Então é natal

25/12/2011 • Por • 4,603 Acessos

Então é Natal. E eu pergunto às pessoas que estão embevecidas com a data se elas sabem exatamente qual é o significado do evento e todas parecem ficar incomodadas com o questionamento. Afinal, para a maioria da população ela representa tão somente uma época em que injetaremos altas doses de consumismo na veia para gáudio do sistema capitalista. É como se uma pessoa utilizasse a droga e outra sentisse a fissura.

Daqui a alguns dias, os efeitos deste orgasmo de consumo desmedido estará espalhado em nossos quintais, irá para os lixões e depois será desovado em algum lugar do planeta juntamente com todos os consectários nefastos para o meio ambiente que já estamos cansados de saber. De qualquer maneira, não há como fugir; somos levados de roldão e mesmo aqueles que não professam religião alguma, são arrastados pela grande onda.

Alguns poucos dizem tratar-se de um tempo de reflexão, porém, quando trago à tona os problemas que estão afligindo a civilização e o planeta, eles me mandam parar. Afirmam que a reflexão deve se restringir às questões individuais, sobre planejamentos a respeito daquilo que devemos mudar em nós mesmos para nos tornarmos pessoas mais disciplinadas e produtivas. Em suma, peças mais convenientes para o grande deus-capital.

Retruco que o indivíduo deve tentar se lapidar realmente, buscando o máximo de brilho possível, mas que esta luz deve ser utilizada para iluminar os seres que nos cercam e que não a possuem suficientemente. Que devemos usá-la para fazer uma profunda reflexão sobre as desigualdades sociais que se tornam bem mais evidenciadas em épocas como essa. Enfim, que devemos melhorar para podermos exercer com maior plenitude a tão necessária solidariedade para com todos demais os seres do universo e não apenas para tirarmos maiores proveitos para a nossa esfera individual.

Palavras ao vento. Ninguém está disposto a parar e escutar. As lojas em poucas horas irão fechar e eles precisam correr para comprar os presentes até mesmo para pessoas que detestam, mas que a deplorável imposição do politicamente correto lhes obriga a presentear. E daí? Afinal, montanhas de lixo irão abafar qualquer resquício de culpa que possa lhes assombrar futuramente por não terem percebido e incorporado o verdadeiro significado que eles mesmos afirmam possuir o Natal.

Então é Natal. E o que você fez? 

Jorge André Irion Jobim. 

Perfil do Autor

Jorge André Irion Jobim

Fui músico durante mais de 30 anos. Há aproximadamente 20 anos, sou advogado da área do Direito de Família e eventualmente na área criminal....