História Da Mecânica Quântica 5: Os Princípios De Complementaridade E Correspondência

01/02/2010 • Por • 885 Acessos

História da Mecânica Quântica 5: Os princípios de complementaridade e correspondência.

 

Artigo IV

Este artigo foi extraído do artigo O Nascimento da Mecânica Quântica. O intuito de publicá-lo separadamente nasce do desejo de tornar a pesquisa do assunto em questão mais acessível e didática.

 

  Os princípios de complementaridade e correspondência.

 

    A complementaridade também é outra importante característica da realidade revelada pela física quântica. Para Niels Bohr, as naturezas ondulatória e corpuscular não são antagônicas, são complementares. O conceito físico de complementaridade possui evidentes raízes filosóficas na Dialética, na qual, os opostos, ao invés de anularem-se, se combinam, gerando o desenvolvimento de um novo resultado e o aparecimento de uma realidade que transcende a dicotomia inicial.

  Os elétrons são “ondiculas”; uma fusão destas duas naturezas, a corpuscular, e a ondulatória.. Quando realizamos experiências que revelam o padrão de difração, captamos o aspecto de onda, quando verificamos sua trajetória definida em uma câmara de condensação (de Wilson) revelamos seu aspecto de partícula. (Goswami, 2007);

 

O princípio de complementaridade de Bohr assegura-nos que, embora os objetos quânticos possuam os atributos de onda e partícula, só podemos medir um único aspecto da ondicula com qualquer arranjo experimental, em qualquer dada ocasião. Pela mesma razão, escolhemos o aspecto particular da ondicula que queremos ver ao escolhermos o apropriado arranjo experimental.”

(Amiti Goswami – O Universo autoconsciente – Rio de Janeiro, 2007 – pg. 64)

 

  O princípio de correspondência é igualmente importante para e física quântica. Para Niels Bohr, há uma correlação harmônica entre duas realidades tão distintas, o micro mundo dos fenômenos quânticos, e o macro mundo dos objetos clássicos. Isto é, os dois níveis se relacionam sem anularem-se. As leis da física clássica permanecem válidas quando aplicadas aos macro-objetos e à grandes dimensões. Da mesma forma, embora todo macro-objeto seja formado por objetos quânticos, as leis da realidade quântica, probabilísticas, não se aplicam ao mundo físico de grandes proporções. Ou seja; embora a ‘‘onda cadeira’’ esteja se espalhando, essa função de onda da cadeira é tão complexa, envolvendo tantos milhares de partículas quânticas, que o movimento ondulatório da cadeira se torna lento demais para ser percebido. Deste modo, se podemos esperar que um único elétron tenha um comportamento fantasmagórico, desaparecendo à nossa frente e reaparecendo em outro ponto do espaço-tempo, espalhando-se como uma onda de probabilidades, o mesmo não podemos esperar de um copo. O copo, por ser um objeto complexo, pesado e denso, de tantas partículas que possui, está sujeito às leis da mecânica clássica, que se aplicam aos corpos materiais de grandes dimensões, por exemplo,de um grão de sal, aos super-aglomerados de galáxias. (Pode parecer, portanto, que o domínio da mecânica clássica é mais amplo do que o da mecânica quântica, por se aplicar a um espaço maior. Mas isso não é verdade. Na realidade, o mundo do “infinitamente pequeno” , é “infinitamente grande”. Em um único átomo, por exemplo, a distância do núcleo até a borda atômica, pode ser proporcionalmente maior do que a distância entre o centro de uma galáxia e os seus confins).

Perfil do Autor

Vinicius C. da Silva

Vinicius Carvalho da Silva é bacharelando concluinte em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Monitor em Filosofia da...