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Assim Caminha a Humanidade! A Dignidade da Mulher

Por: Cláudio Antônio Arantes Pompeu Ranking do Autor Azul | Publicado em: 31-05-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 132 | Avaliação:  (117) Ranking do Artigo Azul (?)

A personalidade humana, entre os povos antigos, aparece extremamente diminuída e mutilada. A visão desses povos com relação ao escravo, ao estrangeiro, nas relações pais e filhos e com relação ao gênero feminino é extremamente deformada, relegando essas categorias de pessoas a condição de objetos, meras coisas que se pode dispor de qualquer modo.


Na Grécia antiga, a mulher era sempre considerada inferior ao homem. O grande filósofo Platão dava todos os dias graças aos deuses de ter nascido homem e não mulher, livre e não escravo. A mulher ateniense quase não aparecia em publico e tinha papel de pouca importância na vida social encerrada no gineceu, entre suas escravas, distribuía-lhes a lã para fiar, tecia ela própria as roupas, não se juntava aos homens em suas reuniões, saindo apenas para as festas religiosas. A jovem na família recebe instrução rudimentar, cozinha, borda, cose e canta, casa-se conforme a vontade paterna. A mãe de família é completamente sujeita ao marido; este, antes de morrer, pode escolher-lhe um segundo esposo, é considerada apenas como a primeira entre as escravas e pode ser, sem formalidade alguma, repudiada pelo marido.


Platão admitia em sua cidade ideal a promiscuidade das mulheres e condenava que elas fossem recatadas e castas, obstáculo a seu ver, para a co-educação dos sexos. Propunha, como solução, que na palestra, isto é, nos exercícios no ginásio, tomassem parte jovens de ambos os sexos, inteiramente sem vestes, para com isso se suprimir o pudor.(1)


A poligamia e o divorcio reduzem a mulher à mais triste situação moral na antiguidade. Havia o divorcio dos homens de bem, o divorcio por cansaço, o divorcio dos que mudavam de esposa por ano e também aqueles que se divorciavam para adquirir vantagens financeiras. Tomemos por exemplo, Cícero, que repudiou Terencia, não porque ela lhe tivesse feito algo de errado ou que lhe tenha ofendido, mas simplesmente porque ele precisava de novo dote para satisfazer aos credores. Havia também o divorcio por generosidade, como o de Catão, que, verificando que sua mulher Márcia agradava a seu amigo Hortensio, transfere-la o titulo de esposa.


O divorcio chegou a tal absurdo na época da Roma imperial, que levou Juvenal a dizer:


 


"Sic fiunt octo maritis


Quinque per autumnos.” (2)


Chegou-se ao ponto de nem a esposa do Imperador ter respeito para com sua alta condição social. Valeria Messalina Avgvsta, de família aristocrática tradicional, que passou para a historia simplesmente como Messalina, foi a terceira mulher do imperador Claudius. Conta-se que ela usava seu poder para obrigar subordinados a realizar seus desejos sexuais e chegou a transformar um dos quartos do palácio imperial em um bordel. Lá ela se despia, convidava os homens do povo para se divertirem e cobrava uma pequena taxa deles.


Certa vez , Messalina sabendo da fama de uma prostituta em Roma, desafiou-a uma em uma disputa para ver quem conseguia sair com mais homens. Passaram as duas mulheres a noite toda em seu empenho, e chegando pela manhã, a prostituta exausta declara-se vencida, e Messalina que havia então devorado 25 homens, levou a outros homens que a esperavam para o palácio e ainda ficou com eles mais um dia.


Somente com a queda do Império Romano e a elevação do Cristianismo como religião oficial do Império é que a Igreja regenerou a família e a mulher, elevando o casamento à condição de sacramento, declarando-o indissolúvel, dando enfim à mulher o seu verdadeiro lugar na família.


Hoje está de volta a coisificação do ser humano sob a forma da pornografia com requintes de perversão, do aborto, do divorcio e do abandono em massa dos preceitos cristãos a favor de um “cristianismo” de “prosperidade” mas sem escrúpulos e de uma vida completamente voltada para os prazeres.


Será que não aprendemos nada com a história?


 


 


(1) - Platão a Republica, Livro, V. 457 a 458.


(2) - Juvenal, sat. VI, 229,230.

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Cláudio Antônio Arantes PompeuPerfil o autor:

Bacharel licenciado em filosofia pela USP;
Pós graduado em docência em ensino superior, pela Uninove;
Professor de Filosofia na rede Estadual de São Paulo;
Professor de Filosofia no ensino médio no Colégio Anchieta;

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