Os efeitos da modernidade conservadora no Brasil

11/07/2010 • Por • 833 Acessos

A década de 60 foi marcada por grandes transformações políticas, sociais e econômicas. João Goulart assumiu a presidência do Brasil, com amplos poderes, já em 1963 após o plebiscito, onde o povo exigia a volta do regime presidencialista, entretanto, o governo de João Belchior Marques Goulart (também chamado de Jango) não foi fácil, pois muitos eram os problemas que o país enfrentava ainda dos governos passados.

O governo de Jango acabou com o golpe militar de 1964, quando o Brasil se ajustava politicamente aos EUA com o apoio dos militares. O regime militar se arrastou até o ano de 1985, quando foi eleito o primeiro presidente civil, Tancredo de Almeida Neves.

Chamou-se de modernização conservadora ao movimento que representou inicialmente o período de crescimento econômico que passou o Brasil após a revolução de 1964. Houve realmente o dito crescimento, pois iniciou-se a abertura do comércio, a entrada do capital internacional que resultou no aumento dos investimentos e a instalação de empresas multinacionais, entretanto, como o sistema político ajudava a escolha de brasileiros para altos cargos das multinacionais instaladas no país, a corrupção com lavagem de dinheiro começava a acontecer.

O autoritarismo do regime militar fez com que o país ficasse preso ao sistema implantado, muito conveniente e lucrativo para poucos, mas sem possibilidades de melhoria para a classe mais pobre.

Na realidade, o sistema da modernização conservadora ajudou a concentrar poder e dinheiro nas mãos de poucos, tanto é que, aproveitando-se da situação após um certo período empresas fantasmas começaram a aparecer e se disseminaram de tal forma que houve auditorias realizadas no período de meados de 70 a meados dos anos 80 nessas empresas que ajudaram a fechar boa parte desses empreendimentos.

O Brasil, ao invés de haver o crescimento esperado e duradouro, logo entraria num processo de complicações econômicas, em face disso, entendo que, a chamada modernização conservadora, foi um conjunto de medidas paliativas e convenientes a um grupo pequeno e de certa maneira instaurou uma "falsa" modernidade no país, que acarretou posteriormente em muitos prejuízos, não modificando em nada a desigualdade social existente.

Para demonstrar historicamente a continuidade dos acontecimentos, ainda na década de 70 o país sofre com a chamada Revolução Verde, que representou acontecimentos que demonstravam ajudar no desenvolvimento agrícola, onde agrônomos e outros pesquisadores de países industrializados desenvolveriam um conjunto de técnicas (pacotes agroquímicos e sementes modificadas) para  aumentar gigantemente  a produtividade agrícola e resolver o problema da fome nos países em desenvolvimento, porém, ocorreu justamente discrepâncias e o efeito não foi tão positivo como esperado. Logo, além de não resolver o problema da fome, houve aumento da concentração fundiária e a dependência de sementes modificadas conturbou as ações dos pequenos proprietários agrícolas.

Para se ter idéia, após a  introdução destas técnicas em países subdesenvolvidos ocasionou  um crescente nível na produção agrícola de países que não eram industrializados. Só para citar, exemplos de países como a Índia e o Brasil se beneficiaram com a produção em larga escala, mas se por um lado o Brasil desenvolvia agrícola e economicamente, por outro, se prejudicava tanto ambiental como culturalmente, uma vez que as várias técnicas agrícolas que ajudavam na produção de alimentos em níveis mais altos, não representava uma resposta positiva por parte dos pequenos proprietários agrícolas que não conseguiam manter as técnicas de forma eficaz.

Assim, a ideia, de certa forma, era de desenvolvimento de poucos e de atraso para muitos, colaborando para a desigualdade no campo e o aumento da degradação do ambiente. Pode-se dizer assim, um caso de modenização conservadora que não ajudou por muito tempo.

 

Perfil do Autor

Flavio Andrade

Flávio Andrade é graduado em Administração pela Universidade Estadual do Maranhão, pós-graduado em Administração pública e é mestrando...