A Revolta Dos Tenentes

Publicado em: 24/06/2008 |Comentário: 1 | Acessos: 3,371 |

A REVOLTA DOS TENENTES

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-

“A união faz a força, a revolta transtorna e seu potencial é sempre minado por conspirações, onde o algoz é o próprio integrante desta revolta.” (Antonio Paiva Rodrigues).

Era grande o número de pessoas insatisfeitas com o governo exercido pela oligarquia cafeeira no Brasil. Os mais diversos setores sociais, industriais, classe média urbana e as classes trabalhadoras estavam indignados e cada um tinha seus motivos de insatisfação contra os mandatários que na opinião deles, visava exclusivamente o atendimento aos seus próprios interesses. Pelos idos de 1921/ 1930 – O descontentamento aumentou substancialmente. O País foi tomado por revoltas armadas. Os percalços do término da segunda mundial em 1918 surgiram e o orbe passou a viver épocas de transformação e mudanças políticas, sociais e econômicas; surgiram novos países, outros deixaram de existir, algumas ideologias como o comunismo e o capitalismo começaram a dominar e se alastrar no mundo, alterando o modo de viver das pessoas.
A influência foi tamanha que houve interferência nas artes e na literatura, denotando que o mundo queria se libertar das algemas do passado e iniciar uma nova vida, uma nova era. As mudanças eram vistas “a olho nu”, porém, no Brasil predominava a República dos Fazendeiros com a mesma política, modelo ultrapassado conforme afirmações do pessoal esclarecido da época.
A marginalização do povo brasiliano continuava e a utilização de meios corruptos e desonestos era um elo fortíssimo para os poderosos se manterem no poder. As oligarquias cafeeiras, diferente do que acontecia no resto do mundo, eram intransigentes, não aceitavam qualquer tipo de mudança, temendo por em risco os seus interesses. Na década de vinte, um novo grupo se rebelou contra o governo dos fazendeiros. Dessa vez foram os oficiais do Exército, especialmente os de baixa patente, os cadetes, tenentes e capitães que lideraram as chamadas Revoltas Tenentistas. Na concepção “salvacionista”, de que a missão do Exército era salvar o País, esses oficiais não se conformaram como o tipo de governo que havia se instalado no Brasil. Sua revolta aumentava à medida em que a inflação crescia a passos largos. O privilégio que o governo deu às Forças Públicas estaduais, as Polícias Militares, em detrimento ao dele e, acima de tudo, a revolta por serem obrigados a pegar em armas e lutarem em defesa de um governo que condenavam.
Muita revolta, quando em 1922 aconteceram as eleições para escolha do Presidente da República, nos mesmos moldes corruptos da política “Café com leite” que elegia um mineiro, um paulista, um mineiro; assim, de antemão, a população já sabia quem seria o presidente. Dezoito oficiais, que serviam na Escola Militar e no Forte de Copacabana no Estado do Rio de Janeiro, revoltados contra tanta corrupção, resolveram se rebelar, tentando impedir pela força de suas armas que o presidente eleito, o paulista Artur Bernardes, tomasse posse e continuasse o domínio “café com leite”.
Conhecida como A Revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana, era mais que um protesto a tudo que havia de corrupto na República dos Fazendeiros. Não tiveram sorte, foram esmagados e apenas dois conseguiram sobreviver. Em 1924 ocorreu uma nova revolta tenentista, só que no Estado de São Paulo. As forças leais ao governo conseguiram dominar a situação e os revoltosos fugiram para o Paraná e Rio Grande do Sul. No Paraná, os oficiais paulistanos se encontraram com um outro grupo rebelde que vinha dos pampas e formaram o movimento chamado Coluna Prestes, liderado pelo capitão Luís Carlos Prestes. Foram dois anos de peregrinação pelo interior do Brasil, tentando convencer a população a ficar contra a República Café com Leite. Neste episódio, os tenentes puderam observar que as injustiças, os sofrimentos e a miséria do povo eram muito maiores do que imaginavam. Assistiram de perto o domínio exercido pelos “Coronéis do Sertão” sobre os sertanejos, opressão que impediam de lutar contra o governo. Sem apoio, sem condições de lutar e vencer, a coluna Prestes foi desfeita.


Antonio Paiva Rodrigues- Militar-Membro da ACI, Alomerce e AOUVIRCE

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    revolta

    ,

    militarismo

    ,

    governo

    Comentar sobre o artigo

    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Uma das palavras mais badaladas nesse período eleitoral foi democracia. Passaram um pano na politicagem, esqueceram os desmandos, as falcatruas, o mensalão, o valerioduto, o propinoduto e o petrolão. Acusaram a "Revista Veja" de ter denunciado antecipadamente os escândalos da Petrobras, afirmando os aficionados de Dilma e Lula e sua quadrilha de que a mídia imprensa agiu de má fé

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 27/10/2014

    Numa decisão política, a ética, as boas propostas deveriam ser o ponto alto da democracia, mas nos parece que todos os candidatos a cargos eletivos trocaram a política pela politicagem. A dúvida para alguns é real na hora da votação, mas vá a urna dizer qual o Brasil que você deseja. É bom frisar que os próximos quatro anos dependem do seu e dos nossos votos. É seu, é nosso direito querermos um país melhor mais democrático, onde haja disciplina, hierarquia e amor à pátria.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatura> Crônicasl 23/10/2014

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    ALCINEIA ROCHA 17/05/2010
    EU gostei muito desse sit
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