pesquisado.

E tudo que parece ser conhecido, na verdade é desconhecido, e a indagação esta em, qual meu objeto de pesquisa, como definir o tema, como seguir em uma marcha do conhecido rumo ao desconhecido, se neste momento não há o "conhecido". Este é o momento em que os iniciantes na pesquisa acadêmico-cientifíca, começam o discurso de desconstrução, o qual não compartilho. Já que é neste momento, que acredito que começamos a nos construir pesquisadores.

Já que a pesquisa é iniciada na busca por um objeto, tema, problema, que seja relevante a ser pesquisado.

Para a comunidade acadêmica o discurso não deve ser apenas através de expressão oral, mas sim através da dissertação. E neste contexto há toda uma estrutura e normas a serem seguidas para apresentação da dissertação.

No entanto neste percurso há de se considerar as modalidades do pensamento, que se apresentam como, mítico-dedutivo (afirma), filosófico-indutivo (dialoga) e cientifico-analógico (demonstra). Noutros termos, a marcha do conhecido rumo ao desconhecido acontece pelo sujeito por um ou mais, destes pensamentos. E que o objeto é relevante para a escolha do pensamento. E estes fatores devem ser observados, considerados na pesquisa acadêmico-científica.

Então ao iniciar este novo ensaio à pesquisa e retomando a leitura de meu projeto de pesquisa percebo que não houve uma diretriz estabelecida, sem um objeto especifico. Não tinha um um norte à seguir com a minha pesquisa.

Na busca por um objeto. Deparo-me com a Pedagogia do Sujeito e assim com o sujeito- professor (PEREIRA, 2007). E este só fora descoberto através da pesquisa.

Quando abordada, sobre o meu objeto de pesquisa. Disse que gostaria de percorrer por caminhos que me levassem à descobrir o "ser" educador. E logo nas primeiras aulas descubro que o "ser", tem conotação diferente da qual eu julgava saber

"Nada é. O que é esta deixando de ser, num fluir constante.(Heraclito).  Enquanto que para Parmênides, diz que, "o ser é, e o não ser não é". Assim o ser é (eterno, imóvel, infinito, imutável, único). Não ser é o ente.(fisico, objeto, real, concreto)".

Assim, meus pensamento não foram desconstruído, mas sem "sombra" de dúvida fez com que eu fosse em busca da objetividade da minha pesquisa. Que até então estava amparada no tema Qualidade do Ensino e Prática Docente.

Assim, fui me inteirar sobre A qualidade do Ensino. A primeira frustração, já que grande parte do referêncial teórico o qual tive acesso, relaciona a Qualidade do Ensino, um fator mais de mensuração, (definitivamente não é este o caminho que pretendia percorrer).

Aqui meu pensamento de reestruturação do pensamento, acredito que saber o que não pesquisar, se dá por meio de pesquisa. Não deve ser entendido este como desconstrução. Mas sim uma organização diferente da idéia (sendo que a idéia é a maneira como o pensamento opera).

Contudo, é preciso saber que em uma pesquisa acadêmico-científica estes (pensamentos) devem ser sistematizados.

Que existem diferentes tipos de pesquisas estas podem ser, quantitativa, qualitativa, pesquisa-ação, história de vida, formação de professores e estudo de caso. A escolha desta, retratará um pouco da característica do pesquisador.

Começo a entender que, a ciência do pensamento correto ocorre por meio da co-relação entre idéia, juizo e raciocínio. Que o pensamento ocorre por movimento dedutivo, indutivo e analógico, assim os pensamentos sistematizados (idealismo, realismo e fenomenológico) serão defindos pelo estilo pessoal de cada pesquisador.

Assim, surge o construir-se pesquisador. Já que o pesquisador, a partir de referências, irá adotando um estilo próprio de realizar e conduzir suas pesquisas.

A partir do meu encontro com o meu objeto de pesquisa Pedagogia do Sujeito (PEREIRA, 2007), e com o meu problema de pesquisa A construção do Professor à luz da Pedagogia do Sujeito, pretendo, seguir em minha marcha.

Contudo, não é por outro caminho que encontrarei o que idealizo, como professora da rede Pública Estadual de Educação desde 1995, que é o de apresentar, aos professores, um novo conceito em educação. No entanto, este só se afirmará quando os professores olharem para si e perceberem que é necessário iniciar à pesquisa. Acredito que existe um "interesse", no Currículo da Secretaria do Estado de São Paulo, em difundir este conceito à pesquisa, mas está implícito, para a maioria dos professores. Mas este seria assunto para um outro projeto de pesquisa, dada a extensão de fatos e interesses políticos, que envolve o assunto.

Com o auxílio precioso dos Doutores da Educação, meus professores e orientador, pretendo voar alto meu sonho de pesquisa. Inicio, com a certeza de me construir pesquisadora. Assim seguir, eu e a pesquisa.

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

 FURLANETTO, Ecleide; MENESES, João Gualberto de Carvalho; PEREIRA, Potiguara Acácio. A Escola e o Aluno relações entre sujeito-aluno e sujeito-professor. São Paulo: Averkamp, 2007

 

 GATTI, Bernadete A. Pós-Graduação e pesquisa em Educação no Brasil, 1978-1981.CP 44,p.3-17, fev.1983.

 

 PEREIRA, Potiguara Acácio. O que é pesquisa em educação? São Paulo, Editora Paulus, 2008.

 

Perfil do Autor

katia simone oliveira silva

Mestranda em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo, professora da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Pesquisa em...