O Que É O Pensamento Sistêmico?

01/01/2009 • Por • 65,110 Acessos

O QUE É O PENSAMENTO SISTÊMICO?



Existe um debate em algumas áreas do conhecimento humano que reivindica uma nova visão de mundo que propõe a superar a crise epistemológica e psicológica que se abate sobre a ciência, sobre a tecnologia, sobre a educação, sobre a cultura, e sobre a sociedade. Essa crise segundo vários pesquisadores sobre o tema é causada pelo excesso de racionalismo, existente na sociedade, na ciência, na educação ocasionado pela extrema fragmentação do conhecimento, da educação, da ciência e da própria pessoa humana. Essa nova visão de mundo reivindicada seria a visão sistêmica.


Os avanços tecnológicos atuais vêm causando uma grande desigualdade social em diversos paises, principalmente nos paises tidos como subdesenvolvidos, temos um grande acumulo de riquezas nas mãos de poucas pessoas, avanços tecnológicos só para quem tem condições financeiras de adquiri essa tecnologia desenvolvida, entre outros fatores que atingem nossa sociedade, fomentando com isso uma enorme desigualdade social gerada por tais avanços e também pelo capitalismo hegemônico.


Questiona-se de que adianta tanto avanço tecnológico e cientifico se a desigualdade social ainda persiste. Esse debate centra-se nas lacunas deixadas pelos paradigmas cartesiano e mecanicista no meio científico e cultural. Para superar tais lacunas e/ou para estabelecer novas bases científicas, surgiu uma corrente filosófica no século XX denominada de pensamento sistêmico, capaz que orientar a sociedade, a educação, a ciência e a tecnologia num novo ideal de mundo e de desenvolvimento.


A fragmentação também é responsável por difundir essa desigualdade social, uma vez que ela deixa de lado a perspectiva do todo, do global e pensa apenas em um fato especificamente isolado, deixando de melhor compreender a realidade.


Segundo a educadora e pesquisadora Behrens o pensamento sistêmico pode ser definido como:


O pensamento sistêmico contrapõe o cartesianismo é uma forma de abordagem da realidade que surgiu no século XX, em contraposição ao pensamento reducionista, ou cartesiano, que visava a fragmentação. É visto como componente do paradigma emergente, que tem como representantes cientistas, pesquisadores, filósofos e intelectuais de vários campos. Por definição, o pensamento sistêmico inclui a interdisciplinaridade (BEHRENS, 2005, p.53)


Atualmente temos um modelo de ciência cujo principio é a racionalidade, a experiência, a comprovação, porem questiona-se se este mesmo modelo, principio serve para a educação, pois na educação o produto não é um simples objeto como na ciência e na tecnologia, na educação o objeto é a pessoa humana.


O pensamento sistêmico, de uma forma geral, pode ser definido como uma nova forma de percepção da realidade. Segundo Capra (1996) quanto mais são estudados os problemas de nossa época, mais se percebe que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes. Deve-se sempre partir do princípio de que o todo e mais que a soma das partes, tendo desta forma o sistema como um todo integrado cujas propriedades essenciais surgem das inter-relações entre suas partes. Entender a realidade sistemicamente significa, literalmente, colocá-la dentro de um contexto e estabelecer a natureza de suas relações.


Capra (1996) apresenta a idéia de inter-relação entre os objetos e seres vivos, as coisas não são separadas, apenas ficam separadas momentaneamente ou mesmo aparentam estar separadas, no entanto temos que ter cuidado com a ilusão, pois a realidade pode ser outra. Os objetos e os seres vivos estão em constante relação, ha uma troca tanto subjetiva como objetiva nessas relações, não podendo ser estudadas, vistas, analisadas, entendidas separadamente.


Segundo Capra a ciência deve estar mais aberta a realidade do todo e não a uma parte deste todo.


A ciência sistêmica mostra que os sistemas não podem ser compreendidos por meio da analise individual. As propriedades das partes não são  necessariamente propriedades extrínsecas, mas precisam ser vistas e entendidas dentro do contexto do todo. Nessa perspectiva o pensamento cartesiano, o pensamento holismo e o pensamento sistêmico apesar de cada qual possuir uma identidade, método e história diferentes, não são diretamente opostos, apenas tomaram caminhos diferentes, visando chegar em algo comum, pensando na busca da verdade do todo CAPRA (1996, p. 51).


Infelizmente o ser humano e a própria ciência criaram preconceitos principalmente com a visão holística e sistêmica e com isso estabeleceram divergências difíceis de serem superadas, porem é necessário uma ruptura nesse modo de pensar.


Perfil do Autor

Robson Stigar

Licenciado em Ciências Religiosas; Licenciado em Filosofia; Bacharel em Teologia; Aperfeiçoamento em Sociologia Politica; Especialização em Filosofia; Especialização em História do Brasil; Especialização em Ensino Religioso; Especialização em Psicopedagogia; Especialização em Educação, Tecnologia e Sociedade; Especialização em Catequetica; MBA em Gestão Educacional; Mestrando em Ciências da Religião. Palavras Chave: Ciência da Religião; Ensino Religioso; Estética; Epistemologia; Ética; Fenomenologia; Filosofia da Religião; Fundamentalismo Religioso