|
|
|||||||
| Home |
|||||||
Famílias E Dramas Por: NERI DE PAULA CARNEIRO
Famílias e dramas
Um filho agride o pai e o mata a facadas; um senhor reclama com o gerente do banco que está faltando dinheiro em sua conta, verificam as gravações de acesso ao caixa eletrônico e o homem vê seu filho sacando dinheiro de sua conta; o garoto fora criado e vivia com a avó. Mas numa noite, o rapaz fica irritado porque ela o proibira de sair com alguns colegas pouco recomendáveis, em reação ele a mata, estupra e rouba o dinheiro que ela acabara de receber, da aposentadoria... dentro do supermercado, uma criança de aproximadamente seis anos, pede algo ao pai, que diz não. O menino começa a gritar, rolar no chão e chutar as pernas do pai... depois de muito apanhar o pai compra o que o filho pedia... Esses são só alguns exemplos aleatórios para falar de um desencontro que está se agravando. Um desencontro que tem o outro lado: pais e mães acovardados e que não estabelecem limites para as atitudes dos filhos. E assim, sem limites, os jovens se sentem donos do mundo. Não vamos parar na hipocrisia de dizer que alguns pais também não sejam malandros. E sua malandragem incentiva a postura dos filhos. Entretanto, nos parece, o principal problema é a falta de “pulso firme” dos pais. Mas não é só. Na ausência dos pais, estabelecendo normas e fazendo-as respeitar, outras instituições assumem esse papel. Quem está assumindo esse papel? Podemos resumir da seguinte forma: as crianças, direcionadas pela propaganda. Os valores se inverteram de tal modo que hoje quem diz o que deve ou ao deve ser feito é a propaganda, para que a criança mande os pais comprarem. E, dessa forma, quem dá as ordens dentro do circulo familiar não são os pais, mas as crianças. E são assessorados pela propaganda que diz o tempo todo: “Compre! Mesmo que os pais digam não, compre!” O que vale é a lei do mercado consumista: que compra sem necessidade. E assim os filhos cada vez mais, assumem o controle de tudo. E a coisa não vem de hoje; o problema é antigo e se agrava. Veja a letra desta música, de Tião Carreiro e Pardinho, dizendo que A vaca foi pro brejo: “Mundo velho está perdido, já não endireita mais Os filhos de hoje em dia já não obedece os pais É o começo do fim, já estou vendo sinais Metade da mocidade estão virando marginais É um bando de serpente Os mocinhos vão na frente, as mocinhas vão atrás... Pobre pai e pobre mãe, morrendo de trabalhar Deixa o coro no serviço pra fazer filho estudar Compra carro a prestação, para o filho passear Os filhos vivem rodando fazendo pneu cantar Ouvi um filho dizer: O meu pai tem que gemer, não mandei ninguém casar... O filho parece rei, filha parece rainha Eles que mandam na casa e ninguém tira farinha Manda a mãe calar a boca, coitada fica quietinha O pai é um zero à esquerda, é um trem fora da linha Cantando agora eu falo: Terreiro que não tem galo Quem canta é frango e franguinha... Pra ver a filha formada, um grande amigo meu O pão que o diabo amassou o pobre homem comeu Quando a filha se formou, foi só desgosto que deu Ela disse assim pro pai: "quem vai embora sou eu" Pobre pai banhado em pranto O seu desgosto foi tanto que o pobre velho morreu... Meu mestre é Deus nas alturas, o mundo é meu colégio Eu sei criticar cantando: Deus me deu o privilégio Mato a cobra e mostro o pau; eu mato e não apedrejo Dragão de sete cabeças também mato e não alejo Estamos no fim do respeito Mundo velho não tem jeito, a vaca já foi pro brejo.” Como deixamos chegar a esse ponto? Ocorre que somos a geração pós década de 1960. Lutamos por liberdade e contra as tiranias. Uma delas era a tirania dos pais. Estávamos certos nisso. Nosso erro foi não saber dar o passo seguinte. E aí, invertemos os papéis. Passamos a dizer que: “meu pai não me dava nada. Não serei assim com meu filho. Eu lhe darei tudo.” Esquecemos, ou não nos demos conta, que a criança não quer tudo. Ela quer ser amada, mas como não sabe ainda, o que é certo ou errado, isso deve ser-lhe ensinado. E aos pais cabe isso. Os pais precisam aprender que estabelecer limites não é ser tirano. É uma forma de demonstrar amor.
Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação Filósofo, Teólogo, Historiador http://falaescrita.blogspot.com/
Avalie este artigo:
Current: 0 / 5 stars - 0 vote(s).
Tags do Artigo: Familia, Droga, Violencia Familiar, Propaganda, Educação, Agressão Familiar, Geração Anos 60, Estabelecer Limites Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com Perfil o autor:Concluí mestrado em Educação (UFMS), especialização em Educação (UNESC-Cacoal-RO), especialização em Metodologia do Ensino Superior (UNIR-RO), especialização em Metodologia de Leitura Popular da Bíblia (CEBI-RS). Concluí os cursos de graduação em Filosofia, Teologia, História. Sou Professor de História e Filosofia pela rede pública estadual (R. Moura-RO); professor de Filosofia na Faculdade de Pimenta Bueno - FAP (Pimenta Bueno-RO). Radialista e colaborador em jornais da região de Rolim de Moura – RO.
Artigos RelacionadosDrogas: Para Onde Vamos Com Isso? A Criança Que Aprende A Respeitar E Conviver Com As Diferenças Ainda Na Educação Infantil Contribui Para Um Verdadeiro Processo Inclusivo Criança E Infância Inversão De Valores Educação No Lar Comportamento Truncado Educação Dos Filhos: Tarefa Difícil Gestão Do Tempo Últimos Ciência artigosEtnocentrismo Na Escola Importância Da Educação Ambiental Para A Sociedade Sustentável Apocalipse Amazônico A Infância Que Quero Para O Meu Filho As Consequencias Da Discriminação E Do Preconceito No Ambiente Escolar E Na Sociedade O Tabaco E Suas Conseqüências O Que Você Deve Saber Sobre O Alcoolismo Maconha - Mitos E Verdade Sobre A &Quot;Cannabis Sativa&Quot; Mais artigos de NERI DE PAULA CARNEIROEtnocentrismo Na Escola Apocalipse Amazônico Sistema Falido Para Entender A Moralidade A Educação No Brasil: Avanços E Problemas Em Campanha Esse Vota Meu Herói |
|||||||
|
Categorias do Artigo
|
|||||||
|
|
|||||||