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Virada Cultural Por: RAFAEL LUCAS SANTOS VALIN
É inegável a importância da cultura popular para a formação da identidade de um povo. Toda forma de arte, seja ela erudita ou não, compõe um pilar fundamental para que as pessoas se sintam fazendo parte de um todo maior. Esse tipo de sentimento só é legítimo quando a arte penetra nossas narinas junto com o ar que respiramos. Só tem força quando grande número de pessoas se sentem tocados pelo movimento. O Estado de São Paulo, promoveu, no dia 17 e 18 de Maio de 2008, 24 horas de shows culturais em várias cidades do estado. Especialmente em São João da Boa Vista, os espetáculos foram escolhidos a dedo. As apresentações foram destinadas a diferentes idades e gostos. Foi uma verdadeira apresentação antropo-sociológica. Música Pernambucana, Sertaneja, Flamenca, Clássica, Nordestina, Caipira, Apresentações Teatrais, estes e muitos outros shows fizeram parte da Virada Cultural, verdadeiro exemplo da boa utilização dos impostos públicos. O caráter popular não se remete apenas ao fato de as apresentações serem, de certa forma, marginais, ou seja, não aparecem na grande mídia brasileira, mas sim porque as 24 horas foram gratuitas e boa parte das apresentações realizadas em praça pública. Outro elemento importante dessa jornada cultural, diz respeito ao encontro entre pessoas. Indo na contramão da tendência mundial de desarticulação popular, proporcionada pela intensa revolução técnico-científica, especialmente no papel da Rede Mundial de Computadores (Internet), a Virada, possibilitou o reencontro entre pessoas. Amigos que puderam se rever, namoros que se fizeram e outros que se reinventaram, pessoas desconhecidas que por afinidades ou não começaram conversar, crianças brincando despreocupadas, senhores que puderam matar saudades, enfim, dançar, brincar, comer, cantar e conversar. Voltando às origens da formação social, as pessoas puderam aproveitar o que de mais simbólico existe quando falamos de Sociedade. Este conceito vem perdendo força num mundo onde mais vale a internacionalização do capital financeiro do que a união entre pessoas, onde é mais importante a globalização das idéias por meio de computadores do que o simples bate-papo despreocupado entre amigos. Não é à toa que doenças como o Stress, Depressão, Ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo são moléstias da atualidade. A modernidade, com todo seu espírito frio e calculista, pode, ao desarticular os indivíduos, tornar nossas vidas equivalentes ao sentimento moderno. Desta forma, acontecimentos como a Virada Cultural não deveriam ser uma exceção, mas sim, fazer parte de nosso cotidiano, complementar e fortalecer nossa coesão social.
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Tags do Artigo: Cultura Popular, Convivência Coletiva, Política Estadual Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com Perfil o autor:Sociólogo formado pela Universidade Estadual Paulista -UNESP. Coordenador Pedagógico do Polaris Educacional e eventual Articulista do Jornal O Município. Escrevo sobre variados assuntos buscando sempre fugir à linha do senso-comum.
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