Artigonal.com - Leia e Publique Artigos
Diretório de Artigos Gratuitos
06.10.2008 Login Cadastro Olá
E-mail:
Senha:
Salve meus dados neste computador 


Teoria Lógica Dos Signos

Por: Nelson Valente Ranking do Autor Bronza Autor nos TOP 100 | Publicado em: 05-05-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 368 | Avaliação:  (402) Ranking do Artigo Bronza (?)

(*) Nelson Valente

1. CHARLES SANDERS PEIRCE (1839-1914), pensador norte-americano, instituidor do pragmatismo como método de conhecimento, manteve relações intelectuais com todos os filósofos importantes de seu momento histórico – dentre eles: William James, Henry James, John Dewey, Gottlob Frege, Bertrand Russell.

Não realizou carreira universitária, e seus textos foram publicados esparsamente, reunidos pós-morte.

2. A posição pragmática (espécie de versão neopositivista mais avançada) consiste no método para a determinação de significados, concebidos como produtos factíveis.

O pragmatismo não se propõe, com Peirce, como filosofia. Seu estamento é de recurso para o pensamento filosófico, instrumento para o que-fazer filosofante.

3. Algumas constantes na metodologia peirceana.

Sua estrutura de raciocínio e demonstração apóia-se sempre em relações triádicas. Nisso, deriva direta sugestão da dialética hegeliana (tese, antítese, síntese).

Todo significado parte de uma hipótese, a que se segue uma operação – que vai até uma experimentação (ou mesmo um resultado).

O objeto é conhecido e diferenciado pelas conseqüências práticas que acarreta e pelos fatos em que resulta.

A concepção de um objeto equivale à concepção de como funciona ou do que pode realizar. Tal a proposição pragmática, da metodologia de C. S. Peirce.

1. Três são os elementos lógicos que permitem a decifração dos fenômenos, ou sua conceituação: PRIMEIRIDADE, SECUNDIDADE e TERCEIRIDADE.

Esse sistema triádico identifica as categorias lógicas para C. S. Peirce.

PRIMEIRIDADE é uma qualidade sensitiva, ou sensação percebida (um orgasmo, um soluço, por exemplo). Resume-se na idéia daquilo que independe de algo mais. A primeiridade caracteriza os fenômenos singulares, idiossincráticos, excludentes. Os sentimentos ou as qualidades puras incluem-se na categoria das primeiridades.

SECUNDIDADE é reação, resposta. Existindo um duplo termo, nas quais uma coisa acontece à outra. O nome de uma coisa ou fato é uma relação de duplo termo. Assim, a percepção sensível que permite conhecer os eventos ou sua mudança (troca de estado, troca de posição, referencial) – constitui-se na categoria lógica da secundidade.

TERCEIRIDADE é representação. A idéia que se faz de um terceiro, entre um segundo e um primeiro; uma ponte entre dois termos ou elementos. A terceiridade predomina na generalidade, na continuidade que permite, por exemplo, a elaboração de leis. Toda lei depende de um referencial (primeiro e segundo), de que ela é o terceiro. O signo, segundo Peirce, é a idéia mais simples da terceiridade.

2. SIGNO – segundo Charles Sanders Peirce, é aquilo que representa alguma coisa para alguém, sob determinado prisma. A coisa representada denomina-a objeto.

O primeiro signo denomina-se REPRESENTAMEN. Cria na mente da pessoa, o qual é direcionado como emissão, um signo equivalente a si próprio.

A flor que existe no mundo independe de minha vontade. A palavra flor (ou flower, ou fleur, ou fiore) é um signo gerado pelo primeiro signo que é a flor.

Esse outro signo, mais desenvolvido que o representamen, denomina-o Peirce interpretante.

Decorre nova relação triádica – signo / objeto / interpretante, como abaixo:

INTERPRETANTE

SIGNO OBJETO

Entre signo-interpretante e interpretante-objeto, as relações são causais. Já entre signo e objeto não há relação de pertinência, porque arbitrária. O signo não pertence ao objeto, o objeto não pertence ao signo.

Decorre que o interpretante passa a funcionar como a chave da relação (inexistente) signo e objeto.

As três entidades formam a relação triádica do signo.

Peirce configura a palavra signo numa acepção muito larga e elástica. Pode ser uma palavra, uma ação, um pensamento ou qualquer coisa que admita um interpretante, com o qual mantém uma relação de duplo termo.

A partir de um interpretante, e por causa dele, torna-se possível um signo.

Nem interpretante, nem signo, estão contidos na primeiridade ou na secundidade. Como categoria lógica, ambos incluem-se na terceiridade.

3. Peirce concebe os signos em três divisões amplas: ÍCONE, ÍNDICE e SÍMBOLO.

A partir da exemplificação abaixo, a indução dos conceitos.

Assim: a impressão digital na carteira de identidade (ÍCONE), a impressão digital do ladrão (ÍNDICE) ou a impressão digital, como símbolo de campanha a favor da alfabetização (SÍMBOLO).

ÍCONE é um signo que é uma imagem. Caracteriza-se por uma associação de semelhança, independe do objeto que lhe deu origem, quer se trata de coisa real ou inexistente.

ÍNDICE é um signo que é um indicador. Relaciona-se efetivamente com o objeto, por contigüidade. Aquilo que desperta a atenção num objeto, num fato, é seu índice. Permite, por via de conseqüência, a contigüidade entre duas experiências ou duas porções de uma mesma experiência.

SÍMBOLO é o signo que é uma abstração de um concreto. Refere-se ao objeto que denota em virtude de uma lei, e portanto, é arbitrário e convencionado. A possível conexão entre significado e significante não depende da presença (ou ausência) de alguma similitude. Enquanto o índice define contigüidade, o símbolo, não. Fundamental no signo que é um símbolo incide em seu caráter definitivamente convencional.

Essa é a divisão triádica dos signos, segundo Peirce.

4. O signo apresenta, ainda três sub-categorias básicas. A partir dessa nova proposição triádica, C. S. Peirce concebe que todo o signo, em si próprio, pode ser 1) mera qualidade; 2) existência concreta; ou 3) lei geral.

QUALI-SIGNO é todo signo que é uma qualidade. Como tal, semanticamente, um determinante. O azul é um determinante (qualidade) de cor.

SIN-SIGNO é todo o signo que é uma coisa existente, um acontecimento real. Em princípio, envolve vários quali-signos (ou permite vários determinantes). O vermelho é soma dos quali-signos de vermelho (que é uma cor, que é sinal de proibição, que é sinal de alerta, que é sinal de perigo). O vermelho é o signo de si próprio (sin-signo), somatório de todos os quali-signos de vermelho). Uma palavra, como tal é seu sin-signo.

LEGI-SIGNO é o signo que é uma lei. O vermelho como pare, na codificação visual das leis de trânsito, é um legi-signo. Contudo, inexiste legi-signo sem sin-signos prévios. O vermelho existe antes como sin-signo, antes de ser uma lei de trânsito.

5. LUDWIG WITTGENSTEIN (1889-1951), pensador alemão, graduado em Lógica e Filosofia pela Universidade Britânica de Cambridge, era também engenheiro pela Universidade de Berlim. Envolveu-se em todos os procedimentos da lógica matemática e da lógica simbólica (Bertrand Russel) e sempre se dedicou a pesquisas de lógica semântica.

Seu texto básico é o Tractatus Logico-Philosophicus, publicado em 1921. o livro pretende estabelecer como próprio limite do pensar a língua.

6. Wittgenstein ponderou o valor de seus conceitos no Tractatus, numerando-os de acordo com seu peso lógico. Dessa ponderação resultam sete conceitos básicos no Tractatus:

a) O MUNDO É TUDO QUE OCORRE (1);

b) O QUE OCORRE, O FATO, É O SUBSISTIR DOS ESTADOS DAS COISAS (2);

c) O PENSAMENTO É A FIGURAÇÃO LÓGICA DOS FATOS (3);

d) O PENSAMENTO É A PROPOSIÇÃO SIGNIFICATIVA (4);

e) A PROPOSIÇÃO É UMA FUNÇÃO DE VERDADE DAS PROPOSIÇÕES ELEMENTARES (5);

f) A FORMA GERAL DA FUNÇÃO DE VERDADE É

6



ESTA É A FORMA GERAL DA PROPOSIÇÃO (6); e

g) O QUE NÃO SE PODE FALAR, DEVE-SE CALAR (7).

Os números indicados à direita dos conceitos acima referidos correspondem, no Tractatus, ao algarismo ponderado como valor de verdade.

7. É na proposição (3) que Wittgenstein desenvolve seu tema relacionado com o signo. Isso ocorre a partir do número ponderado (3.1) “Na proposição, o pensamento se exprime sensível e perceptivelmente”. Para Wittgenstein, a situação possível nada mais é que o signo sensível e perceptível (3.11).

SIGNOS SIMPLES empregam-se nas proposições, e são chamados nomes (3.202). A função de cada nome é denotar um objeto (3.203). Por isso, na proposição, o nome substitui o objeto.

NOME é um signo primitivo, e portanto não tem denotação. Só em conexão com a proposição o nome (ou signo primitivo) tem denotação. O nome denota um objeto, apenas porque o substitui.

SENTIDO PROPOSICIONAL constitui o enunciado mais significativo desse universo conceitual. Wittgenstein denomina assim, o signo pelo qual se expressa o pensamento (3.12). “O signo proposicional consiste em que seus elementos, as palavras, estão relacionados uns aos outros de maneira determinada.” E conclui: “O signo proposicional é um fato” (3.14).

8. VERDADE é uma possibilidade que resulta da relação de dois conceitos: ( verdadeiro e falso). As possibilidades da verdade, em suma, resultam das relações entre esses conceitos (4.31). assim, tomadas as proposições p, q e r, as hipóteses de relação aduzidas por Wittgenstein são as seguintes:

9. Para Wittgenstein (como para os pragmáticos) todo signo é arbitrário, o que deflagra a subseqüência dos elementos arbitrários que dele derivam. Daí, duas asserções importantes:

A) “Os limites de minha linguagem denotam os limites de meu mundo” (5.6). De que decorre: “Para uma resposta inexprimível é inexprimível a pergunta” (6.5).

B) “O que não se pode falar, deve-se calar” (7).

(*) presidente da Academia de Letras Blumenauense/ALB

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PEIRCE, Charles Sanders. Estudos Coligidos. Col. Os pensadores, trad. bras., São

Paulo: abril, 1980 (ant.).

PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica e Filosofia. 2ª ed., trad. bras., São Paulo:

Cultrix / EDUSP, 1975 (ant.).

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. trad. bras., São Paulo: C.E.N.,

1968 (1921).

VALENTE,Nelson.BROSSSO,Rubens.Elementos de semiótica – comunicação verbal e alfabeto visual. São Paulo.Editora Panorama, 2001

Avalie este artigo: Current: 5 / 5 stars - 8 vote(s).

Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com

Imprima este Artigo Imprimir artigo   Envie o Artigos a um amigo Enviar a um amigo   Publique este Artigo no seu site Publique este Artigo   Mande mensagem ao Autor Mensagem ao autor  
Nelson ValentePerfil o autor:

Presidente da Academia de Letras Blumenauense/ALB. Mestre e Doutor em Comunicação. Sessenta livros publicados.

Submeter artigos se tornou um dos meios os mais populares de gerar links de qualidade e tráfego para o seu site. CADASTRE-SE JÁ, É DE GRAÇA!

Comentários

Comente este artigo Comente este artigo
Nome
E-mail:
Comentário
Digite o código de segurança: Captcha


Últimos Ciências artigos

A Evolução Na Visão Espirita
Por: Francisco Amado | 13/05/2008
No livro "No mundo Maior", André Luiz completa o seu pensamento: "Não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio". Assim, no reino mineral, o princípio espiritual refletiria a sua presença nas manifestações das forças de atração e coesão com que as moléculas se ajuntam em característicos sistemas cristalográficos.

Mais artigos de Nelson Valente

Sociedade Dos Poetas Mortos
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Educação
A chegada do professor Keating ao internato mexeu com as estruturas da instituição, baseada nos princípios da tradição-honra-disciplina-excelência. Embora ex-aluno da Welton School, Keating professava um estilo dito revolucionário, nas suas aulas de literatura inglesa e no relacionamento proposto aos seus discípulos. O resultado é fácil de imaginar.

Vestibular, Uma Desgraça !
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Educação
O Japão questiona, pois, o seu modelo educacional. Enquanto isso, no Brasil, os Ministros da Educação saem felizes do Governo porque deram merenda às crianças carentes.

O Sulcador Majestoso Dos Espaços Azuis
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Literatura
Seu aparecimento provocou intenso alvoroço, entre os moradores. Santiago agarrou-o, acolheu-o carinhosamente, levou-o para casa, deu-lhe alimentos e, num gesto que bem demonstra a sensibilidade de seu coração, trouxe para a cidade.

Educação E Cultura: O Caminho Para A Solução Passa Pela Junção Dessas Duas Vertentes, Justificando A Sigla Mec
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Educação
Se o cinema é atendido, não sobra nada para o teatro. Se há recurso para o balé, falta para a música. E o patrimônio histórico fica abandonado, como se o país desprezasse a sua memória. Não se faz nada mais por Ouro Preto, nem pelo centro histórico do Rio de Janeiro, muito menos pela pequena cidade de Marechal Floriano, em Alagoas. A razão? Absoluta falta de verbas (ou de mentalidade).

Com A Internet Não Temos Mais Informações
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Cotidiano
Com a internet não temos mais informações, e sim menos. Em megalivrarias localizadas em shopping centers tem-se menos informação do que numa pequena livraria nas imediações da USP. Temos menos informação depois que a televisão multiplicou o número de canais. E quando peço na internet uma bibliografia e recebo uma lista com 10 mil títulos não tenho nenhum ganho de informação com isso.

O Poeta E A Tuberculose
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Ciência
Outro dia, em conversa com o acadêmico Arnaldo Niskier, um dos maiores exemplos de fertilidade literária, falou-se sobre a inspiração de escritores que tiveram a infelicidade de sofrer de tuberculose. É impressionante a relação dos quais padeceram desse mal, a começar por Castro Alves, que morreu antes mesmo de completar 25 anos de idade.

Jânio Da Silva Quadros: Crônica De Uma Renúncia Anunciada
Por: Nelson Valente | 08/05/2008 | Política
Corri bibliotecas, colhi depoimentos, li e reli centenas de revistas e jornais antigos e conversei muito com o próprio personagem. O ex-presidente sempre foi comigo por demais atencioso, relatou-me fatos que hoje tenho por obrigação passar através deste artigo:- Entrevistas e bilhetinhos revelam as várias facetas e o estigma da renúncia do político Jânio da Silva Quadros.

A Suécia É O País Que Mais Investe Em Educação No Mundo
Por: Nelson Valente | 05/05/2008 | Educação
A Suécia é o país que mais investe em educação. Só em 2005, gastou 7,6% do seu Produto Interno Bruto nessa área, superando os Estados Unidos, a França, o Japão e a Itália, que aplicaram índices inferiores do seu PIB no mesmo setor.

Categorias do Artigo






Webmasters

Leitor de RSS
RSS
Links

Business Info

Anunciar