POR QUE AINDA OCORRE EVASÃO ESCOLAR?

12/12/2010 • Por • 1,858 Acessos

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Nos últimos anos defrontamos com profundas transformações mundiais, tanto no âmbito da economia, da política, da cultura, como da educação. Com isso, o desenvolvimento científico e tecnológico tem um papel fundamental na formação do cidadão para a vida e para o trabalho, colocando em discussão os fins da educação e a formação dos futuros profissionais, buscando assim soluções para evitar a evasão escolar e consequentemente garantir um ensino de qualidade para os educandos.

É notório que a educação tornou-se um vetor estratégico para o desenvolvimento sustentável e equitativo. Além disso, o grau de escolaridade constitui-se um dos principais fatores que determinam o nível de empregabilidade dos indivíduos.

Dessa forma, novas propostas para a educação fazem-se necessárias. A inclusão e manutenção do aluno no ambiente escolar é um ponto a ser considerado no desenvolvimento intelectual da sociedade.

 

Novas propostas para a educação fazem-se necessárias. O ensino da EJA, mecanismo de recuperação que oportuniza o aluno se ingressar no processo de ensino aprendizagem  , está sendo convocado a repensar e a transformar seus vínculos com a sociedade. Mas, existem diversos fatores que precisam ser corrigidos e outros eliminados para que as pessoas possam ter mais acesso à escola e, sobretudo poder concluir seus estudos, mesmo que seja de forma acelerada e possa parecer tardia.

As deficiências no ensino que é praticado em todos os níveis manifestam-se, entre outros, na evasão escolar, no alto índice de repetência e no fraco desempenho dos alunos quando colocados diante de situações em que são solicitados a explicitar seu aprendizado.

 

O modelo de ensino tradicional, no qual predomina na EJA, transmitida muitas vezes apenas através da informação verbal e escrita, presente em quase todos os livros didáticos atuais e fortemente enraizada na cultura pedagógica da maioria dos profissionais da área, é impróprio para um efetivo aprendizado neste núcleo. O aluno pode até "aprender" algumas habilidades na solução de determinados problemas específicos, mas na área de exatas principalmente, quase sempre aprende muito pouco ou quase nada. O que ele adquire muito rapidamente é um desinteresse pelo estudo desta área do conhecimento, pois, quando desvinculada da fenomenologia, ela perde seu maior atrativo e passa a ser uma ciência difícil de ser entendida pela maioria dos alunos. Mas é evidente também a dificuldade relacionada à de Linguagens, onde a interpretação e produção textual tem se apresentado precária diante das exigências do mercado de trabalho.

 

É importante ressaltar que os problemas sócio-ecônomicos, psicológicos, de ambientes familiares, questões culturais, as redes de relações, organizações estruturais e curriculares, ações metodológicas e pedagógicas, dentre outros, são elementos que influenciam a trajetória do aluno no processo de ensino. Portanto, diante dos inúmeros fatores possíveis, surgem dificuldade qual especificamente deve ser atacado. Portanto, optou-se por um estudo doagnóstico que pudesse apontar indícios de quais direções futuras poderiam se adotadas

O principal elemento referenciador, para realizar esta pesquisa, encontra-se no elevado número de alunos que evadem da escola  nos turnos matutino e noturno.

EVASÃO E A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS

 

 

 

É comum verificarmos nas falas dos docentes que o aluno não se esforça para entender os conteúdos propostos e que tem sempre desculpas para não acompanhá-los no decorrer do bimestre.

Mas, se o aluno conseguir entender que os conteúdos científicos que precisa aprender podem ser atrativos, úteis e significativos por se relacionarem com seu cotidiano este irá manter uma nova postura de compromisso diante das propostas escolares.

Se o contrário ocorrer e este não percebe que os conceitos propostos são significativos, a cada aula acumula mais dificuldades deixando este incapaz de acompanhar sua turma e as idéias apresentadas pelo mestre. É evidente que seu desinteresse não chegou a escola junto com ele, afinal ele retorna muitas vezes de um período significativo distante da sala de aula ou não, mas ainda assim veio em busca de sua formação. A falta de planejamento do professor pode deixá-lo desmotivado e se sentindo incapaz, uma vez que as atividades propostas "estão cheias de respostas para perguntas que ele não sabe quais" (VASCONCELLOS, 1995, p.38).

Sabe-se que se faz necessário a prática da leitura e da  atenção, para que o aluno avance na sua automatização, já que necessitam de maior atenção e orientação dos docentes que os demais alunos.

Conhecer não é fácil, exige esforço de ambas as partes: do aluno no domínio da leitura, da vontade ou necessidade de aprender e no estabelecimento de ligação entre o novo conhecimento e de conhecimentos anteriores. Do professor na capacidade de não só transmitir, mas a criação de estratégias que motive e envolva o aluno no processo de ensino aprendizagem (VASCONCELLOS, 1995).

 

 

 

 

 

POSSÍVEIS  CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR

 

 

 

Na tentativa de explicar as causas da evasão escolar alguns estudos mostraram que os fatores vinculados aos alunos, como sua motivação, sua capacidade ou herança genética podem determinar certa ação. Outras perspectivas deram ênfase aos fatores sociais e culturais. Visões alternativas  apontam fatores individuais, sociais e econômicos, e atribuem responsabilidade  maior ao próprio sistema educacional, ao funcionamento das escolas e ao estilo de ensino dos professores. Pode se dizer que o fracasso escolar é produto da interação de três tipos de determinantes:

Psicológicos: referentes a fatores cognitivos e psicoemocionais dos alunos. (BRASIL, 2006);

Socioculturais: relativos ao contexto social do aluno e as características da sua família.  ( OLIVEIRA, 2001);

Institucionais: baseadas na escola, tal como métodos de ensino inapropriados, currículo e as políticas públicas para a educação. (AQUINO, 1997).

A pesquisa evidencia a necessidade de mudanças imediatas na prática pedagógica relacionada ao funcionamento da instituição, a rotatividade de professores, a prática dos docentes e desvalorização de disciplinas que não consideram relevantes.  Vasconcellos (1995), diz que a falta de adaptação do aluno somado ao método de ensino das escolas são os responsáveis pela evasão escolar.

A confirmação do autor se mostra na pesquisa por amostragem, realizada com 40 alunos, sendo que 53% destes afirmam que  estão descontentes com os métodos de ensino dos professores.

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

Constituído apenas por parte dos determinantes institucionais, o trabalho reporta-se as questões relacionadas ao trabalho educativo desenvolvido nas escolas públicas. Espera-se nessa perspectiva, oferecer subsídios para o adequado desenvolvimento do trabalho educativo na escola, contando com autores renomados que oferecem significativas contribuições, no sentido de amenizar prejuízos causados pela evasão escolar. Foi possível a partir da pesquisa,  levantar dados importantes da opinião dos alunos, equipe diretiva e professores, quanto o trabalho realizado na EJA. Também foi possível detectar problemas no processo de ensino. Vale ressaltar a intenção da equipe em desenvolver um trabalho de qualidade, buscando romper com a passividade do ensino tradicional que ainda vigora.

Como escreveu Frigotto (1989, p. 200) é preciso instrumentalizar o aluno de maneira que lutar contra as adversidades que a vida lhe impõe, referente às relações econômicas e históricas; a escola importante para a classe trabalhadora é aquela que mostra a contradição nas relações entre a classe dominante e os dominados e condição da negação histórica do saber, imposta aquela, pela classe dominante. A instrumentalização citada aqui é referente ensino da leitura e da escrita e ao efetivo ensino de conteúdos nas diferentes áreas do conhecimento, sendo a educação trabalhada no interior da escola como uma atividade humana e transformadora, inserida no movimento coletivo de emancipação. Seguindo esse raciocínio Balsan (1989), defende a idéia, que a escola e o professor devem ter clareza dos objetivos que pretendem atingir com seu trabalho. Não aqueles objetivos descritos em planos e documentos da escola, mas, sobretudo aos que dizem respeito à prática da escola e do professor; refere-se à intencionalidade do que ensina a importância destinada ao conteúdo em questão, e a maneira que o professor conduz o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma o conhecimento de que a intencionalidade do trabalho educativo está presente, demanda na compreensão da significação profunda adequada intervenção pedagógica determinada por Vasconcellos (1995), de mediação entre o conteúdo e a realidade do aluno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUINO, Júlio Groppa. O mal-estar na escola contemporânea: erro e fracasso em questão. AQUINO, J. G. (Org.). In: Erro e fracasso na escola: alternativas teóricas e práticas. 4. ed. São Paulo: Summus,1997, p. 91-110.

 

 

ARROYO, M. Educação de Jovens e Adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: GIOVANETTI, Maria Amélia, GOMES, Nilma Lino e SOARES, Leôncio (Orgs.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte,

MG: Autêntica, 2006, p.19-50.

 

 

FRIGOTTO, Gaudêncio. A produtividade da escola improdutiva. Coleção educação contemporânea; 3. ed. São Paulo: Cortez, 1989.

 

 

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. RIBEIRO, V. M. (Org.). In: Educação de Jovens e Adultos: novos leitores, novas leituras. São Paulo: Ação Educativa; Campinas: Mercado das Letras, 2001, p. 15-44.

______. Sobre diferenças individuais e diferenças culturais: o lugar da abordagem histórico-cultural. AQUINO, J. G. (Org.). In: Erro e fracasso na escola: alternativas teóricas e práticas. 4. ed. São Paulo: Summus,1997, p. 45-62.

VASCONCELLOS, Celso dos S. Coordenação do trabalho pedagógico: Do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2007