Revisão Teórica Sobre Desenvolvimento

Publicado em: 30/09/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 2,204 |

DEBATE TEORICO SOBRE DESENVOLVIMENTO

 Nesta seção se introduz um breve panorama do que se pode intitular de modos alternativos de interpretação do desenvolvimento econômico. Esse tema “desenvolvimento econômico” foi criado originalmente não divorciado do comércio exterior e com sinônimo de crescimento econômico, mas a partir da segunda grande guerra vão adquirindo um novo sentido com os chamados teóricos desenvolvimentistas (GONÇALVES, 1998).

 No entanto, o principal objetivo não é fazer um percurso histórico do seu engenho, mas discutir numa perspectiva moderna pós-segunda guerra mundial quais foram às interpretações das diversas escolas econômicas e principalmente as sugestões e implicações de política econômica que motivaram as estratégias de desenvolvimento.

O comércio internacional sempre foi a motriz das economias, de um lado porque dele se obtém os ganhos necessários para produção e reprodução material da sociedade, uma maior densidade de capital, por sua vez, vai sendo obtida à medida que se leva a efeito a acumulação, que é impulsionada pelos progressos técnicos, necessários para garantir sua continuidade (RODRIGUEZ, 1981).

Todavia, a teoria do desenvolvimento no pós-guerra argumentava que os países  subdesenvolvidos possuíam características intrínsecas e por isso mesmo o arcabouço teórico tradicional (ortodoxo) era inadequado para discutir o fenômeno. Segundo Kitamura (1968) são estáticas as teorias ortodoxas do comércio internacional na condução do desenvolvimento econômico, num mundo em constante mudança o livre jogo das forças de mercado só tendem a reforçar os desníveis de status entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

 2.1 ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

O desenvolvimento começa quase sempre quando, um determinado setor de um pequeno país produz excedentes exportáveis ao lado de uma economia de subsistência, determinando dessa forma sua inserção externa baseada em recursos produtivos disponíveis. Nesse sentido, a monetarização desses segmentos setoriais da economia ao vender para o mercado externo seus excedentes, passa a adquirir moeda e demandar outros bens necessários ao processo de produção vigente (WILLIAMSON,1988).

Dado este passo inicial, um país que tenha atingido este estágio começa a gerar ofertas cada vez maiores dos fatores de produção necessários para a expansão do setor moderno. Todavia, a questão principal agora passa a ser, qual a orientação de mercado que deverá ser dado ao patamar da oferta estabelecida, para que o processo de produção seja efetivado e o ciclo de produção não seja interrompido.

A literatura econômica reserva quatro alternativas de estratégias possíveis, a saber, o crescimento equilibrado, exportações tradicionais, exportações não-tradicionais e substituição de importações. Cada estratégia criou em si uma dinâmica, que aliada a uma lógica de políticas públicas implementadas resultou numa inserção junto ao comércio internacional.

O crescimento equilibrado, que tem como seus principais expoentes o economista austríaco Paul Rosenstain-Rodan e o economista Ranger Nurse, argumentava que uma expansão isolada da produção de uma ou duas indústrias estava fadada ao insucesso, devido ao não aumento do poder aquisitivo de outros setores da economia, que eram potencialmente consumidores do excedente da produção (WILLIAMSON,1988). Assim, a única forma de consumir os excedentes da produção era através da flexibilização dos preços, mas por outro lado à rentabilidade para a manutenção da produção ficaria comprometida, inviabilizando o consumo de outros bens. A solução para o dilema seria segundo a corrente a expansão equilibrada em muitos setores, de forma a manter uma demanda intermediária e final entre eles.

Alternativa são as exportações tradicionais, destinando as ofertas adicionais de fatores de produção aos setores que já se encontram produzindo para o mercado externo, pois, entende-se que os mesmos já dispõem de vantagens comparativas e nesse caso o mercado internacional passa a ser o principal componente da demanda adicional e os proventos dessa exportação serão usados para aquisição de produtos no mercado externo (WILLIAMSON,1988).

Outra possibilidade é desenvolver outros setores para exportação, incorporando na pauta do país, produtos com demanda mais elástica que possibilitem melhores termos de troca, e à medida que as exportações avancem gerando receitas (divisas) o processo de aquisição de insumos para a manutenção do processo continue, caracterizando uma inserção externa na exportação de produtos não-tradicionais (WILLIAMSON,1988).

A quarta e última possibilidade são estabelecer novas industrias para substituírem as importações, e nesse caso o componente de aumento da demanda agregada passa a ser o mercado interno, e não o externo. Diferente do primeiro caso (crescimento equilibrado) a substituição de importações tem uma dinâmica que pode gerar o crescimento de setor em setor. A eliminação de algumas importações libera divisas para a compra de insumos necessários no mercado externo ou alguns bens intermediários podem começar a ser produzido no próprio país (WILLIAMSON,1988).

A proposta que se encarregou de disseminar em todo o mundo a estratégia por substituição de importações foi à escola estruturalista, a partir da ruptura com o pensamento econômico ortodoxo, especificamente no período pós-segunda guerra. A Cepal motivou o processo e introduziu conceitos e teorias novas como a concepção centro-periferia, os mecanismos de deterioração das relações de troca e até algumas concepções de dependência.

Em princípio, embora haja uma diversidade de estratégias a ser empregado pelos países em desenvolvimento, o que há basicamente é a opção entre produzir com uma orientação ao mercado interno (industrialização por substituição de importações), e pelo desenvolvimento industrial voltado para o mercado externo (promoção das exportações), ainda que a escolha por uma das estratégias não exclua a outra.

Segundo Balassa (1982), a opção entre produzir para o mercado interno ou externo, são definidas como estratégias de desenvolvimento introvertidas e extrovertidas, casos os incentivos sejam claramente em favor do mercado doméstico, cria-se um viés contra exportação em apologia a substituição de importações e seu reconhecimento se expressa pela pelas estimativas de incentivos médios.

Para Canuto (1994) existem duas estratégias de desenvolvimento: a orientação para dentro (introversão ou substituição de importações), que corresponde ao “voluntarismo” no que diz respeito ao padrão normal, e se diferencia desta exatamente porque realoca os recursos da exportação para importação; e a orientação para fora (extroversão ou promoção de exportação) de acordo com os princípios da vantagem comparativa que permitem os setores desenvolverem economias de escala, a partir do crescimento da renda, poupança e capital físico-humano.

A grande maioria dos países menos desenvolvidos, independente da dotação de recursos naturais herdados adotou como estratégia de desenvolvimento industrial a substituição de importações, onde a dinâmica ocorria no sentido de importar bens de investimento para produzir bens de consumo anteriormente importados, para atender ao mercado doméstico.

As exceções a esta generalização foram Hong-Kong, Singapura, Coréia do Sul e Taiwan caracterizados por adotarem estratégias de industrialização “voltadas para fora”. Em termos gerais, a industrialização por substituição de importações foi pensada como estratégia mais ampla de desenvolvimento, e não restritamente uma política de industrialização (COLMAN; NIXSON, 1981)

 

        

 

2.2 O DEBATE TEÓRICO SOBRE DESENVOLVIMENTO

Quando o argumento inicial em favor do crescimento equilibrado deixou de ser atrativo, o espaço para o debate teórico do desenvolvimento enveredou-se para uma opção relativamente autárquica da substituição de importações sustentadas por uma política protecionista e a opção voltada para o mercado interno como principal componente da demanda agregada.

Partindo de um contexto histórico específico, a saída seria adotar uma política deliberada de intervenção governamental em busca do desenvolvimento industrial utilizando-se de instrumentos de política comercial protecionistas com vistas a proteger a industria nascente da concorrência externa, sob a alegação que caracteriza as concorrentes externas como industrias já consolidadas nos países desenvolvidos. Por outro lado, também já estava iniciando o problema do protecionismo, presentes nos países industrializados, o que dificultava a inserção externa dos países em desenvolvimento.

No entanto, estava mais do que claro entre as economias em desenvolvimento que a inserção externa dependeria de uma opção mais vantajosa, que ficaria a critério dessas economias, tratava-se de optar dada as circunstãncias se era mais vantajoso expandir a fatia do mercado interno atendida por fontes internas ou conseguir expandir as exportações dos produtos com demanda internacional crescente, as chamadas manufaturas.

 2.2.1 A escola neoclássica

A partir de 1870, o pensamento econômico passava por um período de incertezas diante de teorias contrastantes (marxista, clássica e fisiocrata). Esse período conturbado só teve fim com o advento da teoria neoclássica, em que se modificaram os métodos de estudo econômicos. Através destes buscou-se a racionalização e otimização dos recursos escassos.

Conforme a teoria neoclássica, o homem saberia racionalizar e, portanto, equilibraria seus ganhos e seus gastos, é nela que se dá a consolidação do pensamento liberal. Doutrinava um sistema econômico competitivo tendendo automaticamente para o equilíbrio, a um nível de pleno emprego dos fatores de produção. A principal preocupação dos neoclássicos é o funcionamento de mercado e como se chegar ao pleno emprego dos fatores de produção, baseada no pensamento liberal.

A construção do conceito de produto de equilíbrio, como resultado do livre jogo das forças econômicas (oferta e demanda), é uma hipótese do sistema econômico que se funda na lógica do mercado, exatamente por isso é apropriado para o emprego na interpretação do sistema capitalista. O escólio da inserção no mercado internacional dos países em desenvolvimento na perspectiva neoclássica se fundamenta nesse arcabouço teórico.

Para Canuto (1994), a constância de alguns parâmetros, tais como: (tecnologia, preferências, distribuição familiar das dotações de fatores), bem como a possibilidade de que as transações fora do equilíbrio sejam evitadas ou revertidas sem seqüelas, devido à flexibilização de preços e salários,  a posição nocional de equilíbrio geral se torna um centro de gravidade mediante modificações nos preços que vão promovendo reposicionamento dos agentes na forma individual da aquisição, produção e vendas.

Os agentes econômicos adotam um comportamento de maximização das necessidades, por isso a produção esta sempre no seu nível máximo, as decisões se realizam com base em expectativas formuladas em condições de certeza ou de risco calculado. Existe suficiente flexibilidade de processos produtivos, que envolve diversas opções entre a melhor alocação de recursos.

O paradigma neoclássico não admite a presença de assimetrias concorrências sustentáveis, em longo prazo, entre os agentes operantes e os possíveis entrantes, pois, admite-se que: a tecnologia é um bem livre; a flexibilidade perfeita dos processos produtivos impede qualquer ganho extra pela diferença de custos; os mercados de capitais são perfeitamente competitivos o que facilita qualquer volume de financiamento (CANUTO, 1994).

A literatura neoclássica tem procurado explicar que a persistência do subdesenvolvimento e as diferenças na inserção externa dos países de industrialização tardia são resultados dos mercados de fatores e produtos, que notadamente nos NICs são distorcidas e ineficientes. A principal fonte das imperfeições alegadas é a intervenção do governo na economia, intervenção que busca, sobretudo a rápida promoção da alocação eficiente de recursos através da eliminação das divergências entre os preços de mercado e os preços sociais.

Segundo esta escola, o não cumprimento deste pressuposto pode criar uma intervenção excessiva que permita ou estimule o desenvolvimento exagerado de práticas e políticas protecionistas, que violem o principio da vantagem comparativa e de lugar a distorções nos mercados internos, tanto de fatores como de produtos, gerando em muitos casos superavaliação do trabalho e da moeda nacional e subavaliação do capital (COLMAN; NIXSON, 1981).

A escola neoclássica entende que esta diferença de desempenho, tanto macroeconômico quanto industrial, entre Leste Asiático e América Latina possui uma profunda relação com a adoção de postura do governo junto ao mercado. Dentro deste panorama, a análise neoclássica procura explicar que o sucesso de tais experiências está longe de ser entendido como um milagre, ou então como simples obra do acaso e da sorte, mas sim como resultado de uma bem-sucedida exploração de oportunidades reveladas pelo mercado; sobretudo aquelas orientadas para o mercado externo.

O fraco desempenho econômico dos países latino-ameri­canos teria sido conseqüência do bloqueio imposto às oportunidades apresentadas pelo mercado. A implantação de uma industrialização substitutiva de importações (ISI) teria representado uma tentativa desesperada de promoção de desenvolvimento que teria sufocado o funcionamento natural do mercado, impedindo-o de sinalizar as melhores oportunidades a serem seguidas (RODRIGUEZ, 1981).

Em suma a escola neoclássica justifica que, a proteção deveria ser diminuída e racionalizada, os controles de importações removidos, a taxa de cambio mantida próxima do equilíbrio e o livre jogo das forças de mercado estimulado. O resultado destas políticas de caráter liberal seria, um aumento da competição entre as firmas nacionais e estrangeiras em favor de uma melhor eficiência produtiva.

A inserção internacional dependeria assim não de políticas compensatórias encorajadas as expensas de outros setores, mas fruto da alocação eficiente dos recursos produtivos, dado o patamar estabelecido da concorrência externa. Os benéficos seriam proporcionados pelo intercambio internacional, quando fundamentado em especializações que conduzem a ganhos de escala e custos de produção menos onerosos.

Segundo Rossetti (2000) as preposições teóricas da corrente neoclássica revelam que em trajetória de longo prazo, a mesma é estável por natureza. São as más intervenções dos formuladores de política econômica que interferem no curso normal da economia, produzindo flutuações de altos custos sociais. Para os novos clássicos a política publica deveria ser passiva em relação ao equilíbrio macroeconômico

 

 

2.2.1.1 Crítica estruturalista

            A revisão contundente dos pressupostos neoclássicos partiu da escola estruturalista que percebem nos modelos teóricos neoclássicos como nos trabalhos de Hecksher-Ohlin e Samuelson representavam uma abstração que violentava a realidade econômica, e que na verdade as relações internacionais entre países centrais e periféricos se caracterizavam pela desigualdade entre os ganhos do comércio. Estava presente uma dificuldade de inserção externa decorrente das condicionantes internas estruturais que impossibilitavam um crescimento sustentado das exportações.

             Ao contrário dos neoclássicos a escola estruturalista, dada a relação centro-periferia, enxerga o estado como um verdadeiro agente econômico, principal indutor do desenvolvimento, uma vez que a periferia devido a suas características estruturais não respondia ao livre jogo das forças de mercado. Nesse sentido, essas imperfeições que traziam ganhos assimétricos no mercado internacional deveriam ser corrigidas através de políticas estatais e não exclusivamente pelas leis de mercado.

            A assimetria nas relações internacionais corresponde a ponto de ruptura com a escola neoclássica. As diferenças nas estruturas produtivas entre periferia e centro colocariam de imediato a tendência ao afastamento dos níveis de produtividade e renda entre um pólo e outro na economia mundial (PREBISCH, 1967).

            Segundo a corrente estruturalista se a premissas da teoria neoclássica estivessem correta, as relações comercias entre centro e periferia por meio da melhoria dos termos de troca para o último grupo de países, os frutos do progresso técnico no mundo, o que levaria a renda dos diversos países a igualação relativa. Isto porque com os preços dos diversos bens caindo proporcionalmente ao avanço do progresso técnico e da produtividade, e levando em conta a hipótese de progresso técnico mais forte na industria do que na produção primária, poder-se-ia esperar que os preços do alimento e matéria-prima em termo do produto industrial subissem. Desse modo, a renda periférica, em termos de produtos industrias, cresceria em proporção maior do que o aumento da produtividade do trabalho nesse grupo de países (RODRIGUZEZ, 1981).

            Segundo Prebisch (1951) inexistia a preocupação da teoria neoclássica do comercio internacional, sintetizada no modelo Heckscher-Ohlin, com os termos de intercâmbio entre pólos defendidos da economia mundial. Os estudos empíricos contidos em documentos da CEPAL revelam que estes termos evoluíram desfavoravelmente à periferia.

            Os pontos de sustentação da critica estruturalista foram: baixa elasticidade – preço dos produtos primários como resultado de um efeito da concorrência intensa entre os países fornecedores, bastante próxima de estrutura perfeitamente competitiva; baixa elasticidade renda da maior parte dos produtos primários sujeitas à influência da lei de Engels sobre comportamento da procura de bens inferiores; retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportação como resultado da fabricação de sintéticos e a redução de insumo por quantidade produzida de produto final; baixo valor adicionado dos produtos primários quando comparado com os produtos industrializados; estruturas de mercados atomizadas das commodities primárias (RODRIGUZEZ, 1981).

            O modelo e praticas liberais a que se referia a escola neoclássica, com o propósito de se atingir o ótimo social, não seria possível na periferia. A atividade periférica de maior eficiência relativa, era a produção primaria para exportação e esta era completamente incondizente com as informações fornecidas pelos sistemas de preços, pois não induziam a maximização da renda e do bem estar.

            A idéia desenvolvida pelos pressupostos neoclássicos de máxima eficiência e pleno emprego dos fatores produtivos parecia esbarrar em condições estruturais de funcionamento do sistema (centro-periferia). A inserção no mercado internacional caracterizada pelas exportações de produtos primários deveria ser contida pelo Estado, e nela incluir uma estratégia de industrialização.

            Como o livre jogo das forças de mercado não se traduzia em benefícios para a periferia e tampouco o livre comércio estimularia o crescimento de setores dinâmicos, a saída era a intervenção estatal promovendo o processo de industrialização tardia calçada na proteção das industrias infantes, contrariando os princípios fundamentais da escola neoclássica. Esses instrumentos de políticas comerciais caracterizaram uma estratégia de desenvolvimento voltada para o mercado interno.

            A contundência da corrente estruturalista dos anos 50 e 60 não se limitaram à revisão critica dos pressupostos neoclássicos e foi mais além propondo não apenas um debate novo, mas também reações que deveriam fazer parte das políticas  estatais dos países atingidos pela deterioração das relações de trocas, tratavam-se de compor propostas e estratégias de indução ao progresso técnico e de industrialização dos países periféricos visando uma melhor inserção no mercado internacional. Na verdade, a escola estruturalista procurou estabelecer uma política de substituição de importações, caracterizado como um modelo fechado, de orientação nacional, ancorado em medidas de forte conteúdo protecionista completamente contraditória às idéias liberais da escola neoclássica.

 2.2.2 A escola estruturalista

              O estruturalismo como teoria, tem na CEPAL seu principal órgão de formulações e estratégias de desenvolvimento econômico e o destaque no cenário intelectual data das décadas de 50 e 60, por meio da apologia sistemática da industrialização dos países periféricos. O argumento estruturalista consolidou-se na chamada “economia política cepalina”.

A economia política cepalina era o principal conjunto de formulações e arcabouço teórico, nela estavam contidas as principais recomendações de política econômica feitas pela CEPAL aos países da periferia dada à existência dos pertinentes problemas estruturais que motivaram o avanço de contribuições teóricas da instituição, com destaque para uma planificação dos investimentos e a prática de políticas protecionistas.

Dentro da sua estrutura analítica, os escritores concentram-se na questão da posse e controle dos meios de produção, e do nível de desenvolvimento das forças produtivas materiais assim como as relações sociais de produção da sociedade em diferentes formas de propriedade. As estruturas de produção distorcidas, decorrentes da própria lógica do capital é a preocupação central desta corrente, entre elas, a atual penetração estrangeira na economia; a importação de uma tecnologia “estranha”; as operações das transnacionais (ETNs) em particular as remessas de lucros, entre outras. Em suma, esta corrente defende mudanças radicais na estrutura econômica (COLMAN; NIXSON, 1981).

Nos primeiros anos da CEPAL, o norte da escola estruturalista foi perseguir uma defesa de que os países da periferia deveriam acelerar sua trajetória na direção da industrialização, esta permitiria assim como nos países centrais uma inserção mais dinâmica propiciando a população se apropriar em grande quantidade, dos frutos do progresso técnico, traduzidos em melhores qualidades de vida. Nesse sentido, a escola estruturalista entende que a distancia entre as condições de desenvolvimento está presente quando os países industrializados do centro se apropriam da parcela do progresso técnico da periferia (RODRIGUZEZ, 1981).

Assim uma melhor inserção no comércio internacional só seria possível quando na pauta de exportação dos paises periféricos não mais fosse observada a deterioração dos termos de troca. Esta entendida segundo a corrente como o valor (preço) de uma cesta de mercadorias em termos de outra, assim um declínio nas relações de troca indica que uma dada quantidade dessa mercadoria pode comprar apenas quantidades menores de alguma outra cesta, que comprava anteriormente.  O fracasso das exportações em estimular o crescimento por causa do declínio nessas relações assimétricas entre os bens primários e manufaturados comprometia os ganhos de comércio em favor da periferia (RODRIGUZEZ, 1981).

Segundo Prebisch (1949) os imensos benefícios do desenvolvimento da produtividade não chegaram à periferia numa medida comparável àquela de que logrou desfrutar a população dos países centrais, como resultado disso, a presença de acentuadas diferenças nos padrões de vida entre as regiões centrais e a periferia, daí também se divergem as forças de capitalização e ganhos de produtividade.

A persistência das relações assimétricas dentro da concepção centro-periferia, só tenderia a reforçar os problemas estruturais da periferia, e na interpretação dos estruturalistas a saída seria a industrialização da periferia, nesse sentido estava justificada uma intervenção estatal capaz de liderar o processo, calçada em políticas protecionistas as industrias nascentes.

As estratégias perseguidas pelos estruturalistas visavam poupar da concorrência externa as industrias infantes, como forma de incentivar uma maturação de seus estágios para aumento de produtividade. Segundo a escola isso seria possível através de políticas comerciais de sobretaxas as importações correspondentes a cada estágio do processo de industrialização de importações.

Todavia, ganhava força um mercado interno que passou a ser visto como o principal componente de aumento da demanda agregada da economia, esta estratégia de desenvolvimento voltada para dentro teve suas bases alicerçadas num processo que progride à medida que ocorrem mudanças na composição das importações. Num primeiro momento os setores de bens de consumo são incentivados e taxam-se os bens de consumo importados, incentivando-se os bens supérfluos importados e não os produzidos internamente. No que aumenta a produção de bens de consumo, muda-se a composição das importações e o processo da substituição de importações avança.

Os problemas estruturas como os déficits em conta corrente, foram tratados de maneira especial pelos estruturalistas durante a substituição de importações. Em geral o coeficiente de importação (a relação entre o total de importações e o PIB) cai à medida que a substituição de importações procede, embora isso não implique nem numa redução em seu valor absoluto e nem na quantidade de importações. Tende também a acontecer que exista algum limite máximo de importações, determinado pelos dotes naturais de recursos do país, seu tamanho, nível de atividade e taxa de crescimento.

A mudança na composição das importações é crucial para que a substituição de importações progrida. O processo emerge com a produção interna de bens de consumo, que caracteriza a primeira fase da industrialização por substituição de importações, sendo comum tanto aos países da América Latina e leste asiático.  Assinala-se nesta fase as maiores tarifas aos bens de consumo importados, (conduzido ao resultado perverso de que as importações menos essenciais são dadas maior incentivo do que a produção interna).

 Hirschman (1961) descreveu o processo de substituição de importações como “industrializações por estágios separados”, mas com justaposição quase continua e como acontecimento “altamente seqüencial”. Ainda segundo o autor, é característico do modelo de substituição de importações começar pela implantação de industrias de bens de consumo (a tecnologia necessária pode ser menos complicada e o custo diferencial mais baixo do que para os bens de capital) e então, em princípio passa para bens intermediários e finalmente para bens de capital.

Desse modo, no que a produção de consumo aumenta, muda a composição das importações de mercadorias: as importações de bens de consumo se tornam menos importantes, enquanto as de maquinaria, equipamentos, matérias-primas e outros insumos e combustível vão se tornando mais significativas. Em outras palavras, convertem-se as importações de bens de consumo “não essenciais” em importações essenciais necessárias a manutenção da produção e do emprego interno (COLMAN; NIXSON, 1981).

A Substituição de importações aumenta a proporções de valor agregado mantida por importações nesta circunstancias qualquer declínio no produto das exportações não contrabalançado por uma entrada líquida de capital estrangeiro conduz a uma redução forçada das importações e à recessão industrial. De modo geral, portanto, a economia se torna mais dependente do comércio exterior e mais vulnerável a flutuações na receita de moeda estrangeira. E, em lugar de diminuir a dependência externa como fora originalmente concebido a ISI tende a gerar o efeito oposto. Para Baer (1972) o resultado líquido da substituição de importações foi exatamente o de reforçar sob uma ótica diferente e mais nociva a dependência dos países periféricos aos mais desenvolvidos.

É possível que o problema maior enfrentado pela substituição de importações tenha sido sua incapacidade evidente de, em longo prazo, sustentar uma taxa de crescimento do PIB em excesso ao crescimento na capacidade de importar. Dito de outra forma: a substituição de importações gera uma alta taxa de crescimento em seus estágios inicias, mas tal crescimento tem vida curta (10 a 15 anos) e a economia, já a um baixo nível de desenvolvimento, experimenta a estagnação uma vez que as oportunidades para a industrialização por substituição de importações parecem esgotadas e as condições  da taxa de câmbio voltem novamente a preponderar (COLMAN; NIXSON, 1981).

 De uma forma geral, podemos distinguir entre os autores que acreditam que tendências estagnantes sejam intrínsecas ao próprio processo de ISI e aqueles que acreditam que o mau planejamento e implementação de estratégias em si estejam na raiz do problema. O fato é que os teóricos desenvolvimentistas pareciam incapazes de explicar o êxito dos tigres asiáticos e o fracasso dos países da América Latina, e as idéias estruturalistas de uma industrialização calçada na substituição de importações começavam a enfrentar duras críticas e perder força, abrindo espaço para outra proposta: ganhava impulso uma nova ortodoxia neoclássica.

 2.2.2.1 Crítica neoclássica

            Os neoclássicos, que têm em Krueger e Balassa alguns dos seus principais expoentes, tecem algumas críticas específicas em relação ao regime de substituição de importações defendido pelos estruturalistas da década de 50.De acordo com esta visão ortodoxa, a concessão de subsídios e a proteção à indústria doméstica teriam distorcido o funcionamento do mercado, ocasionando vieses, setorial e de mercado.

       O viés setorial teria surgido pela determinação de uma estrutura de incentivos às indústrias diferente daquela que teria prevale­cido em caso de respeito ao livre comércio. Estes incentivos teriam sido incompatíveis com a dotação de recursos da economia, promovendo atividades industriais que não refletiam as vantagens comparativas do país (BALASSA, 1982).

       O viés de mercado, por sua vez, originava-se da utilização de mecanismos protecionistas contra importações (via proteção tarifária ou não tarifária, cotas e controles técnico-administrativos), o que, juntamente com a adoção de uma taxa de câmbio sobre-valorizada, teria prejudicado as atividades exportadoras, levando a um desenvolvimento da indústria voltado para dentro. Ao guiar-se somente pelo mercado interno, as empresas teriam se tornado ineficientes, com reduzida produtividade, tendo deixado de aproveitar os ganhos de escala e especialização provenientes do comércio internacional. A ausência de abertura comercial teria eliminado o fator concorrência, e assim, em meio a um mercado interno atrofiado, tornando as empresas acomodadas, levando ao estabelecimento de estruturas oligopólicas de produção (BALASSA, 1982).

       Em muitos casos, a adoção desta estratégia exigiu a imposição de medidas drásticas de proteção ao comércio como as citadas acima para superar as limitações inerentes a produção para um mercado em geral pequeno. Tais políticas em muitos casos levaram a subestimar a importância do setor agrícola, negligência esta que acarretou sérios estrangulamentos no desenvolvimento de vários paises.

       A tendência também foi de desestimulo as indústrias exportadoras, uma vez que estas pagariam preços mais altos do que seus concorrentes internacionais, dado que estes adquiriam o produto importado, enquanto as industrias exportadoras o similar nacional (de preço mais alto), além disso, sofriam com taxas de câmbio valorizadas em relação aos que seriam no caso do comércio livre.

            A visão neoclássica procura ainda inverter o raciocínio desenvolvimentista segundo o qual a intervenção governamental seria necessária para solucionar as crises estruturais do balanço de pagamentos, argumentando que tais crises são ocasionadas pela iniciativa do governo em comprimir as importações, enfraquecendo ao mesmo tempo as exportações.

            A intervenção do governo teria causado, além dos problemas anteriormente citados, distorções no mercado de fatores. A adoção de baixas taxas de juros para a promoção da industrialização substitutiva de importações incentivava a utilização de técnicas intensivas em capital, incompatíveis com a necessidade de absorção de uma mão-de-obra abundante, e ao mesmo tempo atrofiava o sistema financeiro, na medida em que provocava a fuga de capitais e de grandes poupadores (KRUGUER, 1985)

       Os males causados pela intervenção governamental, de acordo com o pensamento ortodoxo, teriam se manifestado ainda no mercado de trabalho através da adoção de uma postura populista ao estabelecer salários bem acima da produtividade do trabalho, diminuindo a competitividade das exportações industriais (KRUGUER, 1985).

       Na verdade, a visão ortodoxa procura mostrar que os países da América Latina permitiram, através da implementação da estratégia de industrialização substitutiva de importações, que suas indústrias se escondessem atrás das altas tarifas de proteção impostas às importações. Este mecanismo teria levado a um crescimento inicial, mas que, no entanto, não teria durado muito mais tempo do que o necessário para o “esgotamento” de um mercado interno atrofiado. O objetivo de proteger a indústria nascente teria criado um ambiente que não estimulava a promoção das inovações administrativas e tecnológicas das empresas. Os lucros resultantes teriam sido construídos graças à atividade ineficiente de empresas domésticas (BALASSA, 1982; KRUGUER, 1985)

            A partir das criticas acima expostas, a visão neoclássica ortodoxa acredita ter descoberto as verdadeiras causas do fracasso industrial e macroeconômico de vários países de industrialização tardia, como Brasil e México. Ao mesmo tempo em que identificam na adoção desta proposta de industrialização o erro maior destes países, os teóricos neoclássicos entendem que o sucesso dos tigres asiáticos foi resultado da adoção de um regime totalmente oposto: o regime de promoção às exportações (BALASSA, 1978)

       Segundo a argumentação ortodoxa, ao contrário da proposta de ISI, o regime de incentivo às exportações tem como objetivo estimular a formação de um parque industrial em meio a um clima de maior competição.

            De acordo com Suzuki (1975), um representante do pensamento ortodoxo, a adoção do regime de promoção às exportações não significa, necessariamente, que toda a, ou grande parte da, produção industrial tenha obrigatoriamente que se destinar ao mercado externo. A exportação somente se torna possível se o preço do produto em questão for competitivo em relação aos produtos estrangeiros. Sendo assim, o regime de promoção às exortações objetiva o fortalecimento da competitividade da indústria, o que lhe permite fornecer produtos tanto para o mercado externo quanto para o interno, sem preferência em relação a uma das duas opções (neutralidade em termos de mercado).

       Segundo a argumentação ortodoxa, o desempenho bem-sucedido dos países do Leste Asiático possui relação com o papel reduzido do Estado. A intervenção estatal nestes países teria sido mínima e sobretudo funcional, objetivando a redução de alguns obstáculos como: falha de mercado nas áreas tecnológica, de capital humano e infra-estrutura — que dificultavam o desenvolvimento industrial, além da manutenção de uma estabilidade macroeconômica capaz de tornar viáveis os investimentos de longo prazo (BALASSA, 1983)

       Consistente com a estratégia de promoção às exportações, a taxa de câmbio teria sido mantida em um nível realista, o que tornou possível a importação de insumos, a preços de mercado, para a produção destinada à exportação. Tendo estas condições como base, os exportadores não teriam incorrido em custos que os prejudicasse na competição do mercado internacional.

       Segundo esta explicação neoclássica, como complemento, teriam sido eliminadas todas as rigidezes estruturais do mercado de trabalho, facilitando a dinâmica da relação entre oferta e demanda de trabalho, permitindo que o salário acompanhasse o ritmo de crescimento da produtividade, aumentando a competitividade das exportações industriais.

            Tendo como ambiente um regime próximo do nível ideal de laissez-faire, acreditam os ortodoxos, que a alocação de recursos na economia tenha sido maximizada. Além disso, ao contrário dos países adeptos do regime de substituição de importações, onde as restrições em relação às importações e a discriminação das exportações criavam problemas de balança de pagamentos, as experiências bem-sucedidas do Leste Asiático demonstraram que a adoção de uma política de incentivo às exportações conseguiu eliminar o problema de crises cambiais freqüentes. Por fim, os ortodoxos chamam ainda atenção para a série de benefícios que a adoção de uma política de incentivo à inserção da economia no comércio internacional teria levado às empresas: em meio à abertura comercial e à pressão concorrêncial decorrente, elas seriam pressionadas a cortar custos e aumentar a produtividade, evitando portanto o desperdício de recursos.

       Mais do que apontar o regime de promoção às exportações como sendo a fórmula do sucesso utilizada pelos países do Leste Asiático, a corrente neoclássica procura mostrar que este bom desempenho prova a relação de causalidade entre abertura comercial— laissez-faire — crescimento econômico.

 

 2.2.3 A escola alternativa

Alguns estudos empíricos realizados na década de 80 nasceram de um tremendo esforço de economistas desenvolvimentistas procurando verificar uma aproximação da variante pregada pela “nova ortodoxia”. Esses estudos buscaram identificar em que medida a presença maciça do estado teria influenciado para o sucesso das economias do Sudeste Asiático quando comparadas com as economias da América Latina.

            Ram (1986), com base em uma amostra de mais de cem países, concluiu que as variáveis “dimensões do governo” e crescimento econômico apresentaram, na maioria dos casos, correlação positiva, entretanto, demonstraram que essas relações não eram tão evidentes como os neoclássicos acreditavam ser. Ao mesmo tempo ganhava força uma corrente alternativa de interpretação que, entre outros pontos, enfatiza a importância do papel do Estado no desempenho bem-sucedido dos países do Leste Asiático.

            A explicação alternativa para as diferenças de desempenho macroeconômico entre América Latina e Ásia, ou mais especificamente entre Brasil e Coréia do Sul se encontra segundo esta corrente na autonomia e capacidade de imposição de políticas industriais formulada em cada um dos casos, de acordo com suas especificidades socioculturais, políticas, entre outras mais que divergem com o pensamento neoclássico.

       Esta nova argumentação, que tem como principais destaques os trabalhos de Amsden (1989), Wade (1990) e Moreira (1995), acreditam que muitos destes países alcançaram tão alto patamar de desenvolvimento em virtude das políticas governamentais implantadas desde os anos 50.

       Segundo a abordagem alternativa, a intervenção estatal nestas economias teria sido importante, embora diferente daquela apresentada pela política de industrialização substitutiva de importações. No Leste Asiático, o governo teria sido um agente efetivo; porém, em virtude da abertura comercial, as políticas implementadas tiveram de seguir disciplinas diferentes, compatível com a criação de uma indústria internacionalmente competitiva.

            A intervenção estatal no processo de industrialização do Leste Asiático teria sido dirigida à correção de falhas de mercado, cada vez mais evidentes em função da abertura comercial. Ao contrário, do que pensavam os neoclássicos, a abordagem alternativa acredita que a intervenção governamental não deve ser somente funcional, mas, sobretudo seletiva, objetivando a solução de falhas de mercado relativas à industrialização.De acordo com Moreira, a existência de falhas nos mercados de produtos e de fatores, nos países de industrialização tardia, justifica a necessidade de intervenção do governo.

       Em relação ao mercado de produtos, a presença de fatores dinâmicos (aprendizado e diferenciação de produto) e estáticos (economias de escala, escopo e internacionalização), em conjunto com as externalidades, compromete as atividades das empresas. As empresas integrantes de uma indústria retardatária precisam adquirir rapidamente capacidade tecnológica, o que demanda investimentos em desenvolvimento tecnológico, que são, por natureza, arriscados e caros. Além disto, estas empresas encontram um mercado dominado por outras maiores, com alto grau de diversificação produtiva, e já há algum tempo instaladas. Tudo isto leva às empresas nascentes uma perspectiva de longas dificuldades e prejuízos, o que contribui para tornar mais árdua a sua entrada no mercado, enfraquecendo assim o interesse privado (WADE, 1990).

       Deste modo, há necessidade de proteger a indústria nacional através de uma política de auxilio que seja: seletiva em relação aos setores, em função das diferentes falhas de mercado para cada um deles; neutra em relação ao mercado, condicionando a proteção ao desempenho exportador; e seletiva em relação a empresas, no sentido de não beneficiar as filiais de multinacionais que já desfrutam de vantagens dinâmicas e estáticas das matrizes.

       A abordagem alternativa analisa ainda as falhas no mercado de fatores, identificando gargalos nos mercados financeiro, de capital humano e tecnológico que contribuem para dificultar o desenvolvimento industrial.

            De acordo com Moreira, o mercado financeiro dos paises de industrialização tardia caracterizava-se por operações de curto prazo, em função da incerteza gerada pela deficiência do sistema de informações, comprometendo as operações de longo prazo. A necessidade de investimentos para dar conta do processo de aprendizado e capacitação tecnológica das empresas nascentes, bem como para a ampliação da capacidade produtiva das mesmas, não era satisfeita em função de um mercado de capitais deficiente em face do reduzido nível de renda.

            Em virtude desta falha, as intervenções dos governos do Leste Asiático tiveram a preocupação de canalizar recursos bancários dispostos em poupanças de curto prazo, a fim de estimular a formação de um mercado de crédito para empréstimos de longo prazo. A atração destes recursos se deu por meio de incentivos à propriedade conjunta de bancos e empresas, com o objetivo de reduzir os riscos dos bancos e firmas no envolvimento com empréstimos de longo prazo; linhas de crédito subsidiadas para encorajar o investimento em indústrias propensas à imperfeição e a externalidades; e estabelecimento de tetos de taxa de juros para promover o investimento. (MOREIRA, 1995).

            Quanto ao mercado de capital humano, em função da presença das externalidades tecnológicas, as quais exercem influência sobre a difusão do conhecimento e da deficiência do mercado de capitais despreparados para o financiamento de gastos com qualificação da mão-de-obra os investimentos em treinamento e educação não são alocados de maneira eficiente pelos mecanismos de mercado. Deste modo, cabe ao governo aplicar recursos para melhor preparar a força de trabalho, e assim constituir uma base para o desenvolvimento de qualificações industriais.

       O mercado de tecnologia, segundo a abordagem alternativa, também apresenta falhas. Por se tratar de uma “mercadoria” transacionada em um ambiente caracterizado pela assimetria de informações entre os que compram e os que vendem, a tecnologia não é perfeitamente comercializável. Sendo, portanto, um mercado que envolve custos muito altos, há uma tendência ao subinves­timento privado. Em função disto, há a necessidade de o governo intervir no sentido de promover esforços através, por exemplo, de investimentos em infra-estrutura de C&T, incentivos fiscais a P&D  a fim de acelerar a capacitação tecnológica (AMESDEN, 1988; MOREIRA, 1995).

           De modo geral, esta interpretação dita revisionista procura mostrar que se existem falhas de mercado, então o argumento de laissez-faire que assumem mercados perfeitamente competitivos é totalmente falho. Um regime de laissez-faire não é capaz de revolvê-las; daí a importância da mão orientadora do governo como solucionador destes problemas.

       Segundo esta interpretação, a participação estatal no processo de desenvolvimento econômico dos países do Leste Asiático teria estado muito além do compromisso de manutenção da estabilidade macroeconômica. A principal função da intervenção governamental teria sido amenizar as falhas de mercado que entravavam o desenvolvimento industrial. Muito mais do que isso, o governo teria estado sempre por trás deste desenvolvimento por meio de uma política industrial ativa e de setores alvos (AMSDEN, 1989)

       Tal visão alternativa acredita que, ao longo de todo o processo de crescimento e transformação da estrutura industrial, o Estado, no Leste Asiático, teve capacidade para fazer com que o mercado funcionasse melhor, trazendo, portanto mais benefícios para a sociedade. A partir de um padrão de intervenção junto às empresas  que condicionava a concessão de subsídios ao desempenho, sobretudo exportador, o governo teve condições de viabilizar a transformação do setor produtivo às mudanças nos preços relativos (AMSDEN, 1989; WADE, 1990; MOREIRA, 1995)

            Por fim, a corrente alternativa chama a atenção para a importância da política seletiva, como tendo sido o instrumento responsável pela promoção de setores novos, tidos como setores industriais promissores. Por meio desta política seletiva, o governo concedeu incentivos financeiros — viabilizados pela canalização de recursos realizada pelo próprio governo — e proteção contra as importações, o que assegurou às empresas condições de operação ou em escalas produtivas eficientes.

 2.2.4 A nova concepção sobre as orientações de mercado

A inserção internacional das economias agora também estaria condicionada não somente as adoções de política econômica, mas também a uma dinâmica prevalecente na demanda do comércio internacional. Estas tendências recentes na reestruturação econômica mundial apontam mudanças substancias durante os últimos quinze anos, classificando segundo metodologia da CEPAL os produtos em dinâmicos ou não, e sua importância quanto à densidade de recursos naturais e em tecnologia.

A transformação estrutural do comercio internacional abriu oportunidades para os países em desenvolvimento para que melhorem sua inserção na economia internacional, através do aumento na participação de mercado (market share) em setores dinâmicos, este fato esclarece o sucesso dos tigres asiáticos na integração mundial e o insucesso dos países da América Latina.

            O sucesso atual das estruturas exportadoras dos países deve estar condizente com o dinamismo do comercio internacional, assim existem produtos que pela sua natureza e especificidade garantem um alto potencial de consumo internacional, e apresentam baixa volatilidade nos níveis de preços contribuindo portanto para uma maior estabilidade nas rendas das economias.

Atualmente apesar de claras as diferenças entre as estruturas exportadoras do Brasil e Coréia do Sul, no passado recente não se poderiam dizer o mesmo, em 1980 a participação das exportações brasileiras nas exportações mundiais aproximava-se a 1%, razão esta superior a Coréia. São países de industrialização tardia e que adotaram inicialmente a mesma estratégia de industrialização. As experiências de industrialização desses dois países fazem parte de trajetórias de desenvolvimento econômico, geradora de uma estrutura econômica e responsável pela inserção das exportações na dinâmica do comércio internacional (AMSDEN, 1989).

            A polarização entre uma modalidade  de crescimento liderado pelas exportações e um crescimento liderado pelo mercado interno, ou como assim se refere o Banco Mundial, a existência de uma via “orientada para fora” e uma outra “orientada para dentro” tal como as que supostamente teriam predominado na  Ásia e América Latina revelam interpretações e mecanismos de causalidade muito distintos e mesmo opostos (MEDEIROS; SERRANO, 1999).

            As diferenças entre as políticas aplicadas e em particular quanto cada país se concentrou mais na promoção de exportação ou na substituição de importações em determinado período se devem muito as características da estrutura produtiva e ao contexto histórico (econômico e também geopolítico) em que estes países estavam inseridos (MEDEIROS; SERRANO, 1999).

            Nesse sentido, o tipo de indústria prevalecente, o grau de orientação da economia (mercado interno ou externo) e o papel dos agentes econômicos, são em ultima instância alguns dos fatores relevantes que explicam o dinamismo das exportações das economias do Brasil e Coréia do Sul.

            Embora sejam agrupados dentro de um conceito que se convencionou chamar de NICs  são economias altamente heterogêneas. Eles variam enormemente em tamanho geográfico e populacional, na dotação natural de fatores, em seus complexos sociais, políticos e culturais. Porém existe um ponto de interseção entre eles, a saber, o papel central do estado na condução da industrialização e desenvolvimento econômico (DICKEN, 1998).

            O papel central exercido pelo estado na industrialização do Brasil e Coréia do Sul foi diferente, o grau e a natureza de seu envolvimento varia de um país ao outro. Esses são exemplos da falta relativa de sucesso das economias da América Latina em comparação com as economias do Sudeste Asiático. Segundo esta visão, o insucesso das primeiras economias foi de ter adotado uma orientação voltada para o mercado interno seguido de fortes intervenções estatais que teriam prejudicado a ação do mercado, enquanto que as economias do sudeste asiático teriam adotado uma orientação para fora, e um perfil de intervenção mínimo que possibilitasse a ação do livre jogo das forças de mercado (BANCO MUNDIAL, 1993).

            Outra corrente discute que jogar para baixo o papel do estado no desenvolvimento econômico dessas economias é no mínimo ignorar a evidencia, e os caminhos para a industrialização e inserção no mercado internacional tiveram mesmo o papel central exercido pelo estado.

            Na América Latina em geral, o papel estatal no aprofundamento da industrialização substitutiva de importações se deu a partir de 1950 (caso brasileiro) com abertura da economia aos investimentos estrangeiros, este antes da segunda guerra mundial concentraram-se na exportação de recursos naturais. No pós-segunda guerra mundial enfatizou-se em industrias avançadas como automóveis, maquinaria, substancias química, porém destinados ao mercado interno.

            Os NICs asiáticos, seguiram uma sucessão contrastante. A exemplo da Coréia seu rápido crescimento não começou até meados de 1960, devido a um período estendido de colonização pelo Japão antes de 1945, somente com a infusão maciça de ajuda norte-americana nas próximas décadas e com a uma mudança de estratégia (mercado externo) é que a Coréia começou a se lançar numa inserção dinâmica no comercio internacional.

            A política de industrialização a partir daí (1960) passou a ser a orientada para o mercado externo visando gerar divisas externas, as industriais inicias na Coréia foram àquelas caracterizadas como grandes demandadoras de mão-de-obra, como exemplos: azulejos, têxteis, artigos de vestuário e eletrônica do consumidor, entre outras. Em fases subseqüentes, ocorreu grande sucesso das industrias coreanas nas mais pesadas, como aço, petroquímica, construção naval, manufatura de veículos (GEREFFI e WYMAN, 1989).

            As mudanças domésticas provocadas pela industrialização foram importantes no processo de inserção externa das economias do Brasil e Coréia do Sul. A ISI (Industrialização por substituição de importações) iniciou-se em muitos países Latino-americanos como reação a descontinuidade causada pela primeira Guerra Mundial, depressão econômica dos anos trinta (caso brasileiro) e segunda Guerra Mundial, quando os produtos importados não eram em geral disponíveis, ou não havia moeda estrangeira suficiente para adquiri-los, o que levou a substituição dos produtos anteriormente importados por produtos produzidos internamente (COLMAN; NIXSON, 1981).

            A crise prolongada dos anos 1930, no entanto, pode ser encarada como o ponto crítico da ruptura do funcionamento do modelo primário-exportador. A violenta queda na receita de exportação acarretou de imediato uma diminuição de cerca de 50% na capacidade para importar da maior parte dos países da América Latina (TAVARES, 1972).

            A difusão, porém da estratégia de ISI deu-se no mundo pós-segunda Guerra Mundial (caso da Coréia) estimulados por dificuldades no balanço de pagamentos (substituir importações era mais “fácil” do que promover exportações), governos de países recém-tornados independentes procurando estimular o desenvolvimento industrial, impondo tarifas  protecionistas à importação de produtos manufaturados.

            Baseado numa análise das fases e prioridades da industrialização da América Latina e Leste Asiático são possíveis apontar determinantes das diferenças entre as estruturas exportadoras, e mais do que isto apontar as causas de uma melhor inserção no mercado internacional. As estratégias de orientação das economias do Brasil e Coréia do Sul são a razão de uma determinada inserção no mercado global.

            Nesse sentido, a cronometragem das fases de industrialização do Brasil e Coréia do Sul é uma condição prévia para a discussão de uma inserção no comercio internacional. As estruturas  exportadoras de ambos foram resultantes dessas sucessivas fases. Não obstante, a escolha entre produzir para o mercado interno ou para o externo sofre influência de inúmeros atores sociais, e o papel das políticas de governo na alocação industrial doméstica dos recursos visando à relação da economia com as nações internacionais, foi crucial, porém os instrumentos e as conseqüências deste envolvimento variam em cada caso.

            A industrialização da América Latina e Leste Asiático, marcam o desenvolvimento nacional no século XX, estes NICs passaram de uma estrutura produtiva baseado essencialmente em recursos naturais (caso brasileiro) a uma economia industrial que caracterizou um processo de inserção junto à nova divisão internacional do trabalho. Os ganhos provenientes do comércio internacional passaram a ser fruto de uma orientação de política econômica e da especificidade de produtos exportáveis.

            As diversidades entre Brasil e Coréia do Sul é o norte para se entender como as motivações de política públicas e as diferenças estruturais foram usadas para transformar vantagens comparativas em vantagens competitivas. De um lado as abundancias na dotação de fatores naturas e a relativa escassez no outro, fizeram com que as políticas públicas fossem o principal elo para uma estratégia de inserção competitiva internacional e as diferenças entre as opções explicam os diferentes caminhos perseguidos pelas duas economias.

            É possível destacar os passos seguidos pelas economias brasileira e sul-coreana rumo ao processo de inserção internacional. Num primeiro momento a condição da estrutura econômica em ambos os países é a exportação de commodities primárias, que começou e acabou um pouco mais cedo no Brasil em relação à Coréia do Sul. Nessa época o único componente de aumento da demanda agregada da economia era o setor externo, principal demandante dos produtos agrícolas, minerais, entre outros. Na fase seguinte, o fenômeno da industrialização tardia ocorre primeiro no Brasil, como descontinuidade da demanda externa provocada pela crise de 1929, nessa época a estrutura exportadora do Brasil se concentrava em poucos produtos, notadamente o café, e a queda brusca da demanda externa do produto, forçou o Governo brasileiro a redirecionar para o mercado interno os impulsos de aumento da demanda agregada. Notadamente, o mesmo processo de primeira fase do ISI se deu na Coréia do Sul, logo depois de declarada sua independência nacional, no período pós-segunda guerra mundial, pois, se considerava mais fácil nos estágios iniciais da industrialização estabelecer a proteção ao mercado interno a promover exportações, inclusive num período de recessão da demanda internacional e restabelecimento da economia doméstica.

            A busca inicialmente pelo mercado domestico e não o externo, se deve em grande parte aos problemas de estrutura econômica prevalecentes nas duas regiões, como encarar a concorrência em setores que iniciariam as fases da industrialização, produzir para o mercado interno no mínimo significava exigências menores quanto à qualidade e uma garantia de consumo e manutenção das taxas de investimentos para que o processo avançasse.

            Na verdade a política de substituição de importações foi mais um mecanismo de defesa junto às forças do mercado internacional, nesta primeira fase da substituição de importações a produção interna visava substituir bens de consumo não duráveis, taxando as importações deste mesmo setor, este fato se presencia tanto no Brasil como na Coréia, apenas com diferenças no retardamento desta última.

            Na década de 50, enquanto a Coréia do Sul ainda desfrutava de sua fase inicial do ISI a economia brasileira entrava na chamada segunda fase da substituição de importações, agora baseada na produção interna de bens de consumo duráveis como automóveis, elétrico-eletrônicos, material de transporte, equipamentos mecânicos, complementaram os investimentos públicos em metalurgia básica e em infra-estrutura, constituindo assim o primeiro ciclo da industria pesada. Esta segunda fase da substituição de importação não fez parte no inicio da década 60 da implantação do projeto estatal-industrialista surgido num contexto de forte “autonomia relativa” do Estado em relação aos processos locais de acumulação de capital (CANUTO, 1994).

            Ao contrário da economia brasileira a Coréia do Sul desde o inicio dos anos 60 apresentou preocupação com a exploração do mercado externo, entre os fatores determinantes para esse impulso em enxergar o mercado internacional como componentes estimuladores do crescimento foram: a existência de mão-de-obra qualificada, grandes números de empresários dispostos a correr riscos (os chaebol) e um contexto internacional favorável.

            Em suma, a partir dos anos 60 a ênfase de política econômica adotada pela Coréia do Sul se caracteriza pela industrialização orientada para exportação numa primeira fase, baseada na produção e na exportação de manufaturas leves intensivas em mão-de-obra, condizentes com a disponibilidade existente desse fator, esta primeira fase da promoção de exportação se estende até 1972. Desde então, a economia sul coreana da inicio a segunda fase de crescimento liderado pelas exportações presentes até o momento, com a conquista de mercado externo através da produção de bens intensivos em capital, o envolvimento estatal também fez presença através de políticas industrias ativas e instrumentos de proteção comercial.

            A economia brasileira continua seu avanço no processo de substituição de importações no decorrer da década de 70 completando o ciclo com a terceira fase através da diversificação das exportações, produzindo bens de capital e intermediários necessários ao processo de produção da industria doméstica completando o segundo ciclo da industria pesada.

            Os impulsos subjacentes para a mudança de postura econômica da Coréia do Sul esta relacionado, as restrições impostas ao programa de substituição de importações nas suas fases subseqüentes, haja vista o mercado interno ser insuficiente para gerenciar o processo, as suas características internas naturais, geográficas, o envolvimento de grandes grupos empresários.

            Segundo Gereffi (1990) os estágios iniciais de industrialização foram comuns entre os NICs em ambas as regiões, no entanto a divergência subseqüente aos caminhos escolhidos entre ambos, diz respeito aos problemas básicos associados com a perpetuação da substituição de importações na sua primeira fase. A duração deste modelo de desenvolvimento varia entre os dois países (Brasil e Coréia do Sul) prevalecendo mais tempo no primeiro, porém a Coréia começou seu crescimento liderado pelas exportações no momento de extraordinário dinamismo da economia mundial.

            A disjunção entre as estratégias de industrialização do Brasil e Coréia do Sul são resultados de condicionantes diferentes de políticas econômicas influenciadas no primeiro caso (Brasil) pela Comissão de economistas para América Latina, e por excelentes resultados auferidos com o modelo logo após a segundo guerra mundial, a idéia de mudança para uma outra estratégia pareceria não representar uma boa opção, já que a abertura econômica só prejudicaria as industriais infantes. No caso da Coréia, apesar de ser mais “fácil” partir para uma substituição de importações logo após sua efetiva independência, os problemas estruturais presentes na economia sul-coreana pareciam motivar uma busca pelo mercado externa, nem que para isso fossem motivados golpes militares e a manutenção de uma repressão que tornasse inviável a criação de sindicatos, pois, sob o controle efetivo do estado seria mais fácil conduzir a economia.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/ciencias-artigos/revisao-teorica-sobre-desenvolvimento-1287732.html

    Palavras-chave do artigo:

    globalizacao

    ,

    desenvolvimento

    ,

    economia externa

    Comentar sobre o artigo

    Valdec Romero Castelo Branco

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    Por: albapazl Negócios> Administraçãol 09/10/2012 lAcessos: 176
    Valdec Romero Castelo Branco

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    Por: Valdec Romero Castelo Brancol Educaçãol 20/07/2010 lAcessos: 1,160
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    Por: Norival Ricardo Cazarinl Ciênciasl 24/09/2014

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    Por: Martinhol Ciênciasl 28/08/2014
    Martinho

    Aos poucos, vou enriquecendo a minha consciência com a aplicação dos elementos superiores proporcionados pela Ciência Logosófica, o que tem contribuído para uma orientação melhor da minha vida e para encaminhá-la em conformidade com os seus grandes objetivos.

    Por: Martinhol Ciênciasl 16/08/2014
    Martinho

    Com o estudo da ciência logosófica, comecei a sentir o despertar das inquietudes internas e um interesse maior pelas coisas que estão além da vida corrente, principalmente com relação a Deus, à vida, à Criação, ao mundo metafísico, ao espírito, o que tem promovido no meu interno uma necessidade de conhecer cada vez mais os pensamentos do Criador plasmados na Criação.

    Por: Martinhol Ciênciasl 01/08/2014
    Martinho

    A recordação constante dos momentos felizes da minha vida e das conquistas relacionadas ao plano transcendente tem sido para mim uma fonte perene de estímulos, o que tem contribuído para um maior entusiasmo frente à vida e para uma dedicação mais intensa ao processo de superação integral que é uma das finalidades da vida.

    Por: Martinhol Ciênciasl 17/07/2014 lAcessos: 12
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    Com os elementos proporcionados pela Ciência Logosófica pude concluir que os conceitos devem ser dinâmicos, susceptíveis de evolução, como ocorre com tudo que existe na Criação, inclusive com o gênero humano que deve realizar o processo de evolução consciente, que lhe permite encaminhar a sua vida em conformidade com a sua finalidade máxima..

    Por: Martinhol Ciênciasl 02/07/2014

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    Por: Heriberto Wagner Amanajas Penal Ciênciasl 02/08/2010 lAcessos: 941
    Heriberto Wagner Amanajas Pena

    Este artigo tem duplo objetivo. De um lado, procura-se analisar os impactos diretos e indiretos representados pelos coeficientes técnicos e indicadores da MIP (Matriz Insumo-Produto), das atividades dos quatorze setores deste segmento da economia. De outro, discute-se algumas alternativas de política de investimentos apoiadas na teoria dos efeitos em cadeia de Hirschmann. O texto se divide em três partes. Primeiramente definiremos os conceitos dos coeficientes técnicos para análise. Em seguida

    Por: Heriberto Wagner Amanajas Penal Ciênciasl 30/09/2009 lAcessos: 2,896 lComentário: 1
    Heriberto Wagner Amanajas Pena

    Este artigo tem como principal objetivo analisar as oscilações da taxa de câmbio no período entre 1992 a 2003, relacionando-o com o comportamento das exportações, importações e da balança comercial. Desta maneira teve-se a preocupação de investigar tais oscilações e relacioná-las com a teoria econômica, para se saber se a teoria condiz com a realidade. Como tal estudou-se detalhadamente, aspectos teóricos que envolvem e relacionam o comportamento e o ajustamento da taxa de câmbio e da balança co

    Por: Heriberto Wagner Amanajas Penal Finanças> Investimentosl 30/09/2009 lAcessos: 2,928
    Heriberto Wagner Amanajas Pena

    Análise do mercado Chinês como alternativa de destino das exportações brasileiras, aplicação da matriz de competitividasde do comércio internacional, modelo dual Brasil-China

    Por: Heriberto Wagner Amanajas Penal Finanças> Investimentosl 30/09/2009 lAcessos: 330
    Heriberto Wagner Amanajas Pena

    discussão teorica do comercio exterior e de suas principais vantagens economicas, o chamado trad-off

    Por: Heriberto Wagner Amanajas Penal Finançasl 30/04/2009 lAcessos: 959
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