Avaliação Das Condições Atuais Sanitárias: Estudo De Caso Dos ResÃduos Sólidos Do Bairro Farolândia/se
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SERGIPE
DEPARTAMENTO DE MEIO AMBIENTE
GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA EM SANEAMENTO AMBIENTAL
Orientador (a): EMILIANA REZENDE DE SOUZA GUEDES
DANIELA BARBOSA DOS SANTOS
WAGNA ALVES
AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES ATUAIS SANITÁRIAS: ESTUDO DE CASO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DO BAIRRO FAROLÂNDIA/SE
Aracaju
2009
DANIELA BARBOSA DOS SANTOS
WAGNA ALVES
AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES ATUAIS SANITÁRIAS: ESTUDO DE CASO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DO BAIRRO FAROLÂNDIA
Artigo Científico apresentado ao curso de Tecnologia em Saneamento Ambiental para conclusão do curso de graduação.
Aracaju
2009
RESUMO
- O presente artigo enfoca a avaliação dos aspectos atuais da infraestrutura sanitária do bairro Farolândia, especificando o estudo de caso dos resíduos sólidos, contribuindo para a melhor qualidade de vida aos moradores e os visitantes locais.
Palavras Chaves: Ações Antrópicas, Educação Ambiental, Resíduos Sólidos, Saneamento, Saúde.
ABSTRACT
This article focuses on the evaluation of the current health infrastructure in the neighborhood Farolândia, specifying the case study of solid waste, contributing to a better quality of life for residents and location visitors.
Na natureza nada se cria nada se perde tudo se transforma.
1 - INTRODUÇÃO
A palavra Lixo é imediatamente associada a coisas que não prestam a coisas inúteis, velhas, sem valor e que se jogam fora. A Norma Brasileira NBR -10.004 (BRASIL/ABNT, 1987) assim define o lixo: “ resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviço e de varrição (...)”.
Em termos técnicos, o Manual de Saneamento considera que o “Lixo” chamado de resíduos sólidos, são materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos), resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando entre outros aspectos, proteção a saúde pública e economia de recursos naturais.
Os resíduos são divididos quanto à natureza ou origem dos produtos ou quanto aos riscos e potencial de contaminação do meio ambiente. A origem é o principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos e segundo o critério de origem e produção, o lixo pode ser classificado da seguinte maneira:
· Doméstico: gerado basicamente em residências;
· Comercial: gerado pelo setor comercial e de serviços;
· Industrial: gerado por indústrias;
· Hospitalares: gerado por hospitais, farmácias, clínicas, etc.
· Especial: podas de jardins, entulhos de construções e animais mortos.
De acordo com a EMURB (Empresa Municipal de Serviços Urbanos de Aracaju) em 2000 e início de 2001, sua atuação, no que se refere à coleta e disposição de lixo, tem sido de forma inadequada. Segundo o relatório da EMURB, no primeiro semestre de 1999 haviam sido coletadas 126.871,81 toneladas de lixo na cidade, incluídos os resíduos domiciliares, comerciais, clandestinos, hospitalares e entulhos. Todo esse material era transportado in natura para um “lixão” a céu aberto localizado em uma região periférica da cidade de Aracaju, próxima ao aeroporto Santa Maria, sem qualquer tratamento prévio. Esse número caiu no primeiro semestre de 2002, para 112.571,59 toneladas. Além da agressão ao meio ambiente e da condição subumana imposta aos catadores pelo acúmulo indiscriminado do lixo, um volume congestionante de aves de rapina colocava em risco a segurança do tráfego aéreo na região. Não havia sistema de coleta seletiva, nem um aterro sanitário.
O lixo na cidade é coletado e conduzido para o lixão. Um espaço alugado pela prefeitura, onde o material é jogado e aterrado, sem triagem, ou cuidados com infiltração de chorume no solo. O que possibilita um pré-julgamento sobre a contaminação de águas subterrâneas.
O presente artigo tem por objetivo esclarecer de forma direta e indireta resultados gerais dos aspectos sanitários visando à geração do lixo e seus problemas enfrentados. Usando-se métodos empíricos apresentando entrevista direta com 85 moradores, com perguntas abertas e fechadas como também relatórios dos vários problemas relacionados com lixo, entre eles a poluição nas ruas e canais do local.
2 - DESCRIÇÕES DA ÁREA DE ESTUDO
O Bairro Farolândia constitui em uma área de ocupação recente, localizada na parte sudoeste da cidade, com área de 594 hectares, correspondentes a 7,1% do total da capital.
O processo de ocupação se deu a partir do Farol, nas terras anteriormente plantadas com coqueiros pertencentes ao Doutor Niceu Dantas e ao Sr. José Domingos Fontes. As terras foram se valorizando à proporção que a Atalaia estava sendo ocupada, surgindo assim inúmeros loteamentos, no qual o asfaltamento da rodovia Paulo Barreto contribui para a valorização das terras.
A partir da década de oitenta, o processo se acelerou, após a construção do conjunto Residencial Augusto Franco, numa área de 1426.087m2, com 4.510 unidades sendo em 2002 em 3.374 casas e 1.136 apartamentos destinados a uma população de classe média baixa.
É interessante observar que no bairro três situações estão presentes: na parte sul se localiza o conjunto Augusto Franco, entregue a população em 1982 uma verdadeira cidade destinada à classe média baixa; e posteriormente foram construídos os condomínios Vale do Japaratuba e Vale do Cotinguiba com respectivamente 144 e 240, apartamentos, sendo entregue a população em 1987. Na parte leste, os loteamentos destinados aos condomínios de padrão médio e alto, a exemplo do Jardim Mar Azul, com casas de prédios, em terrenos com áreas superiores a 600 metros.
Entretanto, nas proximidades desses loteamentos surgem as áreas de invasão contando com aproximadamente 450 casas, ocupadas por população de baixa, renda vivendo em péssimas condições ambientais e sanitárias. O local em que foi construído o conjunto era uma grande área ocupada por sítios e areais que foi construído no Governo de José Rollemberg Leite.
Atualmente o Bairro Farolândia cresce verticalmente, aumentando assim o número de população do local. De acordo com o Sindicato da Construção Civil no Estado de Sergipe (SINDUSCON-SE), através de pesquisa de mercado realizado em 820 Domicílios preferenciais de bairros para adquirir imóveis, dos quais se destaca o Bairro Farolândia em primeiro lugar e, em segundo o Bairro Grageru.
2.1 - ANÁLISE PRELIMINAR DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BAIRRO
Através de inspeção em logradouros, verificou-se a presença de grande quantidade de lixo, nos bueiros e canais das avenidas, havendo um acúmulo crescente de resíduos, prejudicando o escoamento das águas em períodos chuvosos, tendo assim um transbordamento do canal, inundando ruas e calçadas.
Em relação às ruas, não foi constatado a presença de resíduos sólidos domésticos, pois os próprios moradores limpam suas calçadas todos os dias, e a presença do carro de lixo é regular, nos dias de terça, quinta e sábado.
No local pesquisado, encontrou-se um posto de coleta seletiva, em uma rede de supermercado, mas nem todos os moradores têm conhecimento dessa coleta.
2.2 - METODOLOGIA DE COLETAS E DADOS
Como metodologia de coleta, utilizou-se o método empírico, entrevistando os próprios moradores do bairro, sendo um total de oitenta e cinco (85) entrevistados, perfazendo uma total de 10 perguntas fechadas, conforme modelo de questionário apresentado em anexo. As entrevistas foram realizadas em dias alternados (segunda, quinta e sábado), em horários matutinos, iniciando-se de 8:00 às 11:30 e em locais extremos da Farolândia.
2.3 - RESULTADOS E ANÁLISES
De acordo com o Gráfico 1, dos 85 entrevistados, 1% produz diariamente em resíduos sólidos, uma média de seis sacos de supermercado de 5 litros, 10% cinco sacos, 12% 4 sacos, 35% três sacos, 27¨% dois sacos e 14% 1 saco por dia.
Quantidade de lixo produzido por dia (Saco de 5 l-sacos de supermercado
)
1%
10%
12%
6
5
14%
27%
35%
4
1
2
3
Percentage por Pessoa
Sacos
Gráfico 1 – Quantidade de lixo produzido por dia.
Em relação ao local de acondicionamento do lixo a ser coletado na porta, o Gráfico 2 indica que 60% dos entrevistados acondiciona o lixo em sacos de supermercado, 21% em recipiente retornável, 19% em sacos comuns de lixo e nenhuma pessoa das entrevistadas utiliza sacos específicos para lixo.
Gráfico 2 – Local de acondicionamento do lixo a ser coletado.
O Gráfico 3 indica o conhecimento do destino dado ao lixo de Aracaju. Dos entrevistados 72% disseram que sabem e 28% disseram que não sabem do destino dado ao lixo.
Gráfico 3 – Conhecimento do destino dado ao lixo coletado em Aracaju.
A partir do Gráfico 4, que indica o conhecimento do significado da Coleta Seletiva, percebe-se que 75% dos entrevistados conhecem o processo e 25% não sabem o que significa.
Gráfico 4 – Conhecimento do significado da coleta seletiva.
O Gráfico 5 mostra se a população tem conhecimento sobre a Coleta Seletiva em seu bairro. Do gráfico, 68% disseram que sim e 32% não sabem.
Gráfico 5 – Conhecimento da coleta seletiva no bairro.
O Gráfico 6, relaciona a contribuição da população com a coleta seletiva. Percebe-se, a partir do gráfico que 60% dos entrevistados contribuem para a coleta seletiva, e 40% não contribuem.
Gráfico 6 – Contribuição para a coleta seletiva.
O Gráfico 7 indica que todos os entrevistados separam os materiais para a coleta em seco-úmido (orgânico/recicláveis)
Gráfico 7 – Formas de separação dos resíduos para a coleta seletiva.
O Gráfico 8, de acordo com a entrevista, referente à opinião das atividades dos catadores de lixo no bairro, 41% disseram que eles contribuem para a reciclagem, 32% sujam as ruas, e 18% atrapalham o trânsito e 9% é uma forma de trabalho.
Gráfico 8 – Opinião sobre as atividades dos catadores.
No Gráfico 9 indica que todos os pesquisados não tem o habito de jogar lixo no chão.
Gráfico 9 – Hábitos em jogar lixo no chão.
O Gráfico 10 refere-se a atitude ao ver alguém jogando lixo no chão. Conclui-se que 88% ficam indignado, mas não se manifesta e 12% fica indignado e chama atenção da pessoa.
Gráfico 10 – Reação ao ver alguém jogar lixo no chão.
3 - CONCLUSÃO
Contudo a avaliação dos aspectos sanitários do bairro Farolândia, enfocando os resíduos sólidos, mostram a enorme deficiência da população no nível de conscientização da Educação Ambiental trazendo como principais conseqüências: a grande quantidade de lixo produzido diariamente pela população sem que haja uma preocupação em minimizar tal quantidade; a forma de disposição desses resíduos que em nenhum dos casos são utilizados sacos específicos para cada tipo de resíduo devido tanto a falta de conhecimento quanto a ausência da Coleta Seletiva.
A maior parte da população separa o lixo seco do úmido (orgânico do inorgânico), o que de certa forma facilita a coleta e auxilia no trabalho de alguns catadores que em muitos casos recebem os resíduos como garrafas Pet’s e latinhas de alumínio. Essa atitude foi comprovada com a afirmação da maioria da população de que os catadores contribuem para a reciclagem.
Um dos pontos favoráveis foi a unanimidade da população quanto ao hábito de não jogar lixo no chão e de ficarem indignados em ver alguém cometer tal ato.
Com essas informações notamos que a maior necessidade do bairro é um investimento na Educação Ambiental, primeiramente divulgando o ponto de coleta seletiva que se localiza em uma rede de supermercados do bairro, como também informando o quanto a forma incorreta de acondicionamento provoca o surgimento de vetores causadores de graves doenças aos seres humanos e por ultimo incentivar as autoridades quanto ao maior investimento na Educação Ambiental, sem a qual é impossível gerar mudanças nos hábitos da população em geral.
4 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR-10.004 Apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos – Procedimentos. Rio de Janeiro. 1987. 9p.
Manual de Saneamento. 4. ed. Ver. – Brasília: Fundações Nacionais de Saúde, 2006.408p.
NUNESMAIA, Maria de Fátima da Silva. Lixo: soluções alternativas - projeções a partir da experiência UEFS. Feira de Santana: Universidade Estadual da Feira de Santana: Editora da UEFS, 1997. 152p.
ROCHA, Aristides Almeida. A historia do lixo In: Resíduos sólidos e meio ambiente no Estado de São Paulo. São Paulo: Secretaria do meio Ambiente/Coordenadoria de Educação Ambiental. Encontro Técnico, 1992. 144p.
SINDUSCON-SE
ANEXO – MODELO DE QUESTIONÁRIO
AVALIAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E PERCEPÇÃO AMBIENTAL
LEVANTAMENTO NO BAIRRO FAROLÂNDIA
1. Em média, qual a quantidade de lixo que você produz por dia (sacos de 5L-sacos de supermercado)?
_______________________________________
2. Onde você costuma acondicionar o lixo para ser coletado?
( ) Em sacos de supermercado
( ) Em sacos comum de lixo
( ) Recipiente retornável
( ) Em sacos específicos para dada tipo de lixo
( ) Outros:_____________________________
3. Você tem conhecimento do destino dado ao lixo coletado em Aracaju?
( ) Sim ________________________________
( ) Não
4. Você sabe o que significa Coleta Seletiva?
( ) Sim
( ) Não
5. Você sabe se no seu Bairro tem Coleta Seletiva?
( ) Sim
( ) Não
( ) Desconheço
6 Você Contribui para a Coleta Seletiva?
( ) Sim
( ) Não
7 Como você separa os materiais para a Coleta Seletiva?
( ) seco/úmido ( orgânico/recicláveis)
( ) por tipo de material( Ex: papel, plástico, vidro)
8. Qual sua opinião quanto à atividade dos Catadores em Aracaju?
( ) Contribuem para a reciclagem do lixo
( ) sujam as ruas de lixo
( ) atrapalham o trânsito
( ) é uma forma de trabalho
9. Você tem o hábito de jogar lixo no chão?
( ) Sim
( ) Não
12. Se você vir alguém jogando lixo no chão, qual a sua atitude?
( ) não se importa
( ) fica indignado, mas não se manifesta
( ) fica indignado, e chama atenção da pessoa
(Artigonal SC #1270244)
Palavras-chave do artigo:
ações antrópicas
,educação ambiental
,resÃduos sólidos
,saneamento
,saúde.
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Gerar eletricidade a partir de um moto perpétuo com rendimento acima de 100% pode parecer impossÃvel para as "leis da fÃsica" dominantes hoje. Mas no século XIX também era "impossÃvel" o vôo de um aparelho mais pesado do que o ar.
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a Filosofia da Ciência é também a própria Ciência refletindo sobre si mesma...
O presente artigo enfoca a avaliação dos aspectos atuais da infraestrutura sanitária do bairro Farolândia, especificando o estudo de caso dos resÃduos sólidos, contribuindo para a melhor qualidade de vida aos moradores e os visitantes locais.


