Histórias De Uma Imigrante - Parte I

Publicado em: 03/02/2010 | Comentário: 0 | Acessos: 11

Decidi partilhar a minha experiência de viver fora do Brasil.

Decidi contar a verdade sobre o imigrar “em busca de uma vida melhor”, mas, vou ter de faze-lo em partes, afinal não se descrevem sete anos de experiências em uma única página.

Começo pelo ano de 2001, que foi o ano em que fui a Inglaterra pela primeira vez, mas passado um mês retornei por razões particulares.

Logo na chegada aparece a primeira dificuldade: passar pela imigração (órgão semelhante a nossa polícia federal), pois quando vêem o passaporte “verdinho” - já sei que o novo é azul -, seja o que Deus quiser!

Apesar de no site do consulado britânico no Brasil estar escrito que não é necessário solicitar visto previamente, há verdade é que quando desembarcamos, só atravessamos os portões do aeroporto com muita sorte.   Por que os agentes da imigração sabem que se é brasileiro não vem com intenção de passear, “afinal brasileiro é pobre, não tem condições para isso”, então só pode ser para trabalhar. É assim que temos o nosso passaporte carimbado e somos “devolvidos”, ou na linguagem mais apropriada, deportados. Aliás, em quatro anos perdi as contas de quantas vezes ouvi esta palavra!

A imigração é o terror de todo o imigrante ilegal. Quando temos a sorte de passar pela imigração, concedem-nos um visto de turista de 3 meses a partir daí, estas por conta e risco.

Ultrapassado o primeiro obstáculo, surge o segundo e o terceiro simultaneamente: arranjar um emprego sem saber falar inglês. Digo sinceramente para aqueles que acham que falam inglês só porque estudaram em escola como Fisk e Skills, entre centenas de outras que, quando na primeira pergunta que fazemos a um inglês e ouvimos a resposta, valha-me Deus! Imediatamente damo-nos conta que desperdiçamos nosso dinheiro e tempo naqueles cursos.

 Este foi o meu caso. Quando cheguei ao aeroporto de Heatrow, não estava ninguém a minha espera. Tive que me virar sozinha para cambiar os dólares por libras e poder pegar um transporte que me conduzisse até a casa da minha irmã. Quando perguntei no balcão de informações como fazia para chegar até aquele endereço, não entendi absolutamente nada do que a senhora inglesa falou! Tentativas daqui, mímicas dali, consegui finalmente perceber qual era o ônibus que deveria tomar. Não pensem que são sensíveis ao ponto de entender que nem todas as pessoas do mundo nascem falando inglês.

Mas, ainda tinha outro porém: como é que eu poderia saber aonde deveria descer? Não conhecia Londres! Mais uma vez, tentei dizer ao motorista que precisava descer naquele ponto que a senhora do aeroporto havia explicado. E para falar tudo isso para o motorista? Ele apontou-me um banco próximo e disse para me sentar e assim o fiz. Andamos, andamos e andamos e de repente o ônibus parou e o motorista disse-me para descer.

Desci, e quando olhei para a placa que dizia Nottingh Hill nem queria acreditar que estava naquele bairro do filme com o Hugh Grant! No primeiro orelhão que encontrei liguei para a casa da minha irmã (que estava trabalhando), e um amigo dela veio ao meu encontro e me levou para casa.

(Artigonal SC #1815282)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/cotidiano-artigos/historias-de-uma-imigrante-parte-i-1815282.html

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    imigrante

    ,

    morar no exterior

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