A armadilha da liquidez

25/11/2010 • Por • 192 Acessos

Em matéria de economia política um dos fenômenos que sempre foi a preocupação das autoridades monetárias se chama  "armadilha da liquidez". A medida macroeconômica que os governos mais têm adotado se chama política monetária, que em outras palavras trata de administrar o meio circulante de um país. Quando a moeda é forte, organizada e controlada, serve de instrumento de política econômica para direcionar a economia. A moeda (hoje também na forma escritural) serve para facilitar as trocas, meio de pagamento, mensuração de valores, reserva de valor ou riquezas, entre outras. Pela sua administração ela serve para drenar toda a atividade econômica. Sendo uma "mercadoria" de liquidez universal, isto é, todos a desejam e aceitam em pagamento, ela é utilizada para aumentar a prosperidade como também para desacelerar e evitar a inflação.

            Nas atividades econômicas haverá sempre demanda de moeda que necessitam para suas transações, na outra ponta, haverá um único ofertante: o Banco Central.  Assim, se há excesso de moeda em circulação, haverá inflação de preços, neste caso as autoridades monetárias restringirão a quantidade no meio circulante. Mas, se ocorrer redução da demanda de moeda, pela redução da atividade econômica, as autoridades relaxarão o controle drenando com mais oferta de dinheiro, reativando assim a economia. Sem entrar em questões acadêmicas mais elaboradas, o efeito deste vai e vem do dinheiro na economia refletirá nas taxas de juros.

            A taxa de juros (SELIC no Brasil), fixadas pelas autoridades monetárias é o termômetro sobre o comportamento da economia. Quando ela entra em recesso, como está acontecendo a nível mundial, uma das primeiras medida é baixar as taxas de juros para estimular as compras pelas pessoas. No outro lado, estimula o empresário investir mais com taxas de juros mais atraente. Para este é uma oportunidade para aumentar suas margens de lucro. Por dedução lógica, quanto mais se baixar os juros mais as pessoas comprarão, mais os empresários lucrarão.

            Entretanto esta redução de juros a partir de certo patamar não mais atrairá o interesse dos compradores. Embora este fenômeno seja do conhecimento nos meios acadêmicos, os Estados Unidos e o Japão no desespero de ativar suas economias, caíram nesta armadilha, isto é, com taxas inferiores a 1% ao ano, não mais sensibiliza seus habitantes a comprarem, pois alem de estarem endividados por financiamentos anteriores, a diferença não gera atrativo.

            Uma vez na armadilha, os governos entram num impasse, não é mais possível baixar as taxas de juros, mesmo que seja negativa, porque nela deve estar embutida a depreciação da moeda e neste caso haverá recessão. Se voltarem na contra mão, aumentando os juros novamente, então ai sim os compradores não se entusiasmarão a comprar mais, alem da gritaria do empresário que estava se beneficiando com a baixa dos juros. Esta é a grande enrascada (armadilha) que os paises desenvolvidos em geral se meteram. Espera-se que o Brasil não caia nesta.

           

Sergio Sebold - Economista e Professor

Perfil do Autor

Sergio Sebold

Economista, Pós graduado em Economia Politica (Especialização), Engenharia de Produção - Pesquisa Operacional (Mestrado). Autor do livro:...